Uma mulher habita, com seus dois filhos, há mais de cinco an...

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Q3542082 Direito Urbanístico
Atenção: A questão devem ser respondidas levando em consideração os termos da Constituição Federal e/ou a jurisprudência pertinente do Supremo Tribunal Federal (STF}. 
Uma mulher habita, com seus dois filhos, há mais de cinco anos, uma área urbana de 210 m2, parte de um imóvel maior, de propriedade particular alheia, situado em Município com 30 mil habitantes. Durante esse período, a posse sobre a área referida não sofreu interrupção alguma, nem oposição do proprietário_ Pretendendo adquirir o domínio dessa área, a possuidora procurou a Defensoria Pública, que promoveu as medidas cabíveis para tanto, na instância competente. A pretensão, contudo, foi indeferida, sob o fundamento de que o Plano Diretor municipal fixa o módulo urbano em 360 m2, não podendo ser reconhecido domínio sobre área inferior. Nessa hipótese, o fundamento para o indeferimento do pleito é
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O art. 183 da Constituição Federal prevê a aquisição de “área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados”. Como a área pretendida tem 210 m², o Tema 815 do STF impede que o módulo municipal de 360 m², por si só, justifique o indeferimento.

Tema central: Usucapião urbana e módulo municipal
Análise das alternativas
A
Errada
Contém dois erros. Primeiro, o teto constitucional de 250 m² limita a área adquirida por essa modalidade de usucapião, mas não proíbe genericamente o Município de fixar módulo mínimo superior. Segundo, os 210 m² e a utilização como moradia familiar atendem aos requisitos de dimensão e destinação do art. 183; integrar imóvel maior não torna a área incompatível com essa aquisição.
B
Certa
A alternativa B aplica corretamente o Tema 815 do STF: a legislação municipal sobre dimensões mínimas dos lotes não pode acrescentar obstáculo à aquisição assegurada pelo art. 183 da Constituição Federal. A área relevante é a efetivamente possuída e pretendida, de 210 m², ainda que integre imóvel maior. A alternativa também preserva os requisitos não esclarecidos pelo enunciado: o art. 183, caput, exige “desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”; e o art. 183, § 2º, determina: “Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.” Assim, afasta-se o fundamento municipal do indeferimento, sem presumir satisfeitas essas duas condições.
C
Errada
A competência municipal para o plano diretor e sua relação com a função social da propriedade, previstas no art. 182, §§ 1º e 2º, da Constituição Federal, não autorizam impedir a usucapião do art. 183 por descumprimento do módulo mínimo. Mesmo sendo obrigatório o plano diretor para o Município com mais de vinte mil habitantes, sua disciplina dimensional não afasta a aquisição constitucional, conforme o Tema 815 do STF.
D
Errada
Afasta corretamente o impedimento decorrente do módulo municipal, mas nega requisitos que os fatos satisfazem: a área de 210 m² está abaixo do teto constitucional de 250 m², e a habitação com os filhos atende à finalidade de moradia própria ou familiar. Não há exigência de que a área pretendida corresponda à totalidade do imóvel originário.
E
Errada
Embora preserve corretamente as condições relativas a outro imóvel e ao reconhecimento anterior do direito, afirma uma proibição geral inexistente: o Município não está impedido de fixar módulo mínimo superior a 250 m². O Tema 815 apenas impede que esse módulo seja utilizado para negar a usucapião especial urbana quando preenchidos os requisitos constitucionais.
Pegadinha da questão
Confundir o teto constitucional de 250 m² para a usucapião especial urbana com um limite à fixação municipal de lotes mínimos. O módulo de 360 m² não é genericamente proibido; ele apenas não pode impedir essa aquisição constitucional.
Dica para questões semelhantes
  • Separe o limite máximo da área usucapienda do módulo mínimo urbanístico: são parâmetros com funções jurídicas distintas.
  • Confira a área efetivamente possuída e pretendida, sem exigir que ela corresponda a todo o imóvel originário.
  • Ao afastar o obstáculo municipal pelo Tema 815, mantenha a verificação dos demais requisitos do art. 183, especialmente a inexistência de outro imóvel e de reconhecimento anterior do mesmo direito.

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Comentários

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GABARITO: LETRA B

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LEI DE PARCELAMENTO DO SOLO URBANO:

Art. 4o. Os loteamentos deverão atender, pelo menos, aos seguintes requisitos:

  • II - os lotes terão área mínima de 125m² (cento e vinte e cinco metros quadrados) e frente mínima de 5 (cinco) metros, salvo quando o loteamento se destinar a urbanização específica ou edificação de conjuntos habitacionais de interesse social, previamente aprovados pelos órgãos públicos competentes;

___

CONSTITUIÇÃO FEDERAL:

Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.

§ 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil.

§ 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.

§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.

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DOD:

Determinada pessoa preencheu os requisitos para obter o direito à usucapião especial urbana, prevista no art. 183 da CF/88. Ocorre que o juiz negou o pedido alegando que o plano diretor da cidade proíbe a existência de imóveis urbanos registrados com metragem inferior a 100m2. Em outras palavras, fixou que o módulo mínimo dos lotes urbanos naquele Município seria de 100m2 e, como a área ocupada pela pessoa seria menor que isso, ela não poderia registrar o imóvel em seu nome.

A decisão do magistrado está correta? O fato de haver essa limitação na lei municipal impede que a pessoa tenha direito à usucapião especial urbana?

NÃO. Se forem preenchidos os requisitos do art. 183 da CF/88, a pessoa terá direito à usucapião especial urbana e o fato de o imóvel em questão não atender ao mínimo dos módulos urbanos exigidos pela legislação local para a respectiva área (dimensão do lote) não é motivo suficiente para se negar esse direito, que tem índole constitucional.

Para que seja deferido o direito à usucapião especial urbana basta o preenchimento dos requisitos exigidos pelo texto constitucional, de modo que não se pode impor obstáculos, de índole infraconstitucional, para impedir que se aperfeiçoe, em favor de parte interessada, o modo originário de aquisição de propriedade.

STF. Plenário. RE 422349/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 29/4/2015 (repercussão geral) (Info 783).

STJ. 3ª Turma. REsp 1360017-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 5/5/2016 (Info 584)

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Gabarito: B.

Preenchidos os requisitos do art. 183 da Constituição Federal, o reconhecimento do direito à usucapião especial urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça módulos urbanos na respectiva área em que situado o imóvel (dimensão do lote).

(RE 422349, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 29/04/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-153 DIVULG 04-08-2015 PUBLIC 05-08-2015)

Alguém poderia explicar o erro da E?

Usucapião especial urbana e possibilidade de a área do imóvel ser inferior ao módulo estabelecido em lei municipal

Determinada pessoa preencheu os requisitos para obter o direito à usucapião especial urbana, prevista no art. 183 da CF/88. Ocorre que o juiz negou o pedido alegando que o plano diretor da cidade proíbe a existência de imóveis urbanos registrados com metragem inferior a 100m2. Em outras palavras, fixou que o módulo mínimo dos lotes urbanos naquele Município seria de 100m2 e, como a área ocupada pela pessoa seria menor que isso, ela não poderia registrar o imóvel em seu nome. A decisão do magistrado está correta? O fato de haver essa limitação na lei municipal impede que a pessoa tenha direito à usucapião especial urbana?

NÃO. Se forem preenchidos os requisitos do art. 183 da CF/88, a pessoa terá direito à usucapião especial urbana e o fato de o imóvel em questão não atender ao mínimo dos módulos urbanos exigidos pela legislação local para a respectiva área (dimensão do lote) não é motivo suficiente para se negar esse direito, que tem índole constitucional. Para que seja deferido o direito à usucapião especial urbana basta o preenchimento dos requisitos exigidos pelo texto constitucional, de modo que não se pode impor obstáculos, de índole infraconstitucional, para impedir que se aperfeiçoe, em favor de parte interessada, o modo originário de aquisição de propriedade.

STF. Plenário. RE 422349/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 29/4/2015 (repercussão geral) (Info 783).

STJ. 3ª Turma. REsp 1360017-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 5/5/2016 (Info 584).

Fonte: ProLeges

Se forem preenchidos os requisitos do art. 183 da CF/88, a pessoa terá direito à usucapião especial urbana e o fato de o imóvel em questão não atender ao mínimo dos módulos urbanos exigidos pela legislação local para a respectiva área (dimensão do lote) não é motivo suficiente para se negar esse direito, que tem índole constitucional.

Para que seja deferido o direito à usucapião especial urbana basta o preenchimento dos requisitos exigidos pelo texto constitucional, de modo que não se pode impor obstáculos, de índole infraconstitucional, para impedir que se aperfeiçoe, em favor de parte interessada, o modo originário de aquisição de propriedade.

STF. Plenário. RE 422349/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 29/4/2015 (repercussão geral) (Info 783).

CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Usucapião especial urbana e possibilidade de a área do imóvel ser inferior ao "módulo urbano". Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/1045/usucapiao-especial-urbana-e-possibilidade-de-a-area-do-imovel-ser-inferior-ao-modulo-urbano. Acesso em: 02/02/2026 - 20:29

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