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O leitor perceberá que me coloquei deliberadamente no ângulo dos nossos primeiros românticos e dos críticos estrangeiros que, antes deles, localizaram na fase arcádica o início da nossa verdadeira literatura, graças à manifestação de temas, notadamente o Indianismo, que dominarão a produção oitocentista. Esses críticos conceberam a literatura do Brasil como expressão da realidade local, e ao mesmo tempo, elemento positivo na construção nacional. (CANDIDO, 1959, p. 25).
O excerto aborda a relação entre sociedade e literatura no processo de formação de um ideal de nação, a partir da construção de um imaginário sobre o que é o país e o que é o brasileiro. Acerca da Literatura produzida no século XIX e do seu impacto na formação da ideia que se tem de nação e do imaginário nacionalista, é correto afirmar:
O segredo maior da literatura é justamente o envolvimento único que ela nos proporciona em um mundo feito de palavras. O conhecimento de como esse mundo é articulado, como ele age sobre nós, não eliminará seu poder, antes o fortalecerá porque estará apoiado no conhecimento que ilumina e não na escuridão da ignorância.
O modo como a leitura do texto literário é tratada no texto reflete uma concepção de texto literário e de letramento literário que convergem com todas as assertivas seguir, exceto:

Qual destas análises do poema está correta?
Padre Antônio Vieira Sabei, pois, todos os que sois chamados escravos, que não é escravo tudo o que sois. Todo o homem é composto de corpo e alma; mas o que é e se chama escravo, não é todo o homem, senão só metade dele. Até os Gentios, que tinham pouco conhecimento das almas, conheceram esta verdade e fizeram esta distinção. [...] Excelentemente Sêneca: [...] “Quem cuida que o que se chama escravo é o homem todo, erra e não sabe o que diz: a melhor parte do homem, que é a alma, é isenta" de todo o domínio alheio, e não pode ser cativa. O corpo, e somente o corpo, sim[...]. [...] neste vosso mesmo Brasil, quando quereis dizer que Fulano tem muitos ou poucos escravos, porque dizeis que tem tantas ou tantas peças? - Porque os primeiros que lhes puseram este nome, quiseram significar, sábia e cristãmente, que a sujeição que o escravo tem ao senhor, e o domínio que o senhor tem sobre o escravo, só consiste no corpo. Os homens não são feitos de uma só peça, como os anjos e os brutos. Os anjos e os brutos (para que nos expliquemos assim) são inteiriços; o anjo, por que todo é espírito; o bruto, porque todo é corpo. O homem não. É feito de duas peças - alma e corpo. E porque o senhor do escravo só é senhor de uma destas peças, e a capaz de domínio, que é o corpo, por isso chamais aos vossos escravos peças. E se esta derivação vos não contenta, digamos que chamais peças aos vossos escravos, assim como dizemos: uma peça de ouro, uma peça de prata, uma peça de seda, ou de qualquer outra cousa das que não têm alma. [...]
Classifique as afirmativas feitas sobre o texto “Sermão vigésimo sétimo, como santíssimo sacramento exposto [...]” como (V) verdadeiras ou (F) falsas.
( ) A associação dos sentidos dos termos peça e corpo, proposta pelo Padre Antônio Vieira na escrita do Sermão, permite a construção de uma relação hiponímica que é sustentada no decorrer do último parágrafo do texto.
( ) A doutrinação religiosa presente no Sermão é marcada pela discussão de temas que revelam interesses políticos e econômicos, o que fica evidente a partir do uso contra positivo destinado aos termos “corpo” e “alma”.
( ) A justificativa do processo de escravização de pessoas é elaborada a partir da ideia de que o ser humano é composto de uma parte material e outra imaterial, estratégia que se institui por meio do uso de antíteses.
( ) A prosa moralista e religiosa presente no Sermão, marcas do estilo cultista predominante na escrita do texto, busca justificar e defender a submissão de pessoas negras à condição de escravização imposta pela estrutura colonial
A sequência correta de classificação, de cima para baixo, é:
Observe a variação linguística exemplificada na tirinha.

Em relação à tirinha, percebe-se que a variação linguística é motivada
“Dói meu ouvido”, diz o conhecido, sabendo que sou professora de português. Ele procura uma cumplicidade comigo, depois de protagonizar uma cena explícita de preconceito linguístico. Um vendedor de água ou de chicletes vem oferecer suas mercadorias, diz “aí, dona, é água e balinha, é as melhó, três por cinco”. Meus ouvidos ouvem, não, obrigada, não compram; os ouvidos dele doem,e também dispensam os doces.
Noutro momento, numa festinha familiar ou de fim de ano, duas ou três pessoas conversa meu madelas pronuncia “gratuíto”, enquanto a outra concorda mal um sujeito e um predicado; a terceira usa impropriamente uma palavra supostamente chique e culta. Novamente, chega alguém mais informado e diz na minha orelha: “você deve sofrer, né?”
Não sofro. Não sofro o tempo todo. Mas noto algumas coisas: (a) que quando esses falares acontecem, há uns segundos de expectativa, quando os olhares vêm na minha direção, aguardando por uma atitude imediata de cá, isto é, uma correção explícita à fala alheia; (b) uma decepção generalizada quando não faço isso, como se fosse uma espécie de maldade ou de omissão de socorro; (c) em seguida, o perdão geral, após a conclusão de que eu provavelmente só não quis constranger ninguém, mas que corrigirei a pessoa em momento oportuno, expondo-a menos.
RIBEIRO, Ana Elisa. “Com você corrige os outros?”. Disponível em: https://revistapessoa.com/artigo/3453/como-voce-corrige-os-outros? Acesso em: 04 mar. 2023.
Conforme Antunes (2007) “a ciência linguística defende que o bom uso da língua é aquele adequado às condições de uso”. Estabelecendo uma relação com o texto de Ana Elisa Ribeiro, classifique as afirmativas como (V) verdadeiras ou (F) falsas.
( ) O uso da língua fora do contexto culto indica falta de conhecimento linguístico e gramatical devendo ser corrigido em diferentes contextos de fala.
( ) O fato da norma culta corresponder a variante de prestígio social, seu uso deve ser priorizado nas situações de interação verbal.
( ) Por ser a língua homogênea e regida pela norma padrão, o emprego de “gratuíto” no contexto apresentado configura um desvio linguístico.
( ) Quanto maior a capacidade do falante real fazer uso das normas e diferentes registros da língua, mais competente ele se apresenta.
A sequência correta de classificação, de cima para baixo, é:

Conforme Travaglia (2009) “[o]s dialetos na dimensão territorial, geográfica ou regional representamavariação que acontece entre pessoas de diferentes regiões em que se fala a mesma língua”. Sendo assim, ao propor uma atividade para se trabalhar as variações linguísticas, a partir da letra de música acima, Antunes (2007) sugere que a escola “saiba desenvolver a capacidade dos alunos para acolher as diferenças, com o máximo respeito por aqueles que as apresentam”.
Com base nos autores, qual destas propostas está mais adequada para o trabalho na disciplina de língua portuguesa com a letra de música apresentada?
Ana Elisa Ribeiro
Resumo: Com base nos conceitos de letramento, sistema de mídia e mídias mosaiquicas e apoiado em uma concepção de hipertexto não exclusivamente digital, este trabalho mostra a relação de grupos de leitores com a leitura de jornais impressos e digitais. Este estudo de caso foi desenvolvido com alunos de uma instituição privada de ensino superior, em Belo Horizonte. Após a aplicação de questionários sobre hábitos e frequência de leitura de jornais, foram selecionados 23 alunos para fazer testes de navegação e leitura. Algumas habilidades de leitura foram medidas com base na matriz de Língua Portuguesa do Saeb. Com base nos resultados, faz-se a diferenciação entre habilidades de navegação e habilidades de leitura. Os resultados também sugerem certa assimetria entre navegação e leitura (compreensão), já que nem sempre os navegadores mais hábeis compreendem o que leem, assim como nem sempre aqueles que mostram dificuldades em navegar têm mau desempenho em leitura. Conclui-se que a leitura se constrói a partir de uma sobreposição complexa de habilidades. Embora seja importante que o leitor desenvolva letramentos vários, é possível apresentar habilidades assimétricas em relação a diferentes aspectos da leitura.
Palavras-chave: Letramento digital; Hipertexto; Jornalismo digital; Habilidades de leitura.
RIBEIRO, Ana Elisa. Navegar sem ler, ler sem navegar e outras combinações de habilidades do leitor. Educ. Rev. [online]. 2009, vol.25, n.03, pp.75-102.
Considerando a função referencial como predominante na mensagem, classifique-as afirmativas como (V) verdadeiras ou (F) falsas:
( ) A mensagem é centrada no emissor, uma vez que o autor apresenta resultados de uma pesquisa desenvolvida por ele próprio.
( ) O texto tem por objetivo informar o leitor sobre as diferenças entre habilidade de navegação e habilidade de leitura.
( ) O propósito comunicativo do texto é apresentar uma ideia clara sobre o estudo, por meio da linguagem denotativa.
( ) A mensagem poderá ser decodificada por qualquer leitor que domine o código linguístico, pois o texto é resultado da codificação do emissor.
A sequência correta de classificação, de cima para baixo, é:

Com base nas intenções comunicativas e nos recursos linguísticos e visuais empregados em um texto, determinadas funções são atribuídas à linguagem. A função que predomina nessa campanha publicitária é a conativa, uma vez que ela
I. São desvantagens do modal aéreo os altos custos operacionais, a dependência de outros modais para chegar ao destino final e as limitações sobre o volume, tamanho e peso das cargas. II. São desvantagens do modal ferroviário o alto custo do frete se comparado a outros modais e a rota fixa definida pelos trilhos. III. São desvantagens do modal dutoviário o risco de acidentes ambientais e, devido a isso, a contraindicação para o transporte de cargas perigosas, como petróleo e gás natural.
Quais estão corretas?
( ) A Copa do Mundo Feminina de 2023 acontecerá na Austrália e na Nova Zelândia, e é a primeira vez que a competição terá dois países-sede. ( ) O evento terá 32 seleções na disputa do título – oito a mais do que no torneio anterior, realizado em 2019. ( ) O formato da competição será diferente do mundial masculino, pois a disputa começará com a divisão dos países em quatro grupos. ( ) Se a Seleção Brasileira feminina for campeã, será a primeira vez que ganhará o mundial.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
I. Conforme dados divulgados em janeiro de 2023 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), os últimos oito anos foram os mais quentes já registrados globalmente. II. O aquecimento global se deve principalmente ao aumento das emissões de gases na atmosfera que causam o efeito estufa. III. Entre as principais atividades humanas que causam o aquecimento global estão a queima de combustíveis fósseis para geração de energia, atividades industriais e transportes, conversão do uso do solo, agropecuária, descarte incorreto de resíduos e desmatamento.
Quais estão corretas?
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao
longo do texto está citado na questão.
Abelhas rebolam para se comunicar; e só fazem isso após ‘aulas de dança’

(Disponível em: www.revistaplaneta.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).
( ) As vírgulas das linhas 01 e 05 são usadas em razão de marcarem termos de mesmo valor e que estão deslocados. ( ) As vírgulas da linha 16 separam uma conjunção adversativa posposta. ( ) Os parênteses utilizados nas linhas 31 e 32 poderiam corretamente substituídos por vírgulas. ( ) A inserção de uma vírgula imediatamente antes do pronome ‘que’ na linha 42 não provocaria qualquer alteração no período.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao
longo do texto está citado na questão.
Abelhas rebolam para se comunicar; e só fazem isso após ‘aulas de dança’

(Disponível em: www.revistaplaneta.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).
1. Os rebolados de uma abelha codificam pistas. 2. Os pesquisadores colocaram milhares de abelhas quase adultas em incubadoras. 3. O aprendizado social é importante para a comunicação. 4. O teste de aprendizado social exigia uma apicultura elaborada.
I. Todas as frases acima citadas podem ser convertidas para a voz passiva. II. Somente a frase 3 não admite conversão para a voz passiva. III. As frases 1, 2 e 4 tem sujeito agente, portanto, estão na voz ativa.
Quais estão corretas?
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao
longo do texto está citado na questão.
Abelhas rebolam para se comunicar; e só fazem isso após ‘aulas de dança’

(Disponível em: www.revistaplaneta.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).
( ) Na linha 01, pelo uso do adjetivo ‘novo’ é possível inferir que o estudo sobre o comportamento das abelhas ao se alimentarem foi pioneiro. ( ) O uso da forma verbal ‘tornando-se’ (l. 07) indica mudança de estado. ( ) O uso do advérbio ‘nunca’ na linha 08 pressupõe que a ação relatada no período era contumaz, expressa unicamente naquele tipo de situação.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
No terreiro rústico da Fazenda Paraíso, nos anos da minha adolescência, era certa e esperada aquela comunicação anual. [...] Vinha dos campos e da mangueira um cheiro fecundo de vegetais e de apojo, mugidos intercalados da vacada, que à tarde mansamente descia dos pastos, procurando a frente da fazenda. O terreiro rústico participava desses encantamentos. Naquela comunhão sagrada e rotineira, a gente se sentia feliz e nem se lembrava de que não havia nenhum dinheiro na casa. Pela manhã, muito cedo, meu avô ia verificar o moinho de fubá de milho, o rendimento da noite. O velho e pesado monjolo subia e descia compassado, escachoando água do cocho, cavado no madeirame pesado e bruto. [...] E partia das mangueiras e abacateiros frondosos o arrulho gemido da juriti. Às sete horas, vinha para cima da grande mesa familiar, rodeada de bancos pesados e rudes, a grande panela de mucilagem, mingau de fubá canjica, fino e adocicado, cozido no leite ainda morno do curral. [...] Comia-se com vontade e comida tão boa como aquela nunca houve em parte alguma. O arroz, fumaçando numa travessa imensa de louça antiga, rescendia a pimenta de cheiro. O frango ensopado em molho de açafrão e cebolinha verde, e mais coentro e salsa. O feijão saboroso, a couve com torresmos, enfarinhada ou rasgadinha à mineira, mandioca adocicada e farinha, ainda quentinha da torrada. Comia-se à moda velha. Repetia-se o bocado, rapava-se o prato. Depois, o quintal, os engenhos, o goiabal, os cajueiros, o rego-d’água. Tínhamos ali o nosso Universo. Vivia-se na Paz de Deus. Eram essas coisas na Fazenda Paraíso. E como todo paraíso, só valeu depois de perdido.
CORALINA, Cora. Melhores Poemas: Cora Coralina; seleção Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2017.
Nesse poema de Cora Coralina, nota-se que o leitor é naturalmente levado a deleitar-se no universo poético idílico, cujos versos representam a ativação da memória, utilizando formas imagéticas e linguísticas que evidenciam lembranças carregadas de afetividade, simplicidade e nostalgia. Assim, a figura de linguagem empregada como recurso expressivo, na construção estético-literária do poema, é: