Questões de Concurso Comentadas para fiscal

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Q2238823 Direito Constitucional
O Brasil vive em um estado democrático de direito, onde o respeito às liberdades civis, aos direitos humanos e às garantias fundamentais deve ser constante no cotidiano da sociedade. A Constituição Federal de 1988 apresenta um modelo participativo de democracia que possibilita a conscientização social essencial para a efetivação da cidadania, mas ela possui limitações, especialmente em relação às dimensões social e econômica, principais obstáculos à concretização dos direitos humanos e da cidadania na vida social brasileira, havendo uma grande distância entre a cidadania formal e a cidadania real no Brasil.
(CARVALHO, 2001; BENEVIDES, 2003.)

Sobre a temática, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) A cidadania formal garante a igualdade de todos perante a lei, pois, sem ela, o povo estaria à mercê da vontade de qualquer grupo dominante; a cidadania real é do dia a dia e mostra que não existe igualdade entre os seres humanos prevalecendo a desigualdade em todas as dimensões da sociedade. ( ) A cidadania formal representa o arcabouço legal que orienta as relações entre o Estado e os cidadãos, garantindo a proteção dos direitos individuais e coletivos, e a cidadania real vai além das leis e se refere ao exercício concreto dos direitos e deveres estabelecidos pela cidadania formal. ( ) Na cidadania real se explicitam todas as contradições e desigualdades sociais geradas por questões de classes econômicas, status social, raça, gênero etc.; entretanto, considerando-se a cidadania formal, todos estes indivíduos, apesar de suas diferenças, são cidadãos e iguais perante a lei, aptos ao mesmo tratamento. ( ) A cidadania real e a cidadania formal são duas dimensões complementares e interdependentes; enquanto a cidadania real estabelece os direitos formais e obrigações legais, a cidadania formal envolve a consciência cívica, o engajamento social e político visando o bem comum.
A sequência está correta em 
Alternativas
Q2238822 Gestão de Pessoas
A formação e o desenvolvimento de equipes é um processo que visa transformar um grupo de indivíduos em uma equipe altamente interdependente e produtiva, com um propósito comum e, para isso, é necessário treino; disciplina; muito esforço; e, uma liderança eficaz. Equipes de alta performance não acontecem por acaso, mas seu desenvolvimento cria um novo recurso estratégico para a organização, dando ao negócio uma vantagem importante para resolver novos problemas e atacar projetos complexos.
(BLANCHARD, 2019; CHIAVENATO, 2020.)

Considerando o tema apresentado, analise as afirmativas a seguir.
I. Grupos e equipes de trabalho são conceitos diferentes: grupos de trabalho são caracterizados por uma reunião de pessoas que compartilham informações e recursos para atingir objetivos individuais; equipes de trabalho possuem uma interdependência de tarefas, objetivos comuns e uma forte colaboração. II. Uma equipe de trabalho que possui alto desempenho e performance tem como características: atitude inclusiva de seus membros, motivação, conhecimento e liderança compartilhados, flexibilidade para mudanças, crença em um padrão de excelência e tomada de decisões por consenso. III. O desenvolvimento de equipes tem como abordagens mais eficazes o estabelecimento de metas e a realização de avaliações de desempenho individuais, recompensando os membros mais produtivos, visando estimular a competição, bem como motivar o restante da equipe a melhorar seu desempenho.  IV. As ações de team building, como atividades de integração, dinâmicas de grupo, jogos colaborativos, para fortalecer o trabalho em conjunto e os laços entre os membros da equipe, promovendo a comunicação, a confiança e a cooperação são uma forma de facilitar a formação e o desenvolvimento de equipes de trabalho.
Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q2238821 Contabilidade Geral
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) centra sua atenção nas origens e aplicações de caixa, ou seja, revela onde os recursos de caixa foram obtidos e onde foram investidos, no exercício, sendo uma demonstração importante para a avaliação da situação financeira da instituição, podendo se conhecer sua efetiva capacidade de pagamento. As movimentações financeiras da DFC podem ser classificadas em três grandes grupos de atividades: Fluxos de Caixa das Atividades Operacionais; Fluxos de Caixa das Atividades de Investimentos; e, Fluxos de Caixa das Atividades de Financiamento.
(ASSAF NETO, 2020.)

Classifique as atividades em Atividades Operacionais (AO); Atividades de Investimentos (AI); e, Atividades de Financiamento (AF).
( ) Integralização do capital pelos sócios em dinheiro. ( ) Pagamento a fornecedores. ( ) Pagamento de parcela de empréstimo realizado junto à instituição financeira – Passivo Não Circulante. ( ) Pagamento de salários. ( ) Pagamento pela aquisição de veículo – Ativo Não Circulante – Imobilizado. ( ) Recebimento de vendas efetuadas a prazo. ( ) Recebimento pela venda de participações em outras empresas – Ativo Não Circulante – Investimentos. ( ) Vendas de mercadorias à vista.
A sequência está correta em 
Alternativas
Q2238820 Arquivologia
Protocolo – Serviço encarregado do recebimento; registro; classificação; distribuição; controle da tramitação; e, expedição de documentos.
(BRASIL, 2005, p. 140.)
“Conceitua-se como __________________ o curso do documento desde sua produção ou recepção até o cumprimento de sua função administrativa e saia da instituição, seja arquivado ou eliminado.” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior. 
Alternativas
Q2238819 Direito Administrativo
O Conselho Regional dos Representantes Comerciais no Distrito Federal – CORE-DF possui natureza jurídica de autarquia, o que implica: 
Alternativas
Q2238818 Direito Administrativo
Sobre as modalidades de licitação previstas na Lei nº 14.133/ 2021, analise as afirmativas a seguir.
I. Diálogo Competitivo: se limita a contratações em que a Administração vise admitir objeto que envolva inovação tecnológica.
II. Leilão: não exigirá registro cadastral prévio, não terá fase de habilitação e deverá ser homologado assim que concluída a fase de lances, superada a fase recursal e efetivado o pagamento pelo licitante vencedor, na forma definida em edital.
III. Concurso: o edital indicará a qualificação exigida dos participantes, as diretrizes e formas de apresentação do trabalho, as condições de realização e o prêmio a ser concedido ao vencedor, devendo a Administração observar as regras e condições previstas em edital.
Está correto o que se afirma em 
Alternativas
Q2238817 Legislação Federal
A Lei nº 12.527/2011 regula o acesso à informação previsto na Constituição Federal, criando procedimentos destinados a assegurar tal direito fundamental. O acesso à informação de que trata esta Lei compreende o direito de obter, EXCETO: 
Alternativas
Q2238816 Direito Administrativo
Considerando a Lei de Improbidade Administrativa – Lei nº 8.429/1992, na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente ou incidente, pedido de indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito. Sobre o pedido de indisponibilidade, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q2238815 Direito Administrativo
Os princípios no processo administrativo possuem diferentes funções, trazendo maior dinamismo e elasticidade ao intérprete; possibilitado a constante adaptação do direito aos fatos sociais, políticos e econômicos. Dentre os princípios no processo administrativo temos aquele de natureza garantidora, por estabelecer que a Administração Pública só pode fazer exatamente aquilo que está previsto em lei, trazendo segurança aos procedimentos. Este princípio, capaz de delimitar a aplicação das normas pelo administrador, vincula as normas a serem aplicadas aos dispositivos legais, determina quais normas serão aplicadas ao caso concreto e gera com precisão os poderes aos quais as normas conferem à Administração, é denominado: 
Alternativas
Q2238814 Direito Constitucional
O federalismo, em sua formação, pode ocorrer mediante a agregação ou a segregação dos Estados. Neste sentido, no modo de organização do Estado brasileiro: 
Alternativas
Q2238813 Direito Constitucional
A solidariedade é a base do Sistema Constitucional Previdenciário. A Seguridade Social é financiada por meio de recursos de orçamentos públicos, por contribuições sociais e por toda a sociedade, direta ou indiretamente. De acordo com a previsão constitucional, a organização da Seguridade Social pelo Poder Público deve ocorrer com base nos seguintes objetivos: 
Alternativas
Q2238812 Direito Administrativo
O Estado detém competência privativa para legislar sobre a política remuneratória de seus servidores. Considerando o que determinam as normas regentes da Administração Pública é correto afirmar que: 
Alternativas
Q2238811 Direito Constitucional
Considerados direitos de segunda geração, os direitos sociais estão previstos na Constituição Federal em capítulo próprio. É correto afirmar que o rol de direitos sociais previstos na Constituição 
Alternativas
Q2238810 Direito Constitucional
Como forma de garantir o cumprimento do princípio da dignidade da pessoa humana, os direitos fundamentais estão positivados no ordenamento jurídico brasileiro, sendo inerentes a todos os seres humanos. Os direitos fundamentais são:
Alternativas
Q2238809 Matemática
Em determinada repartição pública, a fiscalização de obras é dividida por regiões do município. João Paulo e Francisco são fiscais e devem visitar as obras das suas respectivas regiões. O sistema de registro atribui pontos por visitas e esta pontuação é considerada na avaliação de desempenho da seguinte forma: cada obra visitada conta 2 pontos e cada obra não visitada o funcionário perde 1 ponto. Durante o mês de maio, João Paulo deveria visitar 23 obras, mas visitou apenas 15. Francisco deveria visitar 26 obras e obteve a mesma pontuação de João Paulo. O número de obras visitadas por Francisco no mês de maio foi: 
Alternativas
Q2238808 Raciocínio Lógico
Considere a sentença FALSA:
“Se Andrey é gerente e Joelma não é fiscal, então Luciana é telefonista.”
Então, é correto afirmar que:
Alternativas
Q2238806 Matemática
Determinada montadora de veículos automotores está realizando testes de eficiência no consumo de combustível. O teste está sendo realizado com dois modelos identificados como modelo A e modelo B. O modelo A percorre 300 km com um tanque de combustível, já o modelo B percorre 450 km com um tanque de combustível. Se a velocidade média dos automóveis for reduzida à metade, qual a diferença entre as distâncias percorridas com o mesmo tanque de combustível? 
Alternativas
Q2238805 Raciocínio Lógico
Uma empresa pretende oferecer plano de saúde para seus funcionários; para isso realizou uma pesquisa com o objetivo de propor o melhor plano que os atenda. A pesquisa apresentou três planos de saúde: plano A; plano B; e, plano C. O resultado da pesquisa mostrou que 75 funcionários gostaram do plano A; 85 gostaram do plano B; 100 gostaram do plano C; 20 gostaram dos planos A e B; 25 gostaram dos planos B e C; e, 10 gostaram dos três planos. Sabendo-se que a empresa possui 200 funcionários e que todos eles responderam à pesquisa, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q2238804 Redação Oficial

Luz de lanterna, sopro de vento


       Tendo o marido partido para a guerra, na primeira noite da sua ausência a mulher acendeu uma lanterna e pendurou-a do lado de fora da casa. “Para trazê-lo de volta” murmurou. E foi dormir.

    Mas, ao abrir a porta na manhã seguinte, deparou-se com a lanterna apagada. “Foi o vento da madrugada” pensou olhando para o alto como se pudesse vê-lo soprar.

       À noite, antes de deitar, novamente acendeu a lanterna que a distância deveria indicar ao seu homem o caminho de casa.

      Ventou de madrugada. Mas era tão tarde e ela estava tão cansada que nada ouviu, nem o farfalhar das árvores, nem o gemido das frestas, nem o ranger das argolas da lanterna. E de manhã surpreendeu-se ao encontrar a luz apagada.

      Naquela noite, antes de acender a lanterna, demorou-- se estudando o céu límpido, as claras estrelas. “Na certa não ventará” disse em voz alta, quase dando uma ordem. E encostou a chama do fósforo no pavio.

     Se ventou ou não, ela não saberia dizer. Mas antes que o dia raiasse não havia mais nenhuma luz, a casa desaparecia nas trevas.

      Assim foi durante muitos e muitos dias, a mulher sem nunca desistir acendendo a lanterna que o vento, com igual constância apagava.

     Talvez meses tivessem passado quando num entardecer, ao acender a lanterna, a mulher viu ao longe recortada contra a luz que lanhava em sangue o horizonte, a silhueta escura de um homem a cavalo. Um homem a cavalo que galopava na sua direção.

     Aos poucos, apertando os olhos para ver melhor, distinguiu a lança erguida ao lado da sela, os duros contornos da couraça. Era um soldado que vinha. Seu coração hesitou entre o medo e a esperança. O fôlego se reteve por instantes entre lábios abertos. E já podia ouvir os cascos batendo sobre a terra, quando começou a sorrir. Era seu marido que vinha.

      Apeou o marido. Mas só com um braço rodeou-lhe os ombros. A outra mão pousou na empunhadura da espada. Nem fez menção de encaminhar-se para a casa.

    Que não se iludisse. A guerra não havia acabado. Sequer havia acabado a batalha que deixara pela manhã. Coberto de poeira e sangue, ainda assim não havia vindo para ficar. “Vim porque a luz que você acende à noite não me deixa dormir” disse-lhe quase ríspido. “Brilha por trás das minhas pálpebras fechadas, como se me chamasse. Só de madrugada depois que o vento sopra posso adormecer.”

    A mulher nada disse. Nada pediu. Encostou a mão no peito do marido, mas o coração dele parecia distante, protegido pelo couro da couraça. “Deixe-me fazer o que tem de ser feito, mulher” disse sem beijá-la. De um sopro apagou a lanterna. Montou a cavalo, partiu. Adensavam-se as sombras, e ela não pode sequer vê-lo afastar-se contra o céu. 

      A partir daquela noite, a mulher não acendeu mais nenhuma luz. Nem mesmo a vela dentro de casa, não fosse a chama acender-se por trás das pálpebras do marido.

      No escuro, as noites se consumiam rápidas. E com elas carregavam os dias, que a mulher nem contava. Sem saber ao certo quanto tempo havia passado, ela sabia, porém, que era tanto.

     E, passado num final de tarde em que a soleira da porta despedia-se da última luz no horizonte, viu desenhar-se lá longe a silhueta de um homem. Um homem a pé que caminhava na sua direção. Protegeu os olhos com a mão para ver melhor e, aos poucos, porque o homem avançava devagar, começou a distinguir a cabeça baixa, o contorno dos ombros cansados. Contorno doce, sem couraça, retendo o sorriso nos lábios – tantos homens haviam passado sem que nenhum fosse o que ela esperava. Ainda não podia ver-lhe o rosto, oculto entre a barba e o chapéu, quando deu o primeiro passo e correu ao seu encontro, liberando o coração. Era seu marido que voltava da guerra.

      Não precisou perguntar-lhe se havia vindo para ficar. Caminharam até a casa. Já iam entrar. Quando ele se reteve. Sem pressa voltou-se, e, embora a noite ainda não tivesse chegado, acendeu a lanterna. Só entrou com a mulher. E fechou a porta.


(COLASANTI, Marina. Luz de lanterna, sopro de vento. In: Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L&PM. p. 39, 1999. Adaptado.)

A necessidade de empregar determinado nível de linguagem nos atos e nos expedientes oficiais decorre, de um lado, do próprio caráter público desses atos e comunicações; de outro, de sua finalidade. Considerando que a clareza deve ser a qualidade básica de todo texto oficial, são características deste atributo da redação oficial, EXCETO:
Alternativas
Q2238803 Português

Luz de lanterna, sopro de vento


       Tendo o marido partido para a guerra, na primeira noite da sua ausência a mulher acendeu uma lanterna e pendurou-a do lado de fora da casa. “Para trazê-lo de volta” murmurou. E foi dormir.

    Mas, ao abrir a porta na manhã seguinte, deparou-se com a lanterna apagada. “Foi o vento da madrugada” pensou olhando para o alto como se pudesse vê-lo soprar.

       À noite, antes de deitar, novamente acendeu a lanterna que a distância deveria indicar ao seu homem o caminho de casa.

      Ventou de madrugada. Mas era tão tarde e ela estava tão cansada que nada ouviu, nem o farfalhar das árvores, nem o gemido das frestas, nem o ranger das argolas da lanterna. E de manhã surpreendeu-se ao encontrar a luz apagada.

      Naquela noite, antes de acender a lanterna, demorou-- se estudando o céu límpido, as claras estrelas. “Na certa não ventará” disse em voz alta, quase dando uma ordem. E encostou a chama do fósforo no pavio.

     Se ventou ou não, ela não saberia dizer. Mas antes que o dia raiasse não havia mais nenhuma luz, a casa desaparecia nas trevas.

      Assim foi durante muitos e muitos dias, a mulher sem nunca desistir acendendo a lanterna que o vento, com igual constância apagava.

     Talvez meses tivessem passado quando num entardecer, ao acender a lanterna, a mulher viu ao longe recortada contra a luz que lanhava em sangue o horizonte, a silhueta escura de um homem a cavalo. Um homem a cavalo que galopava na sua direção.

     Aos poucos, apertando os olhos para ver melhor, distinguiu a lança erguida ao lado da sela, os duros contornos da couraça. Era um soldado que vinha. Seu coração hesitou entre o medo e a esperança. O fôlego se reteve por instantes entre lábios abertos. E já podia ouvir os cascos batendo sobre a terra, quando começou a sorrir. Era seu marido que vinha.

      Apeou o marido. Mas só com um braço rodeou-lhe os ombros. A outra mão pousou na empunhadura da espada. Nem fez menção de encaminhar-se para a casa.

    Que não se iludisse. A guerra não havia acabado. Sequer havia acabado a batalha que deixara pela manhã. Coberto de poeira e sangue, ainda assim não havia vindo para ficar. “Vim porque a luz que você acende à noite não me deixa dormir” disse-lhe quase ríspido. “Brilha por trás das minhas pálpebras fechadas, como se me chamasse. Só de madrugada depois que o vento sopra posso adormecer.”

    A mulher nada disse. Nada pediu. Encostou a mão no peito do marido, mas o coração dele parecia distante, protegido pelo couro da couraça. “Deixe-me fazer o que tem de ser feito, mulher” disse sem beijá-la. De um sopro apagou a lanterna. Montou a cavalo, partiu. Adensavam-se as sombras, e ela não pode sequer vê-lo afastar-se contra o céu. 

      A partir daquela noite, a mulher não acendeu mais nenhuma luz. Nem mesmo a vela dentro de casa, não fosse a chama acender-se por trás das pálpebras do marido.

      No escuro, as noites se consumiam rápidas. E com elas carregavam os dias, que a mulher nem contava. Sem saber ao certo quanto tempo havia passado, ela sabia, porém, que era tanto.

     E, passado num final de tarde em que a soleira da porta despedia-se da última luz no horizonte, viu desenhar-se lá longe a silhueta de um homem. Um homem a pé que caminhava na sua direção. Protegeu os olhos com a mão para ver melhor e, aos poucos, porque o homem avançava devagar, começou a distinguir a cabeça baixa, o contorno dos ombros cansados. Contorno doce, sem couraça, retendo o sorriso nos lábios – tantos homens haviam passado sem que nenhum fosse o que ela esperava. Ainda não podia ver-lhe o rosto, oculto entre a barba e o chapéu, quando deu o primeiro passo e correu ao seu encontro, liberando o coração. Era seu marido que voltava da guerra.

      Não precisou perguntar-lhe se havia vindo para ficar. Caminharam até a casa. Já iam entrar. Quando ele se reteve. Sem pressa voltou-se, e, embora a noite ainda não tivesse chegado, acendeu a lanterna. Só entrou com a mulher. E fechou a porta.


(COLASANTI, Marina. Luz de lanterna, sopro de vento. In: Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L&PM. p. 39, 1999. Adaptado.)

Dentre os fragmentos em destaque, assinale aquele cuja palavra sublinhada NÃO se trata de uma expressão referencial:
Alternativas
Respostas
4181: D
4182: C
4183: D
4184: B
4185: C
4186: D
4187: C
4188: D
4189: A
4190: B
4191: D
4192: A
4193: C
4194: D
4195: B
4196: C
4197: A
4198: C
4199: B
4200: B