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Q4333213 Linguística
“A ______________ ultrapassa os limites da frase e busca compreender o que está envolvido na estruturação do texto, oral ou escrito, e o que faz pessoas diferentes produzirem textos diferentes. Rompe com o conceito de língua como sistema e introduz a noção de sujeito e de situação de produção, considerando a língua como discurso.”. A partir dos estudos linguísticos, pode-se dizer que preenche o espaço acima o campo de estudo apontado em:
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Q4333212 Pedagogia
“A aquisição da linguagem é vista como um processo pelo qual a criança se firma como sujeito da linguagem (e não como aprendiz passivo) e, ao mesmo tempo, constrói seu conhecimento de mundo, passando pelo outro, seu interlocutor.”. A partir dos estudos sobre a Linguística e a aquisição da linguagem, pode-se afirmar corretamente que a passagem acima é referente ao pensamento da seguinte linha teórica:
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Q4333211 Pedagogia
Assinale a alternativa cuja postulação teórica não seja condizente com a linha de investigação científica indicada.
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Q4333210 Pedagogia
Considerando-se a investigação do Construtivismo sobre o processo de aquisição da linguagem, julgue as afirmações abaixo antes de analisar o que será pedido.
I. “A aquisição da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência da criança.”
II. “No estágio de desenvolvimento cognitivo, dá-se o desenvolvimento da revolução simbólica, por meio da qual a experiência pode ser armazenada e recuperada.” 
III. “A aquisição é vista como resultado da interação entre o ambiente e o organismo, por meio de assimilações e acomodações, responsáveis pelo desenvolvimento da inteligência em geral.”
IV. “A linguagem, específica da espécie, é adquirida como resultado do desencadeamento de um dispositivo inato, inscrito na mente do ser humano. É uma dotação genética, e não um conjunto de comportamentos verbais.”
Pode-se considerar correto, de acordo com a teoria construtivista, o que foi afirmado apenas em:
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Q4333209 Linguística
Leia:
“Seu argumento coloca a língua não como uma habilidade que se desenvolve por meio de estímulo e resposta, punição e recompensa, mas como um módulo da mente humana, geneticamente constituído. Contra o empirismo, que define o cérebro como uma tábula rasa, vazia e desestruturada no que diz respeito aos fatos mentais, o aspecto essencial da crítica de ________ é que a estrutura do cérebro é determinada a priori pelo código genético. O cérebro é programado para analisar a experiência e construir saberes com base nela. Apesar de finito, o cérebro humano pode gerar uma infinidade de sentenças por meio de regras. Em contato com o ambiente linguístico de sua comunidade, a criança adquire a língua sem esforço, mesmo sem ter sido ensinada, pois a língua é inata.” (GOMES, Maria Lúcia de Castro. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa; 3ª edição – editora Inter Saberes; páginas 28 e 29.)
A partir da leitura acima e dos conhecimentos sobre os teóricos que abordaram vários conceitos de linguagem no âmbito de desenvolvimento comunicativo humano, podese dizer que completa corretamente o espaço acima a apresentação do seguinte teórico: 
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Q4333207 Pedagogia
A Lei nº 10.639/2003 torna obrigatório o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no Ensino Fundamental e Médio. Essa lei foi promulgada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, na ocasião, também instituiu o dia 20 de novembro como Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra. Cinco anos depois, essa lei foi complementada pela Lei nº 11.645/2008, tornando obrigatório o Ensino da História e Cultura Indígena em todo território nacional, tanto nas escolas públicas quanto nas privadas. Ambas alteraram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº 9.394, de 1996, propondo que a Educação para as Relações Étnico-Raciais esteja no currículo oficial escolar, visando:
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Q4333205 Pedagogia
Existem algumas possibilidades práticas de desenvolvimento da avaliação em uma perspectiva de pesquisa, visando a uma educação relacional e inclusiva. Com isso, pode-se dizer que se fazem presentes como algumas dessas possibilidades o que se faz presente em: 
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Q4333204 Pedagogia
Segundo Verônica Domingues Almeida, mestre e doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia e Pós-doutora em Educação pela Universidade de Lisboa, “Adotar a perspectiva da Cultura da Diversidade é intencionar, de modo sistematizado, que as práticas educativas sejam relacionais e inclusivas, ou seja, que sejam centradas em relações de pluralidade e que contemplem as subjetividades e individualidades, sem perder de vista o mote comum da equidade para todos/as”. A partir deste pensamento, não se considera uma das singularidades do planejamento desenvolvido na pluralidade o que está presente em:
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Q4333203 Pedagogia
Analise as afirmações abaixo antes de julgar o que se pede.
( ) A Constituição de 1988 assegura ensino bilíngue e intercultural e reconhece “organização social, costumes, línguas e tradições” indígenas como fundamento para políticas públicas.
( ) A Constituição de 1988 prescinde do princípio da dignidade humana o qual garante igualdade de condições de acesso e permanência na escola.
( ) Segundo a Constituição Federal do Brasil de 1988, A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
( ) Segundo a Lei de Diretrizes e Base, o ensino deve ser ministrado com base em princípios como: respeito à liberdade e apreço à tolerância; consideração com a diversidade étnicoracial.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, tem-se, pela ordem, a seguinte sequência: 
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Q4333202 Pedagogia
Ao longo da História da Educação Brasileira, nos anos 1980, em meio ao contexto político brasileiro de luta pela democracia, tornou-se fundamental enfatizar que uma educação emancipatória não pode se apoiar em formas autoritárias e centralizadoras de gestão. Portanto, entendese que:
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Q4333201 Direitos Humanos
Pode-se dizer que o Estatuto da Igualdade Racial (2010) tem entre seus objetivos o papel de:
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Q4333200 Pedagogia
Segundo as propostas pedagógicas inclusivas atuais, a Etnometodologia é uma abordagem que investiga os métodos que os indivíduos usam para realizar e dar sentido no/ao cotidiano. Assim, entende-se que se somos diversos, heterogêneos, e concebemos e pensamos ações curriculares referenciadas de modo socioconstrucionista (de inspiração interacionista e etnometodológica) e na cultura, é importante que o profissional de educação pense e trabalhe as questões curriculares de modo a considerar essas implicações sobre a educação. Tem-se, assim, a Teoria Etnoconstitutiva de Currículo - TEEC (Macedo, 2016). Pode-se afirmar sobre isso que:
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Q4333199 Pedagogia
Em relação à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), evidencia-se que a educação especial deve: 
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Q4333198 Português
O texto abaixo serve de base para a análise da questão.

    “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. [...] Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação. Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios. O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. [...]
    Começava a anoitecer, quando o colégio formou ao toque de recolher. Desfilaram aclamados, entre alas de povo, e se foram do campo, cantando alegremente uma canção escolar. À noite houve baile nos três salões inferiores do lance principal do edifício e iluminação no jardim. Na ocasião em que me ia embora, estavam acendendo luzes variadas de Bengala diante da casa. O Ateneu, quarenta janelas, resplendentes do gás interior, dava-se ares de encantamento com a iluminação de fora. Erigia-se na escuridão da noite, como imensa muralha de coral flamante, como um cenário animado de safira com horripilações errantes de sombra, como um castelo fantasma batido de luar verde emprestado à selva intensa dos romances cavalheirescos, despertado um momento da legenda morta para uma entrevista de espectros e recordações. Um jacto de luz elétrica, derivado de foco invisível, feria a inscrição dourada ATHENÆUM em arco sobre as janelas centrais, no alto do prédio. A uma delas, à sacada, Aristarco mostrava-se.
    Na expressão olímpica do semblante transpirava a beatitude de um gozo superior. Gozava a sensação prévia, no banho luminoso, da imortalidade a que se julgava consagrado. Devia ser assim: — luz benigna e fria, sobre bustos eternos, o ambiente glorioso do Panteão. A contemplação da posteridade embaixo. Aristarco tinha momentos destes, sinceros. O anúncio confundia-se com ele, suprimia-o, substituía-o, e ele gozava como um cartaz que experimentasse o entusiasmo de ser vermelho. Naquele momento, não era simplesmente a alma do seu instituto, era a própria feição palpável, a síntese grosseira do título, o rosto, a testada, o prestígio material de seu colégio, idêntico com as letras que luziam em auréola sobre a cabeça. As letras, de ouro; ele, imortal: única diferença. Guardei, na imaginação infantil, a gravura desta apoteose com o atordoamento ofuscado, mais ou menos de um sujeito partindo à meia noite de qualquer teatro, onde, em mágica beata, Deus Padre pessoalmente se houvesse prestado a concorrer para a grandeza do último quadro. [...]
    Avaliem o prazer que tive, quando me disse meu pai que eu ia ser apresentado ao diretor do Ateneu e à matrícula. O movimento não era mais a vaidade, antes o legítimo instinto da responsabilidade altiva; era uma consequência apaixonada da sedução do espetáculo, o arroubo de solidariedade que me parecia prender à comunhão fraternal da escola. Honrado engano, esse ardor franco por uma empresa ideal de energia e de dedicação premeditada confusamente, no cálculo pobre de uma experiência de dez anos. O diretor recebeu-nos em sua residência, com manifestações ultra de afeto. Fez-se cativante, paternal; abriu-nos amostras dos melhores padrões do seu espírito, evidenciou as faturas do seu coração. [...]
    Verdade é que não era fácil reconhecer ali, tangível e em carne, uma entidade outrora da mitologia das minhas primeiras concepções antropomórficas; logo após Nosso Senhor, o qual eu imaginara velho, feíssimo, barbudo, impertinente, corcunda, ralhando por trovões, carbonizando meninos com o corisco. [...] Eu aprendera a ler pelos livros elementares de Aristarco, e o supunha velho como o primeiro, porém rapado, de cara chupada, pedagógica, óculos apocalípticos, carapuça negra de borla, fanhoso, onipotente e mau, com uma das mãos para trás escondendo a palmatória e doutrinando à humanidade o bê-ábá. As impressões recentes derrogavam o meu Aristarco; mas a hipérbole essencial do primitivo transmitia-se ao sucessor por um mistério de hereditariedade renitente. Dava-me gosto então a peleja renhida das duas imagens e aquela complicação imediata do paletó de seda e do sapato raso, fazendo aliança com Aristarco II contra Aristarco I, no reino da fantasia. Nisto afagaram-me a cabeça. Era Ele! Estremeci. “Como se chama o amiguinho?” perguntou-me o diretor.
— Sérgio... dei o nome todo, baixando os olhos e sem esquecer o “seu criado” da estrita cortesia.
— Pois, meu caro Sr. Sérgio, o amigo há de ter a bondade de ir ao cabeleireiro deitar fora estes cachinhos... Eu tinha ainda os cabelos compridos, por um capricho amoroso de minha mãe. O conselho era visivelmente salgado de censura. O diretor, explicando a meu pai, acrescentou com o risinho nasal que sabia fazer: “Sim, senhor, os meninos bonitos não provam bem no meu colégio...”
— Peço licença para defender os meninos bonitos... objetou alguém entrando.
    Surpreendendo-nos com esta frase, untuosamente escoada por um sorriso, chegou a senhora do diretor, D. Ema. Bela mulher em plena prosperidade dos trinta anos de Balzac, formas alongadas por graciosa magreza, erigindo, porém, o tronco sobre quadris amplos, fortes como a maternidade; olhos negros, pupilas retintas, de uma cor só, que pareciam encher o talho folgado das pálpebras; [...] Esta aparição maravilhou-me.

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. Fonte: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000289.pdf. Adaptado.
A partir da leitura do fragmento do romance “O Ateneu”, de Raul Pompéia, analise cada fragmento abaixo e assinale a alternativa cuja explicação seguinte esteja devidamente justificada em relação à intencionalidade autoral e ao que se espera de uma Educação inclusiva e democrática segundo os documentos normativos.
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Q4333197 Português
O texto abaixo serve de base para a análise da questão.

    “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. [...] Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação. Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios. O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. [...]
    Começava a anoitecer, quando o colégio formou ao toque de recolher. Desfilaram aclamados, entre alas de povo, e se foram do campo, cantando alegremente uma canção escolar. À noite houve baile nos três salões inferiores do lance principal do edifício e iluminação no jardim. Na ocasião em que me ia embora, estavam acendendo luzes variadas de Bengala diante da casa. O Ateneu, quarenta janelas, resplendentes do gás interior, dava-se ares de encantamento com a iluminação de fora. Erigia-se na escuridão da noite, como imensa muralha de coral flamante, como um cenário animado de safira com horripilações errantes de sombra, como um castelo fantasma batido de luar verde emprestado à selva intensa dos romances cavalheirescos, despertado um momento da legenda morta para uma entrevista de espectros e recordações. Um jacto de luz elétrica, derivado de foco invisível, feria a inscrição dourada ATHENÆUM em arco sobre as janelas centrais, no alto do prédio. A uma delas, à sacada, Aristarco mostrava-se.
    Na expressão olímpica do semblante transpirava a beatitude de um gozo superior. Gozava a sensação prévia, no banho luminoso, da imortalidade a que se julgava consagrado. Devia ser assim: — luz benigna e fria, sobre bustos eternos, o ambiente glorioso do Panteão. A contemplação da posteridade embaixo. Aristarco tinha momentos destes, sinceros. O anúncio confundia-se com ele, suprimia-o, substituía-o, e ele gozava como um cartaz que experimentasse o entusiasmo de ser vermelho. Naquele momento, não era simplesmente a alma do seu instituto, era a própria feição palpável, a síntese grosseira do título, o rosto, a testada, o prestígio material de seu colégio, idêntico com as letras que luziam em auréola sobre a cabeça. As letras, de ouro; ele, imortal: única diferença. Guardei, na imaginação infantil, a gravura desta apoteose com o atordoamento ofuscado, mais ou menos de um sujeito partindo à meia noite de qualquer teatro, onde, em mágica beata, Deus Padre pessoalmente se houvesse prestado a concorrer para a grandeza do último quadro. [...]
    Avaliem o prazer que tive, quando me disse meu pai que eu ia ser apresentado ao diretor do Ateneu e à matrícula. O movimento não era mais a vaidade, antes o legítimo instinto da responsabilidade altiva; era uma consequência apaixonada da sedução do espetáculo, o arroubo de solidariedade que me parecia prender à comunhão fraternal da escola. Honrado engano, esse ardor franco por uma empresa ideal de energia e de dedicação premeditada confusamente, no cálculo pobre de uma experiência de dez anos. O diretor recebeu-nos em sua residência, com manifestações ultra de afeto. Fez-se cativante, paternal; abriu-nos amostras dos melhores padrões do seu espírito, evidenciou as faturas do seu coração. [...]
    Verdade é que não era fácil reconhecer ali, tangível e em carne, uma entidade outrora da mitologia das minhas primeiras concepções antropomórficas; logo após Nosso Senhor, o qual eu imaginara velho, feíssimo, barbudo, impertinente, corcunda, ralhando por trovões, carbonizando meninos com o corisco. [...] Eu aprendera a ler pelos livros elementares de Aristarco, e o supunha velho como o primeiro, porém rapado, de cara chupada, pedagógica, óculos apocalípticos, carapuça negra de borla, fanhoso, onipotente e mau, com uma das mãos para trás escondendo a palmatória e doutrinando à humanidade o bê-ábá. As impressões recentes derrogavam o meu Aristarco; mas a hipérbole essencial do primitivo transmitia-se ao sucessor por um mistério de hereditariedade renitente. Dava-me gosto então a peleja renhida das duas imagens e aquela complicação imediata do paletó de seda e do sapato raso, fazendo aliança com Aristarco II contra Aristarco I, no reino da fantasia. Nisto afagaram-me a cabeça. Era Ele! Estremeci. “Como se chama o amiguinho?” perguntou-me o diretor.
— Sérgio... dei o nome todo, baixando os olhos e sem esquecer o “seu criado” da estrita cortesia.
— Pois, meu caro Sr. Sérgio, o amigo há de ter a bondade de ir ao cabeleireiro deitar fora estes cachinhos... Eu tinha ainda os cabelos compridos, por um capricho amoroso de minha mãe. O conselho era visivelmente salgado de censura. O diretor, explicando a meu pai, acrescentou com o risinho nasal que sabia fazer: “Sim, senhor, os meninos bonitos não provam bem no meu colégio...”
— Peço licença para defender os meninos bonitos... objetou alguém entrando.
    Surpreendendo-nos com esta frase, untuosamente escoada por um sorriso, chegou a senhora do diretor, D. Ema. Bela mulher em plena prosperidade dos trinta anos de Balzac, formas alongadas por graciosa magreza, erigindo, porém, o tronco sobre quadris amplos, fortes como a maternidade; olhos negros, pupilas retintas, de uma cor só, que pareciam encher o talho folgado das pálpebras; [...] Esta aparição maravilhou-me.

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. Fonte: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000289.pdf. Adaptado.
Leia as afirmações abaixo sobre a intenção e a postura do narrador-personagem de “O Ateneu”, de Raul Pompéia, em relação ao que fora exposto no texto antes de julgar o que se pede:
I. O escritor critica diversos aspectos da sociedade, aliados ao moralismo e à perversão das instituições de ensino do período.
II. Nota-se um tom de ironia autoral quanto às suas reminiscências escolares, deixando a entender quão nocivas estas se mostram à sua existência.
III. Embora, o narrador-personagem não expresse positividade em relação à época de sua experiência no Ateneu, este é capaz de reconhecer a contribuição humana e técnica apreendida naquele espaço de ensino, a qual é considerada como determinante para sua vida adulta.
IV. A menção feita ao Dr. Aristarco Argolo de Ramos é movida por uma descrição pautada em ressentimento e, ao mesmo tempo, análise crítica das suas intenções de avareza mercadológica e de artificialismo acadêmico diante da autopromoção por ele propagada no contexto.
Pode-se analisar que está correto o que se afirmou somente em:
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Q4333196 Pedagogia
O texto abaixo serve de base para a análise da questão.

    “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. [...] Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação. Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios. O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. [...]
    Começava a anoitecer, quando o colégio formou ao toque de recolher. Desfilaram aclamados, entre alas de povo, e se foram do campo, cantando alegremente uma canção escolar. À noite houve baile nos três salões inferiores do lance principal do edifício e iluminação no jardim. Na ocasião em que me ia embora, estavam acendendo luzes variadas de Bengala diante da casa. O Ateneu, quarenta janelas, resplendentes do gás interior, dava-se ares de encantamento com a iluminação de fora. Erigia-se na escuridão da noite, como imensa muralha de coral flamante, como um cenário animado de safira com horripilações errantes de sombra, como um castelo fantasma batido de luar verde emprestado à selva intensa dos romances cavalheirescos, despertado um momento da legenda morta para uma entrevista de espectros e recordações. Um jacto de luz elétrica, derivado de foco invisível, feria a inscrição dourada ATHENÆUM em arco sobre as janelas centrais, no alto do prédio. A uma delas, à sacada, Aristarco mostrava-se.
    Na expressão olímpica do semblante transpirava a beatitude de um gozo superior. Gozava a sensação prévia, no banho luminoso, da imortalidade a que se julgava consagrado. Devia ser assim: — luz benigna e fria, sobre bustos eternos, o ambiente glorioso do Panteão. A contemplação da posteridade embaixo. Aristarco tinha momentos destes, sinceros. O anúncio confundia-se com ele, suprimia-o, substituía-o, e ele gozava como um cartaz que experimentasse o entusiasmo de ser vermelho. Naquele momento, não era simplesmente a alma do seu instituto, era a própria feição palpável, a síntese grosseira do título, o rosto, a testada, o prestígio material de seu colégio, idêntico com as letras que luziam em auréola sobre a cabeça. As letras, de ouro; ele, imortal: única diferença. Guardei, na imaginação infantil, a gravura desta apoteose com o atordoamento ofuscado, mais ou menos de um sujeito partindo à meia noite de qualquer teatro, onde, em mágica beata, Deus Padre pessoalmente se houvesse prestado a concorrer para a grandeza do último quadro. [...]
    Avaliem o prazer que tive, quando me disse meu pai que eu ia ser apresentado ao diretor do Ateneu e à matrícula. O movimento não era mais a vaidade, antes o legítimo instinto da responsabilidade altiva; era uma consequência apaixonada da sedução do espetáculo, o arroubo de solidariedade que me parecia prender à comunhão fraternal da escola. Honrado engano, esse ardor franco por uma empresa ideal de energia e de dedicação premeditada confusamente, no cálculo pobre de uma experiência de dez anos. O diretor recebeu-nos em sua residência, com manifestações ultra de afeto. Fez-se cativante, paternal; abriu-nos amostras dos melhores padrões do seu espírito, evidenciou as faturas do seu coração. [...]
    Verdade é que não era fácil reconhecer ali, tangível e em carne, uma entidade outrora da mitologia das minhas primeiras concepções antropomórficas; logo após Nosso Senhor, o qual eu imaginara velho, feíssimo, barbudo, impertinente, corcunda, ralhando por trovões, carbonizando meninos com o corisco. [...] Eu aprendera a ler pelos livros elementares de Aristarco, e o supunha velho como o primeiro, porém rapado, de cara chupada, pedagógica, óculos apocalípticos, carapuça negra de borla, fanhoso, onipotente e mau, com uma das mãos para trás escondendo a palmatória e doutrinando à humanidade o bê-ábá. As impressões recentes derrogavam o meu Aristarco; mas a hipérbole essencial do primitivo transmitia-se ao sucessor por um mistério de hereditariedade renitente. Dava-me gosto então a peleja renhida das duas imagens e aquela complicação imediata do paletó de seda e do sapato raso, fazendo aliança com Aristarco II contra Aristarco I, no reino da fantasia. Nisto afagaram-me a cabeça. Era Ele! Estremeci. “Como se chama o amiguinho?” perguntou-me o diretor.
— Sérgio... dei o nome todo, baixando os olhos e sem esquecer o “seu criado” da estrita cortesia.
— Pois, meu caro Sr. Sérgio, o amigo há de ter a bondade de ir ao cabeleireiro deitar fora estes cachinhos... Eu tinha ainda os cabelos compridos, por um capricho amoroso de minha mãe. O conselho era visivelmente salgado de censura. O diretor, explicando a meu pai, acrescentou com o risinho nasal que sabia fazer: “Sim, senhor, os meninos bonitos não provam bem no meu colégio...”
— Peço licença para defender os meninos bonitos... objetou alguém entrando.
    Surpreendendo-nos com esta frase, untuosamente escoada por um sorriso, chegou a senhora do diretor, D. Ema. Bela mulher em plena prosperidade dos trinta anos de Balzac, formas alongadas por graciosa magreza, erigindo, porém, o tronco sobre quadris amplos, fortes como a maternidade; olhos negros, pupilas retintas, de uma cor só, que pareciam encher o talho folgado das pálpebras; [...] Esta aparição maravilhou-me.

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. Fonte: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000289.pdf. Adaptado.
Ao mesmo tempo que se mostra um romance de grande relevância da Literatura brasileira, pertencente ao estilo do Realismo-Naturalismo, “O Ateneu”, de Raul Pompéia, figura como registro histórico de um período da Educação que, em oposição ao contexto atual, referente às leis e prerrogativas vigentes, ilustra bem uma concepção temporal de como este setor era concebido pela sociedade daquela época. Com isso, pode-se afirmar que o enredo apresentado na obra exemplifica, na História da Educação do Brasil, o fato de que:
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Q4333195 Português
O texto abaixo serve de base para a análise da questão.

    “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. [...] Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação. Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios. O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. [...]
    Começava a anoitecer, quando o colégio formou ao toque de recolher. Desfilaram aclamados, entre alas de povo, e se foram do campo, cantando alegremente uma canção escolar. À noite houve baile nos três salões inferiores do lance principal do edifício e iluminação no jardim. Na ocasião em que me ia embora, estavam acendendo luzes variadas de Bengala diante da casa. O Ateneu, quarenta janelas, resplendentes do gás interior, dava-se ares de encantamento com a iluminação de fora. Erigia-se na escuridão da noite, como imensa muralha de coral flamante, como um cenário animado de safira com horripilações errantes de sombra, como um castelo fantasma batido de luar verde emprestado à selva intensa dos romances cavalheirescos, despertado um momento da legenda morta para uma entrevista de espectros e recordações. Um jacto de luz elétrica, derivado de foco invisível, feria a inscrição dourada ATHENÆUM em arco sobre as janelas centrais, no alto do prédio. A uma delas, à sacada, Aristarco mostrava-se.
    Na expressão olímpica do semblante transpirava a beatitude de um gozo superior. Gozava a sensação prévia, no banho luminoso, da imortalidade a que se julgava consagrado. Devia ser assim: — luz benigna e fria, sobre bustos eternos, o ambiente glorioso do Panteão. A contemplação da posteridade embaixo. Aristarco tinha momentos destes, sinceros. O anúncio confundia-se com ele, suprimia-o, substituía-o, e ele gozava como um cartaz que experimentasse o entusiasmo de ser vermelho. Naquele momento, não era simplesmente a alma do seu instituto, era a própria feição palpável, a síntese grosseira do título, o rosto, a testada, o prestígio material de seu colégio, idêntico com as letras que luziam em auréola sobre a cabeça. As letras, de ouro; ele, imortal: única diferença. Guardei, na imaginação infantil, a gravura desta apoteose com o atordoamento ofuscado, mais ou menos de um sujeito partindo à meia noite de qualquer teatro, onde, em mágica beata, Deus Padre pessoalmente se houvesse prestado a concorrer para a grandeza do último quadro. [...]
    Avaliem o prazer que tive, quando me disse meu pai que eu ia ser apresentado ao diretor do Ateneu e à matrícula. O movimento não era mais a vaidade, antes o legítimo instinto da responsabilidade altiva; era uma consequência apaixonada da sedução do espetáculo, o arroubo de solidariedade que me parecia prender à comunhão fraternal da escola. Honrado engano, esse ardor franco por uma empresa ideal de energia e de dedicação premeditada confusamente, no cálculo pobre de uma experiência de dez anos. O diretor recebeu-nos em sua residência, com manifestações ultra de afeto. Fez-se cativante, paternal; abriu-nos amostras dos melhores padrões do seu espírito, evidenciou as faturas do seu coração. [...]
    Verdade é que não era fácil reconhecer ali, tangível e em carne, uma entidade outrora da mitologia das minhas primeiras concepções antropomórficas; logo após Nosso Senhor, o qual eu imaginara velho, feíssimo, barbudo, impertinente, corcunda, ralhando por trovões, carbonizando meninos com o corisco. [...] Eu aprendera a ler pelos livros elementares de Aristarco, e o supunha velho como o primeiro, porém rapado, de cara chupada, pedagógica, óculos apocalípticos, carapuça negra de borla, fanhoso, onipotente e mau, com uma das mãos para trás escondendo a palmatória e doutrinando à humanidade o bê-ábá. As impressões recentes derrogavam o meu Aristarco; mas a hipérbole essencial do primitivo transmitia-se ao sucessor por um mistério de hereditariedade renitente. Dava-me gosto então a peleja renhida das duas imagens e aquela complicação imediata do paletó de seda e do sapato raso, fazendo aliança com Aristarco II contra Aristarco I, no reino da fantasia. Nisto afagaram-me a cabeça. Era Ele! Estremeci. “Como se chama o amiguinho?” perguntou-me o diretor.
— Sérgio... dei o nome todo, baixando os olhos e sem esquecer o “seu criado” da estrita cortesia.
— Pois, meu caro Sr. Sérgio, o amigo há de ter a bondade de ir ao cabeleireiro deitar fora estes cachinhos... Eu tinha ainda os cabelos compridos, por um capricho amoroso de minha mãe. O conselho era visivelmente salgado de censura. O diretor, explicando a meu pai, acrescentou com o risinho nasal que sabia fazer: “Sim, senhor, os meninos bonitos não provam bem no meu colégio...”
— Peço licença para defender os meninos bonitos... objetou alguém entrando.
    Surpreendendo-nos com esta frase, untuosamente escoada por um sorriso, chegou a senhora do diretor, D. Ema. Bela mulher em plena prosperidade dos trinta anos de Balzac, formas alongadas por graciosa magreza, erigindo, porém, o tronco sobre quadris amplos, fortes como a maternidade; olhos negros, pupilas retintas, de uma cor só, que pareciam encher o talho folgado das pálpebras; [...] Esta aparição maravilhou-me.

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. Fonte: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000289.pdf. Adaptado.
A obra em evidência “O Ateneu”, de Raul Pompéia, conta a história do narrador-personagem Sérgio, em sua experiência escolar vivenciada em um internato do final do século XIX. Levando-se em conta a exposição do enredo acima, bem como da obra em sua íntegra, pode-se observar a ocorrência dos seguintes aspectos: 
Alternativas
Q4333194 Português
O texto abaixo serve de base para a análise da questão.

    “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. [...] Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação. Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios. O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. [...]
    Começava a anoitecer, quando o colégio formou ao toque de recolher. Desfilaram aclamados, entre alas de povo, e se foram do campo, cantando alegremente uma canção escolar. À noite houve baile nos três salões inferiores do lance principal do edifício e iluminação no jardim. Na ocasião em que me ia embora, estavam acendendo luzes variadas de Bengala diante da casa. O Ateneu, quarenta janelas, resplendentes do gás interior, dava-se ares de encantamento com a iluminação de fora. Erigia-se na escuridão da noite, como imensa muralha de coral flamante, como um cenário animado de safira com horripilações errantes de sombra, como um castelo fantasma batido de luar verde emprestado à selva intensa dos romances cavalheirescos, despertado um momento da legenda morta para uma entrevista de espectros e recordações. Um jacto de luz elétrica, derivado de foco invisível, feria a inscrição dourada ATHENÆUM em arco sobre as janelas centrais, no alto do prédio. A uma delas, à sacada, Aristarco mostrava-se.
    Na expressão olímpica do semblante transpirava a beatitude de um gozo superior. Gozava a sensação prévia, no banho luminoso, da imortalidade a que se julgava consagrado. Devia ser assim: — luz benigna e fria, sobre bustos eternos, o ambiente glorioso do Panteão. A contemplação da posteridade embaixo. Aristarco tinha momentos destes, sinceros. O anúncio confundia-se com ele, suprimia-o, substituía-o, e ele gozava como um cartaz que experimentasse o entusiasmo de ser vermelho. Naquele momento, não era simplesmente a alma do seu instituto, era a própria feição palpável, a síntese grosseira do título, o rosto, a testada, o prestígio material de seu colégio, idêntico com as letras que luziam em auréola sobre a cabeça. As letras, de ouro; ele, imortal: única diferença. Guardei, na imaginação infantil, a gravura desta apoteose com o atordoamento ofuscado, mais ou menos de um sujeito partindo à meia noite de qualquer teatro, onde, em mágica beata, Deus Padre pessoalmente se houvesse prestado a concorrer para a grandeza do último quadro. [...]
    Avaliem o prazer que tive, quando me disse meu pai que eu ia ser apresentado ao diretor do Ateneu e à matrícula. O movimento não era mais a vaidade, antes o legítimo instinto da responsabilidade altiva; era uma consequência apaixonada da sedução do espetáculo, o arroubo de solidariedade que me parecia prender à comunhão fraternal da escola. Honrado engano, esse ardor franco por uma empresa ideal de energia e de dedicação premeditada confusamente, no cálculo pobre de uma experiência de dez anos. O diretor recebeu-nos em sua residência, com manifestações ultra de afeto. Fez-se cativante, paternal; abriu-nos amostras dos melhores padrões do seu espírito, evidenciou as faturas do seu coração. [...]
    Verdade é que não era fácil reconhecer ali, tangível e em carne, uma entidade outrora da mitologia das minhas primeiras concepções antropomórficas; logo após Nosso Senhor, o qual eu imaginara velho, feíssimo, barbudo, impertinente, corcunda, ralhando por trovões, carbonizando meninos com o corisco. [...] Eu aprendera a ler pelos livros elementares de Aristarco, e o supunha velho como o primeiro, porém rapado, de cara chupada, pedagógica, óculos apocalípticos, carapuça negra de borla, fanhoso, onipotente e mau, com uma das mãos para trás escondendo a palmatória e doutrinando à humanidade o bê-ábá. As impressões recentes derrogavam o meu Aristarco; mas a hipérbole essencial do primitivo transmitia-se ao sucessor por um mistério de hereditariedade renitente. Dava-me gosto então a peleja renhida das duas imagens e aquela complicação imediata do paletó de seda e do sapato raso, fazendo aliança com Aristarco II contra Aristarco I, no reino da fantasia. Nisto afagaram-me a cabeça. Era Ele! Estremeci. “Como se chama o amiguinho?” perguntou-me o diretor.
— Sérgio... dei o nome todo, baixando os olhos e sem esquecer o “seu criado” da estrita cortesia.
— Pois, meu caro Sr. Sérgio, o amigo há de ter a bondade de ir ao cabeleireiro deitar fora estes cachinhos... Eu tinha ainda os cabelos compridos, por um capricho amoroso de minha mãe. O conselho era visivelmente salgado de censura. O diretor, explicando a meu pai, acrescentou com o risinho nasal que sabia fazer: “Sim, senhor, os meninos bonitos não provam bem no meu colégio...”
— Peço licença para defender os meninos bonitos... objetou alguém entrando.
    Surpreendendo-nos com esta frase, untuosamente escoada por um sorriso, chegou a senhora do diretor, D. Ema. Bela mulher em plena prosperidade dos trinta anos de Balzac, formas alongadas por graciosa magreza, erigindo, porém, o tronco sobre quadris amplos, fortes como a maternidade; olhos negros, pupilas retintas, de uma cor só, que pareciam encher o talho folgado das pálpebras; [...] Esta aparição maravilhou-me.

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. Fonte: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000289.pdf. Adaptado.
A respeito do papel da Literatura na sociedade, a teórica Ana Teresa Peixinho expôs o seguinte: “A Literatura nos ensina a perceber melhor quem somos, a questionar o que poderíamos ter sido e a projetar o que poderemos vir a ser”. Nesse sentido, nota-se um estreitamento entre este pensamento e a dinâmica desenvolvida no enredo do romance “O Ateneu”, de Raul Pompeia, quanto a uma denúncia de um contexto educacional vivenciado pelo narrador-personagem. Pode-se afirmar, neste contexto, que o papel da obra literária, no âmbito social, está mais alinhado com o propósito de:
Alternativas
Q4333193 Inglês
Read the text and answer questions 37 to 40.

World Inequality Report 2026 – “Inequality persists at a very extreme level”

    Today’s inequality of opportunity fuels tomorrow’s inequality of outcomes. Average education spending per child in SubSaharan Africa stands at only €200 (PPP), compared with €7,400 in Europe and €9,000 in North America and Oceania, a gap over 1 to 40, approximately three times as much as the gap in per capita GDP. Such disparities shape life chances across generations, entrenching a geography of opportunity that exacerbates and perpetuates global wealth hierarchies. 
    Wealth has reached historic highs but remains very unevenly distributed. The top 0.001%, fewer than 60,000 multimillionaires, owns three times more wealth than the entire bottom half of humanity combined. Within almost every region, the top 1% alone hold more wealth than the bottom 90% combined.
    The global financial system is rigged in favour of rich countries. At the global level, around 1% of the global GDP flows each year from poorer to richer countries through net income transfers associated with persistent excess yields and lower interest payments on rich-country liabilities, nearly three times the amount of global development aid.
    The gender pay gap persists across all regions and is larger when unpaid labor hours are accounted for. Excluding unpaid work, women earn only 61% of what men earn per working hour; when unpaid labor is included, this figure falls to just 32%. In every region, women work more hours than men when unpaid labor is accounted for.

Source: https://wid.world/news-article/world-inequality-report-2026-inequality-persist-at-a-veryextreme-level/
The statistic regarding the top 0.001% owning three times more wealth than the bottom half of humanity primarily emphasizes:
Alternativas
Q4333191 Inglês
Read the text and answer questions 37 to 40.

World Inequality Report 2026 – “Inequality persists at a very extreme level”

    Today’s inequality of opportunity fuels tomorrow’s inequality of outcomes. Average education spending per child in SubSaharan Africa stands at only €200 (PPP), compared with €7,400 in Europe and €9,000 in North America and Oceania, a gap over 1 to 40, approximately three times as much as the gap in per capita GDP. Such disparities shape life chances across generations, entrenching a geography of opportunity that exacerbates and perpetuates global wealth hierarchies. 
    Wealth has reached historic highs but remains very unevenly distributed. The top 0.001%, fewer than 60,000 multimillionaires, owns three times more wealth than the entire bottom half of humanity combined. Within almost every region, the top 1% alone hold more wealth than the bottom 90% combined.
    The global financial system is rigged in favour of rich countries. At the global level, around 1% of the global GDP flows each year from poorer to richer countries through net income transfers associated with persistent excess yields and lower interest payments on rich-country liabilities, nearly three times the amount of global development aid.
    The gender pay gap persists across all regions and is larger when unpaid labor hours are accounted for. Excluding unpaid work, women earn only 61% of what men earn per working hour; when unpaid labor is included, this figure falls to just 32%. In every region, women work more hours than men when unpaid labor is accounted for.

Source: https://wid.world/news-article/world-inequality-report-2026-inequality-persist-at-a-veryextreme-level/
The tone of the text suggests that the author views the global financial system as: 
Alternativas
Respostas
6281: C
6282: B
6283: B
6284: A
6285: E
6286: D
6287: D
6288: A
6289: B
6290: E
6291: A
6292: E
6293: E
6294: B
6295: C
6296: C
6297: D
6298: A
6299: B
6300: C