Questões de Concurso Para professor - história

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Q3652225 Português
Leia o texto e resposta à questão.


“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro


    Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis de apagar do que um erro de conta.

    Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor, Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante, como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.

    Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.

    A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar, castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo” tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não estavam no quadro-negro.

    Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda, termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam menos do que a própria consciência.


Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
Quanto às funções da linguagem predominantes, podemos afirmar que o texto
Alternativas
Q3652224 Português
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“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro


    Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis de apagar do que um erro de conta.

    Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor, Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante, como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.

    Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.

    A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar, castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo” tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não estavam no quadro-negro.

    Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda, termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam menos do que a própria consciência.


Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
No trecho “falta mais difícil de apagar do que um erro de conta”, o termo “conta” explora o efeito semântico:
Alternativas
Q3652223 Português
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“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro


    Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis de apagar do que um erro de conta.

    Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor, Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante, como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.

    Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.

    A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar, castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo” tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não estavam no quadro-negro.

    Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda, termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam menos do que a própria consciência.


Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
Do segmento que narra a punição (“A punição vem pública e certeira…”), interpreta-se que o texto
Alternativas
Q3652222 Português
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“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro


    Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis de apagar do que um erro de conta.

    Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor, Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante, como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.

    Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.

    A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar, castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo” tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não estavam no quadro-negro.

    Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda, termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam menos do que a própria consciência.


Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
No trecho “falta mais difícil de apagar do que um erro de conta”, qual pressuposto ativa-se para que a comparação funcione?
Alternativas
Q3652221 Português
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“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro


    Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis de apagar do que um erro de conta.

    Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor, Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante, como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.

    Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.

    A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar, castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo” tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não estavam no quadro-negro.

    Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda, termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam menos do que a própria consciência.


Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
Considerando a situação comunicativa, identifica-se que o texto é enunciado por um
Alternativas
Q3652220 Português
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“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro


    Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis de apagar do que um erro de conta.

    Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor, Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante, como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.

    Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.

    A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar, castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo” tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não estavam no quadro-negro.

    Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda, termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam menos do que a própria consciência.


Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
Quanto ao tipo e gênero, a melhor classificação para o texto apresentado está na opção:
Alternativas
Q3652219 Português
Leia o texto e resposta à questão.


“Conto de escola”: a lição que não estava no quadro


    Na manhã de uma segunda-feira de 1840, um menino indeciso caminha pelas ruas do Rio de Janeiro com a cabeça dividida entre a liberdade do campo e a obrigação da aula. Ele se chama Pilar e, embora costume acabar as lições mais depressa que os colegas, carrega ainda no corpo a lembrança das surras que o pai dá quando ele mata aula. A escola, num sobrado de grade de pau, parece menor do que a cidade que o cerca; ainda assim, é ali que Pilar vai descobrir que existem faltas mais difíceis de apagar do que um erro de conta.

    Ao subir a escada, Pilar encontra o filho do professor, Raimundo, um menino pálido e aplicado, que entende as coisas devagar e teme o pai severo. Raimundo se aproxima, hesitante, como quem pede segredo antes de pedir favor. Entre olhares furtivos e silêncios, ele oferece uma moedinha de prata para que Pilar lhe sopre a lição de aritmética. Pilar hesita: a mão aceita o brilho, mas o estômago embrulha. A tentação parece pequena e privada; afinal, é só uma ajuda rápida, um empurrão nos números que tanto custam a Raimundo. Ninguém notará, pensa.

    Na sala, as carteiras rangem, a palmatória adormece sobre a mesa, e o professor, grave, distribui tarefas como se fossem sentenças. Entre os meninos, um se destaca: Curvelo, atento como quem fareja vantagem. É ele quem percebe os sussurros entre Pilar e Raimundo, é ele quem mede o valor do silêncio e da palavra, e é dele que sai a delação que rompe a frágil barraca de feira em que a pequena corrupção tentava se esconder. De súbito, tudo para: o mestre fixa os olhos pontudos em Pilar e no próprio filho, pedindo explicações que as bocas não sabem dar.

    A punição vem pública e certeira. Não é apenas a dor física que arde, mas a vergonha que se espalha pela sala como tinta derramada. A palmatória, instrumento pedagógico daquela época, marca não só as mãos: grava, sobretudo, a memória de que atos discretos podem ter consequências amplas. Pilar, castigado ao lado de Raimundo, percebe que o pequeno “acordo” tinha um preço que o brilho da moeda não mostrava. Entre o castigo do corpo e o silêncio pesado do professor, descobre-se algo sobre lealdade, medo e responsabilidade — lições que não estavam no quadro-negro.

    Anos depois, ao narrar o episódio, Pilar já entende o que naquela manhã escapava: a escola é também uma arena de escolhas morais, onde convivem o impulso de ajudar, a procura de atalhos e a sombra da delação. O saldo da história não é tanto a matemática que faltou, mas a ética que, a duras penas, se aprendeu. E essa lição, que começou com uma moeda miúda, termina maior do que o sobrado da Rua do Costa, porque segue valendo fora da sala, onde os olhos alheios muitas vezes pesam menos do que a própria consciência.


Fonte: Machado de Assis, “Conto de escola”, em Várias histórias (1896) Adaptado.
Qual a afirmação que sintetiza a ideia central construída pelo narrador?
Alternativas
Q3645682 História
Considerando a história dos povos originários no Brasil analise as proposições a seguir.

I- A finalidade específica do descimento era o desenraizamento cultural. O que os missionários queriam efetivamente era desvincular o indígena de seu habitat natural, de sua ligação tribal, de seus costumes ancestrais.
II- Nos aldeamentos, os índios tinham total liberdade para viverem, eram catequisados e aprendiam os costumes dos europeus, tornavam-se cristãos e eram aceitos pelos colonizadores.
III- A vida e a religião dos indígenas foram demonizadas pelo catolicismo e os pajés ou feiticeiros, líderes religiosos dos povos originários, assim foram os que tinham maior influência diabólica, segundo a visão dos missionários.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3645681 História
Tendo como premissa a construção da identidade do povo brasileiro no período oitocentista, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I- O romantismo dedicou-se a reler em tom épico o passado histórico do Brasil, exaltou a bravura indígena, a resistência e a morte heroica como expressou Gonçalves Dias em seus poemas.
PORQUE
II- O secretário do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB), Francisco Varnhagen, seguidor do pensamento naturalista e autor de uma das obras da historiografia oficial, História Geral do Brasil, destacava a imagem do índio como símbolo da identidade nacional.

A respeito dessas asserções, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645680 História
Os primeiros anos da República, o Brasil foi marcado:
Alternativas
Q3645679 História
“A questão que será objeto de nossa reflexão pode ser formulada e reformulada das seguintes maneiras: o conhecimento histórico pode oferecer verdade? Que grau de verdade? Até que ponto o conhecimento histórico é capaz de ser objetivo?” (Reis, 2006. p.147)
Fonte: Reis, Jose Carlos. História & Teoria – Historicismo, Modernidade, Temporalidade e Verdade. 3ª edição. RJ. Editora FGV. 2006

Considerando a relação entre história e verdade, analise as afirmativas a seguir.

I- A escola histórica metódica sustenta que o passado é real e que pode e deve ser restaurado em sua integralidade.
II- Para Ricoeur e Marrou, historicistas, a história é capaz de oferecer a verdade do seu objeto, o mundo humano universal.
III- Para Foucault, a verdade histórica não se refere a um real humano universal e exterior ao sujeito do conhecimento; é construção de um sujeito particular e só faz aparecer a particularidade.
IV- Para Certeau, a verdade histórica se refere a um além-filosófico, apreendido de um lugar, de uma instituição.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3645677 História
Quanto à pecuária na América portuguesa, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645675 História
Tendo como premissa a abertura política e o movimento das “Diretas Já”, analise as afirmativas a seguir.

I- A campanha pelas “Diretas Já” exigia transformações políticas no país, como eleição direta para o cargo de presidente da república, mas não queria afetar a organização econômica e social do Brasil.
II- A insatisfação generalizada, o descrédito da política econômica do governo e os sinais de deterioração levaram durante o ano de 1983 e especialmente 1984, a um maior desgaste e isolamento do regime ditatorial.
III- A campanha das “Diretas Já” começa com um grande comício na Avenida Paulista em meados de 1983 e, desde o início, com todo o apoio dos grandes meios de comunicação, inclusive a Rede Globo, empolgou toda a sociedade.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645674 História
“Se as desigualdades são sempre construções históricas, as diferenças também podem sê-lo” (Barros, 2009,p.39)
Fonte: Barros, José D'Assunção. A Construção Social da Cor – diferença e desigualdade na formação da sociedade brasileira. RJ. Vozes. 2009
Considerando a presença de povos africanos na formação da sociedade brasileira, analise as proposições a seguir.

I- Desumanizado e aprisionado no mundo das diferentes mercadorias, o cativo africano é mais facilmente atirado no mundo das diferenças escravas. As diferenças humanas (etnias, sua cultura original) serão diluídas ou apagadas, em favor de um novo tipo de diferença que o remete ao mundo dos objetos, um objeto de cor negra que pode ser comercializado.
II- A Igreja condenava o tráfico negreiro e a ideia de uma África selvagem. Era necessário catequisar os africanos e, somente os que fossem rebeldes, deveriam ser escravizados, inclusive para o trabalho forçado nas propriedades dos religiosos.
III- Na cartografia, no final do século XVI, já se fazia presente uma representação da Europa como centro do mundo e uma África como periferia incivilizada – ora uma terra de diferença e selvageria, ora uma vasta região perigosamente sujeita à influência islâmica na parte norte do continente.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3645673 História
Sobre os movimentos sociais no Brasil contemporâneo é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3645672 História
A ditadura civil-militar esteve presente no Brasil entre 1964-1985. Avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I- O espaço de resistência democrática – com forte presença na classe média urbana – era a cultura no seu sentido mais amplo: a literatura, a música popular, o cinema, o teatro, que tematizavam os dilemas dos país.
PORQUE
II- Neste período, mesmo sofrendo perseguições da censura, da polícia, de grupos de extrema direita, no governo Castelo Branco, o Brasil teve os primeiros grandes festivais de música popular, as peças politizadas dos teatros Oficina e Arena, a poesia, a prosa engajadas, e vários filmes tratando da conjuntura política e com foco especialmente no mundo rural.

A respeito dessas asserções, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645671 Pedagogia
“Na perspectiva de uma estreita vinculação entre pesquisa e ensino de história, o uso de diferentes fontes e linguagens – compreendidas entre imagens, obras literárias, artigos de jornal, filmes e música – compõe um terreno fértil para pensar a sala de aula não como um local de simples transmissão do conhecimento, mas como momento e espaço de produção do saber histórico.” (Esteves, 2007, p.481)
Fonte: ESTEVES, Flávia Cópio. Interpretações do passado, leituras do tempo presente: notas sobre o diálogo entre história e cinema. In: ABREU, Martha. SOIHER, Raquel, GONTIJO, Rebeca. (Organizadoras). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de história. RJ. Civilização Brasileira. 2007.

Considerando o cinema como recurso didático-pedagógico nas aulas de História no ensino básico, analise as proposições a seguir.

I- Em um filme histórico, as imagens nos mostram um mundo real levando o docente a fazer junto aos seus alunos uma leitura literal da época abordada pela temática do filme.
II- O professor deve conceber o filme não como uma obra de arte, mas sim como um produto, uma imagem-objeto, cujas significações não são totalmente cinematográficas. Não vale apenas por aquilo que ele testemunha, mas também a partir da análise sócio histórica que autoriza.
III- As várias formas de registro fílmico – ficção, documentário, cinejornal – devem ser compreendidas como meio de representação da história, interpretando e transformando o que foi recortado do real.
IV- Um dos aspectos que deve ser trabalhado com os educandos é o lugar social em que o filme foi produzido porque se precisa compreender o determinado momento histórico de sua produção: influências políticas, sociais, culturais, econômicas e históricas que envolvem o produtor e os financiadores.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645668 Pedagogia
Tendo como premissa a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e o ensino de História nos anos finais do Ensino Fundamental, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I- A análise histórica é uma habilidade complexa, mas indispensável no exercício didático-pedagógico.
PORQUE
II- Torna-se necessário problematizar a própria escrita da história e exige-se do educando uma compreensão estética e, principalmente, ética do objeto em questão.

A respeito dessas asserções, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3645038 Pedagogia
Ao abordar as tendências pedagógicas na prática escolar, Libâneo (2014, p. 2) assevera que “a educação brasileira, pelo menos nos últimos cinquenta anos, tem sido marcada pelas tendências liberais, nas suas formas ora conservadora, ora renovada. Evidentemente tais tendências se manifestam, concretamente, nas práticas escolares e no ideário pedagógico de muitos professores, ainda que estes não se deem conta dessa influência. [...] A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das diferenças de classes, pois, embora difunda a ideia de igualdade de oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições”.

Fonte: LIBÂNEO, J. C. Tendências Pedagógicas na Prática Escolar. Disponível em https://praxistecnologica.wordpress.com/wpcontent/uploads/2014/08/tendencias_pedagogicas_libaneo.pdf. Acesso em 29/08/2025. (Adaptado)

Considerando a abordagem das tendências pedagógicas por Libâneo e o excerto apresentado, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645037 Pedagogia
Na página oficial da UNESCO na internet, em uma seção na qual é abordado o aprendizado digital e a transformação da educação, a UNESCO justifica o fato de considerar importante a inovação digital na educação, nos termos que seguem:

“A tecnologia digital tornou-se uma necessidade social para garantir a educação como um direito humano básico, especialmente em um mundo que vivencia crises e conflitos cada vez mais frequentes. Durante a pandemia da COVID-19, os países sem infraestrutura suficiente de TIC [Tecnologias da Informação e Comunicação] e sem sistemas de aprendizagem digital bem estruturados sofreram as maiores interrupções educacionais e perdas de aprendizagem. Essa situação deixou até um terço dos estudantes em todo o mundo sem acesso à aprendizagem durante o fechamento das escolas por mais de um ano. A interrupção educacional causada pela COVID-19 revelou claramente a urgente necessidade de aliar tecnologias e recursos humanos para transformar os modelos escolares e construir sistemas de aprendizagem inclusivos, abertos e resilientes. A UNESCO apoia o uso da inovação digital para ampliar o acesso a oportunidades educacionais e promover a inclusão, aprimorar a relevância e a qualidade da aprendizagem, construir trajetórias de aprendizagem ao longo da vida com apoio das TIC, fortalecer os sistemas de gestão da educação e da aprendizagem e monitorar os processos de aprendizagem”.
Fonte: UNESCO. Disponível em https://www.unesco.org/en/digital-education/need-know?hub=84636. Acesso em 29 ago. de2025

Sobre o papel das tecnologias digitais na educação e, considerando o excerto, analise as assertivas a seguir:

I- O uso educacional das tecnologias digitais só tem relevância em contextos excepcionais, como em situações de crises e pandemias.
II- As tecnologias digitais podem ampliar o acesso ao ensino, fortalecer a inclusão e melhorar a qualidade e relevância da aprendizagem.
III- O uso das tecnologias digitais na educação serve para promover um ensino padronizado e uniforme, obstando adaptações locais e contextuais.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Respostas
4501: B
4502: D
4503: E
4504: E
4505: B
4506: D
4507: C
4508: E
4509: C
4510: B
4511: B
4512: A
4513: E
4514: D
4515: C
4516: C
4517: B
4518: E
4519: B
4520: A