[...] Esse (mau) hábito alimentar também está relacionado a ...

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Q3157758 Português
[...] Esse (mau) hábito alimentar também está relacionado a depressão, ansiedade e declínio cognitivo, como apontou um relatório (4) produzido pela ONG americana Sapien Labs.
Ao avaliar a rotina alimentar e o estado de saúde de quase 300 mil pessoas em 70 países, ela concluiu que 53% das pessoas que se alimentam de ultraprocessados várias vezes ao dia relatam sofrer de problemas relacionados à saúde mental – contra 18% dos entrevistados que raramente procuram por este tipo de comida. [...]
Essa análise apontou que a maior ingestão de ultraprocessados está associada a um aumento de 50% no risco de morte por doenças cardiovasculares, de 48% a 53% mais risco de desenvolver transtornos mentais, e 12% mais probabilidade de sofrer diabetes tipo 2.
Tem mais. Os ultraprocessados causam 57 mil mortes prematuras por ano no Brasil, como estima um estudo (6) elaborado por pesquisadores da USP, da Fiocruz, da Unifesp e da Universidade de Santiago (Chile).
É isso mesmo. Eles matam mais gente, a cada ano, do que os acidentes de trânsito (que vitimam em torno de 30 mil pessoas), ou os homicídios (39.500 mortes no ano passado). [...]
Disponível em: https://super.abril.com.br/saude/a-ameaca-dos-ultraprocessados/. Acesso em: 30 ago. 2024.

No trecho destacado, a argumentação mobilizada no texto é reforçada ao
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto, com ênfase nos recursos argumentativos empregados pelo autor — especificamente, o uso da comparação e o objetivo persuasivo no contexto da saúde pública.

O trecho destacado evidencia uma estratégia textual frequente em textos de divulgação: reforçar a gravidade de um fenômeno recente usando parâmetros familiares ao leitor. No caso, compara-se o número de mortes por ultraprocessados a acidentes de trânsito e homicídios, eventos trágicos já conhecidos da população.

Comentando a alternativa B (correta):

O item B reconhece que a força do argumento reside em comparar diretamente os óbitos causados por ultraprocessados com acontecimentos bem estabelecidos no imaginário coletivo (“acidentes de trânsito” e “homicídios”). A estratégia buscada é induzir uma reflexão, tornando os riscos dos ultraprocessados ainda mais palpáveis e graves perante os outros fatores de mortalidade tradicionais.
Isso está em plena consonância com os estudos da Gramática de Cunha & Cintra, que explicam que o argumento de comparação visa reforçar uma ideia a partir de elementos correlatos do universo do leitor.

Analisando as alternativas incorretas:

A) Fala em “contraste numérico”, mas não ressalta que o mais relevante não é apenas o número absoluto: é o efeito da comparação direta com outros fatores já graves.
C) Cita “metonímia”, figura de linguagem que ocorre ao substituir um termo por outro com relação de proximidade (ex: “bebo dois copos” no lugar de “bebo duas doses de vinho”), o que não está presente no texto analisado.
D) Fala na “reiteração de dados numéricos”. Há números, sim, porém o formato argumentativo enfatiza a comparação e não a mera repetição de números.

Estratégia para a prova: Sempre busque o propósito comunicativo do trecho. Se o texto aproxima fenômenos com a intenção de destacar uma ideia, há forte indício do uso da comparação como argumento central. Tome cuidado também com pegadinhas envolvendo figuras de linguagem diferentes ou erros conceituais sobre o papel dos dados apresentados.

Em resumo, a alternativa B é correta por evidenciar o uso do argumento de comparação para induzir reflexão crítica sobre a letalidade dos ultraprocessados, relacionando-os a eventos trágicos de grande notoriedade social.
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Comentários

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Fiquei na dúvida entra a A e B, alguém aí poderia dar uma luz?

Questão confusa do car@lho! As 4 alternativas fazem sentido.

Creio que o objetivo da frase em destaque seja mais comparativa que simplesmente comparar numericamente as causas de mortalidade.

A alternativa A esta mais adequada do que a alternativa B Isso é claramente para não acertar todas as questões.

A alternativa correta é:

B

Justificativa:

No trecho destacado, o autor afirma que os ultraprocessados causam 57 mil mortes prematuras por ano no Brasil e, em seguida, compara esse número com:

  • cerca de 30 mil mortes por acidentes de trânsito
  • aproximadamente 39.500 mortes por homicídios

Ao fazer isso, o texto emprega uma comparação direta entre as mortes causadas por ultraprocessados e outros fatores conhecidos, como acidentes e homicídios, que já são socialmente percebidos como graves.

O objetivo dessa estratégia é provocar reflexão crítica no leitor sobre o impacto real dos ultraprocessados na saúde pública, mostrando que eles matam mais do que causas tradicionalmente consideradas alarmantes.

Por que as outras estão incorretas?

A

Embora haja contraste numérico, a alternativa restringe o efeito à “ampliação da percepção dos riscos”. O foco central do trecho é mais amplo: trata-se de uma comparação intencional para gerar reflexão sobre a dimensão do problema, não apenas de um contraste estatístico.

C

Não há uso relevante de metonímia como recurso argumentativo principal. O texto não emprega figura de linguagem para substituir termos, mas apresenta dados objetivos com base em estudos científicos.

D

Não se trata de mera reiteração de dados numéricos. O efeito argumentativo não está na repetição, mas na comparação entre causas distintas de mortalidade, com finalidade persuasiva.

Conclusão:

O trecho reforça a argumentação ao comparar diretamente os números de mortes por ultraprocessados com outras causas conhecidas, estimulando uma reflexão crítica sobre a gravidade do problema.

Gabarito: B

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