Para responder à questão, leia com atenção o texto a seguir:
As chamas do discurso do ódio
Por António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas
Em todo o mundo, o ódio avança. Uma ameaçadora onda de intolerância e violência baseada no ódio está
atingindo seguidores de muitas religiões em todo o planeta.
Tristemente — e perturbadoramente — estes incidentes cruéis estão se tornando comuns. Nos últimos
meses, temos visto judeus assassinados em sinagogas e seus túmulos desfigurados com suásticas;
muçulmanos executados dentro de mesquitas e seus locais religiosos vandalizados; cristãos assassinados
em oração e suas igrejas destruídas.
Para além destes ataques horríveis, cada vez mais uma retórica abominável está sendo usada não apenas
contra grupos religiosos, mas também contra minorias, migrantes, refugiados, mulheres e os também
chamados “outros”.
Na medida em que as labaredas do ódio se espalham, as mídias sociais são exploradas pela intolerância.
Movimentos neonazistas e de supremacia branca estão crescendo. E a retórica inflamada está sendo usada
para benefício político.
O ódio está se movendo tanto na corrente das democracias liberais como nos regimes autoritários —e
colocando uma sombra sobre a nossa humanidade em comum.
As Nações Unidas têm um longo histórico de mobilizar o mundo contra o ódio de qualquer tipo através de
ações abrangentes de defesa dos direitos humanos e no avanço do Estado de Direito. De fato, a real
identidade e o estabelecimento da ONU têm raízes no pesadelo que se segue quando ódio virulento é
deixado sem oposição por muito tempo.
Nós reconhecemos o discurso do ódio como um ataque contra a tolerância, a inclusão, a diversidade e a
essência de nossas normas e princípios de direitos humanos.
Mais amplamente, ele compromete a coesão social, desgasta valores compartilhados e pode criar a base
para a violência, retardando a causa da paz, da estabilidade, do desenvolvimento sustentável e da dignidade
humana.
Nas últimas décadas, o discurso de ódio tem sido precursor de crimes de atrocidade, incluindo genocídio,
de Ruanda a Bósnia e ao Camboja.
Temo que o mundo esteja chegando a outro grave momento na batalha contra o demônio do ódio. Por isso,
lancei duas iniciativas da ONU em resposta a esta ameaça.
Primeiro, acabo de divulgar a Estratégia e Plano de Ação do Discurso do Ódio para coordenar esforços
através de todo o sistema das Nações Unidas, atacando as raízes que o causam e tornando nossa resposta
mais efetiva. Em segundo lugar, estamos desenvolvendo um Plano de Ação para que a ONU se engaje por
completo nos esforços de proteger locais religiosos e garantir a segurança nos espaços de culto.
Para aqueles que insistem em usar o medo para dividir comunidades, devemos dizer: diversidade é uma
riqueza, nunca uma ameaça.
Um profundo e sustentável espírito de respeito mútuo e receptividade pode transcender posts e tuítes
disparados numa fração de segundo. Afinal de contas, nunca devemos esquecer que cada um de nós é um
“outro” para alguém, em algum lugar. Não pode haver ilusão de segurança quando o ódio é disseminado.
Como parte de uma só humanidade, nossa tarefa é cuidar um dos outros.
É claro que toda ação destinada a atacar e confrontar o discurso de ódio deve ser consistente, com direitos
humanos fundamentais.
Enfrentar o discurso de ódio não significa limitar ou proibir a liberdade de expressão. Significa evitar que
este discurso se transforme em algo mais perigoso, particularmente que incite discriminação, hostilidade e
violência, o que é proibido pela legislação internacional.
Precisamos tratar do discurso de ódio como tratamos qualquer ato mal-intencionado: condenando,
recusando que seja ampliado, confrontando-o com a verdade, encorajando que os autores mudem seu
comportamento. Chegou a hora de avançar para erradicar antissemitismo, ódio contra muçulmanos,
perseguição a cristãos e todas as formas de racismo, xenofobia ou intolerância.
Governos, sociedade civil, setor privado e imprensa têm importantes papéis. Líderes políticos e religiosos
têm uma responsabilidade especial em promover a coexistência pacífica. Ódio é perigoso para todos — e
lutar contra ele deve ser um trabalho de todos. Juntos podemos extinguir as chamas do ódio e defender os
valores que nos unem como uma única família humana.”
(Fonte: https://unaids.org.br/2019/07/as-chamas-do-discurso-do-odio-por-antonio-guterres/; acessado em 14/11/2022)
Assinale a alternativa que contém informações que não condizem com aquelas contidas no texto: