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Q4284740 Veterinária
O choque é definido como um estado de hipoperfusão tecidual que resulta em falha na entrega de oxigênio aos tecidos, levando a metabolismo anaeróbio, acúmulo de lactato e, eventualmente, falha de múltiplos órgãos e morte. Embora o choque seja frequentemente associado à hipotensão, é importante reconhecer que a hipotensão é uma manifestação tardia do choque, não sua causa primária. A classificação do choque em categorias distintas é fundamental para orientar o diagnóstico e o tratamento, pois cada tipo de choque requer abordagem terapêutica específica. Uma abordagem terapêutica inadequada pode piorar o estado clínico e levar à morte.
Uma clínica veterinária recebe quatro pacientes em apresentações clínicas distintas:

Paciente 1: cão, 3 anos, atropelado há 1 hora. Apresenta hemorragia externa controlada, frequência cardíaca 160 bpm, tempo de preenchimento capilar (TPC) 3 segundos, mucosas pálidas, pressão arterial 85/50 mmHg, extremidades frias, letargia.
Paciente 2: gato, 8 anos, com histórico de insuficiência cardíaca congestiva (miocardiopatia dilatada). Apresenta frequência cardíaca 180 bpm, TPC 2,5 segundos, mucosas pálidas, pressão arterial 70/40 mmHg, dispneia severa, pulso fraco e irregular, hepatomegalia.
Paciente 3: cão, 6 anos, com peritonite séptica secundária a perfuração intestinal. Apresenta frequência cardíaca 140 bpm, TPC 1,5 segundos, mucosas avermelhadas, pressão arterial 95/60 mmHg, extremidades quentes, febre (39,5°C), letargia.
Paciente 4: cão, 5 anos, com tamponamento cardíaco por efusão pericárdica. Apresenta frequência cardíaca 170 bpm, TPC 2,8 segundos, mucosas pálidas, pressão arterial 80/45 mmHg, pulso jugular distendido, dispneia, letargia.

Considerando a fisiopatologia, as características clínicas e as abordagens terapêuticas específicas de cada tipo de choque, qual das alternativas abaixo apresenta a identificação correta dos tipos de choque e a justificativa fisiológica apropriada?
Alternativas
Q4284739 Veterinária
Uma clínica veterinária de emergência recebe três pacientes simultaneamente em um sábado à noite:
Paciente 1: cão, 7 anos, com histórico de insuficiência renal crônica estágio 4 (creatinina 4,2 mg/dL, ureia 180 mg/ dL) há 8 meses, apresentando-se com apetite reduzido e letargia discreta. O proprietário relata que o animal está assim há 2 dias, mas não há piora aguda. Sinais vitais estáveis: FC 80 bpm, FR 20 rpm, TPC 2 segundos.
Paciente 2: gato, 4 anos, com ferida penetrante na pata traseira esquerda após pisar em vidro. Hemorragia controlada com curativo compressivo. O animal está alerta, mucosas rosadas, FC 120 bpm (elevada pelo estresse), TPC 1,5 segundos. Ferida limpa, sem sinais de infecção.
Paciente 3: cão, 6 anos, Dogue Alemão, apresentando distensão abdominal aguda há 30 minutos, inquietação intensa, tentativas de vômito, salivação excessiva. Sinais vitais: FC 160 bpm, FR 28 rpm, TPC > 2 segundos, mucosas pálidas, pulso femoral fraco. Suspeita clínica de SDVG.
Considerando os conceitos de urgência, emergência, gravidade e triagem, qual das alternativas abaixo apresenta a análise correta da situação clínica e a priorização apropriada dos pacientes?
Alternativas
Q4284738 Veterinária
Um gato macho de 5 anos, pesando 4,5 kg, foi atendido com histórico de anorexia há 6 dias, secundária à obstrução esofágica por corpo estranho sólido (osso). Após remoção endoscópica bem-sucedida do corpo estranho, o animal apresenta disfagia persistente e recusa alimentação voluntária. O clínico planeja iniciar suporte nutricional enteral para evitar desnutrição progressiva e síndrome da realimentação. Considerando a fisiopatologia da disfagia pós-esofágica, o risco de refluxo gastroesofágico e a duração esperada do suporte, qual das alternativas abaixo apresenta a combinação correta de via de acesso, calibre da sonda e tempo de permanência?
Alternativas
Q4284737 Veterinária
Um cão da raça Dogue Alemão, macho, 5 anos, foi atendido em emergência com distensão abdominal aguda, inquietação, salivação intensa, tentativas não produtivas de vômito e mucosas congestas. O exame clínico revelou frequência cardíaca de 180 bpm, tempo de preenchimento capilar superior a 2 segundos, pulso femoral fraco e temperatura retal de 36,8°C. Os exames laboratoriais revelaram: Hematócrito: 16%, Sódio: 138 mEq/L, Potássio: 2,9 mEq/L, Ureia: 98 mg/dL, Creatinina: 2,1 mg/dL, pH sanguíneo: 7,19; PCO2: 28mmHg; HCO3: 11mEq/l.
Responda, com base nos dados laboratoriais, qual alteração eletrolítica mais comum, potencialmente fatal, pode estar presente em casos de síndrome dilatação vólvulo gástrica; qual das alterações gasométricas abaixo é compatível com o quadro apresentado; e qual das opções abaixo é uma complicação frequente durante a reperfusão tecidual após a descompressão gástrica, respetivamente:
Alternativas
Q4284736 Veterinária
A infecção cirúrgica (ISC) é uma complicação grave que aumenta a morbimortalidade. Sobre a classificação e os fatores de risco da ISC, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4284735 Veterinária
Durante a realização de uma cistotomia em um cão macho de 5 anos de idade, para remoção de urólitos de oxalato de cálcio, o cirurgião veterinário planeja o fechamento da bexiga urinária. Considerando as propriedades biológicas dos materiais de sutura e a biomecânica dos padrões de síntese tecidual em pequenos animais, assinale a alternativa que apresenta a combinação correta de fio de sutura e padrão de sutura para o fechamento deste órgão oco:
Alternativas
Q4284734 Patologia
Um felino errante, macho, não castrado, com histórico de livre acesso à rua, é atendido no centro de controle de zoonoses apresentando lesões cutâneas ulceradas e nodulares crônicas, localizadas predominantemente na região cefálica, no espelho nasal e nas orelhas. O médico veterinário suspeita de esporotricose, uma zoonose de caráter emergente. Na dinâmica de transmissão dessa enfermidade em populações de pequenos animais, os felinos infectados atuam como importantes hospedeiros reservatórios e fontes de infecção devido à enorme quantidade de estruturas fúngicas presentes em suas unhas e lesões.
Sabendo que a transmissão para os seres humanos ocorre comumente por meio de arranhaduras, mordeduras ou contato direto com a exsudação das feridas, e considerando a etiologia dessa patologia, a esporotricose é causada por um agente classificado como:
Alternativas
Q4284733 Veterinária
Um felino de 3 anos é atendido em estado de emergência apresentando, ao exame físico, dispneia, edema facial e mucosas de cor marrom-escura (meta-hemoglobinemia). O tutor relata ter administrado, há cerca de 4 horas, um comprimido de paracetamol de uso humano para reduzir a dor do animal, que machucou a pata. Na fisiopatologia dessa toxicose, a incapacidade marcante da espécie em realizar a biotransformação segura do fármaco resulta no desvio massivo para a via oxidativa do citocromo P450, gerando o metabólito reativo NAPQI, responsável pelo estresse oxidativo celular e pelas lesões subsequentes.
Sabendo que o esgotamento de vias acessórias ocorre secundariamente devido à sobrecarga da dose, essa vulnerabilidade primária, congênita e espécie-específica dos felinos, ocorre em decorrência de uma deficiência herdada, ausência de expressão gênica da isoenzima funcional UGT1A6, na seguinte via hepática de conjugação de Fase II:
Alternativas
Q4284732 Veterinária
Uma cadela da raça Labrador Retriever, de 6 anos de idade, castrada, pesando 44 kg, foi atendida em um hospital veterinário para avaliação clínica. Ao exame físico geral, constatou-se que a paciente apresentava um escore de condição corporal (ECC) de 8/9 (obesidade severa), caracterizado por depósitos maciços de gordura na região lombar e na base da cauda, costelas não palpáveis sob espessa camada de tecido adiposo e ausência de linha de cintura em visões lateral e dorsal. Durante a condução da anamnese, o tutor relatou intolerância ao exercício e claudicação intermitente em membros pélvicos. Ao exame específico, após deambulação de curta distância, o animal manifestou taquipneia evidente e intolerância térmica. O exame ortopédico detalhado revelou dor severa à manipulação e extensão bilateral das articulações coxofemorais, com testes de gaveta e de compressão tibial negativos em ambos os joelhos, além de ausência de déficits neurológicos focais. O perfil bioquímico sérico prévio, realizado em jejum de 12 horas, confirmou hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia severas.
Considerando as repercussões multissistêmicas da metainflamação induzida pela obesidade, o perfil endócrino-metabólico do tecido adiposo e as implicações terapêuticas no manejo do paciente canino obeso com base no caso clínico descrito, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q4284731 Veterinária
Um felino doméstico da raça Persa, macho, castrado, de 4 anos de idade, foi atendido em caráter de emergência com histórico de estrangúria, periúria e vocalização frequente na caixa de areia há cerca de 36 horas, evoluindo para apatia e anorexia nas últimas horas. Ao exame físico, o paciente apresentava-se desidratado, hipotérmico, bradicárdico (FC de 110 bpm) e com uma massa firme, distendida e dolorosa palpável em abdômen caudal, compatível com repleção vesical extrema. Diante do diagnóstico imediato de obstrução uretral total por plugue mucoso, o médico veterinário realizou uma coleta de sangue para exames laboratoriais prévios à sondagem para desobstrução.
Considerando as alterações metabólicas decorrentes da obstrução urinária pós-renal prolongada e o protocolo de estabilização emergencial desse paciente, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4284730 Veterinária
Um cão da raça Husky Siberiano, macho, de 2 anos de idade, foi admitido em caráter de emergência em uma clínica veterinária. O tutor relatou que o animal entrou sem permissão no depósito de ferramentas da propriedade, sendo encontrado logo em seguida no quintal já manifestando os primeiros sinais clínicos. O proprietário destacou, ainda, que havia aplicado inseticida no local recentemente. Ao exame físico, o paciente apresentava-se vígil, porém extremamente ansioso, exibindo sialorreia intensa, miose bilateral puntiforme, bradicardia, dispneia por broncoespasmo, diarreia fluida, vômitos e discretas fasciculações musculares generalizadas. O médico veterinário suspeitou imediatamente de uma síndrome colinérgica decorrente da ingestão acidental do produto pesticida.

Considerando o quadro clínico descrito, o mecanismo de ação do agente tóxico e a conduta terapêutica emergencial adequada, assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q4284729 Veterinária
O serviço de vigilância em saúde do município registrou, em um intervalo de seis meses, um aumento atípico no número de atendimentos veterinários relacionados a falhas reprodutivas em cdes, abortamentos tardios e infertilidade persistente. A investigação epidemiológica retrospectiva identificou o marco zero do surto: um canil comercial local que havia expandido suas atividades recentemente. Por falhas graves de biossegurança, o estabelecimento introduziu novos reprodutores adquiridos de outras regiões sem a realização de triagem sorológica prévia ou cumprimento de quarentena. Inspeções subsequentes no canil revelaram que vários machos reprodutores apresentavam quadros de epididimite unilateral e dermatite escrotal por lambedura.

Durante o mapeamento dos casos secundários, um médico veterinário atendeu uma fêmea da raça Poodle, de 3 anos de idade. O tutor relatou que a cadela apresentava um histórico de infertilidade, no qual "nunca conseguia segurar as crias”, ocorrendo abortamentos recorrentes entre 45 e 50 dias de gestação, seguidos por um corrimento vaginal persistente de aspecto mucoide e coloração marrom-acinzentada. O proprietário destacou que utilizou coberturas sucessivas com diferentes parceiros de canis distintos da regido, todos sem sucesso. Diante do risco iminente à saúde dos criadores, dos tutores e dos próprios veterinários assistenciais, o caso foi notificado aos órgãos de saúde pública, visto que a principal suspeita recai sobre um agente de caráter zoonótico, demandando uma abordagem integrada sob a ótica da Saúde Única (One Health).

Considerando o cenário epidemiológico urbano, a principal suspeita etiológica, a dinâmica de transmissão e as implicações na interface saúde animal-humana-ambiental, assinale a alternativa com a afirmação correta:
Alternativas
Q4284728 Patologia
Um cão da raça Labrador Retriever, macho castrado, de 9 anos de idade, com histórico de morte hiperaguda precedida por severa distensão abdominal, é encaminhado ao serviço de patologia animal para a realização de necropsia. Durante o exame macroscópico da cavidade celômica, o patologista relata os seguintes achados em seu laudo: 
• Cavidade abdominal: Acentuada distensão gasosa do estômago, ocupando grande parte do andar cranial e médio do abdômen. Presença de aproximadamente 420 mL de líquido livre de aspecto serossanguinolento na cavidade peritoneal. O estômago apresenta deslocamento anatômico decorrente de vólvulo (rotação ao longo do eixo mesentérico no sentido horário), com o piloro deslocado para a porção dorsal esquerda da cavidade.
• Sistema digestório: Estômago severamente distendido por gás e moderada quantidade de conteúdo alimentar semifluido e espumoso. A parede gástrica apresenta-se difusamente adelgaçada, friável e com áreas extensas de coloração vermelho-escura a enegrecida (aspecto purpúrico), estendendo-se principalmente pela grande curvatura, corpo e fundo gástrico. A mucosa gástrica exibe perda de esmaecimento, congestão severa, hemorragia difusa e áreas focais de ulceração/desprendimento epitelial.
• Baço: Severamente aumentado de tamanho, assumindo formato em "C" (ferradura), deslocado caudoventralmente à esquerda. O órgão exibe coloração vermelho-escura a azul-arroxeada, consistência firmemente elástica e, ao corte, há livre escoamento de grande quantidade de sangue venoso escuro, com torção evidente do ligamento gastroesplênico e dos vasos esplênicos.
• Sistema cardiovascular e respiratório: Diafragma deslocado cranialmente. Os pulmões apresentam-se bilateralmente colapsados, de coloração vermelho-escura, pesados e com crepitação reduzida. O miocárdio exibe, na superfície de corte do ventrículo esquerdo e septo interventricular, áreas multifocais pálidas. Os grandes vasos contêm sangue escuro e fluidificado.

Diante do quadro clássico de alterações circulatórias agudas obstrutivas e isquêmicas descrito, assinale a alternativa com a afirmação incorreta:  
Alternativas
Q4284727 Veterinária
Um canino, Pastor Alemão, fêmea, de 3 meses de idade, apresenta histórico clínico de regurgitação crônica de conteúdo alimentar semidigerido imediatamente após a alimentação, resultando em um escore de condição corporal severamente diminuído. Ao exame radiográfico contrastado do esôfago (esofagograma com suspensão de sulfato de bário a 30%), observou-se acentuado aumento do luminiograma esofágico por retenção do meio de contraste em segmento cranial à base cardíaca, caracterizando acentuada dilatação esofágica proximal à obstrução. O ponto de transição exibe um estreitamento abrupto da luz esofágica na projeção do plano vascular da base do coração, com desvio ventral da traqueia intratorácica.
Sabendo que essa afecção decorre de uma anomalia do desenvolvimento embrionário dos arcos aéreos fetais, que resulta no aprisionamento extrínseco do esôfago, assinale a alternativa que indica, respectivamente, o diagnóstico nosológico correto e as estruturas anatômicas que delimitam diretamente o anel de constrição esofágica:
Alternativas
Q4284726 Veterinária
Analise o quadro clínico a seguir e responda ao solicitado.

Um furdo (Mustela putorius furo), macho, castrado, de 4 anos, 900 g, foi recebido para avaliação clínica de rotina. O tutor relatou evolução de aproximadamente dois meses de hipoatividade discreta e episódios de fraqueza em membros pélvicos (paresia/ataxia transitória), episódios de ausência (olhar fixo/estupor) com duração de poucos segundos, predominantemente no período matutino, e ocorrência de episódios de sialorreia. O tutor reportou que a sialorreia cessava espontaneamente após a oferta de petiscos caseiros à base de mel e frutas.
Ao exame físico, o paciente apresentava-se alerta, ativo, com escore de condição corporal (ECC) 4/5, parâmetros cardiorrespiratórios normais e temperatura retal de 38,2 °C. Não foram observadas alterações de pelagem (ausência de alopecia), infadenomegalia ou massas à palpação abdominal. Aproveitando o período de jejum voluntário de 4 horas pré-consulta, realizou-se a mensuração da glicemia por meio de glicosímetro portátil calibrado para a espécie, obtendo-se o valor de 58 mg/dL (referência: 70 a 110 mg/dL). Diante do achado de hipoglicemia, foi solicitada ultrassonografia abdominal com transdutor linear de alta frequência. O exame demonstrou parênquima hepático e esplênico homogêneos, além de glândulas adrenais dentro dos limites para a espécie (adrenal direita medindo 3,2 mm e esquerda medindo 3,9 mm de diâmetro), com arquitetura e ecogenicidade preservadas. Todavia identificou-se uma diminuta estrutura nodular, arredondada, hipoecoica e bem circunscrita, medindo 2,17 mm de diâmetro, localizada na extremidade do lobo esquerdo do pâncreas.

Diante do cenário clínico de evolução sutil e dos achados complementares, assinale a alternativa que estabelece o diagnóstico presuntivo correto e a conduta terapêutica inicial recomendada para o manejo do paciente:  
Alternativas
Q4284725 Veterinária
Analise o quadro clínico a seguir e responda ao que é solicitado:

Um felino, macho, sem raça definida (SRD), de aproximadamente 2 anos de idade e pesando 4,2 kg, foi atendido com histórico de apatia severa e anorexia nas últimas 12 horas. O tutor relatou episódios de vômitos que cessaram espontaneamente há aproximadamente dois dias. Como dado epidemiológico, o tutor destacou que cultiva e coleciona diversos tipos de plantas e flores, como espécimes ornamentais bulbosos da família das liliáceas, exemplares de Araceae (como comigo-ninguém-pode) e Euphorbiaceae (como coroa-de-cristo) em vasos pela casa. Relatou que o felino frequentemente transitava próximo aos vasos; e, embora afirme que o paciente não possui o hábito de mastigar as plantas, notou sujidades de pólen amarelado na pelagem do animal dias antes. 

Ao exame físico inicial, o paciente apresentava estado mental de estupor, desidratação severa (estimada em 10%), mucosas pálidas e secas, além de hipotermia (37,1 °C). À palpação abdominal, constatou-se nefromegalia bilateral com intensa resposta álgica na região lombar. A bexiga encontrava-se vazia. 
Os exames laboratoriais e de imagem iniciais revelaram: hemograma com hematócrito de 56% (referência: 24-45%), proteínas plasmáticas totais (PPT) 9,2 g/dL (referência: 6,0-8,0 g/dL), leucocitose moderada por neutrofilia segmentada e linfopenia acentuada. Perfil bioquímico: creatinina de 14,5 mg/dL (referência: até 1,6 mg/dL) e ureia >300 mg/dL (referência: até 60 mg/dL). Ultrassonografia abdominal: rins aumentados de tamanho, com perda da definição e da relação corticomedular, associados a acentuado edema perirrenal. 
Evolução: Poucas horas após a admissão e instituição de fluidoterapia de emergência, o paciente manifestou o início súbito de ataxia generalizada e perda de equilíbrio, evoluindo rapidamente para decúbito lateral. No exame neurológico sequencial, observou-se a presença de fasciculações musculares contínuas na hemiface, regiões perioculares e pavilhões auriculares. O exame dos pares de nervos cranianos revelou midríase bilateral simétrica com reflexo fotomotor direto e consensual presentes, porém lentificados (reflexo de ameaça ausente com manutenção das estruturas anatômicas oculares). Na sequência, o paciente manifestou crise convulsiva tônico-clônica generalizada, caracterizada por opistótono, movimentos de pedalada, sialorreia intensa e relaxamento de esfíncter anal. A crise foi controlada com protocolo de diazepam e propofol, porém, diante do quadro de anúria persistente refratária e falência múltipla de órgãos, o paciente evoluiu para óbito.

Diante do histórico clínico fornecido, assinale a alternativa que estabelece o diagnóstico presuntivo correto, integrando o nexo causal epidemiológico e as manifestações multissistêmicas observadas:
Alternativas
Q4282797 Veterinária
Uma novilha leiteira, holandesa, 18 meses, foi atendida em clínica veterinária apresentando claudicação severa do membro pélvico direito com impossibilidade de estender o joelho. O proprietário relata que o animal apresentou episódio agudo de queda durante a movimentação no curral há 2 dias. Ao exame clínico, observa-se edema moderado na região do joelho, posicionamento do membro em flexão permanente, e palpação revela deslocamento medial da patela com impossibilidade de redução manual. O animal apresenta dor severa à manipulação da articulação femorotibial. Radiografias confirmam luxação medial de patela com possível envolvimento de estruturas articulares. Considerando a etiologia, a fisiopatologia, a classificação e o manejo clínico-cirúrgico de luxação de patela em bovinos de leite, qual das seguintes alternativas melhor descreve esta afecção? 
Alternativas
Q4282796 Veterinária
Uma vaca leiteira, holandesa, 5 anos, multipara, foi atendida em emergência com prolapso retal completo. O proprietário relata que a vaca apresentou esforço excessivo durante a defecação há aproximadamente 4 horas, resultando em prolapso de aproximadamente 60 cm de reto. A vaca apresenta sinais clínicos severos: mucosas pálidas e secas, frequência cardíaca de 110 bpm, frequência respiratória de 40 irpm, tempo de preenchimento capilar de 3 segundos, temperatura retal de 36,8°C. O exame do prolapso revela edema severo, descolorado roxo-escura com áreas de necrose e presença de contaminação fecal. O veterinário suspeita de choque hipovolêmico secundário ao prolapso retal, com possível comprometimento hemodinâmico severo. A vaca apresenta hematócrito de 48% (referência: 24-46%), proteína plasmática total de 8,2 g/dL (referência: 6,0-7,5 g/dL), indicando hemoconcentração severa. Considerando os desafios hemodinâmicos, fluidoterapia apropriada, uso de cristaloides e coloides em grandes animais, analise as seguintes afirmativas, julgando se verdadeiras (V) ou falsas (F): 

l. O prolapso retal em vacas é uma emergência cirúrgica que resulta em perda significativa de fluidos corporais através da superfície mucosa edemaciada e necrótica do reto prolapsado. A hemoconcentração observada (hematócrito 48%, proteína plasmática total 8,2 g/dL) indica perda de fluidos corporais com retenção relativa de células sanguíneas e proteínas, resultando em choque hipovolêmico. A fluidoterapia deve ser iniciada imediatamente com cristaloides (solução de Ringer lactato) em bolus de 20-40 mL/kg IV durante 15-30 minutos, seguida de manutenção contínua, com objetivo de restaurar perfusão tecidual e normalizar parâmetros hemodinâmicos.
II. Em caso de choque hipovolêmico severo como o apresentado, o uso de coloides (albumina, dextrana, gelatina, plasma) é contraindicado em grandes animais, pois estes medicamentos aumentam significativamente a pressão oncótica intravascular, causando extravasamento de fluido para o interstício e piora do edema. Portanto a fluidoterapia deve ser baseada exclusivamente em cristaloides, evitando completamente o uso de qualquer coloide em vacas com choque hipovolêmico.
III. A monitorização hemodinâmica durante fluidoterapia em prolapso retal deve incluir avaliação contínua de frequência cardíaca, frequência respiratória, tempo de preenchimento capilar, coloração de mucosas, temperatura de extremidades e possível mensuração de pressão venosa central (PVC) através de cateter em veia jugular. A normalização destes parâmetros indica resposta apropriada à fluidoterapia. Porém, em grandes animais, a interpretação de PVC deve levar em conta que valores normais são diferentes de pequenos animais (referência em vacas: 5-15 cm H,O), e elevação de PVC pode indicar sobrecarga de volume ou falha cardíaca.
IV. A velocidade de infusão de cristaloides em vacas com choque hipovolêmico deve ser agressiva na fase inicial (bolus rápido), mas deve ser reduzida significativamente após restauração de perfusão tecidual básica, pois infusão contínua agressiva de cristaloides em grandes animais pode resultar em edema pulmonar, edema subcutâneo severo e possível falha cardíaca. Além disso, em casos de prolapso retal com edema severo, infusão excessiva de cristaloides pode piorar o edema do tecido prolapsado, dificultando a redução e aumentando risco de necrose tecidual.
V. A escolha entre cristaloides e coloides em vacas com choque hipovolêmico deve ser baseada exclusivamente no tipo de fluido disponível no momento, sem consideração de fatores clínicos como severidade do choque, tempo de evolução ou presença de edema. Portanto, se apenas houver cristaloides, deve-se usar cristaloides; se houver apenas coloides à disposição, deve-se usar coloides, independentemente de qualquer outra consideração clínica.

Assinale a alternativa com a sequência correta:
Alternativas
Q4282795 Veterinária
Um equino, macho, 10 anos, foi atendido em clínica oftalmológica com queixa de fotofobia severa, lacrimejamento excessivo e blefaroespasmo no olho esquerdo. O proprietário relata que o animal apresentou estes sinais há 48 horas, com progresso rápido. Ao exame oftalmológico, observa-se hiperemia conjuntival, edema de córnea (ceratite), miose (pupila contraída), presença de fibrina na câmara anterior (hipópion) e possível precipitado ceratoide. A pressão intraocular está reduzida (8 mmHg, referência: 15-25 mmHg). O veterinário suspeita de uveíte anterior aguda. Considerando os conhecimentos sobre etiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento de uveíte em equinos, analise as seguintes afirmativas: 

l. A uveíte em equinos é uma inflamação do trato uveal, que compreende a íris, o corpo ciliar e a coroide. A forma mais comum em equinos é a uveíte anterior, que se apresenta com sinais clássicos como fotofobia, lacrimejamento, blefaroespasmo, miose e edema de cérnea. A uveíte em equinos pode ser de origem infecciosa (leptospirose, toxoplasmose, tuberculose) ou não infecciosa (trauma, cirurgia oftalmológica prévia, síndrome do olho sensível), sendo a forma idiopática a mais frequente, representando aproximadamente 60-70% dos casos.
II. A redução da pressão intraocular em casos de uveíte anterior aguda ocorre devido à inflamação do corpo ciliar, que reduz a produção de humor aquoso. Este achado é típico de uveíte anterior e diferencia esta de outras condições oftalmológicas, como glaucoma primário, em que a pressão intraocular está elevada. A presença de hipópio (acúmulo de células inflamatórias na câmara anterior) é um sinal de inflamação severa e requer tratamento agressivo para evitar complicações como sinéquia posterior, catarata e perda de visão.
III. O tratamento da uveíte anterior em equinos deve incluir anti-inflamatórios tópicos potentes (como dexametasona ou betametasona), aplicados frequentemente (a cada 2-4 horas), associados a midriáticos (como atropina 1%) para manter a pupila dilatada e prevenir sinéquia. Além disso, anti-inflamatórios sistêmicos (AINEs como fenilbutazona 4 mg/kg a cada 12 horas) são essenciais para controlar a inflamação sistêmica. O uso de corticoides sistêmicos (como dexametasona 0,1 mg/kg a cada 12 horas) pode ser indicado em alguns casos de uveíte, pois estes medicamentos diminuem significativamente a inflamação intraocular.
IV. A uveíte recorrente equina (ERU), também conhecida como oftalmia periódica, é uma forma crônica de uveíte que afeta aproximadamente 5-15% dos equinos. Caracteriza-se por episódios recorrentes de inflamação intraocular, que podem levar à cegueira permanente se não tratados adequadamente. Fatores predisponentes incluem genética, raça (cavalos árabes têm incidência aumentada), possível etiologia infecciosa (leptospirose, Lyme) e possível autoimunidade. O tratamento inclui controle agressivo de cada episódio agudo e possível uso de medicações preventivas como ciclosporina tópica ou sistêmica.
V. A avaliação diagnóstica de uveíte em equinos deve incluir exame oftalmológico completo com lâmpada de fenda, tonometria e possível ultrassonografia ocular para avaliar estruturas posteriores. Testes laboratoriais como sorologia para leptospirose, toxoplasmose e tuberculose devem ser realizados rotineiramente em todos os casos de uveíte, pois identificam a causa em 100% dos casos. Além disso, radiografia de crânio deve ser realizada em todos os casos para descartar osteomielite ou sinusite que possam estar causando a uveíte.

Pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q4282794 Veterinária
Uma ovelha da raça Santa Inês, primípara, 3 anos, foi atendida em emergência após 8 horas de trabalho de parto sem progresso. A proprietária relata que a ovelha apresenta contrações uterinas fortes e frequentes, mas não consegue expelir o feto. Ao exame clínico, a ovelha apresenta sinais de fadiga, mucosas pálidas, frequência cardíaca elevada (120 bpm) e temperatura retal de 38,5°C. O exame obstétrico revela dilatação cervical completa, presença de líquido amniótico, mas o feto está em posição transversa (dorso-sacral), com os membros anteriores fletidos. Após tentativa de mutação manual sem sucesso, o veterinário suspeita de distocia mecânica. Considerando os conhecimentos sobre fisiopatologia da distocia, manobras de mutação e extração, fetotomia e cesariana em pequenos ruminantes, analise as seguintes afirmativas, julgando se verdadeiras (V) ou falsas (F): 

l. A distocia em pequenos ruminantes é definida como a dificuldade ou impossibilidade de expulsão do feto durante o parto, podendo ser classificada em distocia materna (relacionada ao tamanho ou à conformação da pelve) ou distocia fetal (relacionada ao tamanho, à posição ou à conformação do feto). A posição transversa do feto, como a observada no caso apresentado, é uma causa comum de distocia fetal em ovelhas primíparas, representando aproximadamente 15-20% dos casos de distocia em pequenos ruminantes. 
II. As manobras de mutação são procedimentos manuais realizados com objetivo de corrigir a posição do feto dentro do útero, permitindo sua extragdo por via vaginal. Em caso de posição transversa, como a descrita, a manobra apropriada seria a rotação do feto para posição longitudinal (dorso-sacral para dorso-vertebral), seguida de flexão dos membros anteriores e de posterior extração forçada. Estas manobras devem ser realizadas sob sedação e analgesia apropriadas, com lubrificação adequada do canal pélvico, e requerem experiência clínica significativa para evitar ruptura uterina ou lesão fetal.
III. A extração forçada em pequenos ruminantes deve ser realizada apenas após tentativas falhadas de mutação manual e com aplicação de tração moderada durante as contrações uterinas. Em fetos viáveis, a extração forçada pode resultar em lesão fetal severa (fraturas, hemorragia intracraniana) e lesão materna (ruptura uterina, hemorragia vaginal severa). Portanto a extração forçada deve ser evitada completamente em todos os casos de distocia, sendo a cesariana a única opção terapêutica apropriada para qualquer situação de distocia em pequenos ruminantes.
IV. A fetotomia é um procedimento cirúrgico que consiste na divisão do feto em segmentos para facilitar sua extração por via vaginal, em casos de distocia fetal em que a extração inteira é impossível. Indicações incluem feto morto, feto muito grande em relação à pelve materna ou quando cesariana não é viável (falta de recursos, morte materna iminente). A fetotomia requer conhecimento anatômico detalhado, instrumentação apropriada e experiência clínica, sendo considerada um procedimento de salvação em situações desesperadas.
V. A cesariana em pequenos ruminantes é realizada através de incisões na linha média ventral ou incisão no flanco, com exteriorização do útero gravídico. O procedimento deve ser realizado sob anestesia geral com intubação endotraqueal, com a preparação cirúrgica apropriada da área operatória. A cesariana oferece melhor prognóstico materno e fetal se comparada à fetotomia ou à extração forçada, especialmente em casos de distocia materna (pelve pequena) ou quando há viabilidade fetal. Porém a cesariana em pequenos ruminantes apresenta taxa de complicações pós-operatórias muito elevada (> 50%), incluindo infecção, deiscência de sutura e morte materna, tornando-a contraindicada em praticamente todos os casos de distocia.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
Alternativas
Respostas
121: C
122: E
123: C
124: A
125: D
126: A
127: B
128: B
129: D
130: C
131: C
132: B
133: E
134: A
135: C
136: A
137: D
138: D
139: C
140: A