Questões de Concurso
Comentadas para prefeitura de várzea - pb
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Segundo o art. 29. do CTB, os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente, observadas as seguintes disposições:
I. Quando os dispositivos estiverem acionados, indicando a proximidade dos veículos, todos os condutores deverão deixar livre a passagem pela faixa da direita, indo para a esquerda da via e parando, se necessário.
II. Os pedestres, ao ouvir o alarme sonoro, deverão aguardar no passeio, só atravessando a via quando o veículo já tiver passado pelo local.
III. O uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha intermitente só poderá ocorrer quando da efetiva prestação de serviço de urgência.
IV. A prioridade de passagem na via e no cruzamento deverá se dar com velocidade reduzida e com os devidos cuidados de segurança, obedecidas as demais normas deste Código.
Estão CORRETAS as afirmativas:
.Chuva corrói rochas ricas em minerais alcalinos, que são levados ao rio, tornando as águas cada vez mais perigosas para rega e para vida aquática, afirma o cientista Sujay Kaushal, geólogo da Universidade de Maryland. Dois terços dos rios na costa leste dos Estados Unidos registraram níveis crescentes de alcalinidade, tornando suas águas cada vez mais perigosas para vida humana e para a vida de outros organismos aquáticos ou terrestres, além de destruir a cobertura vegetal nativa. A razão da mudança é o legado da Precipitação Ácida, que corrói rochas e pavimento, ricos em minerais alcalinos.
Fonte:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/08/crescealcalinidade-em-rios-dos-eua-devido-a-chuva-acida.html
De acordo com a reportagem, esse é o legado da precipitação ácida por meio de chuva ou neve que é resultado de modificações nos ciclos do:
Fonte:http://br.rfi.fr/brasil/20190823-ao-contrario-do-que-diz-osenso-comum-amazonia-nao-e-o-pulmao-do-mundo
Sobre a afirmação do especialista, assinale a alternativa CORRETA:
.As minhocas são muito importantes para o solo e para o meio ambiente, pois são detritívoras, alimentando-se de restos orgânicos de animais e vegetais. As minhocas eliminam em seus excrementos restos alimentares que sofreram ações de bactérias decompositoras, produzindo um material chamado de húmus, que fertiliza o solo e contém nutrientes como fósforo, potássio e nitrogênio.
As minhocas são animais ______________, ___________, com simetria_______, fertilização _____, desenvolvimento_______ e___________.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas
Sobre a Teoria Sintética de Evolução, assinale V (verdadeiro) e F (falso) as afirmações abaixo, em seguida marque a letra com SEQUÊNCIA CORRETA:
( ) Há dois fatores principais na variabilidade genética: mutações e recombinações genéticas;
( ) Mutação não é a única maneira de surgirem novos genes em uma população;
( )Alterações provocadas pelo ambiente nas características físicas de um indivíduo adulto são transmitidas a sua prole;
( ) A Teoria Sintética de Evolução conseguiu explicar o rearranjo dos genes que chegam aos gametas, permitindo variabilidade genética a partir de fenômenos como a Reprodução Sexuada e Crossing-Over;
( ) A mutação mistura novos genes e a recombinação cria os genes já existentes;
Magnetohirpertemia é uma metodologia terapêutico baseada na elevação da temperatura de uma região específica do corpo e que esteja sendo afetada por um tumor. Dessa forma, as nanopartículas magnéticas são fagocitadas pelas células cancerígenas, criando um campo magnético externo que promove a agitação nas nanopartículas, e ao mesmo tempo promove o aquecimento da célula.
A elevação da temperatura descrita ocorre em virtude de:
I. O campo magnético alterado faz as nanopartículas girarem, transferindo calor por atrito. II. As nanopartículas são aceleradas em um único sentido em razão da interação com o campo magnético, fazendo elas colidirem e produzirem calor.
III. As nanopartículas interagem magneticamente com as células do corpo, transferindo calor.
Assinale a(s) alternativa(s) CORRETA(S):
A partir do avanço do método científico e o desenvolvimento da tecnologia, cientistas têm postulado teorias que pudessem esclarecer a origem do Universo. Ao longo dos anos, experimentos nos diversos campos das ciências exatas e da natureza, como Astronomia, Astrofísica, entre outras, têm demonstrado o aceite a quatro principais teorias que explicam a origem do Universo.
Em relação às teorias mais aceitas atualmente, correlacione cada teoria ao seu conceito básico, e assinale a letra CORRESPONDENTE.
1. Teoria do Big Bang
2. Teoria Inflacionária
3. Teoria do Estado Estacionário
4. Teoria do Universo Oscilante
( ) É uma Teoria de complementação à Teoria do Bing Bang, sendo umas teorias mais aceitas e mais bem fundamentadas. Ela explicar o surgimento do Universo segundo estudos de campos gravitacionais fortíssimos, como aqueles encontrados próximos a um buraco negro. Esta teoria pressupõe que uma única força foi dividida quatro forças fundamentais do universo: força da gravidade, força eletromagnética, força nuclear forte e nuclear fraca. Essa divisão provocou a origem do universo.
( ) Essa teoria se opõe à tese de um universo em evolução. Os defensores dessa teoria acreditam que o universo é uma entidade que não tem começo nem fim: ela não tem começo porque não começou com uma grande explosão e não tem fim porque não entrará em colapso em um futuro distante, para depois renascer. Os dados coletados pela observação de um objeto localizado a milhões de anos-luz de distância devem ser idênticos aos obtidos ao se observar a Via Láctea a partir da mesma distância.
( ) É a teoria da grande explosão e a mais popularmente aceita nos dias de hoje. Essa teoria tem base em uma série de soluções de equações da relatividade geral, supõe que entre 14 e 15 milhões de anos atrás, toda a matéria do universo (incluindo o próprio universo) estava concentrada em uma área extremamente pequena, até que explodiu em um evento violento a partir da qual começou a expandir, e assim o surgimento do Universo.
( )Essa Teoria sustenta que o nosso universo seria o
último de muitos surgidos no passado, após
sucessivas explosões e contrações. O momento em
que o universo entra em colapso sobre si mesmo
atraído pela sua própria gravidade, conhecido
como Big Crunch, marca o fim do nosso universo e
do nascimento de um novo.
Sasseron e Carvalho (2011) discorreram sobre o conceito de alfabetização científica. Eles enfatizaram que a alfabetização deve desenvolver em uma pessoa a capacidade de organizar seu pensamento de maneira lógica, além de auxiliar na construção de uma consciência mais crítica em relação ao mundo que a cerca. Ainda explicaram que a alfabetização científica tem como objetivo a formação de cidadãos críticos com vistas à atuação na sociedade, devendo organizar as habilidades implicadas nesse processo.
Assinale V (verdade) e F (falso) para as afirmativas que compreendem os Eixos Estruturantes da Alfabetização Científica, e posteriormente assinale a alternativa com a SEQUÊNCIA CORRETA:
( ) Compreensão básica de termos, conhecimentos e conceitos científicos fundamentais.
( ) Organização do espaço escolar para aulas de ciências com materiais lúdicos.
( ) Compreensão da natureza das ciências e dos fatores éticos e políticos que circundam sua prática.
( ) Entendimento das relações existentes entre ciência, tecnologia, sociedade e meio ambiente.
( ) Divulgação da produção científica realizada pelos
alunos no âmbito escolar e/ou fora da escola.
A Lei Federal Nº 9.795/99 institui o Plano Nacional de Educação Ambiental e estabelece que todos têm direito à Educação Ambiental. A Educação Ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal. Nas escolas, a Educação Ambiental deverá estar presente em todos os níveis de ensino,como tema transversal, sem constituir disciplina específica, mas prática educativa integradora.
São princípios básicos contidos no PNEA, EXCETO:
A respeito da Proposta Pedagógica, analise os itens abaixo e assinale a alternativa CORRETA:
I. A proposta pedagógica, construída coletivamente e
concretizada num bom planejamento, é o ponto de
partida para o sucesso da escola.
II. A Proposta Pedagógica é a identidade da escola: estabelece as diretrizes básicas e a linha de ensino e de atuação na comunidade.
III. A Proposta Pedagógica formaliza um compromisso assumido por professores, funcionários, representantes de pais e alunos, líderes comunitários em torno do mesmo projeto educacional.
IV. A Proposta Pedagógica da Escola deve ser orientada, acompanhada e aprovada pelo Conselho Municipal de Educação.
V. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 diz que a proposta pedagógica é um documento de referência. Por meio dela, a comunidade escolar exerce sua autonomia financeira, administrativa e pedagógica.
VI. Também chamada de projeto pedagógico, projeto político-pedagógico ou projeto educativo, a proposta pedagógica pode ser comparada ao que o educador espanhol Manuel Álvarez chama de "uma pequena Constituição".
VII. Além da LDB, a proposta pedagógica deve considerar as orientações contidas nas diretrizes curriculares elaboradas pelo Conselho Nacional da Educação e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).
Estão CORRETAS as afirmativa:
Leia o poema.
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
(OSWALD DE ANDRADE, O. Obras completas, Volumes 6-7. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972).
A análise adequada desse poema ocorre em: E do mulato sabido
O Modernismo brasileiro teve como marco introdutório a Semana de Arte Moderna, em 1922. É tradicionalmente divido em três gerações: geração de 1922, geração de 1930 e geração de 1945. Acerca da segunda geração, analise as asserções que se seguem.
I. Entre os escritores, no campo da prosa, destacam-se Graciliano Ramos, José Lins do Rêgo e Rachel de Queiroz.
II. Teve como marco inicial o poema Os sapos, de Manuel Bandeira.
III. O romance urbano Capitães de Areia, de Jorge Amado, é um exemplo de obra literária está inserido nessa fase.
IV. A obra Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, representa o caráter regionalista do período.
É CORRETO apenas o que se afirma em
Leia o fragmento.
[...] é uma referência ou uma incorporação de um elemento discursivo a outro, podendo-se reconhecê-lo quando um autor constrói a sua obra com referências a textos, imagens ou a sons de outras obras e autores e até por si mesmo, como uma forma de reverência, de complemento e de elaboração do nexo e sentido deste texto/imagem.
Esse conceito caracteriza
Leia o fragmento.
[...] quamdo a rollda vehesse acerca daquella porta, que elles bradariam altas vozes apupamdo: “Ex a rraposa vai! Eyla rraposa vai!” e que estomçe (grifo nosso) estevessem quedos e nom movessem nada [...].
(A cronica d’El Rey D. João I. In: VASCONCELLOS, J. L. Textos arcaicos. Lisboa: Clássica, 1922, p. 78).
Na palavra destacada nesse excerto, observa-se a presença da variação
Leia o trecho a seguir.
"Parece admissível que uma das razões pelas quais não se chegou satisfatoriamente ao vasto domínio da textualidade reside na pouca abrangência em que se vê essa mesma textualidade. Os textos não são determinados simplesmente por seus elementos imanentes. Vão além e atingem fatores contextuais que, na verdade, o condicionam, o determinam e lhe conferem propriedade e relevância. Ou seja, é preciso chegar ao nível das práticas sociais e ao nível das práticas discursivas, onde, de fato, se definem as convenções do uso adequado e relevante da língua. Desde estas dimensões complexas e alargadas - é que se pode perceber como são os textos concretos, os textos historicamente reais, que circulam nas relações interpessoais.
E neste ponto se chega à noção de gêneros de texto. [...]
Antunes, Irandé. Língua, gêneros textuais e ensino. Perspectiva, Florianópolis, v.20, n.01, p.65-76, jan./jun. 2002.
A partir da reflexão apresentada sobre o texto e os gêneros textuais, considere as assertivas a seguir como verdadeira (V) ou falsa.
( ) os grupos sociais regulam as condições do percurso que os gêneros realizam.
( ) os gêneros são marcados pela predominância de blocos sequenciais, que constituem o texto como um todo, ou por "esquemas sequenciais prototípicos".
( ) Em decorrência de seu caráter instável, os gêneros favorecem a construção de expectativas para cada evento discursivo.
( ) Alguns textos contêm indicadores de suas especificidades de gênero, de maneira que a capacidade de efetivação e de identificação dos gêneros exclui parte do "conhecimento de mundo".
O preenchimento CORRETO dos parênteses está na alternativa:
Dois casinhos
O tema da variação linguística, especialmente quando não se trata de casos marcados — bons para preconceitos — é ocasião para interessantes reflexões. É que nela há um cruzamento de fatores de natureza diversa — gramaticais e de posição social dos falantes, pelo menos. Seja pelo cruzamento, seja pela diversidade de fatores, a questão se toma mais complexa. Vale a pena tentar esclarecê-la.
Vejam o que se pôde ler no sisudo Estadão (25 nov. 1999): “Causou constrangimento entre os parlamentares as perguntas da deputada Maria Laura Carneiro à ex-namorada de Fernandinho Beira-Mar, Alda Inês, na CPI do Narcotráfico”.
Se essa construção (com concordância verbal “errada”) ocorresse em conversa ou entrevista, por mais formal que fosse, não causaria espanto. Talvez nem fosse percebida. Aparecendo em texto escrito, e no Estadão, um jornal de linguagem conservadora, fornece elementos para reflexões.
A frase começa com o verbo, eis a questão. Esta estrutura é o fator mais importante para explicar a ausência de concordância (o sujeito é “as perguntas da deputada”). Quem escreveu este texto não escreveria “As perguntas da deputada causou constrangimento”. Mas, invertida a ordem sujeito-verbo, a relação sujeito-predicado se perde para o falante. Para efeito de concordância, importa que não haja nada antes do verbo, ou seja, é como se “causou” fosse um verbo impessoal. Que esteja na dita terceira pessoa do singular não é nem banal nem casual.
Este fenômeno é, de certa forma, o avesso de outro. Ocorrem cada vez mais construções do tipo “A política dessas duas cidades são melhores do que...”, em que o verbo concorda com o nome que está mais próximo (aqui, “duas cidades") e não com seu sujeito (aqui, "a política”). Esta construção é o avesso da outra porque naquela também o verbo concorda com o que está mais próximo: não concorda com nada, já que antes dele não há nada.
Alguns poderiam imaginar que assim se produz confusão de “pensamento”. Pode-se ver facilmente que não. O “pensamento” é claro, ninguém deixa de entender a frase. Há casos em que a forma (a sintaxe) não resolve tudo. Se às vezes a sintaxe não é suficiente para a clareza do que se diz, em outras ela não interfere de forma alguma na compreensão do enunciado, que parece funcionar independentemente da sintaxe.
Talvez o mais importante nessas construções seja a falta de consciência de que se está cometendo um “erro”. É como se esta sintaxe fosse padrão, como se fosse correta, segundo as exigências daquele jornal. Os sociolinguistas ensinam que, quando um “erro” não é mais percebido, então não há mais um “erro”, mas uma nova norma.
Comento brevemente um segundo caso, colhido em coluna do ótimo Tostão (FSP, 28 nov. 1999): “Se o Atlético-MG se iludir de que tem um excepcional time, por causa da vitória sobre o Cruzeiro, e não ter garra e humildade, dança como o Vasco". Para horror de muitos, Tostão não escreveu “tiver”.
Definitivamente, cada vez mais há menos pessoas percebendo que certos verbos deveriam ter um futuro do subjuntivo irregular. O que dizer de sua abolição em penas como as de Tostão?
Pode ser que seja apenas a língua mudando, sem que os falantes percebam.
(POSSENTI, Sírio. Dois casinhos. In :_______portadas línguas. 2. ed.
Curitiba: Criar, 2002. p. 51*53.)
Dois casinhos
O tema da variação linguística, especialmente quando não se trata de casos marcados — bons para preconceitos — é ocasião para interessantes reflexões. É que nela há um cruzamento de fatores de natureza diversa — gramaticais e de posição social dos falantes, pelo menos. Seja pelo cruzamento, seja pela diversidade de fatores, a questão se toma mais complexa. Vale a pena tentar esclarecê-la.
Vejam o que se pôde ler no sisudo Estadão (25 nov. 1999): “Causou constrangimento entre os parlamentares as perguntas da deputada Maria Laura Carneiro à ex-namorada de Fernandinho Beira-Mar, Alda Inês, na CPI do Narcotráfico”.
Se essa construção (com concordância verbal “errada”) ocorresse em conversa ou entrevista, por mais formal que fosse, não causaria espanto. Talvez nem fosse percebida. Aparecendo em texto escrito, e no Estadão, um jornal de linguagem conservadora, fornece elementos para reflexões.
A frase começa com o verbo, eis a questão. Esta estrutura é o fator mais importante para explicar a ausência de concordância (o sujeito é “as perguntas da deputada”). Quem escreveu este texto não escreveria “As perguntas da deputada causou constrangimento”. Mas, invertida a ordem sujeito-verbo, a relação sujeito-predicado se perde para o falante. Para efeito de concordância, importa que não haja nada antes do verbo, ou seja, é como se “causou” fosse um verbo impessoal. Que esteja na dita terceira pessoa do singular não é nem banal nem casual.
Este fenômeno é, de certa forma, o avesso de outro. Ocorrem cada vez mais construções do tipo “A política dessas duas cidades são melhores do que...”, em que o verbo concorda com o nome que está mais próximo (aqui, “duas cidades") e não com seu sujeito (aqui, "a política”). Esta construção é o avesso da outra porque naquela também o verbo concorda com o que está mais próximo: não concorda com nada, já que antes dele não há nada.
Alguns poderiam imaginar que assim se produz confusão de “pensamento”. Pode-se ver facilmente que não. O “pensamento” é claro, ninguém deixa de entender a frase. Há casos em que a forma (a sintaxe) não resolve tudo. Se às vezes a sintaxe não é suficiente para a clareza do que se diz, em outras ela não interfere de forma alguma na compreensão do enunciado, que parece funcionar independentemente da sintaxe.
Talvez o mais importante nessas construções seja a falta de consciência de que se está cometendo um “erro”. É como se esta sintaxe fosse padrão, como se fosse correta, segundo as exigências daquele jornal. Os sociolinguistas ensinam que, quando um “erro” não é mais percebido, então não há mais um “erro”, mas uma nova norma.
Comento brevemente um segundo caso, colhido em coluna do ótimo Tostão (FSP, 28 nov. 1999): “Se o Atlético-MG se iludir de que tem um excepcional time, por causa da vitória sobre o Cruzeiro, e não ter garra e humildade, dança como o Vasco". Para horror de muitos, Tostão não escreveu “tiver”.
Definitivamente, cada vez mais há menos pessoas percebendo que certos verbos deveriam ter um futuro do subjuntivo irregular. O que dizer de sua abolição em penas como as de Tostão?
Pode ser que seja apenas a língua mudando, sem que os falantes percebam.
(POSSENTI, Sírio. Dois casinhos. In :_______portadas línguas. 2. ed.
Curitiba: Criar, 2002. p. 51*53.)
Dois casinhos
O tema da variação linguística, especialmente quando não se trata de casos marcados — bons para preconceitos — é ocasião para interessantes reflexões. É que nela há um cruzamento de fatores de natureza diversa — gramaticais e de posição social dos falantes, pelo menos. Seja pelo cruzamento, seja pela diversidade de fatores, a questão se toma mais complexa. Vale a pena tentar esclarecê-la.
Vejam o que se pôde ler no sisudo Estadão (25 nov. 1999): “Causou constrangimento entre os parlamentares as perguntas da deputada Maria Laura Carneiro à ex-namorada de Fernandinho Beira-Mar, Alda Inês, na CPI do Narcotráfico”.
Se essa construção (com concordância verbal “errada”) ocorresse em conversa ou entrevista, por mais formal que fosse, não causaria espanto. Talvez nem fosse percebida. Aparecendo em texto escrito, e no Estadão, um jornal de linguagem conservadora, fornece elementos para reflexões.
A frase começa com o verbo, eis a questão. Esta estrutura é o fator mais importante para explicar a ausência de concordância (o sujeito é “as perguntas da deputada”). Quem escreveu este texto não escreveria “As perguntas da deputada causou constrangimento”. Mas, invertida a ordem sujeito-verbo, a relação sujeito-predicado se perde para o falante. Para efeito de concordância, importa que não haja nada antes do verbo, ou seja, é como se “causou” fosse um verbo impessoal. Que esteja na dita terceira pessoa do singular não é nem banal nem casual.
Este fenômeno é, de certa forma, o avesso de outro. Ocorrem cada vez mais construções do tipo “A política dessas duas cidades são melhores do que...”, em que o verbo concorda com o nome que está mais próximo (aqui, “duas cidades") e não com seu sujeito (aqui, "a política”). Esta construção é o avesso da outra porque naquela também o verbo concorda com o que está mais próximo: não concorda com nada, já que antes dele não há nada.
Alguns poderiam imaginar que assim se produz confusão de “pensamento”. Pode-se ver facilmente que não. O “pensamento” é claro, ninguém deixa de entender a frase. Há casos em que a forma (a sintaxe) não resolve tudo. Se às vezes a sintaxe não é suficiente para a clareza do que se diz, em outras ela não interfere de forma alguma na compreensão do enunciado, que parece funcionar independentemente da sintaxe.
Talvez o mais importante nessas construções seja a falta de consciência de que se está cometendo um “erro”. É como se esta sintaxe fosse padrão, como se fosse correta, segundo as exigências daquele jornal. Os sociolinguistas ensinam que, quando um “erro” não é mais percebido, então não há mais um “erro”, mas uma nova norma.
Comento brevemente um segundo caso, colhido em coluna do ótimo Tostão (FSP, 28 nov. 1999): “Se o Atlético-MG se iludir de que tem um excepcional time, por causa da vitória sobre o Cruzeiro, e não ter garra e humildade, dança como o Vasco". Para horror de muitos, Tostão não escreveu “tiver”.
Definitivamente, cada vez mais há menos pessoas percebendo que certos verbos deveriam ter um futuro do subjuntivo irregular. O que dizer de sua abolição em penas como as de Tostão?
Pode ser que seja apenas a língua mudando, sem que os falantes percebam.
(POSSENTI, Sírio. Dois casinhos. In :_______portadas línguas. 2. ed.
Curitiba: Criar, 2002. p. 51*53.)