Paciente feminina, hipertensa, diabética tipo 2, obesa grau ...
Ao exame encontra-se torporosa, desidratada, hipocorada, PA: 98 x 67 mmHg; FC: 122 bpm; FR: 27 ipm; SaTO2 91%. Abdome globoso, distendido, tenso, muito doloroso a palpação e com descompressão dolorosa difusamente.
Após ressuscitação volêmica foi encaminhada à tomografia que evidenciou volumoso pneumo-peritôneo, líquido livre na cavidade peritoneal e massa heterogênea em topografia do sigmoide distal. Diante desses achados foi submetida à laparotomia exploradora que evidenciou ceco muito distendido e com área de perfuração, além de grande quantidade de secreção entérica na pelve, onde também palpava-se tumor de sigmoide obstrutivo, sem critérios de irressecabilidade.
Assinale a opção que indica a melhor conduta para o caso.
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Tema central: Perfuração cecal secundária à obstrução do sigmoide por tumor maligno.
Neste caso, a paciente apresenta quadro agudo de abdômen perfurativo, secundário a obstrução do cólon por neoplasia de sigmoide, evoluindo para distensão e perfuração cecal (síndrome de válvula fechada). O quadro é agravado por instabilidade hemodinâmica e sinais de sepse, indicando necessidade de abordagem cirúrgica emergencial.
Justificativa da Alternativa Correta (D):
Ileotiflectomia com ileostomia e fístula mucosa é a opção indicada, pois:
- Resseca-se o ceco perfurado e íleo terminal, controlando a fonte de contaminação peritoneal.
- Ileostomia terminal desvia o trânsito intestinal para fora do abdome, minimizando o risco infeccioso em ambiente contaminado.
- Fístula mucosa exterioriza o coto colônico distal, permitindo futura reconstrução do trânsito digestivo quando estabilizada.
Segundo o “Sabiston – Tratado de Cirurgia” (21ª ed., p. 1372): “Em pacientes com peritonite fecal difusa e instabilidade, deve-se evitar anastomose primária, optando-se por ressecção e exteriorização dos cotos.”
Análise das alternativas incorretas:
- A (Síntese do ceco + anastomose primária): Contraindicada devido à impossibilidade de sutura segura em tecido necrosado/perfurado e alto risco de deiscência da anastomose na sepse.
- B (Síntese do ceco + Hartmann): O erro é manter o segmento perfurado e abordar primariamente o sigmoide; não trata a perfuração do ceco.
- C (Colectomia total + anastomose e ileostomia): Embora teoricamente razoável, é inadequada ante a instabilidade e contaminação; anastomose primária nessas condições é arriscada.
- E (Colectomia direita + anastomose + sigmoidostomia): Não resolve a obstrução ou o tumor sigmoide e mantém segmento patológico no abdome.
Estratégia de prova: Em abdome agudo cirúrgico com perfuração e sepse, ressecção do segmento perfurado com exteriorização dos cotos é a conduta mais segura. Fique atento a alternativas que sugerem anastomose primária em pacientes instáveis!
Referências: Sabiston. Harrison. UpToDate. Protocolo Câncer Colorretal (Ministério da Saúde, 2023).
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