No contexto de persecução penal que apura a prática de crime...

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Q3914517 Direito Processual Penal

No contexto de persecução penal que apura a prática de crimes contra a administração pública, Caio, investigado, celebrou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, devidamente homologado em juízo. Assim sendo, com base, apenas, nas declarações do colaborador, o juízo competente recebeu a denúncia em face de Lucas, decretando a sua prisão preventiva. O magistrado alegou, na sua decisão, que a prova de autoria não poderia ser produzida por outros meios.


Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº 12.850/2013, é correto afirmar que o juízo agiu de forma: 

Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Lei nº 12.850/2013, art. 4º, § 16: "Nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador e nenhuma medida cautelar real ou pessoal será decretada com base apenas nas declarações do colaborador." Lei nº 12.850/2013, art. 4º, § 16-A: "Nenhuma denúncia ou queixa será recebida sem o recebimento de elementos de corroboração mínimos da materialidade e da autoria."

Tema central: Colaboração premiada e corroboração
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. A alternativa afirma ser possível receber a denúncia e decretar prisão preventiva apenas com base nas declarações do colaborador, desde que a prova não possa ser produzida por outros meios. Isso contraria diretamente a Lei nº 12.850/2013, art. 4º, § 16, quanto à medida cautelar pessoal, e o art. 4º, § 16-A, quanto ao recebimento da denúncia. Além disso, a alegada impossibilidade de produção da prova por outros meios não é exceção legal prevista nesses dispositivos.
B
Errada
Incorreta. A alternativa acerta ao reconhecer que não se admite prisão preventiva fundada apenas nas declarações do colaborador, porque a prisão preventiva é medida cautelar pessoal e está abrangida pelo art. 4º, § 16, da Lei nº 12.850/2013. Porém erra ao afirmar que não houve irregularidade no recebimento da denúncia, já que o art. 4º, § 16-A, exige elementos mínimos de corroboração da materialidade e da autoria, inexistentes no caso segundo a base apresentada.
C
Errada
Incorreta. A alternativa acerta ao apontar a irregularidade no recebimento da denúncia apenas com base na palavra do colaborador, pois o art. 4º, § 16-A, exige corroboração mínima. Mas erra ao considerar regular a decretação da prisão preventiva, porque o art. 4º, § 16, veda expressamente medida cautelar pessoal fundada apenas nas declarações do colaborador.
D
Certa
A alternativa D está correta porque a Lei nº 12.850/2013 estabelece duas barreiras autônomas: a primeira impede a decretação de medida cautelar pessoal, como a prisão preventiva, com base apenas nas declarações do colaborador; a segunda impede o recebimento da denúncia sem elementos mínimos de corroboração da materialidade e da autoria. No caso, as duas decisões judiciais foram tomadas exclusivamente com base na colaboração, o que torna inadequados tanto o recebimento da denúncia quanto a prisão preventiva. A justificativa do magistrado, de que a prova não poderia ser produzida por outros meios, não afasta essas vedações, porque essa exceção não consta da lei.
E
Errada
Incorreta. A alternativa admite, sem qualquer ressalva legal válida, tanto o recebimento da denúncia quanto a decretação da prisão preventiva apenas com base nas declarações do colaborador. Isso afronta simultaneamente o art. 4º, § 16, e o art. 4º, § 16-A, da Lei nº 12.850/2013.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre admitir a colaboração premiada como meio de obtenção de prova e tratá-la como prova autossuficiente. A lei não proíbe a colaboração, mas proíbe que ela, sozinha, sustente o recebimento da denúncia ou a decretação de medida cautelar pessoal.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão mencionar colaboração premiada isolada, verifique se a decisão atacada exige corroboração mínima; para denúncia ou queixa, a lei exige.
  • Se a providência for prisão preventiva, lembre que ela é medida cautelar pessoal e cai diretamente na vedação do art. 4º, § 16.
  • Não aceite exceção criada pelo enunciado se a base legal não a prevê expressamente, como a alegação de impossibilidade de obter a prova por outros meios.

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Comentários

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A alternativa correta é a letra D. A questão versa sobre a lei 12.850/13, Lei das Organizações Criminosas.

A alternativa A está incorreta. A Lei 12.850/2013 não prevê qualquer exceção baseada na impossibilidade de produção de prova por outros meios. A vedação do art. 4º, §16, é absoluta para ambas as medidas.

A alternativa B está incorreta. Tanto o recebimento da denúncia quanto a decretação de medidas cautelares pessoais são vedados quando fundados exclusivamente em declarações do colaborador. Art. 4º, §16, I e II, da Lei 12.850/2013.

A alternativa C está incorreta. Pelos mesmos fundamentos da alternativa B, com os polos invertidos. As duas medidas são igualmente vedadas pelo §16 do art. 4º.

A alternativa D está correta. A afirmação está com consonância com o previsto na lei 12.850/13. Vejamos: Art. 4º, §16, da Lei 12.850/2013 (redação da Lei 13.964/2019): "Nenhuma das seguintes medidas será decretada ou proferida com fundamento apenas nas declarações do colaborador: I – medidas cautelares reais ou pessoais; II – recebimento de denúncia ou queixa-crime; III – sentença condenatória." O juiz decretou prisão preventiva (medida cautelar pessoal — inciso I) e recebeu a denúncia (inciso II) com base exclusivamente nas declarações do colaborador, violando ambos os incisos do §16 do art. 4º da Lei 12.850/2013.

A alternativa E está incorreta. A Lei 12.850/2013, com a redação do Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), veda expressamente ambas as medidas quando lastreadas apenas nas declarações do colaborador. Não há hipótese de adequação no caso descrito.

Lei 12.850, Art. 4º, § 16. Nenhuma das seguintes medidas será decretada ou proferida com fundamento apenas nas declarações do colaborador:     

I - medidas cautelares reais ou pessoais;     

II - recebimento de denúncia ou queixa-crime;     

III - sentença condenatória

 NENHUMA das seguintes medidas será decretada ou proferida com fundamento apenas nas declarações do colaborador: 

I - MEDIDAS CAUTELARES reais ou pessoais (prisão preventiva, prisão domiciliar)

II - RECEBIMENTO DE DENÚNCIA ou queixa-crime

III - SENTENÇA CONDENATÓRIA.

GABARITO - D

Art. 4º, (...) § 16. Nenhuma das seguintes medidas será decretada ou proferida com fundamento apenas nas declarações do colaborador:     

I - medidas cautelares reais ou pessoais;     

II - recebimento de denúncia ou queixa-crime;     

III - sentença condenatória.  

Bons Estudos!!!

O JUIZ agiu de forma INADEQUADA, pois o RECEBIMENTO DA DENÚNCIA (ART. 4º, § 16, INCISO II, DA LEI 12.850/13) e a DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA (ART. 4º, § 16, INCISO I, DA LEI 12.850/13) NÃO PODEM se basear APENAS nas declarações do COLABORADOR.

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