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Q1050443 Português

Leia o poema.


Pronominais

Dê-me um cigarro

Diz a gramática

Do professor e do aluno

Mas o bom negro e o bom branco

Da Nação Brasileira

Dizem todos os dias

Deixa disso camarada

Me dá um cigarro.

(OSWALD DE ANDRADE, O. Obras completas, Volumes 6-7. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972).


A análise adequada desse poema ocorre em: E do mulato sabido

Alternativas

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Gabarito comentado – Alternativa A

Tema central: A questão aborda interpretação de texto, variação linguística e, especialmente, a colocação pronominal.

Análise didática do poema: O poema de Oswald de Andrade compara a frase "Dê-me um cigarro" (norma culta) à expressão "Me dá um cigarro" (linguagem popular), questionando os padrões rígidos da gramática tradicional.

Segundo a norma-padrão, em início de oração, o pronome oblíquo átono deve ser posposto ao verbo (ênclise): “Dê-me um cigarro.” Essa orientação é explicitada em gramáticas normativas como Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra. No entanto, a variante popular emprega a próclise (“Me dá um cigarro.”), frequente na oralidade brasileira.

O poeta valoriza a variedade popular e sugere que aquilo que é chamado de “erro” pela gramática culta pode, na verdade, ser uma contribuição genuína para a nossa identidade nacional. Esse posicionamento reflete uma crítica modernista e defende a ruptura com padrões europeus. É exatamente o que aponta a alternativa A: defesa de uma língua nacional, incorporando desvios da norma culta como riquezas culturais.

Por que as demais alternativas estão incorretas?

  • B) Incorreta: O poema, sim, favorece a linguagem coloquial ao evidenciar seu uso cotidiano e questionar o elitismo da norma culta.
  • C) Incorreta: Há, de fato, uma visão renovadora, com ironia e valorização de elementos nacionais, ao contradizer a “gramática do professor e do aluno”.
  • D) Incorreta: Não há centralidade em antíteses, cortes ou associações livres, mas sim na oposição entre norma culta e popular.
  • E) Incorreta: O poema trata da colocação pronominal, não de regência (que é a relação entre verbos e seus complementos, como em “gostar de música”).

Lembrete para provas: Atenção a pegadinhas envolvendo conceitos de variação linguística e norma-padrão! Questões assim pedem leitura cuidadosa do texto, visando tese central e exemplos do texto.

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Comentários

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GABARITO: LETRA A

? O poeta defende uma ruptura com os padrões da língua literária culta e busca de uma língua brasileira, que incorpora os ?erros? gramaticais como verdadeiras contribuições para a definição da nacionalidade.

? Correto, visto que a colocação pronominal de forma coloquial é defendida pelo poeta como um elemento formador da cultura brasileira, em que a colocação pronominal em próclise de pronomes oblíquos átonos em inícios de frase é aceita como correta e definidora da nacionalidade brasileira.

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Adoro os comentários de Arthur Carvalho.

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