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Q3514763 Português
Candidatos às Eleições 2024 têm até 8 de maio para estar com situação eleitoral regular

Estar em exercício pleno dos direitos políticos é um dos critérios para registrar candidatura.


        Quem deseja disputar um cargo nas Eleições Municipais de 2024 — prefeito, vice-prefeito ou vereador — também deve estar atento ao prazo do fechamento do cadastro eleitoral, que ocorre no dia 8 de maio.

        Isso porque um dos critérios indispensáveis para concorrer ao pleito é estar em pleno exercício dos direitos políticos. Ou seja, estar em dia com a Justiça Eleitoral para votar em eleições, plebiscitos e referendos, bem como se candidatar a cargos eletivos ou nomeações para determinados cargos públicos. (...)

        A regularização pode ser feita pelo atendimento online por quem já possui cadastro biométrico na Justiça Eleitoral. Caso contrário, é necessário agendar um atendimento presencial em qualquer cartório eleitoral do estado para fazer a regularização e coletar a biometria.

(Disponível em: https://www.tre-sc.jus.br/comunicacao/noticias/2024/Abril/candidatos-as-eleicoes-2024-tem-ate-8-de-maiopara-estar-com-situacao-eleitoral-regular.)
O texto acima pode ser classificado como:
Alternativas
Q3510542 Português

O texto a seguir é referência para a questão.


Literatura para ver


Georgina Martins


    “Mas eles não são cegos, como é que não conseguem ler Machado de Assis?” Em 2008, esta foi a minha resposta ao pedido de ajuda de uma aluna do curso de especialização em literatura infantil e juvenil da Faculdade de Letras da UFRJ. Ela era professora do Ensino Médio da rede pública e precisava de sugestões metodológicas para ensinar literatura aos seus alunos surdos. Minha resposta, na verdade, minha pergunta, foi resultado do meu primeiro espanto diante de uma questão a qual sequer poderia supor que se tornaria minha principal indagação e meu maior desafio na prática docente.

    A professora desejava que seus alunos surdos lessem Machado de Assis, o que, para minha ignorância, não se constituía em um problema diferente daqueles que a grande maioria dos professores de literatura enfrenta. Por isso me pus a sugerir os mais batidos conselhos: ler com eles, explicar a sintaxe de Machado, mostrar que a estrutura frasal é mais complexa do que a dos textos com os quais estão acostumados, fazer um passeio pelo contexto histórico e cultural do Brasil do século XIX, e, principalmente, fazê-los acreditar que a professora deles é uma leitora, e todo aquele papo de educação pelo exemplo.

    A professora me repetiu que os alunos eram surdos e que, por isso, tinham muitas dificuldades com a leitura, logo, ensinar literatura para eles não era uma tarefa fácil. Confesso que não entendi quase nada do problema, porque minha ignorância no assunto me fazia pensar que a surdez não se configurava em impedimento para o aprendizado da língua portuguesa.

    Movida pela curiosidade em adentrar em um universo de novas possibilidades e pelo desejo de ajudar a tal aluna, procurei auxílio com a professora Deize Santos, que, à época, atuava no departamento de linguística da Faculdade de Letras. Coincidentemente, ela estava às voltas com a aprovação de dois importantes cursos nessa área – uma graduação em Letras-Libras e uma pós-graduação em tradução e interpretação em língua de sinais – e não mediu esforços em partilhar todo conhecimento que havia acumulado sobre o tema. Três anos depois, por ocasião da aprovação do curso de “pós”, convidou-me para ministrar a disciplina de literatura infantil e juvenil para a turma de surdos e ouvintes que começava na Faculdade de Letras. A experiência não só me fez rever toda prática de ensino, como ainda proporcionou minha plena realização profissional, confirmando a crença de que ensinar literatura é preciso e aprender literatura é um direito de todo ser humano.

    Tenho por hábito começar minhas aulas buscando esclarecer a origem e a natureza do objeto sobre o qual vamos nos debruçar durante o período letivo, daí a necessidade de começar investigando, juntamente com a turma, os diferentes modos de conceituar literatura e seus principais gêneros discursivos, como poesia e prosa, para, logo em seguida, entrar na discussão sobre o literário e o literal, tendo como suporte as noções linguísticas de denotação e conotação. Mas como fazer isso com alunos surdos que não têm a língua portuguesa como primeira língua?

    Descobri que os surdos acabam por ser estrangeiros na própria pátria. Era preciso pensar o ensino de literatura de outro modo, uma literatura para ver, e só depois para ler […]



Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/literatura-para-ver/. Adaptado.

De acordo com o texto, os alunos surdos tinham dificuldade em entender Machado de Assis porque:  
Alternativas
Q3509371 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Ex•tin•ção

    Extinguir é apagar um incêndio. Essa é a primeira acepção do verbo latino “exstinguere”, daí o nosso “extintor” vermelhinho. O fogo aparece exaustivamente como metáfora do amor e da vida: “que não seja imortal, posto que é chama”, reza o verso de Vinicius de Moraes; “a chama dele se apagou”, dizemos quando alguém morre. E assim o sentido de “extinguir” também se alastra, de “apagar a vida do fogo” para “apagar o fogo da vida”. Extinguir é ______, ______, ______, ______.
    Hoje, um dos maiores incêndios que o homem precisa apagar é a própria extinção: o apagamento iminente de 1 milhão de espécies de animais e vegetais do planeta. Nunca na história da humanidade tantos seres vivos estiveram ameaçados, conforme mostra o relatório lançado em maio de 2019 pela IPBES, uma plataforma de pesquisa das Nações Unidas. Extinguir também é destingir: o mundo vai perdendo seu colorido e ficando desbotado.
    Quase sempre, entendemos “extinguir” como verbo reflexivo, e isso nos leva a acreditar que as espécies se extinguem sozinhas. Ou ainda adotamos uma frase feita na voz passiva, “as espécies estão ameaçadas de extinção”, que omite o agente: ameaçadas por quem?


Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/lexico/2019/06/09/A-chama-que-o-homem-apaga.-E-com-ela-vai-a-vida-no-planeta. Adaptado. 
Do último parágrafo do texto, é possível depreender a definição de verbo reflexivo e de voz passiva: ação do sujeito que reflete sobre ele mesmo e ação em que se omite o agente, respectivamente. O autor utiliza a construção desse parágrafo para:  
Alternativas
Q3509370 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Ex•tin•ção

    Extinguir é apagar um incêndio. Essa é a primeira acepção do verbo latino “exstinguere”, daí o nosso “extintor” vermelhinho. O fogo aparece exaustivamente como metáfora do amor e da vida: “que não seja imortal, posto que é chama”, reza o verso de Vinicius de Moraes; “a chama dele se apagou”, dizemos quando alguém morre. E assim o sentido de “extinguir” também se alastra, de “apagar a vida do fogo” para “apagar o fogo da vida”. Extinguir é ______, ______, ______, ______.
    Hoje, um dos maiores incêndios que o homem precisa apagar é a própria extinção: o apagamento iminente de 1 milhão de espécies de animais e vegetais do planeta. Nunca na história da humanidade tantos seres vivos estiveram ameaçados, conforme mostra o relatório lançado em maio de 2019 pela IPBES, uma plataforma de pesquisa das Nações Unidas. Extinguir também é destingir: o mundo vai perdendo seu colorido e ficando desbotado.
    Quase sempre, entendemos “extinguir” como verbo reflexivo, e isso nos leva a acreditar que as espécies se extinguem sozinhas. Ou ainda adotamos uma frase feita na voz passiva, “as espécies estão ameaçadas de extinção”, que omite o agente: ameaçadas por quem?


Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/lexico/2019/06/09/A-chama-que-o-homem-apaga.-E-com-ela-vai-a-vida-no-planeta. Adaptado. 
As metáforas do amor e da vida apresentadas no texto são um tipo de figura de linguagem, ou seja, formas de expressão que destoam da linguagem comum ou denotativa. Além desse, há outros tipos de figuras de linguagem.

Diante do exposto, a palavra “fogo” NÃO está sendo utilizada como figura de linguagem em:
Alternativas
Q3509369 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Ex•tin•ção

    Extinguir é apagar um incêndio. Essa é a primeira acepção do verbo latino “exstinguere”, daí o nosso “extintor” vermelhinho. O fogo aparece exaustivamente como metáfora do amor e da vida: “que não seja imortal, posto que é chama”, reza o verso de Vinicius de Moraes; “a chama dele se apagou”, dizemos quando alguém morre. E assim o sentido de “extinguir” também se alastra, de “apagar a vida do fogo” para “apagar o fogo da vida”. Extinguir é ______, ______, ______, ______.
    Hoje, um dos maiores incêndios que o homem precisa apagar é a própria extinção: o apagamento iminente de 1 milhão de espécies de animais e vegetais do planeta. Nunca na história da humanidade tantos seres vivos estiveram ameaçados, conforme mostra o relatório lançado em maio de 2019 pela IPBES, uma plataforma de pesquisa das Nações Unidas. Extinguir também é destingir: o mundo vai perdendo seu colorido e ficando desbotado.
    Quase sempre, entendemos “extinguir” como verbo reflexivo, e isso nos leva a acreditar que as espécies se extinguem sozinhas. Ou ainda adotamos uma frase feita na voz passiva, “as espécies estão ameaçadas de extinção”, que omite o agente: ameaçadas por quem?


Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/lexico/2019/06/09/A-chama-que-o-homem-apaga.-E-com-ela-vai-a-vida-no-planeta. Adaptado. 
No texto, a palavra “iminente” significa:  
Alternativas
Q3509368 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Ex•tin•ção

    Extinguir é apagar um incêndio. Essa é a primeira acepção do verbo latino “exstinguere”, daí o nosso “extintor” vermelhinho. O fogo aparece exaustivamente como metáfora do amor e da vida: “que não seja imortal, posto que é chama”, reza o verso de Vinicius de Moraes; “a chama dele se apagou”, dizemos quando alguém morre. E assim o sentido de “extinguir” também se alastra, de “apagar a vida do fogo” para “apagar o fogo da vida”. Extinguir é ______, ______, ______, ______.
    Hoje, um dos maiores incêndios que o homem precisa apagar é a própria extinção: o apagamento iminente de 1 milhão de espécies de animais e vegetais do planeta. Nunca na história da humanidade tantos seres vivos estiveram ameaçados, conforme mostra o relatório lançado em maio de 2019 pela IPBES, uma plataforma de pesquisa das Nações Unidas. Extinguir também é destingir: o mundo vai perdendo seu colorido e ficando desbotado.
    Quase sempre, entendemos “extinguir” como verbo reflexivo, e isso nos leva a acreditar que as espécies se extinguem sozinhas. Ou ainda adotamos uma frase feita na voz passiva, “as espécies estão ameaçadas de extinção”, que omite o agente: ameaçadas por quem?


Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/lexico/2019/06/09/A-chama-que-o-homem-apaga.-E-com-ela-vai-a-vida-no-planeta. Adaptado. 
A palavra “daí”, destacada no texto, pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:
Alternativas
Q3509367 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Ex•tin•ção

    Extinguir é apagar um incêndio. Essa é a primeira acepção do verbo latino “exstinguere”, daí o nosso “extintor” vermelhinho. O fogo aparece exaustivamente como metáfora do amor e da vida: “que não seja imortal, posto que é chama”, reza o verso de Vinicius de Moraes; “a chama dele se apagou”, dizemos quando alguém morre. E assim o sentido de “extinguir” também se alastra, de “apagar a vida do fogo” para “apagar o fogo da vida”. Extinguir é ______, ______, ______, ______.
    Hoje, um dos maiores incêndios que o homem precisa apagar é a própria extinção: o apagamento iminente de 1 milhão de espécies de animais e vegetais do planeta. Nunca na história da humanidade tantos seres vivos estiveram ameaçados, conforme mostra o relatório lançado em maio de 2019 pela IPBES, uma plataforma de pesquisa das Nações Unidas. Extinguir também é destingir: o mundo vai perdendo seu colorido e ficando desbotado.
    Quase sempre, entendemos “extinguir” como verbo reflexivo, e isso nos leva a acreditar que as espécies se extinguem sozinhas. Ou ainda adotamos uma frase feita na voz passiva, “as espécies estão ameaçadas de extinção”, que omite o agente: ameaçadas por quem?


Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/lexico/2019/06/09/A-chama-que-o-homem-apaga.-E-com-ela-vai-a-vida-no-planeta. Adaptado. 
O texto se inicia com uma: 
Alternativas
Q3509366 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Ex•tin•ção

    Extinguir é apagar um incêndio. Essa é a primeira acepção do verbo latino “exstinguere”, daí o nosso “extintor” vermelhinho. O fogo aparece exaustivamente como metáfora do amor e da vida: “que não seja imortal, posto que é chama”, reza o verso de Vinicius de Moraes; “a chama dele se apagou”, dizemos quando alguém morre. E assim o sentido de “extinguir” também se alastra, de “apagar a vida do fogo” para “apagar o fogo da vida”. Extinguir é ______, ______, ______, ______.
    Hoje, um dos maiores incêndios que o homem precisa apagar é a própria extinção: o apagamento iminente de 1 milhão de espécies de animais e vegetais do planeta. Nunca na história da humanidade tantos seres vivos estiveram ameaçados, conforme mostra o relatório lançado em maio de 2019 pela IPBES, uma plataforma de pesquisa das Nações Unidas. Extinguir também é destingir: o mundo vai perdendo seu colorido e ficando desbotado.
    Quase sempre, entendemos “extinguir” como verbo reflexivo, e isso nos leva a acreditar que as espécies se extinguem sozinhas. Ou ainda adotamos uma frase feita na voz passiva, “as espécies estão ameaçadas de extinção”, que omite o agente: ameaçadas por quem?


Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/lexico/2019/06/09/A-chama-que-o-homem-apaga.-E-com-ela-vai-a-vida-no-planeta. Adaptado. 
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas, na ordem em que aparecem no texto. 
Alternativas
Q3509365 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

    Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”, _______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
    Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
    Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento. Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.


Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado. 
No trecho “Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade Média”, o narrador: 
Alternativas
Q3509364 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

    Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”, _______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
    Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
    Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento. Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.


Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado. 
De acordo com o texto, o narrador: 
Alternativas
Q3509363 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

    Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”, _______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
    Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
    Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento. Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.


Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado. 
De acordo com o texto, “santinho do pau oco” significa:  
Alternativas
Q3509362 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

    Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”, _______ se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e até maternais, _______ decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.
    Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar _______. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.
    Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento. Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes ______ um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.


Luis Fernando Verissimo. O nariz e outra crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado. 
O termo “Que”, destacado no segundo parágrafo, é relativo a: 
Alternativas
Q3509359 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Literatura para ver

Georgina Martins

    “Mas eles não são cegos, como é que não conseguem ler Machado de Assis?” Em 2008, esta foi a minha resposta ao pedido de ajuda de uma aluna do curso de especialização em literatura infantil e juvenil da Faculdade de Letras da UFRJ. Ela era professora do Ensino Médio da rede pública e precisava de sugestões metodológicas para ensinar literatura aos seus alunos surdos. Minha resposta, na verdade, minha pergunta, foi resultado do meu primeiro espanto diante de uma questão a qual sequer poderia supor que se tornaria minha principal indagação e meu maior desafio na prática docente.
    A professora desejava que seus alunos surdos lessem Machado de Assis, o que, para minha ignorância, não se constituía em um problema diferente daqueles que a grande maioria dos professores de literatura enfrenta. Por isso me pus a sugerir os mais batidos conselhos: ler com eles, explicar a sintaxe de Machado, mostrar que a estrutura frasal é mais complexa do que a dos textos com os quais estão acostumados, fazer um passeio pelo contexto histórico e cultural do Brasil do século XIX, e, principalmente, fazê-los acreditar que a professora deles é uma leitora, e todo aquele papo de educação pelo exemplo.
    A professora me repetiu que os alunos eram surdos e que, por isso, tinham muitas dificuldades com a leitura, logo, ensinar literatura para eles não era uma tarefa fácil. Confesso que não entendi quase nada do problema, porque minha ignorância no assunto me fazia pensar que a surdez não se configurava em impedimento para o aprendizado da língua portuguesa.
    Movida pela curiosidade em adentrar em um universo de novas possibilidades e pelo desejo de ajudar a tal aluna, procurei auxílio com a professora Deize Santos, que, à época, atuava no departamento de linguística da Faculdade de Letras. Coincidentemente, ela estava às voltas com a aprovação de dois importantes cursos nessa área – uma graduação em Letras-Libras e uma pós-graduação em tradução e interpretação em língua de sinais – e não mediu esforços em partilhar todo conhecimento que havia acumulado sobre o tema. Três anos depois, por ocasião da aprovação do curso de “pós”, convidou-me para ministrar a disciplina de literatura infantil e juvenil para a turma de surdos e ouvintes que começava na Faculdade de Letras. A experiência não só me fez rever toda prática de ensino, como ainda proporcionou minha plena realização profissional, confirmando a crença de que ensinar literatura é preciso e aprender literatura é um direito de todo ser humano.
    Tenho por hábito começar minhas aulas buscando esclarecer a origem e a natureza do objeto sobre o qual vamos nos debruçar durante o período letivo, daí a necessidade de começar investigando, juntamente com a turma, os diferentes modos de conceituar literatura e seus principais gêneros discursivos, como poesia e prosa, para, logo em seguida, entrar na discussão sobre o literário e o literal, tendo como suporte as noções linguísticas de denotação e conotação. Mas como fazer isso com alunos surdos que não têm a língua portuguesa como primeira língua?
    Descobri que os surdos acabam por ser estrangeiros na própria pátria. Era preciso pensar o ensino de literatura de outro modo, uma literatura para ver, e só depois para ler […]


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/literatura-para-ver/. Adaptado. 
De acordo com o texto, a autora: 
Alternativas
Q3509358 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Literatura para ver

Georgina Martins

    “Mas eles não são cegos, como é que não conseguem ler Machado de Assis?” Em 2008, esta foi a minha resposta ao pedido de ajuda de uma aluna do curso de especialização em literatura infantil e juvenil da Faculdade de Letras da UFRJ. Ela era professora do Ensino Médio da rede pública e precisava de sugestões metodológicas para ensinar literatura aos seus alunos surdos. Minha resposta, na verdade, minha pergunta, foi resultado do meu primeiro espanto diante de uma questão a qual sequer poderia supor que se tornaria minha principal indagação e meu maior desafio na prática docente.
    A professora desejava que seus alunos surdos lessem Machado de Assis, o que, para minha ignorância, não se constituía em um problema diferente daqueles que a grande maioria dos professores de literatura enfrenta. Por isso me pus a sugerir os mais batidos conselhos: ler com eles, explicar a sintaxe de Machado, mostrar que a estrutura frasal é mais complexa do que a dos textos com os quais estão acostumados, fazer um passeio pelo contexto histórico e cultural do Brasil do século XIX, e, principalmente, fazê-los acreditar que a professora deles é uma leitora, e todo aquele papo de educação pelo exemplo.
    A professora me repetiu que os alunos eram surdos e que, por isso, tinham muitas dificuldades com a leitura, logo, ensinar literatura para eles não era uma tarefa fácil. Confesso que não entendi quase nada do problema, porque minha ignorância no assunto me fazia pensar que a surdez não se configurava em impedimento para o aprendizado da língua portuguesa.
    Movida pela curiosidade em adentrar em um universo de novas possibilidades e pelo desejo de ajudar a tal aluna, procurei auxílio com a professora Deize Santos, que, à época, atuava no departamento de linguística da Faculdade de Letras. Coincidentemente, ela estava às voltas com a aprovação de dois importantes cursos nessa área – uma graduação em Letras-Libras e uma pós-graduação em tradução e interpretação em língua de sinais – e não mediu esforços em partilhar todo conhecimento que havia acumulado sobre o tema. Três anos depois, por ocasião da aprovação do curso de “pós”, convidou-me para ministrar a disciplina de literatura infantil e juvenil para a turma de surdos e ouvintes que começava na Faculdade de Letras. A experiência não só me fez rever toda prática de ensino, como ainda proporcionou minha plena realização profissional, confirmando a crença de que ensinar literatura é preciso e aprender literatura é um direito de todo ser humano.
    Tenho por hábito começar minhas aulas buscando esclarecer a origem e a natureza do objeto sobre o qual vamos nos debruçar durante o período letivo, daí a necessidade de começar investigando, juntamente com a turma, os diferentes modos de conceituar literatura e seus principais gêneros discursivos, como poesia e prosa, para, logo em seguida, entrar na discussão sobre o literário e o literal, tendo como suporte as noções linguísticas de denotação e conotação. Mas como fazer isso com alunos surdos que não têm a língua portuguesa como primeira língua?
    Descobri que os surdos acabam por ser estrangeiros na própria pátria. Era preciso pensar o ensino de literatura de outro modo, uma literatura para ver, e só depois para ler […]


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/literatura-para-ver/. Adaptado. 
Assinale a alternativa que apresenta uma dica dada pela autora à professora que queria ensinar a literatura de Machado de Assis aos seus alunos.  
Alternativas
Q3509296 Português
Instrução: Leia o texto a seguir para responder à questão.


MOTIVO

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
(Mia Couto)


Meu filho chegou da escola mais contente hoje. Não tem sido assim. Desde que mudamos de cidade e de escola, é uma queixa atrás da outra.

Um colega empurra, outro debocha, outro se junta com outro e brinca de repórter de TV pra gravar a fala dele. Coração de mãe, você já sabe. Tenho vontade de ir lá e rufar a mão na cara da molecada. Falo com a diretora, entendo que as crianças são danadas, que revidar não é o melhor caminho, que é preciso uma orientação adequada.

Em casa faço o que posso. Escuto meu filho, aconselho, digo que o melhor a fazer é não dar tanta bola pra isso. Vai saber o motivo de esses meninos serem tão agressivos. Vai ver são maltratados em casa. Conto que minha mãe, no meu tempo, nem me escutava.

Eu tentava dizer alguma coisa e ela: não me venha com queixa. Não repito o procedimento. Acredito que muita coisa pode melhorar com a força de uma boa palavra.

Depois de algum tempo, de muita conversa e idas e vindas à escola, finalmente chegou o dia em que ele se sentiu mais ambientado, mais feliz.

Reparei, no final da tarde, naquele intervalo em que ficam brincando antes de virem pra casa, que o grupinho de uns três se fortalecia. Falei. Eu já sei por que você acabou tendo mais afinidade com o Vinícius e o Julio. Porque, coincidentemente, vocês três são filhos únicos, a falta de um irmãozinho a gente acaba compensando com o colega, não é mesmo?

A reposta que veio a seguir me arrebentou por dentro. Ainda teria muito por fazer.

— Não, mamãe, nós três ficamos amigos porque somos os três da sala que têm defeito.

— Como assim, defeito?

— Sim, o Vinícius é gordo, o Julio é negro e eu sou gago.


(COCCO, Marta H. Não presta pra nada. Carlini & Caniato: Cuiabá-MT, 2016.)
Não, mamãe, nós três ficamos amigos porque somos os três da sala que têm defeito. Sobre a palavra em destaque, marque a afirmativa correta.
Alternativas
Q3509295 Português
Instrução: Leia o texto a seguir para responder à questão.


MOTIVO

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
(Mia Couto)


Meu filho chegou da escola mais contente hoje. Não tem sido assim. Desde que mudamos de cidade e de escola, é uma queixa atrás da outra.

Um colega empurra, outro debocha, outro se junta com outro e brinca de repórter de TV pra gravar a fala dele. Coração de mãe, você já sabe. Tenho vontade de ir lá e rufar a mão na cara da molecada. Falo com a diretora, entendo que as crianças são danadas, que revidar não é o melhor caminho, que é preciso uma orientação adequada.

Em casa faço o que posso. Escuto meu filho, aconselho, digo que o melhor a fazer é não dar tanta bola pra isso. Vai saber o motivo de esses meninos serem tão agressivos. Vai ver são maltratados em casa. Conto que minha mãe, no meu tempo, nem me escutava.

Eu tentava dizer alguma coisa e ela: não me venha com queixa. Não repito o procedimento. Acredito que muita coisa pode melhorar com a força de uma boa palavra.

Depois de algum tempo, de muita conversa e idas e vindas à escola, finalmente chegou o dia em que ele se sentiu mais ambientado, mais feliz.

Reparei, no final da tarde, naquele intervalo em que ficam brincando antes de virem pra casa, que o grupinho de uns três se fortalecia. Falei. Eu já sei por que você acabou tendo mais afinidade com o Vinícius e o Julio. Porque, coincidentemente, vocês três são filhos únicos, a falta de um irmãozinho a gente acaba compensando com o colega, não é mesmo?

A reposta que veio a seguir me arrebentou por dentro. Ainda teria muito por fazer.

— Não, mamãe, nós três ficamos amigos porque somos os três da sala que têm defeito.

— Como assim, defeito?

— Sim, o Vinícius é gordo, o Julio é negro e eu sou gago.


(COCCO, Marta H. Não presta pra nada. Carlini & Caniato: Cuiabá-MT, 2016.)
É correto afirmar que no trecho Porque, coincidentemente, vocês três são filhos únicos (...), as palavras destacadas têm, respectivamente, a seguinte classificação:
Alternativas
Q3509294 Português
Instrução: Leia o texto a seguir para responder à questão.


MOTIVO

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
(Mia Couto)


Meu filho chegou da escola mais contente hoje. Não tem sido assim. Desde que mudamos de cidade e de escola, é uma queixa atrás da outra.

Um colega empurra, outro debocha, outro se junta com outro e brinca de repórter de TV pra gravar a fala dele. Coração de mãe, você já sabe. Tenho vontade de ir lá e rufar a mão na cara da molecada. Falo com a diretora, entendo que as crianças são danadas, que revidar não é o melhor caminho, que é preciso uma orientação adequada.

Em casa faço o que posso. Escuto meu filho, aconselho, digo que o melhor a fazer é não dar tanta bola pra isso. Vai saber o motivo de esses meninos serem tão agressivos. Vai ver são maltratados em casa. Conto que minha mãe, no meu tempo, nem me escutava.

Eu tentava dizer alguma coisa e ela: não me venha com queixa. Não repito o procedimento. Acredito que muita coisa pode melhorar com a força de uma boa palavra.

Depois de algum tempo, de muita conversa e idas e vindas à escola, finalmente chegou o dia em que ele se sentiu mais ambientado, mais feliz.

Reparei, no final da tarde, naquele intervalo em que ficam brincando antes de virem pra casa, que o grupinho de uns três se fortalecia. Falei. Eu já sei por que você acabou tendo mais afinidade com o Vinícius e o Julio. Porque, coincidentemente, vocês três são filhos únicos, a falta de um irmãozinho a gente acaba compensando com o colega, não é mesmo?

A reposta que veio a seguir me arrebentou por dentro. Ainda teria muito por fazer.

— Não, mamãe, nós três ficamos amigos porque somos os três da sala que têm defeito.

— Como assim, defeito?

— Sim, o Vinícius é gordo, o Julio é negro e eu sou gago.


(COCCO, Marta H. Não presta pra nada. Carlini & Caniato: Cuiabá-MT, 2016.)
Analise as afirmativas.

I. “Motivo” é um pequeno texto do gênero ‘conto’ em que se pode observar as características: introdução, clímax, espaço e desfecho.
II. O texto tem esse título porque a mãe descobre o motivo que levou filho a fazer novos amigos.
III. Pode-se inferir do texto que os meninos eram “diferentes” dos demais colegas, sofriam pelos mesmos motivos de discriminação.
IV. O trecho Ainda teria muito por fazer refere-se à diretora da escola.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q3509293 Português
Instrução: Leia o texto a seguir para responder à questão.


MOTIVO

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
(Mia Couto)


Meu filho chegou da escola mais contente hoje. Não tem sido assim. Desde que mudamos de cidade e de escola, é uma queixa atrás da outra.

Um colega empurra, outro debocha, outro se junta com outro e brinca de repórter de TV pra gravar a fala dele. Coração de mãe, você já sabe. Tenho vontade de ir lá e rufar a mão na cara da molecada. Falo com a diretora, entendo que as crianças são danadas, que revidar não é o melhor caminho, que é preciso uma orientação adequada.

Em casa faço o que posso. Escuto meu filho, aconselho, digo que o melhor a fazer é não dar tanta bola pra isso. Vai saber o motivo de esses meninos serem tão agressivos. Vai ver são maltratados em casa. Conto que minha mãe, no meu tempo, nem me escutava.

Eu tentava dizer alguma coisa e ela: não me venha com queixa. Não repito o procedimento. Acredito que muita coisa pode melhorar com a força de uma boa palavra.

Depois de algum tempo, de muita conversa e idas e vindas à escola, finalmente chegou o dia em que ele se sentiu mais ambientado, mais feliz.

Reparei, no final da tarde, naquele intervalo em que ficam brincando antes de virem pra casa, que o grupinho de uns três se fortalecia. Falei. Eu já sei por que você acabou tendo mais afinidade com o Vinícius e o Julio. Porque, coincidentemente, vocês três são filhos únicos, a falta de um irmãozinho a gente acaba compensando com o colega, não é mesmo?

A reposta que veio a seguir me arrebentou por dentro. Ainda teria muito por fazer.

— Não, mamãe, nós três ficamos amigos porque somos os três da sala que têm defeito.

— Como assim, defeito?

— Sim, o Vinícius é gordo, o Julio é negro e eu sou gago.


(COCCO, Marta H. Não presta pra nada. Carlini & Caniato: Cuiabá-MT, 2016.)
No trecho Coração de mãe, você já sabe, o narrador
Alternativas
Q3509292 Português

Leia com atenção a tirinha.


Imagem associada para resolução da questão


(QUINO. Mafalda. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2016/01/20-tirinhas-sobre-paixao-porlivros.html. Acesso em 23/03/2024.)



Sobre a tirinha, marque a afirmativa correta.

Alternativas
Q3509291 Português
Instrução: Leia atentamente o texto e responda à questão.


Discórdia em Concórdia

Um voo por entre os buracos das nuvens.


"Essa cerração estava bem fechada na serra, mas aqui em Ilhabela o céu estava cheio de buracos". Foi o que informou o dono do heliponto ao piloto do helicóptero no fatídico acidente que abriu o ano.

Esses buracos são espaços abertos entre as nuvens, o que, segundo ele, permitiria o pouso. Ao ler aqueles fatos na internet, na hora, recuei no tempo. Revivi o dia em que viajei para Concórdia, Santa Catarina, a bordo de um jatinho privado.

Fui orientado pela secretária do dono da aeronave a comparecer ao hangar de Congonhas às 16h30 para a importante reunião catarinense. No horário combinado, subi os estribos do Learjet rumo à avionada.

Decolamos com céu de brigadeiro. Era a primeira vez que tinha um aeroplano inteiro a meu dispor. Fui me sentindo uma celebridade até Curitiba. Naquele ponto, entretanto, o clima virou. A bem da verdade, capotou. Tudo nublou, não se via um milímetro de horizonte, e trovões rimbombavam a todo instante.

Não demorou para que o Lear passasse a sacudir mais do que coqueteleira em mão de barman. O chacoalhar era tamanho que a maleta do comandante, acomodada nos porta bagagens, desabou sobre o meu cocuruto. Ainda tonto, fui de gatinhas, pelo corredor, até a cabine.

Ali, notei que o copiloto dava pancadas no rádio.

"O que está acontecendo?", quis saber.

"Estamos sem comunicação, estou vendo se volta...", anunciou com aquela mansidão dos aeronautas.

Engoli em seco. A cerração continuava reinando, mas felizmente conseguiram contato com o aeroporto de Concórdia.

Apenas para que o leitor assimile o local onde seria nosso pouso, eu diria que se tratava de uma extensão de asfalto pouco maior do que uma pista de autorama no pico de uma alta montanha. Em volta, mata fechada.

Houve a primeira tentativa de aterrissagem, porém, não se divisava um palmo adiante do nariz do jatinho.

Quando arremetemos, se apresentou a voz do dono do avião no rádio, num forte sotaque gaúcho:

"Epa, peralá! Por que no descero, tchê?"

O piloto explicou:

"Visibilidade zero, doutor."

"Aqui tão dizeno que tem buraco. Encontra um aí, compadre, e mete o bicho nele que tem hora pra começá os trabalho!"

"Sim, senhor!", respondeu o piloto.

Eu já tinha me sentado mais ao fundo possível pois ouvira dizer que, em acidentes aéreos, o estrago é menor aos que se localizam na popa. "Acharo o buraco?", insistia o gaúcho.

"Localizamos um a estibordo, doutor, vamos tentar o procedimento", prometeu o comandante.

Dei início ao rosário apressado que aprendi com minha avó. Usava os dedos como as contas do terço. O jato mergulhou na pequena fenda da nuvem em direção à pistinha, as turbinas gritavam em dramática desaceleração.

Assaltou-me a inconveniente lembrança de que meu sobrenome é Castelo Branco e certo marechal, com o mesmo nome, morrera num famoso desastre de avião.

O solo veio se aproximando. Foquei na minha janela. Antes de atingirmos a cabeceira, o trem de pouso triscou o galho de uma araucária. Bah, tri legal!" - urrou o gaúcho no rádio ao presenciar a descida.

Saí bambo da aeronave e, feito João Paulo II, beijei o asfalto.

O chefão me deu as boas-vindas e comunicou:

"Reunião ficou pra amanhã. O bão é que dá tempo de nóis assar um costelão pra ti".


(CASTELO BRANCO, Carlos. Um voo por entre os buracos das nuvens. Estadão. 17/01/2024. Disponível em https://www.estadao.com.br/emais/cronica-por-quilo/discordia-em-concordia/. Acesso em 20 de março de 2024.)
Leia atentamente as afirmativas a seguir e assinale a INCORRETA.
Alternativas
Respostas
16761: D
16762: B
16763: A
16764: B
16765: D
16766: E
16767: D
16768: E
16769: A
16770: C
16771: D
16772: B
16773: C
16774: A
16775: B
16776: D
16777: A
16778: C
16779: D
16780: B