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Q4198873 Português

O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES


Bruno Vaiano



    Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.


    Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.


    O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.


   Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.


    Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.


    Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.


    Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.


    A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.


    A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.


    Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.


    O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.


    No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).


  Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.


   Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.



Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.

 


*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.  


A associação entre aeroportos e “espaços liminares” na ficção ocorre porque
Alternativas
Q4198872 Português

O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES


Bruno Vaiano



    Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.


    Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.


    O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.


   Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.


    Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.


    Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.


    Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.


    A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.


    A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.


    Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.


    O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.


    No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).


  Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.


   Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.



Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.

 


*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.  


O conceito de “não lugar”, proposto por Marc Augé, refere-se, principalmente, a 
Alternativas
Q3873642 Saúde Pública
No controle de escorpiões, o ACE precisa orientar a população sobre as medidas mais eficazes.
Qual é a abordagem prioritária e de maior impacto, conforme o Manual de Controle de Escorpiões, dada a baixa eficácia do controle químico? 
Alternativas
Q3873640 Saúde Pública
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e o ACE atuam na prevenção da Raiva, que inclui o manejo de morcegos.
Qual das seguintes orientações o ACE deve priorizar junto à população para evitar o acesso e o abrigo de morcegos em áreas urbanas? 
Alternativas
Q3873639 Saúde Pública
A Febre Amarela Urbana e a Dengue são arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti.
No entanto, para a Febre Amarela, qual é a medida principal e mais eficaz de prevenção em humanos, distinguindo-a das estratégias operacionais de combate à Dengue?
Alternativas
Q3873637 Saúde Pública
A Leishmaniose Visceral (LV) é transmitida por um vetor específico.
Conforme o Manual de Vigilância e Controle, o principal vetor biológico responsável pela transmissão da LV ao cão e ao ser humano no Brasil é 
Alternativas
Q3873636 Segurança e Saúde no Trabalho
Na atividade de aplicação de larvicidas ou inseticidas, a Biossegurança exige o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Qual combinação de EPI é indispensável para o Agente de Combate a Endemias na prevenção primária de acidentes e proteção contra a exposição a produtos químicos?
Alternativas
Q3873635 Direito Sanitário
De acordo com a Lei Federal nº 8.080/90, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, um dos objetivos do Sistema Único de Saúde (SUS) que o Agente de Combate a Endemias (ACE) auxilia a cumprir é 
Alternativas
Q3873108 Saúde Pública
Qual a principal estratégia utilizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) para atingir elevadas coberturas vacinais e garantir a proteção da comunidade contra doenças imunopreveníveis?
Alternativas
Q3873107 Saúde Pública
A Lei nº 8.080/90 estabelece os fundamentos para a organização do SUS, incluindo o princípio da Hierarquização. Nesse contexto, as ações e serviços de saúde devem ser organizados em níveis de complexidade crescente.
A Atenção Básica (AB), que tem a Estratégia Saúde da Família (ESF) como seu modelo prioritário, é legalmente definida como o nível 
Alternativas
Q3873106 Noções de Primeiros Socorros
Em caso de acidente com escorpião no domicílio de um morador, o Agente Comunitário de Saúde (ACS), ao orientar a família antes da chegada ao serviço de saúde, deve recomendar as seguintes medidas de Primeiros Socorros, EXCETO:
Alternativas
Q3873105 Saúde Pública
A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB 2017) e a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) se complementam e se articulam.

Qual dos atributos abaixo é considerado essencial da Atenção Básica, sendo fundamental para o desenvolvimento de ações de promoção da saúde e o reconhecimento do ACS como o elo com a comunidade?
Alternativas
Q3873104 Enfermagem
Em atividades que envolvem o contato com material biológico, como na verificação de glicemia capilar ou curativos domiciliares, a adoção de medidas de Biossegurança é essencial para o ACS.
Conforme as normas técnicas, o descarte correto de materiais perfurocortantes (agulhas, lancetas etc.) deve ser realizado em
Alternativas
Q3873103 Saúde Pública
A Política Nacional de Humanização (PNH), ou Humaniza SUS, propõe diretrizes para qualificar a gestão e o cuidado. Um de seus principais princípios operacionais é a Clínica Ampliada e Compartilhada.
Qual o melhor conceito que define essa diretriz, segundo o Caderno Humaniza SUS (v. 2)?
Alternativas
Q3873102 Saúde Pública
A Estratégia Saúde da Família (ESF) é o modelo prioritário para a reorganização da Atenção Básica (AB).
De acordo com a Portaria nº 2.436/2017 (PNAB), que estabelece a revisão de diretrizes para a organização da AB no SUS, qual profissional NÃO faz parte da composição mínima de uma equipe de Saúde da Família (ESF)? 
Alternativas
Q3873101 Saúde Pública
No contexto da Atenção à Saúde da Criança, a Puericultura é uma ação fundamental da Atenção Básica.
Ela pode ser definida corretamente como:
Alternativas
Q3873100 Saúde Pública
Uma das atribuições essenciais e exclusivas do Agente Comunitário de Saúde (ACS), conforme o Guia Prático do Agente Comunitário de Saúde (2009), é a Visita Domiciliar.
O objetivo central dessa atividade é: 
Alternativas
Q3873099 Direito Sanitário
De acordo com a Constituição Federal de 1988, no seu Capítulo Saúde, e reiterado pela Lei Federal nº 8.080/90, um dos princípios organizacionais do Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece que o conjunto de ações e serviços de saúde deve ser administrado sob uma única direção em cada esfera de governo (União, Estados e Municípios).
Qual princípio fundamental é este?
Alternativas
Q3873098 Direito Sanitário
De acordo com a Lei nº 8.142/90, que trata da participação da comunidade na gestão do SUS, os Conselhos de Saúde possuem caráter permanente e deliberativo.
O caráter deliberativo de um Conselho de Saúde significa que
Alternativas
Q3873097 Saúde Pública
De acordo com a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), qual é o conceito que enfatiza a intervenção sobre as condições de vida e de trabalho, o alimento, a educação, o ambiente e o acesso a bens e serviços essenciais, a fim de gerar saúde e reduzir os riscos de adoecimento?
Alternativas
Respostas
141: A
142: A
143: A
144: C
145: D
146: B
147: B
148: C
149: A
150: B
151: A
152: D
153: C
154: A
155: B
156: A
157: B
158: A
159: A
160: B