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Q1878955 Português

Livrando a cara dos morcegos



        Pode-se dizer que esta coluna é um desagravo aos morcegos da China e do mundo. A incansável fábrica de bobagens da internet já transformou, a esta altura do campeonato, a famigerada “sopa de morcegos” chinesa na fonte supostamente incontestável do novo coronavírus que tanto nos assombra, e os mamíferos voadores, de fato, são um reservatório importante de entidades virais que às vezes atingem a nossa espécie. Mas uma nova pesquisa indica que não existe nada de essencialmente perigoso nos vírus que esses bichos carregam. 

        Aliás, as evidências reunidas pelo trabalho, que acaba de sair na revista científica PNAS, sugerem que nenhum grupo de animais pode ser considerado, por si só, um grande vilão das chamadas zoonoses, infecções que surgem em bichos e podem se espalhar para os seres humanos.

        O quadro revelado pelo estudo de Nardus Mollentze e Daniel Streicker, pesquisadores da Universidade de Glasgow (Reino Unido), é complexo e cheio de nuances, mas uma de suas principais conclusões é de que existe uma correlação mais ou menos direta entre a diversidade de espécies de um grupo e a diversidade de vírus zoonóticos (ou seja, que podem saltar dos bichos para o Homo sapiens).

        Se isso for verdade, o que acontece é que os morcegos parecem ser reservatórios de vírus perigosos simplesmente porque são muito diversificados. 

        De fato, uma em cada cinco espécies de mamíferos planeta afora pertence à chamada ordem dos quirópteros (em grego, algo como “asas nas mãos”). Além da diversidade, porém, muita gente também postulava outras características intrínsecas dos morcegos como forma de explicar sua aparente periculosidade viral. 

        Por serem voadores, eles conseguiriam espalhar os vírus que carregam por áreas mais amplas do que outros animais. Diversas espécies, principalmente as da Ásia e da África tropicais, vivem em bandos tão numerosos e aglomerados que a troca de patógenos entre os animais seria bem mais intensa do que o visto entre os demais mamíferos, potencializando a evolução viral.

        Por fim, falava-se até em possíveis peculiaridades do sistema imunológico (de defesa contra doenças) dos quirópteros, que poderiam torná-los mais permeáveis a abrigar vírus.

        No novo estudo, os pesquisadores de Glasgow solaparam esse edifício de hipóteses ao fazer um mapeamento de mais de 400 vírus zoonóticos e das diferentes ordens (grupos amplos, como os quirópteros) de mamíferos e aves que os abrigam – no caso, oito ordens de mamíferos e três de aves.

        Primeiro, os morcegos nem aparecem no topo da lista – juntos, os “líderes” são os cetartiodáctilos (grupo ao qual pertencem os porcos e os bois) e os roedores, os quais, somados, respondem por 50% dos vírus que saltam de animais para humanos. 

        Mais importante ainda, a correlação entre número de espécies de cada ordem e número de vírus que causam zoonoses está clara em praticamente todos os casos.

        Outro ponto crucial: mesmo as ordens mais diversificadas possuem seus vírus “parceiros”, que não são os mesmos em outros animais. Os roedores, por exemplo, carregam muitos hantavírus e arenavírus –os quais, aliás, volta e meia causam mortes no Brasil. 

        Resumo da ópera? O preço da biossegurança é a eterna vigilância. É essencial continuarmos a estudar a biodiversidade de animais e vírus se quisermos estar preparados para a próxima pandemia. Desmatar menos também não seria má ideia. 


Reinaldo José Lopes

(Folha de São Paulo, 19/04/2020)

A expressão “livrar a cara”, presente no título, tem o sentido de:
Alternativas
Q1878954 Português

Livrando a cara dos morcegos



        Pode-se dizer que esta coluna é um desagravo aos morcegos da China e do mundo. A incansável fábrica de bobagens da internet já transformou, a esta altura do campeonato, a famigerada “sopa de morcegos” chinesa na fonte supostamente incontestável do novo coronavírus que tanto nos assombra, e os mamíferos voadores, de fato, são um reservatório importante de entidades virais que às vezes atingem a nossa espécie. Mas uma nova pesquisa indica que não existe nada de essencialmente perigoso nos vírus que esses bichos carregam. 

        Aliás, as evidências reunidas pelo trabalho, que acaba de sair na revista científica PNAS, sugerem que nenhum grupo de animais pode ser considerado, por si só, um grande vilão das chamadas zoonoses, infecções que surgem em bichos e podem se espalhar para os seres humanos.

        O quadro revelado pelo estudo de Nardus Mollentze e Daniel Streicker, pesquisadores da Universidade de Glasgow (Reino Unido), é complexo e cheio de nuances, mas uma de suas principais conclusões é de que existe uma correlação mais ou menos direta entre a diversidade de espécies de um grupo e a diversidade de vírus zoonóticos (ou seja, que podem saltar dos bichos para o Homo sapiens).

        Se isso for verdade, o que acontece é que os morcegos parecem ser reservatórios de vírus perigosos simplesmente porque são muito diversificados. 

        De fato, uma em cada cinco espécies de mamíferos planeta afora pertence à chamada ordem dos quirópteros (em grego, algo como “asas nas mãos”). Além da diversidade, porém, muita gente também postulava outras características intrínsecas dos morcegos como forma de explicar sua aparente periculosidade viral. 

        Por serem voadores, eles conseguiriam espalhar os vírus que carregam por áreas mais amplas do que outros animais. Diversas espécies, principalmente as da Ásia e da África tropicais, vivem em bandos tão numerosos e aglomerados que a troca de patógenos entre os animais seria bem mais intensa do que o visto entre os demais mamíferos, potencializando a evolução viral.

        Por fim, falava-se até em possíveis peculiaridades do sistema imunológico (de defesa contra doenças) dos quirópteros, que poderiam torná-los mais permeáveis a abrigar vírus.

        No novo estudo, os pesquisadores de Glasgow solaparam esse edifício de hipóteses ao fazer um mapeamento de mais de 400 vírus zoonóticos e das diferentes ordens (grupos amplos, como os quirópteros) de mamíferos e aves que os abrigam – no caso, oito ordens de mamíferos e três de aves.

        Primeiro, os morcegos nem aparecem no topo da lista – juntos, os “líderes” são os cetartiodáctilos (grupo ao qual pertencem os porcos e os bois) e os roedores, os quais, somados, respondem por 50% dos vírus que saltam de animais para humanos. 

        Mais importante ainda, a correlação entre número de espécies de cada ordem e número de vírus que causam zoonoses está clara em praticamente todos os casos.

        Outro ponto crucial: mesmo as ordens mais diversificadas possuem seus vírus “parceiros”, que não são os mesmos em outros animais. Os roedores, por exemplo, carregam muitos hantavírus e arenavírus –os quais, aliás, volta e meia causam mortes no Brasil. 

        Resumo da ópera? O preço da biossegurança é a eterna vigilância. É essencial continuarmos a estudar a biodiversidade de animais e vírus se quisermos estar preparados para a próxima pandemia. Desmatar menos também não seria má ideia. 


Reinaldo José Lopes

(Folha de São Paulo, 19/04/2020)

O título do texto antecipa o seguinte evento discutido no texto:
Alternativas
Q1878953 Legislação dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro
Avaliação de desempenho busca conhecer e medir o desempenho dos indivíduos por meio de uma apreciação sistemática no cargo e seu potencial de desempenho futuro. O método que avalia o desempenho das pessoas por fatores de avaliação previamente definidos e graduados é o denominado:
Alternativas
Q1878952 Administração Pública
O formulário pode ser definido como um veículo que transporte informações entre pessoas, unidades de negócios ou organizações.
Com relação a análise e desenho de formulários, além de corrigir falhas, NÃO é um dos seus objetivos:
Alternativas
Q1878951 Administração Geral
O processo de direcionar o comportamento das pessoas, por meio do uso da comunicação, para a realização de um ou mais objetivos organizacionais está relacionado ao conceito de:
Alternativas
Q1878950 Administração Geral
Para explicar como as pessoas se comportam na organização, torna-se necessário o estudo da motivação humana. Assim, na teoria das motivações de Maslow, as necessidades relacionadas à maneira como o indivíduo se vê e se avalia, e que envolvem a autoapreciação, a autoconfiança e a necessidade de aprovação, dentre outras, referem-se às necessidades do tipo:
Alternativas
Q1878949 Administração Geral
O clima organizacional é conceituado como a percepção do ambiente da organização ligado à moral e à satisfação das necessidades dos participantes, interferindo no desempenho e no comportamento dos indivíduos. O conhecimento e a compreensão do passado e do presente da organização, bem como a compreensão e o compartilhamento dos objetivos por todos os participantes, relacionam-se, segundo Chiavenato, com a capacidade de mudança cultural inovadora que a empresa necessita, denominada:
Alternativas
Q1878948 Administração Geral
A cultura organizacional é um importante componente para a gestão dos recursos humanos de uma organização.
Com relação à cultura organizacional, é correto afirmar que é:
Alternativas
Q1878947 Arquivologia
Considere-se que uma secretária usa, no arquivamento de seus documentos, o método alfabético. Assim, uma nota fiscal emitida pela empresa “J. SANTOS & FILHOS” será arquivada da seguinte forma:
Alternativas
Q1878946 Arquivologia
O tipo de arquivo composto por documentos de valor secundário e que devem ter sua guarda definitiva, em função de seu valor histórico ou probatório, é o arquivo: 
Alternativas
Q1878945 Administração Geral
O organograma é um gráfico que representa a estrutura formal de uma organização em dado momento. A técnica de elaboração utilizada para representar o organograma que apresenta um visual suave e busca reduzir, no ambiente de trabalho, a possibilidade de conflito entre o superior e o subordinado pela atenuação das linhas de autoridade é a técnica denominada:
Alternativas
Q1878944 Legislação dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro
A departamentalização que é utilizada nas indústrias, especialmente em seus níveis mais baixos da estrutura produtiva, e que se caracteriza pela quebra do produto em partes sequenciais de que vão se ocupar as pessoas encarregadas de sua manipulação e montagem, sendo a tecnologia referência para o agrupamento de unidades e posições de produção, é a departamentalização do tipo:
Alternativas
Q1878943 Relações Públicas
Acomunicação organizacional que ocorre entre unidades de trabalho do mesmo nível e que permite o funcionamento interdepartamental e a tomada de decisão, envolvendo diferentes unidades de trabalho, é aquela chamada de comunicação:
Alternativas
Q1878942 Administração Pública
O modelo de administração pública que defende a coisa pública, enfatizando aspectos formais, controlando processos e decisões, estabelecendo hierarquias e tendo como base a profissionalização e os aspectos formais é o modelo:
Alternativas
Q1878941 Administração Pública
O princípio da nova gestão pública que, de acordo com David Osborne & Ted Gaebler, afirma que é melhor empoderar os atores que os servir, transferindo a propriedade das iniciativas públicas para o povo, é o denominado governo:
Alternativas
Q1878940 Atendimento ao Público
Medir a qualidade do atendimento dos serviços prestados pela Prefeitura é relevante para melhoria destes, realização pessoal do servidor e satisfação do cidadão. Assim, a ferramenta da qualidade que proporciona uma visão global das interações que ocorrem durante a prestação do serviço, facilitando o direcionamento das ações para aquilo que é representativo dos interesses do cidadão, é a ferramenta denominada:
Alternativas
Q1878939 Direito Administrativo
São demandas da sociedade e na administração pública brasileira os temas relacionados a governabilidade e governança. A governança é expressa como um sistema de valores que regem a administração pública na sua relação interna e externa com o cidadão e demais partes interessadas. Nesse sentido, o princípio básico da governança corporativa, que é evidenciado na medida em que a organização passa a incentivar o desejo de informar, disponibilizando informações pertinentes para o cidadão e a todos que dizem respeito à atuação do órgão, é o princípio da: 
Alternativas
Q1878938 Direito Constitucional
Noé Obede é Deputado Federal e participa da comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados. Após participar de audiência pública para receber sugestões da sociedade quanto à destinação de recursos, verifica que uma das reclamações mais constantes é proveniente de associações empresariais quanto à restrição imposta aos devedores da Seguridade Social. Nos termos da Constituição Federal, a pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá: 
Alternativas
Q1878937 Direito Constitucional
Tafarel Bruni é cidadão italiano tendo se radicado no Brasil por ter se adaptado ao clima tropical. Após longos anos, resolve requerer a naturalização e ingressar no serviço público brasileiro. Nos termos da Constituição Federal, brasileiro naturalizado não pode ocupar o cargo de:
Alternativas
Q1878936 Direito Administrativo
Tiago Noah é Secretário Municipal de Administração do município VB e, verificando que determinado ato administrativo padece de vício de nulidade, determina, de ofício, o seu desfazimento. Trata-se da aplicação, no âmbito do controle administrativo, do princípio da:
Alternativas
Respostas
601: C
602: B
603: A
604: B
605: B
606: B
607: C
608: A
609: C
610: C
611: B
612: D
613: D
614: B
615: D
616: A
617: C
618: D
619: A
620: C