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Q3485865 Música

No que diz respeito aos elementos básicos da música, mais precisamente sobre a forma, analise as afirmativas a seguir e, ao final, assinale a alternativa CORRETA:


I – Usa-se a palavra forma para descrever o projeto ou configuração básica de que um compositor pode valer-se para moldar ou desenvolver uma obra musical.


II – Na música ocidental há apenas dois tipos de formas.


III – A forma pode ser obtida através de diferentes métodos, nos diferentes períodos da história da música.

Alternativas
Q3485855 Legislação dos Municípios do Estado de São Paulo

De acordo com o Plano de Carreira e Remuneração do Magistério de Araçariguama – Lei Complementar N.º 33 de 29 de janeiro de 1998. Analise as afirmativas abaixo atribuindo (V) para Verdadeira e (F) para Falsa, em seguida assinale a alternativa com a sequência correta. Para efeito desta lei complementar, consideram se:


( ) Cargo ou Função do Magistério: conjunto de cargos e/ou funções da mesma denominação.


( ) Carreira do Magistério: cargo preenchido por ocupante transitório, da confiança da autoridade nomeante.


( ) Nível: subdivisão dos cargos e funções existentes na classe, escalonados de acordo com a titulação.

Alternativas
Q3485853 Português

Considere as seguintes afirmativas a respeito da flexão de gênero:


I. É possível apenas nas classes gramaticais nominais.


II. Ocorre em advérbios.


III. Ocorre em classes responsáveis pela conexão de elementos oracionais. São verdadeiras apenas:

Alternativas
Q3485850 Português

Texto para responder à questão.


Carnaval


Incipiente alegria na tarde carnavalesca. Os sambas passam nos automóveis abertos. Um vento beija a avenida larga, trêmula nas serpentinas, rodopia nos confetes, caminha na voz das cantigas. As moças lindas, em fantasias de cores vivas e leves, vão com os cabelos alvoroçados pelo vento. Meu amigo comprou 200 gramas metálicas. Andou pelas ruas que se animavam. Encheu os bolsos de confetes. Foi andando...


E na boca da noite vieram cordões, ranchos, blocos, bandos. A multidão encheu as ruas que a noite engoliu. Mas as luzes rebentaram de todos os lados e a garganta da massa se abriu em delírio. Meu amigo foi andando. Apertou-se entre homens excitados e mulheres que cantavam e riam. Entrou na confusão das raças irmanadas pelo prazer comum da carne. Alguém lhe jogou confetes na boca, lança-perfume nos olhos. Uma serpentina bateu em seu nariz. Um reco-reco gritou em seu ouvido. Foi andando. Um automóvel do corso quase o esmagou. Um bloco o arrastou pelo meio da massa, com força inelutável de uma corrente marinha. Uma mulher qualquer cantou à toa, para ele, uma frase de samba. Jogou um pouco de confetes no cabelo da mulher. Jogou-lhe éter no corpo. Ela defendeu-se e riu. Depois desapareceu, arrastada. Meu amigo foi andando. Tinha um cravo na lapela, um cravo que tirara da mesa do restaurante. Uma moça pediu a flor. Ele a encharcou de éter e fez presente. Foi andando. Automaticamente cantou sambas e marchas. Teve mil pequenas aventuras inconsequentes e rápidas. Um homem bêbado quis arrebatar o lança-perfume de sua mão. Foi andando. No meio de uma confusão, recebeu e distribuiu socos e empurrões sem saber de quem, para quem, por que, nem para quê.


Meu amigo entrou no baile. Agarrou-se ao ombro de uma mulher e foi no cordão, dançando, cantando, suando. Repetiu três vezes com o mesmo par a marchinha do momento. Apaixonou-se de repente por  uma fantasia, por um corpo, por uma risada. Bebeu. Meu amigo foi a outro baile. De madrugada, meu amigo saiu pela rua vazia, sem programa. Passavam os foliões cansados, as mulheres mais belas pela fadiga e pelo suor. Um homem grisalho carregava pelo braço uma adolescente que se queixava de dor nos pés.


Meu amigo arranjou uma mulher: a mulher que sempre aparece. A mulher que não vimos na rua nem no baile e que aparece na mesa do bar ou do restaurante, no último instante. Esguichou seu último lança-perfume nos braços e nos seios da mulher. Jogou os últimos confetes em seu cabelo. Ela repetiu um samba mil vezes repetido. Foram.


No caminho, meu amigo parou. No canto da calçada, um menino sujo e esfarrapado dormia. Dormia sobre um saco de estopa cheio de serpentinas que juntara para vender. Pararam. A mulher disse: coitadinho... Meu amigo olhou em silêncio o menino que dormia. Sentiu pena. Olhou a mulher. Balançou a bisnaga. Ainda havia um resto de éter. Jogou na perna da criança, que acordou assustada. A mulher disse: você é ruim! coitadinho... A criança ficou olhando estremunhada, resmungou um xingamento e tornou a dormir. Meu amigo jogou a bisnaga no asfalto. Sentia-se bêbado. Apertou a mulher contra seu corpo e mandou parar um automóvel que passava. No apartamento, antes de deitar-se, olhou-se no espelho do guardaroupa. Fantasiado. Exausto. Beijou a mulher na boca como se beija uma noiva. E pensou desanimado: eu sou um folião. Evoé!


 BRAGA, R. O Conde e o passarinho e Morro do Isolamento. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.

No excerto “E na boca da noite vieram cordões, ranchos, blocos, bandos. A multidão encheu as ruas que a noite engoliu.”, a flexão de número no verbo ‘vir’ estabelece relação de concordância apenas com o(s) elemento(s):
Alternativas
Q3485846 Português

Texto para responder à questão.


Carnaval


Incipiente alegria na tarde carnavalesca. Os sambas passam nos automóveis abertos. Um vento beija a avenida larga, trêmula nas serpentinas, rodopia nos confetes, caminha na voz das cantigas. As moças lindas, em fantasias de cores vivas e leves, vão com os cabelos alvoroçados pelo vento. Meu amigo comprou 200 gramas metálicas. Andou pelas ruas que se animavam. Encheu os bolsos de confetes. Foi andando...


E na boca da noite vieram cordões, ranchos, blocos, bandos. A multidão encheu as ruas que a noite engoliu. Mas as luzes rebentaram de todos os lados e a garganta da massa se abriu em delírio. Meu amigo foi andando. Apertou-se entre homens excitados e mulheres que cantavam e riam. Entrou na confusão das raças irmanadas pelo prazer comum da carne. Alguém lhe jogou confetes na boca, lança-perfume nos olhos. Uma serpentina bateu em seu nariz. Um reco-reco gritou em seu ouvido. Foi andando. Um automóvel do corso quase o esmagou. Um bloco o arrastou pelo meio da massa, com força inelutável de uma corrente marinha. Uma mulher qualquer cantou à toa, para ele, uma frase de samba. Jogou um pouco de confetes no cabelo da mulher. Jogou-lhe éter no corpo. Ela defendeu-se e riu. Depois desapareceu, arrastada. Meu amigo foi andando. Tinha um cravo na lapela, um cravo que tirara da mesa do restaurante. Uma moça pediu a flor. Ele a encharcou de éter e fez presente. Foi andando. Automaticamente cantou sambas e marchas. Teve mil pequenas aventuras inconsequentes e rápidas. Um homem bêbado quis arrebatar o lança-perfume de sua mão. Foi andando. No meio de uma confusão, recebeu e distribuiu socos e empurrões sem saber de quem, para quem, por que, nem para quê.


Meu amigo entrou no baile. Agarrou-se ao ombro de uma mulher e foi no cordão, dançando, cantando, suando. Repetiu três vezes com o mesmo par a marchinha do momento. Apaixonou-se de repente por  uma fantasia, por um corpo, por uma risada. Bebeu. Meu amigo foi a outro baile. De madrugada, meu amigo saiu pela rua vazia, sem programa. Passavam os foliões cansados, as mulheres mais belas pela fadiga e pelo suor. Um homem grisalho carregava pelo braço uma adolescente que se queixava de dor nos pés.


Meu amigo arranjou uma mulher: a mulher que sempre aparece. A mulher que não vimos na rua nem no baile e que aparece na mesa do bar ou do restaurante, no último instante. Esguichou seu último lança-perfume nos braços e nos seios da mulher. Jogou os últimos confetes em seu cabelo. Ela repetiu um samba mil vezes repetido. Foram.


No caminho, meu amigo parou. No canto da calçada, um menino sujo e esfarrapado dormia. Dormia sobre um saco de estopa cheio de serpentinas que juntara para vender. Pararam. A mulher disse: coitadinho... Meu amigo olhou em silêncio o menino que dormia. Sentiu pena. Olhou a mulher. Balançou a bisnaga. Ainda havia um resto de éter. Jogou na perna da criança, que acordou assustada. A mulher disse: você é ruim! coitadinho... A criança ficou olhando estremunhada, resmungou um xingamento e tornou a dormir. Meu amigo jogou a bisnaga no asfalto. Sentia-se bêbado. Apertou a mulher contra seu corpo e mandou parar um automóvel que passava. No apartamento, antes de deitar-se, olhou-se no espelho do guardaroupa. Fantasiado. Exausto. Beijou a mulher na boca como se beija uma noiva. E pensou desanimado: eu sou um folião. Evoé!


 BRAGA, R. O Conde e o passarinho e Morro do Isolamento. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.

Considere o excerto: “E na boca da noite vieram cordões, ranchos, blocos, bandos. A multidão encheu as ruas que a noite engoliu. Mas as luzes rebentaram de todos os lados e a garganta da massa se abriu em delírio.” No contexto apresentado, a conjunção ‘mas’ exprime:
Alternativas
Q3485579 Artes Cênicas

No que diz respeito à composição coreográfica, analise as afirmativas a seguir e, ao final, assinale a alternativa CORRETA:


I - A coreologia pode ser definida como a escrita da dança, que pode ser em pentagrama ou em símbolos.


II - A montagem de uma coreografia exige um domínio dos elementos estéticos já codificados, como o espaço, o tempo, o peso e a fluência, em relação ao corpo em movimento.


III - A coreografia só pode ser criada como uma temática isolada, para ser apresentada de forma independente. 

Alternativas
Q3485578 Artes Cênicas

Com relação às características da consciência corporal, analise as afirmativas a seguir e, ao final, assinale a opção CORRETA:


I – Está relacionada à imagem que o indivíduo tem do próprio corpo.


II – A propriocepção é uma das capacidades do indivíduo a ser aprimorada pela dança.


III – A sensibilidade anestésica corporal é a capacidade de o indivíduo perceber a direção e a velocidade de um movimento.

Alternativas
Q3485577 Artes Cênicas

Trata-se de uma companhia de dança contemporânea fundada por Paulo Pederneiras em 1975. O primeiro espetáculo apresentado foi “Maria Maria”, coreografado por Oscar Azair, que percorreu muitos países e permaneceu em cartaz no Brasil de 1976 a 1982. Mais de 105 bailarinos passaram pela companhia durante sua história.


A descrição acima refere-se a uma importante companhia de dança, qual seja a(o):

Alternativas
Q3485576 Artes Cênicas
Para o dançarino, o alongamento é parte da rotina. Os exercícios específicos de alongamento proporcionam uma sensação de maior controle muscular, flexibilidade e amplitude de movimentos, aspectos essenciais na dança. Com relação aos tipos de alongamento, assinale a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q3485575 Artes Cênicas

No que diz respeito às características da dança contemporânea, analise as afirmativas a seguir e, ao final, assinale a opção CORRETA:


I – Pode ser compreendida como uma coleção de sistemas e métodos desenvolvidos a partir da dança moderna e pós-moderna.


II – Não há distinções entre a dança contemporânea brasileira, americana, canadense e europeia.


III – Não se ignora as técnicas que o bailarino/intérprete conhece previamente, mas, em sua pesquisa, busca ele desenvolver uma movimentação que seja específica de seu corpo.

Alternativas
Q3485574 Artes Cênicas
A dança moderna, como se sabe, emergiu nos últimos anos do século XIX, apresentando raízes e intenções muito distintas. Entre os artistas que iniciaram tal movimento destacamse os norte-americanos, que contribuíram com técnicas e estilos muito elogiados até hoje. Sobre os expoentes da dança moderna, assinale a alternativa que NÃO apresenta uma artista originada dos Estados Unidos:
Alternativas
Q3485573 Artes Cênicas
Com as transformações geradas na dança pelas filosofias e pelos métodos propostos por dançarinos e coreógrafos da modernidade, algumas características se tornaram mais evidentes. Com relação às características da dança moderna, assinale a alternativa FALSA:
Alternativas
Q3485572 Conhecimentos Gerais
Que nome se dá à manifestação folclórica nortista que retrata a vida na região amazônica, a pesca, a agricultura e as narrativas da vida de suas comunidades, tendo a cidade de SalgadoPA como o local onde começou a ser desenvolvida?
Alternativas
Q3485571 Artes Cênicas
Trata-se de uma dança folclórica que foi criada na Espanha e chegou ao Brasil pelos portugueses. A coreografia é marcada pelos bailados e sapateados. O improviso é um elemento da dança. Entre os instrumentos utilizados estão a viola, sanfona, rabeca e maxixe. Seus tipos de danças são conhecidos como “marcas”, e entre elas, estão as batidas, as valsadas e as mistas.
A descrição acima refere-se a uma dança folclórica brasileira, qual seja a(o):
Alternativas
Q3485570 Artes Cênicas

No que diz respeito à história da dança, analise as afirmativas a seguir e, ao final, assinale a alternativa CORRETA:


I – A dança primitiva era utilizada para oferendas e rituais no período neolítico.


II – Não há registro de danças em sociedades mesopotâmicas.


III – A dança foi considerada sagrada durante a Idade Média, período em que mais se expandiu.

Alternativas
Q3485569 Pedagogia

Analise os itens a seguir de acordo com a Resolução CNE/CEB 05/2009 – Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: CNE 2009.


I - A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é oferecida apenas em creches, as quais se caracterizam como espaços institucionais domésticos que constituem estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de 0 a 6 anos de idade no período diurno, em jornada integral, regulados e supervisionados por órgão competente do sistema de ensino e submetidos a controle estadual.


II - É considerada Educação Infantil em tempo parcial, a jornada de, no mínimo, quatro horas diárias e, em tempo integral, a jornada com duração igual ou superior a sete horas diárias, compreendendo o tempo total que a criança permanece na instituição.

Alternativas
Q3485562 Legislação Municipal

A relação entre o número de crianças por agrupamento ou turma e o número de professoras ou professores de Educação Infantil por agrupamento varia de acordo com a faixa etária. Assinale a alternativa que possui os itens corretos de acordo com o Plano Municipal de Educação de Araçariguama - Lei Municipal N.º 710, de 28 de maio de 2015.


I - Uma professora ou um professor para cada 6 a 8 crianças de 0 a 2 anos;


II - Uma professora ou um professor para cada 20 crianças de 3 anos;


III - Urna professora ou um professor para cada 25 crianças acima de 4 e 5 anos.


Está(ão) correta(s) a(s) assertiva(s):

Alternativas
Q3485556 Português

Texto para responder às questões.


Caso de divórcio (III)


Ele é um ex-seminarista. Sério, metódico e higiênico. Do tipo que dorme sem amassar o pijama. Dela, todos dizem: é uma santa. Nunca tiveram filhos, e explicam que é por um problema de bacia estreita. Dele, não dela, mas ninguém jamais pediu maiores explicações. Ele é técnico contábil, está muito bem de vida. Ela se dedica a obras benemerentes e a atividades paroquiais. Os dois fizeram cursilho. Certa vez, ele escreveu uma carta ao jornal sobre uma vaga questão de dogma da Igreja e assinou Leigo Alerta. Ela usa o cabelo puxado para trás e amarrado num coque que é uma declaração de princípios. Até que um dia...


Um dia, por acaso, ligam o rádio no meio de uma transmissão de futebol. E ela ouve um nome: Dulcídio Wanderley Boschilia. Não ouve o resto da frase, não sabe quem é, mas fixa-se no nome como se o agarrasse com os dentes. Dulcídio Wanderley Boschilia. Estremece. Sente uma estranha sensação no peito, uma aflição. Como um sumidouro. Dulcídio Wanderley Boschilia. O que é que está me acontecendo, Deus? Levanta e vai na cozinha tomar água. Quando volta, o marido acabou de desligar o rádio e está tirando a gravata, sinal certo de que se prepara para dormir. Será que ele notou alguma coisa? Dulcídio Wanderley Boschilia. Não consegue dormir. Nunca mais será a mesma. Que fascínio tem aquele nome para mudar uma vida? E o mais estranho é que só de madrugada, o marido roncando como um urso, ela se dá conta que existe um homem que corresponde ao nome. Até então o nome fora uma assombração sem corpo na sua vigília, uma coisa etérea, uma abstração sonora.


Poucas horas antes da missa das seis, a aflição ganha um corpo. Mas que corpo terá Dulcídio Wanderley Boschilia? De volta da missa ela pega o jornal e vira para a página de esportes. Procura uma fotografia. Será este aqui? Deixa ver. Zezinho. Não é este. Tadeu. Cacau. Sente-se ridícula. O massagista Banha.


Preciso me controlar. E súbito, num canto da página, a notícia: o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que apitou o jogo de ontem, ficará na cidade até amanhã pela manhã, quando embarcará para São Paulo.


 A empregada aparece na sala para pedir instruções para o almoço e descobre a patroa, com o jornal amassado contra o peito, o olhar perdido, e uma expressão na boca que a empregada — se soubesse soletrar a palavra — chamaria de pura lascívia. No mesmo dia, temendo nem ela sabe bem o quê, a empregada pede dispensa, depois de 17 anos com a família.


Na manhã do dia seguinte, em vez da missa, a mulher vai para o aeroporto. De cabelo solto. O marido fica dormindo. Atenta a todas as chamadas para embarque, a mulher procura em vão por alguém com cara de Dulcídio Wanderley Boschilia. Almoça um bauru com guaraná no balcão do aeroporto e fica até à noite. Só quando descobre que não há mais voos para São Paulo naquele dia é que vai para casa.


— Onde é que você esteve? quis saber o marido, preocupado.


— Não interessa.


Ela tranca-se no quarto, e nos quatro dias seguintes só sai uma vez, para telefonar a um jornal. Pede o endereço de Dulcídio Wanderley Boschilia em São Paulo. Ninguém sabe. Ela deve escrever para a Federação Paulista de Futebol, o Departamento de Árbitros, por aí. Na noite do quarto dia ela declara para o marido:


— Quero ir para São Paulo.


— Está bem. Iremos.


— Você, não. Eu. Quero viver. Quero viver!


O marido salta com os dois pés no seu peito, como um Watusi, e a manda cambaleando para dentro do quarto. Fecha a porta. Até hoje, só a deixa sair para ir ao banheiro. Ela tem assustado várias pessoas da vizinhança com chamados furtivos, da janela, no meio da noite, e misteriosos bilhetes “para o Dulcídio, em São Paulo. Rápido, rápido!”


 VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

As alternativas a seguir apresentam palavras que ocorrem no texto. Assinale aquela que é formada por justaposição.
Alternativas
Q3485555 Português

Texto para responder às questões.


Caso de divórcio (III)


Ele é um ex-seminarista. Sério, metódico e higiênico. Do tipo que dorme sem amassar o pijama. Dela, todos dizem: é uma santa. Nunca tiveram filhos, e explicam que é por um problema de bacia estreita. Dele, não dela, mas ninguém jamais pediu maiores explicações. Ele é técnico contábil, está muito bem de vida. Ela se dedica a obras benemerentes e a atividades paroquiais. Os dois fizeram cursilho. Certa vez, ele escreveu uma carta ao jornal sobre uma vaga questão de dogma da Igreja e assinou Leigo Alerta. Ela usa o cabelo puxado para trás e amarrado num coque que é uma declaração de princípios. Até que um dia...


Um dia, por acaso, ligam o rádio no meio de uma transmissão de futebol. E ela ouve um nome: Dulcídio Wanderley Boschilia. Não ouve o resto da frase, não sabe quem é, mas fixa-se no nome como se o agarrasse com os dentes. Dulcídio Wanderley Boschilia. Estremece. Sente uma estranha sensação no peito, uma aflição. Como um sumidouro. Dulcídio Wanderley Boschilia. O que é que está me acontecendo, Deus? Levanta e vai na cozinha tomar água. Quando volta, o marido acabou de desligar o rádio e está tirando a gravata, sinal certo de que se prepara para dormir. Será que ele notou alguma coisa? Dulcídio Wanderley Boschilia. Não consegue dormir. Nunca mais será a mesma. Que fascínio tem aquele nome para mudar uma vida? E o mais estranho é que só de madrugada, o marido roncando como um urso, ela se dá conta que existe um homem que corresponde ao nome. Até então o nome fora uma assombração sem corpo na sua vigília, uma coisa etérea, uma abstração sonora.


Poucas horas antes da missa das seis, a aflição ganha um corpo. Mas que corpo terá Dulcídio Wanderley Boschilia? De volta da missa ela pega o jornal e vira para a página de esportes. Procura uma fotografia. Será este aqui? Deixa ver. Zezinho. Não é este. Tadeu. Cacau. Sente-se ridícula. O massagista Banha.


Preciso me controlar. E súbito, num canto da página, a notícia: o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que apitou o jogo de ontem, ficará na cidade até amanhã pela manhã, quando embarcará para São Paulo.


 A empregada aparece na sala para pedir instruções para o almoço e descobre a patroa, com o jornal amassado contra o peito, o olhar perdido, e uma expressão na boca que a empregada — se soubesse soletrar a palavra — chamaria de pura lascívia. No mesmo dia, temendo nem ela sabe bem o quê, a empregada pede dispensa, depois de 17 anos com a família.


Na manhã do dia seguinte, em vez da missa, a mulher vai para o aeroporto. De cabelo solto. O marido fica dormindo. Atenta a todas as chamadas para embarque, a mulher procura em vão por alguém com cara de Dulcídio Wanderley Boschilia. Almoça um bauru com guaraná no balcão do aeroporto e fica até à noite. Só quando descobre que não há mais voos para São Paulo naquele dia é que vai para casa.


— Onde é que você esteve? quis saber o marido, preocupado.


— Não interessa.


Ela tranca-se no quarto, e nos quatro dias seguintes só sai uma vez, para telefonar a um jornal. Pede o endereço de Dulcídio Wanderley Boschilia em São Paulo. Ninguém sabe. Ela deve escrever para a Federação Paulista de Futebol, o Departamento de Árbitros, por aí. Na noite do quarto dia ela declara para o marido:


— Quero ir para São Paulo.


— Está bem. Iremos.


— Você, não. Eu. Quero viver. Quero viver!


O marido salta com os dois pés no seu peito, como um Watusi, e a manda cambaleando para dentro do quarto. Fecha a porta. Até hoje, só a deixa sair para ir ao banheiro. Ela tem assustado várias pessoas da vizinhança com chamados furtivos, da janela, no meio da noite, e misteriosos bilhetes “para o Dulcídio, em São Paulo. Rápido, rápido!”


 VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

No excerto “Ela tranca-se no quarto”, o agente da ação expressa pelo verbo é, ao mesmo tempo, o paciente. A voz verbal que corresponde a tal construção é a: 
Alternativas
Q3485554 Português

Texto para responder às questões.


Caso de divórcio (III)


Ele é um ex-seminarista. Sério, metódico e higiênico. Do tipo que dorme sem amassar o pijama. Dela, todos dizem: é uma santa. Nunca tiveram filhos, e explicam que é por um problema de bacia estreita. Dele, não dela, mas ninguém jamais pediu maiores explicações. Ele é técnico contábil, está muito bem de vida. Ela se dedica a obras benemerentes e a atividades paroquiais. Os dois fizeram cursilho. Certa vez, ele escreveu uma carta ao jornal sobre uma vaga questão de dogma da Igreja e assinou Leigo Alerta. Ela usa o cabelo puxado para trás e amarrado num coque que é uma declaração de princípios. Até que um dia...


Um dia, por acaso, ligam o rádio no meio de uma transmissão de futebol. E ela ouve um nome: Dulcídio Wanderley Boschilia. Não ouve o resto da frase, não sabe quem é, mas fixa-se no nome como se o agarrasse com os dentes. Dulcídio Wanderley Boschilia. Estremece. Sente uma estranha sensação no peito, uma aflição. Como um sumidouro. Dulcídio Wanderley Boschilia. O que é que está me acontecendo, Deus? Levanta e vai na cozinha tomar água. Quando volta, o marido acabou de desligar o rádio e está tirando a gravata, sinal certo de que se prepara para dormir. Será que ele notou alguma coisa? Dulcídio Wanderley Boschilia. Não consegue dormir. Nunca mais será a mesma. Que fascínio tem aquele nome para mudar uma vida? E o mais estranho é que só de madrugada, o marido roncando como um urso, ela se dá conta que existe um homem que corresponde ao nome. Até então o nome fora uma assombração sem corpo na sua vigília, uma coisa etérea, uma abstração sonora.


Poucas horas antes da missa das seis, a aflição ganha um corpo. Mas que corpo terá Dulcídio Wanderley Boschilia? De volta da missa ela pega o jornal e vira para a página de esportes. Procura uma fotografia. Será este aqui? Deixa ver. Zezinho. Não é este. Tadeu. Cacau. Sente-se ridícula. O massagista Banha.


Preciso me controlar. E súbito, num canto da página, a notícia: o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que apitou o jogo de ontem, ficará na cidade até amanhã pela manhã, quando embarcará para São Paulo.


 A empregada aparece na sala para pedir instruções para o almoço e descobre a patroa, com o jornal amassado contra o peito, o olhar perdido, e uma expressão na boca que a empregada — se soubesse soletrar a palavra — chamaria de pura lascívia. No mesmo dia, temendo nem ela sabe bem o quê, a empregada pede dispensa, depois de 17 anos com a família.


Na manhã do dia seguinte, em vez da missa, a mulher vai para o aeroporto. De cabelo solto. O marido fica dormindo. Atenta a todas as chamadas para embarque, a mulher procura em vão por alguém com cara de Dulcídio Wanderley Boschilia. Almoça um bauru com guaraná no balcão do aeroporto e fica até à noite. Só quando descobre que não há mais voos para São Paulo naquele dia é que vai para casa.


— Onde é que você esteve? quis saber o marido, preocupado.


— Não interessa.


Ela tranca-se no quarto, e nos quatro dias seguintes só sai uma vez, para telefonar a um jornal. Pede o endereço de Dulcídio Wanderley Boschilia em São Paulo. Ninguém sabe. Ela deve escrever para a Federação Paulista de Futebol, o Departamento de Árbitros, por aí. Na noite do quarto dia ela declara para o marido:


— Quero ir para São Paulo.


— Está bem. Iremos.


— Você, não. Eu. Quero viver. Quero viver!


O marido salta com os dois pés no seu peito, como um Watusi, e a manda cambaleando para dentro do quarto. Fecha a porta. Até hoje, só a deixa sair para ir ao banheiro. Ela tem assustado várias pessoas da vizinhança com chamados furtivos, da janela, no meio da noite, e misteriosos bilhetes “para o Dulcídio, em São Paulo. Rápido, rápido!”


 VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

Analise o excerto: “De volta da missa ela pega o jornal e vira para a página de esportes. Procura uma fotografia. Será este aqui? Deixa ver. Zezinho. Não é este. Tadeu. Cacau. Sentese ridícula. O massagista Banha. Preciso me controlar.” Assinale a alternativa que apresenta todos os pronomes que ocorrem no contexto apresentado e suas respectivas subcategorias. 
Alternativas
Respostas
17381: E
17382: C
17383: A
17384: A
17385: A
17386: E
17387: D
17388: C
17389: C
17390: E
17391: E
17392: A
17393: B
17394: D
17395: A
17396: A
17397: A
17398: D
17399: C
17400: B