Questões de Concurso Comentadas para técnico - tecnologia da informação

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Q3519681 Direito Digital
Segundo o art. 5º da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), os dados pessoais sensíveis estão sujeitos a regras mais restritivas de tratamento por revelarem aspectos íntimos do titular. Com base na definição legal, assinale, a seguir, a alternativa que representa um dado pessoal sensível.
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Q3519680 Gerência de Projetos
O analista de sistemas da área pública coordena um projeto para implantar um novo sistema de controle de requisições internas. Após a primeira entrega parcial, ele constata que os usuários não estão utilizando corretamente os módulos liberados, alegando que eles não atendem às necessidades reais do setor. O analista, então, reúne a equipe técnica, reavalia os critérios de aceitação e prioriza a adaptação das próximas entregas com base no valor percebido pelas áreas usuárias. De acordo com o PMBOK® – 7ª edição, qual domínio está mais diretamente relacionado à conduta adotada pelo analista?
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Q3519679 Gerência de Projetos
Determinado analista de sistemas assumiu a liderança de um projeto de desenvolvimento de um novo sistema de folha de pagamento. No início do projeto, ele reuniu usuários, membros da diretoria e representantes da equipe técnica para escutar suas expectativas, dúvidas e restrições, a fim de promover um relacionamento de confiança e colaboração ao longo do projeto. De acordo com o Guia PMBOK® – 7ª edição, qual domínio de desempenho está mais alinhado com a atitude tomada pelo analista?
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Q3519678 Direito Digital
Nos termos do art. 4º da Lei nº 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), algumas situações não se submetem às disposições da LGPD. Nesse contexto, é correto afirmar que uma dessas exceções legais é o tratamento de dados realizado:
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Q3519677 Governança de TI
No contexto do ITIL 4, o Sistema de Valor de Serviço (SVS) representa a forma como uma organização cria valor por meio da gestão de serviços. Com base nos princípios e componentes do ITIL 4, sobre o SVS, assinale a afirmativa correta.
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Q3519676 Governança de TI
Uma equipe de governança de TI vinculada a um órgão estadual de saúde está encarregada de elaborar um plano de melhoria contínua para os processos de tecnologia da informação. Ao analisar frameworks disponíveis, a equipe decidiu utilizar o COBIT 2019 como base, por ser mais adaptável e atual em relação aos riscos, estratégias e necessidades específicas do órgão. Durante a primeira fase de planejamento, os analistas listaram alguns recursos do framework que pretendem utilizar, e apresentaram essas propostas ao gestor da área. Com base nas características do COBIT 2019, trata-se uma inovação efetivamente introduzida por essa versão do framework:
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Q3519675 Governança de TI
A Secretaria de Tecnologia de determinado consórcio intermunicipal decidiu revisar sua estrutura de governança de TI com o objetivo de garantir maior alinhamento estratégico, flexibilidade para mudanças organizacionais e aderência a riscos específicos do setor público. O analista responsável pela revisão identificou que a organização utiliza o COBIT 5 há mais de dez anos, e cogita adotar o COBIT 2019. Durante uma reunião de trabalho, o coordenador da equipe solicitou um parecer técnico destacando um recurso exclusivo da versão mais recente que justifique a migração para o novo modelo. Com base na comparação entre as versões COBIT 5 e COBIT 2019, trata-se de uma característica exclusiva da versão mais recente do framework:
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Q3519674 Engenharia de Software

Após migrar servidores para a nuvem, a equipe de suporte realizou a retrospectiva e identificou falhas na comunicação e na definição do Definition of Done, bem como baixa visibilidade das métricas do incremento. O analista de suporte sugeriu revisar a definição de Done e reforçar que toda a equipe deve garantir que o incremento atenda aos critérios de qualidade.



Com base no Scrum Guide 2020, assinale a continuação adequada.

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Q3519673 Governança de TI

Considere que o analista de suporte implementou um quadro Kanban no GLPI com colunas, limites de WIP e políticas acordadas pela equipe. Após um mês, conduziu uma sessão para revisar a governança do fluxo de trabalho. Diante do exposto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.



( ) O Kanban exige políticas explícitas de fluxo, como limites de WIP e um sistema pull.


( ) Deve-se iniciar “com o que se faz hoje” e evoluir gradualmente.


( ) Visualizar o fluxo e usar um sistema pull são práticas essenciais.


( ) A metodologia exige mudanças radicais nas políticas sempre que melhorias são identificadas.


( ) Loops de feedback e métricas (lead time, throughput, aging) são componentes fundamentais da governança do fluxo.



A sequência está correta em:

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Q3519672 Engenharia de Software
Determinado analista de suporte, atuando como Scrum Master em um projeto de backup em nuvem, enfatizou que os eventos são pautados por time-boxing para sincronizar o time. Na retrospectiva, destacou que as ações de melhoria fazem parte do (1), que deve estar alinhado ao (2), e salientou que a equipe é self-managing, definindo “o que, como e quem” executa o trabalho. Por fim, ressaltou que o time-boxing fortalece o ciclo de (3). Assinale, a seguir, a alternativa que apresenta a sequência correta.
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Q3519668 Direito Administrativo
O Consórcio Público Intermunicipal de Saneamento, constituído como associação pública, pretende contratar equipe técnica própria para execução de suas atividades. Com base na Lei nº 11.107/2005, é correto afirmar que:
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Q3519666 Sistemas Operacionais

No contexto dos sistemas operacionais modernos, um dos principais papéis dessa camada de software é o gerenciamento dos recursos do computador. Representa corretamente uma função típica de um sistema operacional:

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Q3519665 Arquitetura de Computadores
Certo usuário deseja adquirir um microcomputador para atividades básicas como navegação na internet, edição de textos e reprodução de vídeos. Considerando os componentes essenciais de um microcomputador, trata-se de um item responsável por executar as instruções dos programas e controlar o funcionamento geral do sistema: 
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Q3519664 Noções de Informática
Maria é recepcionista em uma clínica médica e utiliza um computador com Windows 10 (Configuração Padrão – Idioma Português-Brasil) para agendar consultas, enviar relatórios e acessar prontuários eletrônicos. Certo dia, ao abrir um arquivo, anexo de e-mail com nome suspeito, o computador começou a apresentar lentidão e janelas estranhas passaram a abrir sozinhas. Para resolver esse problema, o administrador de TI recomendou que ela usasse um recurso nativo do Windows 10 que pode ajudar a identificar e remover possíveis ameaças de software malicioso. Considerando o cenário hipotético, o recurso para realizar essa verificação de forma simples e acessível por um usuário comum é: 
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Q3519663 Noções de Informática
A enfermeira Juliana é responsável pelo controle mensal do estoque de medicamentos de um posto de saúde. Ela possui uma planilha com duas colunas: “Quantidade Inicial” (coluna B) e “Quantidade Usada” (coluna C). Para calcular a quantidade restante de cada medicamento, ela poderá utilizar uma fórmula simples na coluna D que subtraia a quantidade usada da quantidade inicial. Qual fórmula Juliana deverá digitar na célula D2 para calcular corretamente a quantidade restante do primeiro medicamento e que poderá ser replicada para as demais linhas? 
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Q3519662 Noções de Informática
Carlos é técnico em enfermagem e foi designado para redigir o relatório de atendimento de um paciente no Microsoft Word 2019 (Configuração Padrão – Idioma Português-Brasil). Sabe-se que ele precisa destacar as seções do documento com títulos em negrito e centralizados, além de garantir que todas as páginas do relatório tenham numeração automática no rodapé. Como Carlos é um usuário comum, ele deseja utilizar os recursos automáticos do Word para formatar o texto de maneira rápida e padronizada. Tendo em vista o caso hipotético, o recurso do Word 2019 que permite aplicar estilos de título com formatação prédefinida e, ainda, facilita a criação de sumários automáticos é:
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Q3519661 Português

O manicômio vive dentro de nós



    No dia 18 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data que lembra a mobilização do movimento da reforma psiquiátrica, iniciado na década de 1970, que reúne, desde então, pessoas com transtornos mentais, familiares, profissionais de saúde e setores da academia em prol de uma atenção à saúde humanizada e com respeito aos direitos fundamentais.


    No cuidado à pessoa com transtornos mentais, dois modelos estão em tensão. De um lado, a proposta de tratamento como segregação do louco do convívio familiar e social. De outro, parte-se da premissa de que é necessário priorizar a atenção ambulatorial e a convivência familiar e comunitária, sendo cabível a internação apenas mediante solicitação médica, quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes, tendo como objetivo a reinserção do paciente no meio social.


    As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema. Apenas como referência, convidamos o leitor a se familiarizar e se conscientizar sobre o tema a partir da leitura de obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, “Nos porões da loucura”, de Hiram Firmino, e, mais recente, o chocante livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que baseou o documentário produzido pela rede de TV HBO. Ainda, filmes como “O bicho de sete cabeças” e “Em nome da razão” são obras obrigatórias sobre o universo de violações de direitos vivido por pacientes psiquiátricos.


    A história revela que o isolamento e a institucionalização dos doentes rapidamente conduziram à superlotação de hospitais, que se tornaram depósitos de pessoas sem atenção clínica e psiquiátrica adequada, ao uso de práticas sem devido fundamento científico, à privação de liberdade, ao isolamento, à perda da privacidade e à violência, entre outras gravíssimas violações de direitos humanos.


    Muitas vezes, sequer, essas pessoas tiveram um diagnóstico adequado e justificativa para sua internação. Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar. Teriam sido 60 mil apenas no Hospital Colônia de Barbacena, segundo nos conta Daniela Arbex.  


    Mesmo diante desses fatos, ainda hoje, muitas vozes, por vezes camuflando suas reais intenções, insistem em práticas segregacionistas, que “coisificam” o doente, que perde sua condição de pessoa e de sujeito de direitos. Não há dúvidas de que o cuidado com o paciente com transtornos mentais é complexo e impacta gravemente a vida de sua família. No entanto, a institucionalização e a segregação trazem tranquilidade apenas para a consciência daqueles que acreditam que “o que os olhos não veem o coração não sente”.


    Em visita ao Hospital Colônia de Barbacena, o jornalista Hiram Firmino testemunhou: “Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos encontrar. Mas seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo”.


    Portanto, neste dia 18 de maio, proponho que lutemos contra o manicômio que está dentro de cada um de nós e que o poder público, em vez de admitir práticas que configuram retrocesso no cuidado das pessoas com transtornos mentais, esteja empenhado em fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS), promover a inclusão social, resgatar a cidadania e dispensar apoio intersetorial ao paciente e sua família.



(Luciano Moreira de Oliveira, Promotor de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde do MPMG, Estado de Minas. Em: maio de 2023.)

De acordo com o efeito de sentido produzido por meio das expressões empregadas no texto, é correto afirmar que ocorre:
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Q3519660 Português

O manicômio vive dentro de nós



    No dia 18 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data que lembra a mobilização do movimento da reforma psiquiátrica, iniciado na década de 1970, que reúne, desde então, pessoas com transtornos mentais, familiares, profissionais de saúde e setores da academia em prol de uma atenção à saúde humanizada e com respeito aos direitos fundamentais.


    No cuidado à pessoa com transtornos mentais, dois modelos estão em tensão. De um lado, a proposta de tratamento como segregação do louco do convívio familiar e social. De outro, parte-se da premissa de que é necessário priorizar a atenção ambulatorial e a convivência familiar e comunitária, sendo cabível a internação apenas mediante solicitação médica, quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes, tendo como objetivo a reinserção do paciente no meio social.


    As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema. Apenas como referência, convidamos o leitor a se familiarizar e se conscientizar sobre o tema a partir da leitura de obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, “Nos porões da loucura”, de Hiram Firmino, e, mais recente, o chocante livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que baseou o documentário produzido pela rede de TV HBO. Ainda, filmes como “O bicho de sete cabeças” e “Em nome da razão” são obras obrigatórias sobre o universo de violações de direitos vivido por pacientes psiquiátricos.


    A história revela que o isolamento e a institucionalização dos doentes rapidamente conduziram à superlotação de hospitais, que se tornaram depósitos de pessoas sem atenção clínica e psiquiátrica adequada, ao uso de práticas sem devido fundamento científico, à privação de liberdade, ao isolamento, à perda da privacidade e à violência, entre outras gravíssimas violações de direitos humanos.


    Muitas vezes, sequer, essas pessoas tiveram um diagnóstico adequado e justificativa para sua internação. Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar. Teriam sido 60 mil apenas no Hospital Colônia de Barbacena, segundo nos conta Daniela Arbex.  


    Mesmo diante desses fatos, ainda hoje, muitas vozes, por vezes camuflando suas reais intenções, insistem em práticas segregacionistas, que “coisificam” o doente, que perde sua condição de pessoa e de sujeito de direitos. Não há dúvidas de que o cuidado com o paciente com transtornos mentais é complexo e impacta gravemente a vida de sua família. No entanto, a institucionalização e a segregação trazem tranquilidade apenas para a consciência daqueles que acreditam que “o que os olhos não veem o coração não sente”.


    Em visita ao Hospital Colônia de Barbacena, o jornalista Hiram Firmino testemunhou: “Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos encontrar. Mas seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo”.


    Portanto, neste dia 18 de maio, proponho que lutemos contra o manicômio que está dentro de cada um de nós e que o poder público, em vez de admitir práticas que configuram retrocesso no cuidado das pessoas com transtornos mentais, esteja empenhado em fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS), promover a inclusão social, resgatar a cidadania e dispensar apoio intersetorial ao paciente e sua família.



(Luciano Moreira de Oliveira, Promotor de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde do MPMG, Estado de Minas. Em: maio de 2023.)

Considerando o trecho “Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar.” (5º§), é correto afirmar que a expressão “a luz da porta de saída”:
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Q3519659 Português

O manicômio vive dentro de nós



    No dia 18 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data que lembra a mobilização do movimento da reforma psiquiátrica, iniciado na década de 1970, que reúne, desde então, pessoas com transtornos mentais, familiares, profissionais de saúde e setores da academia em prol de uma atenção à saúde humanizada e com respeito aos direitos fundamentais.


    No cuidado à pessoa com transtornos mentais, dois modelos estão em tensão. De um lado, a proposta de tratamento como segregação do louco do convívio familiar e social. De outro, parte-se da premissa de que é necessário priorizar a atenção ambulatorial e a convivência familiar e comunitária, sendo cabível a internação apenas mediante solicitação médica, quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes, tendo como objetivo a reinserção do paciente no meio social.


    As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema. Apenas como referência, convidamos o leitor a se familiarizar e se conscientizar sobre o tema a partir da leitura de obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, “Nos porões da loucura”, de Hiram Firmino, e, mais recente, o chocante livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que baseou o documentário produzido pela rede de TV HBO. Ainda, filmes como “O bicho de sete cabeças” e “Em nome da razão” são obras obrigatórias sobre o universo de violações de direitos vivido por pacientes psiquiátricos.


    A história revela que o isolamento e a institucionalização dos doentes rapidamente conduziram à superlotação de hospitais, que se tornaram depósitos de pessoas sem atenção clínica e psiquiátrica adequada, ao uso de práticas sem devido fundamento científico, à privação de liberdade, ao isolamento, à perda da privacidade e à violência, entre outras gravíssimas violações de direitos humanos.


    Muitas vezes, sequer, essas pessoas tiveram um diagnóstico adequado e justificativa para sua internação. Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar. Teriam sido 60 mil apenas no Hospital Colônia de Barbacena, segundo nos conta Daniela Arbex.  


    Mesmo diante desses fatos, ainda hoje, muitas vozes, por vezes camuflando suas reais intenções, insistem em práticas segregacionistas, que “coisificam” o doente, que perde sua condição de pessoa e de sujeito de direitos. Não há dúvidas de que o cuidado com o paciente com transtornos mentais é complexo e impacta gravemente a vida de sua família. No entanto, a institucionalização e a segregação trazem tranquilidade apenas para a consciência daqueles que acreditam que “o que os olhos não veem o coração não sente”.


    Em visita ao Hospital Colônia de Barbacena, o jornalista Hiram Firmino testemunhou: “Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos encontrar. Mas seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo”.


    Portanto, neste dia 18 de maio, proponho que lutemos contra o manicômio que está dentro de cada um de nós e que o poder público, em vez de admitir práticas que configuram retrocesso no cuidado das pessoas com transtornos mentais, esteja empenhado em fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS), promover a inclusão social, resgatar a cidadania e dispensar apoio intersetorial ao paciente e sua família.



(Luciano Moreira de Oliveira, Promotor de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde do MPMG, Estado de Minas. Em: maio de 2023.)

Considerando o excerto “As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema.” (3º§), assinale a afirmativa correta
Alternativas
Q3519658 Português

O manicômio vive dentro de nós



    No dia 18 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data que lembra a mobilização do movimento da reforma psiquiátrica, iniciado na década de 1970, que reúne, desde então, pessoas com transtornos mentais, familiares, profissionais de saúde e setores da academia em prol de uma atenção à saúde humanizada e com respeito aos direitos fundamentais.


    No cuidado à pessoa com transtornos mentais, dois modelos estão em tensão. De um lado, a proposta de tratamento como segregação do louco do convívio familiar e social. De outro, parte-se da premissa de que é necessário priorizar a atenção ambulatorial e a convivência familiar e comunitária, sendo cabível a internação apenas mediante solicitação médica, quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes, tendo como objetivo a reinserção do paciente no meio social.


    As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema. Apenas como referência, convidamos o leitor a se familiarizar e se conscientizar sobre o tema a partir da leitura de obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, “Nos porões da loucura”, de Hiram Firmino, e, mais recente, o chocante livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que baseou o documentário produzido pela rede de TV HBO. Ainda, filmes como “O bicho de sete cabeças” e “Em nome da razão” são obras obrigatórias sobre o universo de violações de direitos vivido por pacientes psiquiátricos.


    A história revela que o isolamento e a institucionalização dos doentes rapidamente conduziram à superlotação de hospitais, que se tornaram depósitos de pessoas sem atenção clínica e psiquiátrica adequada, ao uso de práticas sem devido fundamento científico, à privação de liberdade, ao isolamento, à perda da privacidade e à violência, entre outras gravíssimas violações de direitos humanos.


    Muitas vezes, sequer, essas pessoas tiveram um diagnóstico adequado e justificativa para sua internação. Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar. Teriam sido 60 mil apenas no Hospital Colônia de Barbacena, segundo nos conta Daniela Arbex.  


    Mesmo diante desses fatos, ainda hoje, muitas vozes, por vezes camuflando suas reais intenções, insistem em práticas segregacionistas, que “coisificam” o doente, que perde sua condição de pessoa e de sujeito de direitos. Não há dúvidas de que o cuidado com o paciente com transtornos mentais é complexo e impacta gravemente a vida de sua família. No entanto, a institucionalização e a segregação trazem tranquilidade apenas para a consciência daqueles que acreditam que “o que os olhos não veem o coração não sente”.


    Em visita ao Hospital Colônia de Barbacena, o jornalista Hiram Firmino testemunhou: “Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos encontrar. Mas seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo”.


    Portanto, neste dia 18 de maio, proponho que lutemos contra o manicômio que está dentro de cada um de nós e que o poder público, em vez de admitir práticas que configuram retrocesso no cuidado das pessoas com transtornos mentais, esteja empenhado em fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS), promover a inclusão social, resgatar a cidadania e dispensar apoio intersetorial ao paciente e sua família.



(Luciano Moreira de Oliveira, Promotor de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde do MPMG, Estado de Minas. Em: maio de 2023.)

Em “Mas seres humanos como nós.” (7º§), o vocábulo “mas” tem valor:
Alternativas
Respostas
1: D
2: B
3: D
4: A
5: D
6: D
7: D
8: D
9: A
10: D
11: B
12: D
13: C
14: C
15: A
16: A
17: C
18: B
19: B
20: B