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Q2115292 Português
O professor de língua portuguesa: modos
de ensinar e de apre(e)nder


    O tema é paradoxalmente árido e fértil: a sua aridez decorre do desgaste que a sociedade inflige ao professor com a superexposição, geralmente negativa, em todos os setores; a fertilidade vem da perseverança que os mestres realmente apaixonados pelo que fazem, conferem à sua atividade, não se desmotivando nunca, abertos à renovação, sempre prontos a considerar possibilidades que facilitem e/ou aperfeiçoem seu ofício. [...]
      Não abordaremos aqui conteúdos, porque já são exaustivamente contemplados, mas a postura, segundo nossa concepção, do professor de Língua Portuguesa. De como o percebemos. Da sua representação.
      Não há a menor dúvida de que o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa são considerados difíceis e enfadonhos. Não se trata de dourar a pílula, dizer que há fórmulas infalíveis de se chegar ao aluno, com aprovação e receptividade tais, que nos esperarão nas salas, ansiosos, motivados e prontos para aulas magníficas e inesquecíveis.
     Por uma série de circunstâncias, não existe esse contexto, pelo menos em termos tão otimistas, infelizmente, para todos nós, professores de Língua Portuguesa.
     Quando falamos a respeito de ensino, não o fazemos com distanciamento. Somos (sempre seremos), por efetiva prática, professora de Educação Infantil (antigo Primário), Fundamental e Médio, durante anos (aposentando-nos no Município com tempo integral, dando aulas), estando atualmente no Ensino Superior com docência e pesquisa.
      [...]
     Voltando à questão central, qual deve ser realmente o perfil do professor de Língua Portuguesa?
     Primeiramente conscientizar-se de que professor de Língua Portuguesa não é só ser professor de Gramática. É ser polivante. Por tal, entenda-se, relacionar-se bem com Leitura, Literatura, Filologia, Filosofia, Antropologia, Sociologia, História, Geografia porque efetivamente uma língua viva se funda em tudo isso, é denominador comum, é fator de unidade, polariza, congrega, instiga, enfim, é agente de cultura.
      [...]
     A Língua Portuguesa está presente em tudo: dentro e fora da instituição escolar. Ela é o código maior de comunicação, o mais fácil, o mais à mão. Há de ser enriquecida diuturnamente.
   Voltando para a Gramática, para não dizer que não falei de flores (gramaticais ou verbais), torna-se claro que o professor de Língua Portuguesa precisa ensinar gramática. Então, acaba o encanto da globalização linguística? Respondemos que não, porque o professor não se limitará a reproduzir “gramatiquices”, regras e exceções, conceitos passados como verdades absolutas, nomenclaturas isentas de críticas, séries de exercícios monótonos e repetitivos.
        [...]
    A figura do professor que, então, transmitirá a tal gramática é essencial, não acessória, as luzes concentrando-se nele, brilhando sempre intensamente, lembrando um farol no meio da escuridão. Antes de mais nada, não será um acomodado, abrindo a Gramática e lendo conceitos ou usando o livro didático como muleta e não complemento. [...]
     Deve ser crítico e fazer com que seus alunos (com as adequações compatíveis ao nível) exerçam o sentido da crítica, conhecendo teorias diversas, sem medo de ser avançado (ousado) demais ou tradicional (antigo, ultrapassado), lembrando-se de que como usuário da língua (para comunicar-se simplesmente ou fazer uso de sua função expressiva, estética), ele tem direitos e deveres, não sendo indiferente, alheio, neutro. [...]
    Para nós, assim deve ser o professor de Língua Portuguesa: não limitado ou escravo de livros ou teorias, mas antenado à vida, comprometido tanto com a tradição quanto com a modernidade, evoluindo sem temer o novo, fiel à sua consciência sempre e preocupado em dar e fazer o melhor.
      [...]

(PEREIRA, Maria Teresa Gonçalves. Fragmento adaptado. O professor
de língua portuguesa: modos de ensinar e de apre(e)nder.)

No primeiro parágrafo do texto é possível observar efeitos de sentido que indicam relações de:

Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto — análise de efeitos de sentido produzidos no parágrafo, especificamente relacionados aos conceitos de afirmação e temporalidade.

Justificativa da alternativa correta (B):

No primeiro parágrafo, é possível observar claramente os efeitos de sentido ligados a afirmação (constatações, declarações categóricas feitas pelo autor) e à temporalidade (localização das ações no tempo).

Exemplo: No trecho: “O tema é paradoxalmente árido e fértil: a sua aridez decorre do desgaste que a sociedade inflige ao professor com a superexposição...”, há:

  • Afirmação: O uso de enunciados afirmativos, como “O tema é árido e fértil”, enuncia uma ideia clara e categórica.
  • Temporalidade: Os verbos no presente do indicativo (“é”, “decorre”, “inflige”, “vem”, “conferem”) situam os fatos no presente, estabelecendo a noção de tempo.

De acordo com a gramática de Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”, 38ª ed.), a afirmação ocorre nos enunciados declarativos, enquanto a temporalidade é marcada pelos tempos verbais.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Extensão e focalização: Ausentes no trecho, pois não há ampliação (extensão) nem um recorte específico (focalização) do tema; trata-se de caracterização geral do contexto.
  • C) Temporalidade e focalização: Embora haja temporalidade, não há ênfase ou destaque focal em parte do conteúdo; o texto desenvolve ideias amplas sobre a profissão.
  • D) Enquadramento e frequência: Falta o enquadramento (contextualização de cenário) e não se mencionam ações repetidas (frequência).

Estratégia para provas: Leia atentamente buscando formas verbais (que indicam tempo) e orações afirmativas (que declaram ideias). Atenção quando houver alternativas com termos que não aparecem, ou aparecem de forma indireta no texto — avalie sempre se os conceitos estão explícitos!

Em suma: A alternativa B é a correta, pois somente "afirmação" e "temporalidade" são produzidas de forma objetiva no primeiro parágrafo, conforme a norma-padrão e a análise dos verbos e estruturas declarativas.

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Gab; B

 O tema é paradoxalmente árido e fértil: a sua aridez decorre do desgaste que a sociedade inflige ao professor com a superexposição, geralmente negativa, em todos os setores; a fertilidade vem da perseverança que os mestres realmente apaixonados pelo que fazem, conferem à sua atividade, não se desmotivando nunca, abertos à renovação, sempre prontos a considerar possibilidades que facilitem e/ou aperfeiçoem seu ofício. [...]

AFIRMAÇÃO - TEMPORALIDADE

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