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Leia o texto a seguir:
Na URSS, o historiador do Partido Comunista passou a ter uma função similar à dos teólogos do Islã ou da Cristandade: seus ensinamentos têm por objetivo reforçar e engrandecer as instituições existentes. Evidentemente, essa função não é apanágio do regime soviético, mas seus dirigentes, a começar por Stálin, levaram-na a limites extremos, transformando e desfigurando o passado ao sabor dos desejos caprichosos da linha política, encoberta sob o nome de necessidades da história que está por ser feita.
(Marc Ferro, A manipulação da História no
ensino e nos meios de comunicação)
Segundo Ferro, no contexto a que se refere o excerto, a história do Partido Comunista desfigurou o passado ao
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Ao lado da empresa comercial e do regime de grande propriedade, acrescentemos um terceiro elemento: o trabalho compulsório. Também nesse aspecto, a regra será comum a toda a América Latina, ainda que com variações. Diferentes formas de trabalho compulsório predominaram na América espanhola, enquanto uma delas – a escravidão – foi dominante no Brasil.
Por que se apelou para uma relação de trabalho odiosa a nossos olhos, que parecia semimorta, exatamente na época chamada pomposamente de aurora dos tempos modernos?
(Boris Fausto, História do Brasil)
Fausto responde à própria indagação afirmando que
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Embora seja hoje consenso que o colonialismo foi resultante da concorrência econômica e do expansionismo dos países europeus, vale a pena incorporar como dimensão própria desses processos algumas considerações apresentadas por Hannah Arendt. Em “Imperialismo”, a autora identifica três aspectos fundamentais do “imperialismo colonial” europeu, na sua fase de 1884 a 1914, apresentando-os como prefigurações dos fenômenos totalitários do século 20, quais sejam: o nazismo е o stalinismo.
(Leila Leite Hernandez, A África na sala de aula:
visita à História Contemporânea)
Para Arendt, segundo Hernandez, o “imperialismo colonial” tem os seguintes traços fundamentais:
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Um trabalho sistematizado no ensino de conceitos históricos contribui para que o aluno realize uma leitura mais reflexiva e crítica da realidade social. Contudo, esse trabalho não pode ser realizado de forma fragmentada e isolada (...).
No ensino da História, o trabalho com conceitos exige alguns cuidados para que os objetivos propostos sejam alcançados (...).
(Maria Auxiliadora Schmidt e Marlene Cainelli, Ensinar História)
Considerando o contexto abordado pela obra em referência, faz parte desses cuidados necessários
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Tendo por base que a TV é um espaço público, ainda que eletrônico, muito singular, pois está submetido a interesses comerciais de grande escala, devemos ter claro que sua experiência cotidiana interfere na dinâmica de assimilação social dos eventos históricos, reduzindo-os a um tempo quase imediato.
(Marcos Napolitano, “A televisão como documento”, em
Circe Bittencourt, O saber histórico na sala de aula)
Para Napolitano, em um telejornal,
Leia o texto a seguir:
A memória não pode ser confundida com a história, como advertem vários historiadores. As memórias precisam ser evocadas e recuperadas e merecem ser confrontadas. As dos velhos e de pessoas que ainda estão no setor produtivo ou as de homens e de mulheres nem sempre coincidem, mesmo quando se referem ao mesmo acontecimento. Mas nenhuma memória, individual ou coletiva, constitui a história.
(Circe Bittencourt, Ensino de História: fundamentos e métodos)
Ao distinguir memória e história, Bittencourt afirma que a história
Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta.
(Eduardo Galeano. As veias abertas da América Latina, 2002)
No excerto, Galeano afirma que a América Latina “se especializou em perder”. Tal afirmação
I. No período colonial, a economia açucareira estruturou-se no modelo de plantation, caracterizado pela grande propriedade, uso intensivo de mão de obra escravizada e produção voltada ao mercado externo, o que reforçou a dependência econômica em relação à metrópole e a inserção subordinada no comércio atlântico.
II. Durante o Segundo Reinado, a política do “café com leite” consolidou-se como prática eleitoral baseada na alternância de poder entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, mecanismo que garantiu estabilidade política e baixo nível de conflitos sociais.
III. A Era Vargas representou uma ruptura no padrão de relação entre Estado e economia, com fortalecimento da industrialização, criação de legislações trabalhistas e ampliação da presença estatal, embora mantendo práticas autoritárias, especialmente no Estado Novo.
IV. Na Ditadura Militar (1964-1985), a política econômica oscilou entre fases de forte crescimento, como durante o chamado “milagre econômico”, e períodos de crise, marcados por inflação, endividamento externo e deterioração do poder de compra da população.
Pode-se afirmar que:
“A descrição dá início a uma tópica ainda hoje frequente no país, que entende a conquista como um ‘encontro pacífico’, a despeito das diferenças políticas, culturais e linguísticas. Essa nova gente capturou a curiosidade de Caminha: ‘A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem fazem mais caso de cobrir nem mostrar suas vergonhas, e estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto’. O escrivão se espanta com suas ‘peles vermelhas e cabelos escorregadios’, e ademais com o fato de serem bonitos de corpo e alma. Começava com essa percepção certa ladainha de vida longa, que construiu a imagem de um ‘bom selvagem’ brasileiro […].Evidentemente deslumbrado, o relato de Caminha inaugurava, também, outro mito recorrente. O da natureza pacífica, de uma conquista sem violência, uma comunhão que unificou a todos, num mesmo coração e religião. [...] por mais que o tempo mostrasse o oposto: genocídio de um lado, conquista de outro.”
STARLING, Heloísa; SCHWARCZ, Lilia. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
Relacionando o trecho com os conhecimentos históricos sobre a formação da colonização portuguesa na América, assinale a alternativa que expressa como o trecho dialoga com as interpretações historiográficas acerca do “encontro” entre portugueses e populações indígenas.
I. Entre os séculos XV e XIX, o Ensino Religioso foi instrumento de cristianização e controle ideológico, conduzido principalmente pelos jesuítas, sob a influência da Igreja Católica e com o aval da Coroa Portuguesa.
II. Durante o período imperial, a religião católica manteve-se como oficial do Estado, e o Ensino Religioso continuou a ser utilizado como ferramenta de catequese e doutrinação, conforme os acordos firmados entre o Papa e o Monarca.
III. A Constituição de 1891, influenciada pelo positivismo, estabeleceu a laicidade do Estado brasileiro, separando Igreja e Estado e proibindo o Ensino Religioso nas escolas públicas.
IV. O Decreto nº 19.941/1931, promulgado durante o governo de Getúlio Vargas, determinou o retorno facultativo do Ensino Religioso às escolas públicas, marcando a reaproximação entre Igreja e Estado.
Pode-se afirmar que:

ASSIS, L.; OLIVEIRA, T. Folha de São Paulo, 6 out. 2021.