O trecho “Não há a menor dúvida de que o ensino e a aprendiz...

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Q2115293 Português
O professor de língua portuguesa: modos
de ensinar e de apre(e)nder


    O tema é paradoxalmente árido e fértil: a sua aridez decorre do desgaste que a sociedade inflige ao professor com a superexposição, geralmente negativa, em todos os setores; a fertilidade vem da perseverança que os mestres realmente apaixonados pelo que fazem, conferem à sua atividade, não se desmotivando nunca, abertos à renovação, sempre prontos a considerar possibilidades que facilitem e/ou aperfeiçoem seu ofício. [...]
      Não abordaremos aqui conteúdos, porque já são exaustivamente contemplados, mas a postura, segundo nossa concepção, do professor de Língua Portuguesa. De como o percebemos. Da sua representação.
      Não há a menor dúvida de que o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa são considerados difíceis e enfadonhos. Não se trata de dourar a pílula, dizer que há fórmulas infalíveis de se chegar ao aluno, com aprovação e receptividade tais, que nos esperarão nas salas, ansiosos, motivados e prontos para aulas magníficas e inesquecíveis.
     Por uma série de circunstâncias, não existe esse contexto, pelo menos em termos tão otimistas, infelizmente, para todos nós, professores de Língua Portuguesa.
     Quando falamos a respeito de ensino, não o fazemos com distanciamento. Somos (sempre seremos), por efetiva prática, professora de Educação Infantil (antigo Primário), Fundamental e Médio, durante anos (aposentando-nos no Município com tempo integral, dando aulas), estando atualmente no Ensino Superior com docência e pesquisa.
      [...]
     Voltando à questão central, qual deve ser realmente o perfil do professor de Língua Portuguesa?
     Primeiramente conscientizar-se de que professor de Língua Portuguesa não é só ser professor de Gramática. É ser polivante. Por tal, entenda-se, relacionar-se bem com Leitura, Literatura, Filologia, Filosofia, Antropologia, Sociologia, História, Geografia porque efetivamente uma língua viva se funda em tudo isso, é denominador comum, é fator de unidade, polariza, congrega, instiga, enfim, é agente de cultura.
      [...]
     A Língua Portuguesa está presente em tudo: dentro e fora da instituição escolar. Ela é o código maior de comunicação, o mais fácil, o mais à mão. Há de ser enriquecida diuturnamente.
   Voltando para a Gramática, para não dizer que não falei de flores (gramaticais ou verbais), torna-se claro que o professor de Língua Portuguesa precisa ensinar gramática. Então, acaba o encanto da globalização linguística? Respondemos que não, porque o professor não se limitará a reproduzir “gramatiquices”, regras e exceções, conceitos passados como verdades absolutas, nomenclaturas isentas de críticas, séries de exercícios monótonos e repetitivos.
        [...]
    A figura do professor que, então, transmitirá a tal gramática é essencial, não acessória, as luzes concentrando-se nele, brilhando sempre intensamente, lembrando um farol no meio da escuridão. Antes de mais nada, não será um acomodado, abrindo a Gramática e lendo conceitos ou usando o livro didático como muleta e não complemento. [...]
     Deve ser crítico e fazer com que seus alunos (com as adequações compatíveis ao nível) exerçam o sentido da crítica, conhecendo teorias diversas, sem medo de ser avançado (ousado) demais ou tradicional (antigo, ultrapassado), lembrando-se de que como usuário da língua (para comunicar-se simplesmente ou fazer uso de sua função expressiva, estética), ele tem direitos e deveres, não sendo indiferente, alheio, neutro. [...]
    Para nós, assim deve ser o professor de Língua Portuguesa: não limitado ou escravo de livros ou teorias, mas antenado à vida, comprometido tanto com a tradição quanto com a modernidade, evoluindo sem temer o novo, fiel à sua consciência sempre e preocupado em dar e fazer o melhor.
      [...]

(PEREIRA, Maria Teresa Gonçalves. Fragmento adaptado. O professor
de língua portuguesa: modos de ensinar e de apre(e)nder.)
O trecho “Não há a menor dúvida de que o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa são considerados difíceis e enfadonhos.” (3º§) apresenta uma possível reescrita considerando-se a correção gramatical e semântica em: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Reescritura com correção gramatical e semântica. A banca avalia, aqui, a capacidade do candidato de reconhecer a alternativa que preserva o sentido do texto, respeita a concordância verbal e as normas de pontuação, além dos princípios da coesão e coerência textual.

Justificativa da alternativa correta (A):

Não há a menor dúvida: o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa são considerados difíceis e enfadonhos.

Esta alternativa utiliza corretamente os dois-pontos para introduzir a explicação do que não há dúvida, mantendo a ligação lógica do enunciado original. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), os dois-pontos “anunciam uma explicação”.
Ademais, a concordância verbal é respeitada: o sujeito composto (“o ensino e a aprendizagem”) exige o verbo no plural (“são considerados”). Há manutenção do sentido do trecho original e correção da estrutura frasal.

Análise das alternativas incorretas:

B) A vírgula após “Língua Portuguesa” separa indevidamente o sujeito do predicado, o que contraria a norma da pontuação (Cunha & Cintra: “não se separa sujeito do predicado por vírgula”). Além disso, a inversão causa ambiguidade e prejudica a coesão.

C) Erro de vírgula (“Não há, a menor dúvida,”), além da discordância verbal (“é considerada”) – deveria ser plural. O adjetivo “dificilmente enfadonha” descaracteriza o sentido original (difíceis e enfadonhos), criando incoerência semântica.

D) Embora “Não há qualquer dúvida de que o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa são difíceis e enfadonhos” esteja correto, o trecho final “assim consideram-no” é redundante, desnecessário e gramaticalmente inadequado. O texto se torna prolixo sem necessidade e resulta em prejuízo à clareza e à adequação.

Estratégias para provas futuras:
Atente-se:

  • À manutenção do sentido original do texto
  • Ao correto uso da pontuação (especialmente vírgula e dois-pontos)
  • À concordância verbal com sujeito composto

Dica: Sempre revise se a estrutura frasal não cria ambiguidade ou afeta a lógica do texto. Segundo o Manual de Redação da Presidência da República, clareza e correção gramatical são princípios fundamentais da escrita formal.

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Gab: A

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