Fiorella nasceu na Itália enquanto seus pais, brasileiros, l...

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Ano: 2026 Banca: FCC Órgão: TJ-CE Prova: FCC - 2026 - TJ-CE - Oficial de Justiça |
Q4240000 Direito Constitucional
Atenção: A questão deve ser respondida com base na Constituição Federal de 1988.
Fiorella nasceu na Itália enquanto seus pais, brasileiros, lá estavam a serviço do Brasil. Dez anos mais tarde, todos voltaram ao Brasil e os pais de Fiorella se divorciaram, vindo sua mãe a se casar, no Brasil, com um italiano, que aqui era empresário, nascendo, dessa nova união, em território brasileiro, Giuseppe. Giuseppe, que já tem a cidadania italiana, quer viver na Itália e Fiorella deseja, um dia, preenchidos os requisitos, tornar-se Governadora do Estado em que reside, no Brasil. Nessa situação, com base apenas nas informações fornecidas, Giuseppe
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A CF/1988, art. 12, § 4º, II, com redação da EC nº 131/2023, dispõe: “II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia.” Como Giuseppe já possui nacionalidade italiana, pode requerer a perda sem ficar apátrida, o que torna correta essa afirmação da alternativa B.

Tema central: Nacionalidade e acesso a cargos
Análise das alternativas
A
Errada
Contraria o art. 12, I, a e b, da CF/1988 ao negar a nacionalidade originária de ambos. Giuseppe é nato por ter nascido no Brasil nas condições constitucionais; Fiorella é nata por ter nascido no exterior de brasileiros a serviço do Brasil. Portanto, Fiorella não precisa se naturalizar. A afirmação de que Governador pode ser nato ou naturalizado está correta, mas não elimina os erros anteriores.
B
Certa
A alternativa B reúne corretamente os três enquadramentos constitucionais. Quanto a Giuseppe, a CF/1988, art. 12, I, a, estabelece: “a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país;”. Ele nasceu no Brasil, de mãe brasileira e pai italiano empresário, sem indicação de serviço ao Estado estrangeiro: é brasileiro nato. Quanto a Fiorella, o art. 12, I, b, prevê: “b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;”. Como seus pais brasileiros estavam a serviço do Brasil, ela também é brasileira nata, sem depender de naturalização. Sobre a perda voluntária, o art. 12, § 4º, caput, determina: “§ 4º Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:”. Seu inciso II admite pedido expresso perante autoridade brasileira competente, ressalvada a apatridia; a nacionalidade italiana de Giuseppe afasta esse impedimento. O pedido, porém, não equivale, por si só, à perda já declarada. Por fim, o art. 12, § 3º, dispõe: “§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos: I - de Presidente e Vice-Presidente da República; II - de Presidente da Câmara dos Deputados; III - de Presidente do Senado Federal; IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; V - da carreira diplomática; VI - de oficial das Forças Armadas; VII - de Ministro de Estado da Defesa.” Governador não consta desse rol, podendo o cargo ser exercido por brasileiro nato ou naturalizado, preenchidos os demais requisitos.
C
Errada
Contém dois erros: nega a nacionalidade originária assegurada a Giuseppe e Fiorella pelo art. 12, I, a e b, e considera Governador cargo privativo de brasileiro nato, embora ele não integre o rol do art. 12, § 3º. Fiorella é brasileira nata e poderá exercer o cargo se preencher os demais requisitos.
D
Errada
O erro está exclusivamente em afirmar que Governador é cargo privativo de brasileiro nato. O art. 12, § 3º, da CF/1988 não inclui esse cargo na reserva de nacionalidade originária. As afirmações sobre a nacionalidade de ambos e a possibilidade de Giuseppe requerer a perda estão corretas.
E
Errada
A condição de brasileiro nato não impede o pedido expresso de perda da nacionalidade: o art. 12, § 4º, II, admite essa hipótese, ressalvadas situações que acarretem apatridia. Giuseppe já possui nacionalidade italiana. Além disso, a alternativa cria reserva inexistente para Governador, cargo não incluído no art. 12, § 3º.
Pegadinha da questão
Confundir nacionalidade originária com impossibilidade de perda voluntária e estender ao cargo de Governador a reserva de nacionalidade originária aplicável à Presidência da República.
Dica para questões semelhantes
  • Separe o enquadramento da nacionalidade das regras de perda: ser nato não impede pedido expresso de perda, mas a apatridia constitui limite.
  • Para nascidos no exterior, verifique se pai brasileiro ou mãe brasileira estava a serviço do Brasil; essa hipótese enquadra-se no art. 12, I, b, sem exigir naturalização.
  • Confira o cargo no rol do art. 12, § 3º: Governador não está reservado a brasileiros natos.
  • Não confunda possuir outra nacionalidade ou mudar-se para o exterior com perda automática da nacionalidade brasileira.

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GAB B

  Art. 12. São brasileiros:

I - natos:

a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país;

b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;

c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira;         

§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição.

§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:

I - de Presidente e Vice-Presidente da República;

II - de Presidente da Câmara dos Deputados;

III - de Presidente do Senado Federal;

IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;

V - da carreira diplomática;

VI - de oficial das Forças Armadas.

VII - de Ministro de Estado da Defesa.         

§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:

I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude relacionada ao processo de naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;       

II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia.     

§ 5º A renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso II do § 4º deste artigo, não impede o interessado de readquirir sua nacionalidade brasileira originária, nos termos da lei.     

Confesso que tive dificuldade de lembrar se para ser governador era necessário ser brasileiro nato. Mas fiz uma analogia com o direito alienígena que muito inspirou a formação do Estado Brasileiro: Arnold Schwarzenegger pôde ser governador da Califórnia, mas não poderia vir a ser presidente dos EUA por ter nascido na Áustria.

OBS.: GIUSEPPE PODERÁ FAZER O PEDIDO EXPRESSO DE PERDA DA NACIONALIDADE BRASILEIRA, PORQUANTO JÁ POSSUI A CIDADANIA ITALIANA. CASO NÃO A POSSUÍSSE, FICARIA APÁTRIDA, O QUE SERIA VEDADO PELA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA.

Acrescentando: “É ASSEGURADO O DIREITO À NACIONALIDADE BRASILEIRA ORIGINÁRIA À PESSOA NASCIDA NO EXTERIOR, ADOTADA POR PESSOA BRASILEIRA e registrada em ÓRGÃO CONSULAR COMPETENTE, nos termos da al. "C" DO INCISO I DO ART. 12 C/C O § 6º DO ART. 227 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.”

RE 1.163.774/MG (Tema 1.253 RG), Relatora: Ministra CÁRMEN LÚCIA, Informativo 1208

Acrescentando:

  1. O PRESIDENTE DO CNJ é o PRESIDENTE DO STF, logo, o cargo de PRESIDENTE DO CNJ É PRIVATIVO DE BRASILEIRO NATO (ART. 103-B, § 1º, CF);
  2. O PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DO TSE são escolhidos entre os MINISTROS DO STF, logo, os cargos de PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DO TSE SÃO PRIVATIVOS DE BRASILEIROS NATOS (ART. 119, PARÁGRAFO ÚNICO, CF).

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