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Q3157759 Português
Ainda hoje, ninguém quer falar sobre isso. Às vezes, desconfiam que se trata de alguma performance – um fingir sofrer por atenção. Às vezes, acham que é falta de alguma coisa em particular que eles mesmos já descobriram o que é – de emprego, de algum deus, de tempo ao ar livre, de correr na esteira.
E no geral, acham que é só desagradável de comentar mesmo. Algo que deveria ser evitado não só como sentimento, mas como assunto. Porque falar sobre é negatividade. Focar no problema, dizem, é parte do problema.
É assim que se constrói o tabu sobre saúde mental. Uma receita que mistura máximas redutivas, achismos superficiais, experiências pessoais convertidas em regras, a famosa pressão por expressar positividade e uma boa dose de preconceito.
É bem verdade que tudo carrega nuances. Sim, existe uma cultura de performance e até de romantização do sofrimento mental, principalmente nas redes sociais. Sim, passear ao ar livre e fazer exercícios físicos pode fazer bem para sua cabeça. E sim, tem gente que reclama demais mesmo, o tempo todo e para todo mundo, desconsiderando que o ouvido dos outros não é um penico.
Mas sim, é verdade também que o sofrimento mental existe. É verdade que se trata de um problema frequentemente complexo que não vai ser resolvido com alguma receita de bolo. E é verdade também que evitar falar sobre isso não ajuda a ninguém.
Disponível em: https://saude.abril.com.br/coluna/em-primeira-pessoa/cresci-em-uma-familia-marcada-por-transtornos-mentais/. Acesso em: 14 set. 2024.

As expressões em destaque no trecho contribuem para a argumentação ao
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de Texto: coesão, coerência e estratégias argumentativas. A questão avalia sua capacidade de identificar como o autor usa expressões argumentativas (como “É bem verdade” e “é verdade também”) para conduzir o leitor e construir pontos de vista no debate sobre saúde mental, considerando o peso de críticas e a seriedade da questão.

Justificativa da alternativa correta (D): O texto utiliza concessões e adversidades expressas por conectores e advérbios para reconhecer visões críticas ou simplificações sobre o sofrimento mental, mas, acima de tudo, contrapõe essas opiniões à evidência de que se trata de uma questão séria e complexa. O uso reiterado de “é verdade também”, após hesitações e ressalvas, destaca que a complexidade não pode ser reduzida a clichês. Segundo Bechara e Cunha & Cintra, esse tipo de construção retórica (oposição/contraste seguida de reforço) proporciona coesão e objetividade ao texto, orientando o leitor para o ponto de vista do autor. Assim, o texto não nega a existência de exageros nem a utilidade de práticas saudáveis, mas reafirma que o sofrimento mental merece tratamento cuidadoso e informado, não sendo resolvido com receitas simples.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta, pois o texto não equipara todos os argumentos: valoriza explicitamente a complexidade do sofrimento mental, não colocando críticas superficiais e reflexões profundas no mesmo nível.

B) Imprecisa, uma vez que o texto não suaviza nem banaliza o sofrimento mental; pelo contrário, denuncia o erro de tratá-lo sob a mesma ótica de práticas simples de bem-estar.

C) Errada, pois o autor não é neutro nem propõe um debate aberto; ele reconhece nuances, porém toma partido em favor da seriedade do problema.

Estratégia para provas:

Atenção aos conectores e advérbios: Eles mudam o sentido do texto e apontam para o que o autor realmente deseja ressaltar. Expressões como “mas”, “é verdade”, “também” indicam oposição, reforço ou concessão.

Em interpretação textual, prefira alternativas que considerem o contexto global e a intenção do autor, não apenas um aspecto isolado.

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LETRA D A CORRETA

reconhecer as críticas ao sofrimento mental nas redes sociais, mas contrastá-las com a seriedade do problema, estabelecendo um contraponto que reafirma a complexidade da questão.

A alternativa correta é:

D) reconhecer as críticas ao sofrimento mental nas redes sociais, mas contrastá-las com a seriedade do problema, estabelecendo um contraponto que reafirma a complexidade da questão.

✅ Justificativa detalhada

O texto utiliza várias expressões como:

  • “É bem verdade que...”
  • “Sim, existe...”
  • “Mas sim, é verdade também que...”

Essas expressões funcionam como marcadores argumentativos de concessão e contraposição.

O que o autor faz?

  1. Reconhece críticas e exageros:
  • Existe romantização do sofrimento.
  • Exercícios físicos ajudam.
  • Algumas pessoas reclamam excessivamente.
  1. Mas depois contrapõe:
  • O sofrimento mental é real.
  • É complexo.
  • Não se resolve com “receita de bolo”.
  • Evitar o assunto não ajuda.

Ou seja: ele não ignora as críticas, mas as utiliza para fortalecer seu argumento principal — que o sofrimento mental é sério e precisa ser debatido com responsabilidade.

Isso é uma estratégia argumentativa clássica chamada concessão + refutação/contraponto.

❌ Por que as outras estão erradas?

A) Incorreta ❌

O texto não equipara as opiniões como igualmente válidas. Ele reconhece algumas críticas, mas reafirma a gravidade do problema.

B) Incorreta ❌

Não há suavização do sofrimento mental. Pelo contrário, o texto reforça sua complexidade.

C) Incorreta ❌

O autor não é neutro. Ele toma posição clara ao defender que o sofrimento mental existe e precisa ser discutido.

Dica para prova 

Quando o texto usa:

  • “É verdade que...”
  • “Sim, mas...”
  • “Embora...”
  • “Ainda que...”

Geralmente está fazendo concessão seguida de reforço da tese.

Isso indica estratégia argumentativa sofisticada, não neutralidade.

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