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Q1123586 Português

Universitários em fim de semestre: sobreviventes

Ruth Manus

           Surtados, sem dormir, sem tempo para nada, mas vivos.

       Tá certo que eu sou mais uma dentre uma espécie chamada “professor”, que semi morre todo final de ano. Mas do sofrimento dos professores ninguém duvida. Estamos até um pouco na moda, vira e mexe aparecem posts fofos a nosso respeito, com ursinhos, imagens de pôr do sol e tudo mais.

     Mas, sejamos justos, do drama dos universitários ninguém fala.

    Tento ser durona com meus alunos, mando parar com o mimimi do fim do semestre, mas acabo sempre admitindo, ainda que não conte para eles, que os coitadinhos estão mesmo lascados.

   Eu me lembro bem: segundo ano da faculdade, prova oral de processo civil e previdenciário no mesmo dia. Fatídico dia em que o termo “gastrite” saiu das bulas de remédios e foi parar na minha barriga pela primeira vez.

   Gastrite, torcicolo, enxaqueca, dor nas costas, aftas, espinhas monstruosas. Universitário em época de prova é o sonho de toda farmácia e o pesadelo de todo plano de saúde.

    Homens não fazem a barba, mulheres não depilam a perna. Suspeito, às vezes, que até do banho eles acabem esquecendo. Mas em nome do conhecimento, tá tudo liberado.

     Universitários no fim do ano ficam completamente xaropes. Erram o dia da prova, estudam a matéria errada, vão fazer exame de matéria na qual passaram direito, esquecem caneta, esquecem a mochila, esquecem o nome do professor, quando não esquecem o próprio nome.

    Por alguns dias, essas criaturas chegam ao ponto de passar mais tempo atualizando o portal para tentar verificar as notas (taca-lhe pau no F5) do que no facebook, no whatsapp e no instagram. Juntos.

      E entre novembro e dezembro, quando chego para dar aula antes das 8 da manhã ou ainda estou na faculdade depois das 22 (pois é…), tenho a sensação de estar em um episódio de The Walking Dead. Alunos com aspecto moribundo perambulam pelos corredores como se não houvesse esperança, pensando seriamente em devorar cérebros de professores para ver se facilita na hora da prova.

     E se o aluno estiver precisando de meio pontinho e encontrar o professor na cantina, pode aparecer o Caio Castro, a Ísis Valverde, o Ashton Kutcher ou a Megan Fox, que eles NÃO saem de lá. Oferecem um café, compram sonho de valsa, elogiam a roupa, tudo na maior sinceridade. Como diria Tim Maia, vale tudo.

     E não podemos esquecer da interminável angústia das faltas. “Professor, o sistema está marcando 26 faltas, mas eu juuuuuro que só faltei 3 vezes. Não sei o que houve.”. Clássico. Esses sistemas são mesmo uns canalhas.

      Mas dentre os surtados, o Prêmio Nobel do Surto Acadêmico vai para os que vão defender o TCC. Esses já nem se recordam que existe um negócio chamado “vida”. Passam na frente da banca de jornal e já têm dor de barriga só de pensar na palavra “banca”. O vocabulário se resume a: capa dura, capítulo, rodapé, orientador, espiral e pânico. Não tem água com açúcar, suco de maracujá ou calmante que resolva. O único remédio para essa dor é um composto de 8 letras: a + p + r + o + v + a + d + o.        Mas, falando sério, não é fácil mesmo. Tem que ter muita força de vontade e compromisso. Provas, trabalhos, fichamentos, estágio, emprego, trânsito, ônibus, metrô, chuvaradas no fim da tarde, correria para evitar atrasos, chororô para justificar atrasos. Tem um ou outro fanfarrão, mas a maioria dá duro mesmo.

     Tem conta pra pagar; casa para arrumar; relatório para entregar; filho para cuidar. Desses alunos que têm filho, por sinal, sou fã incondicional.

    Não vou dizer para vocês que quando se formarem melhora. Seria mentira. As responsabilidades crescem em uma proporção bem incompatível com a progressão do salário; as horas de sono não aumentam e ainda tem uma pós, um mestrado e um futuro te esperando.

    Mas posso dizer: vale a pena. Segurem a onda, força na peruca, inspira, respira, não pira. Já já o Natal tá aí. E uma hora o diploma também chega. Talvez vocês já não tenham cabelos, as unhas estejam completamente roídas, as olheiras tenham cor de berinjela e a miopia alcance 8 graus em cada olho, mas acreditem gatinhos, vocês chegam lá. Palavra de quem chegou (com algum cabelo, alguns dentes e alguma sanidade, até que se prove o contrário )

Fonte: http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/universitarios-em-fim-de-semestre-sobreviventes/

A respeito do conteúdo do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

TEMA CENTRAL:
Trata-se de uma questão de interpretação de texto. O objetivo é analisar informações explícitas e implícitas, reconhecendo a intenção da autora e a mensagem global do texto, de acordo com a norma-padrão.

ANÁLISE DA ALTERNATIVA CORRETA (B):
A alternativa B é a correta porque descreve de modo fiel o conteúdo e a intenção do texto: ao narrar as dificuldades e a vida atribulada dos estudantes universitários, a autora também defende a postura dos professores, mostrando compreensão e empatia pelos alunos. Fica evidente o tom compreensivo e realista, além do reconhecimento do esforço de ambos os lados. Esse entendimento está em conformidade com a orientação de Ingedore Koch: interpretar exige identificar tanto informações explícitas quanto atitudes implícitas subentendidas pelo autor.

COMO ENCONTRAR A RESPOSTA:
Durante a leitura, foque em palavras que indicam julgamento ou empatia, repare nos exemplos usados e busque entender o tom adotado. O texto demonstra, por intermédio da autora (professora), empatia pelo “drama” estudantil e destaca que professores também sofrem, justificando atitudes com humor e compreensão.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:

A) Incorreta. O texto é escrito por uma professora, não por uma aluna.
C) Incorreta. O texto menciona estudantes que trabalham, mas esse não é o foco principal, e a intenção não é relatar um caso específico.
D) Incorreta. Relatar e defender a situação dos universitários são ações do texto, mas ele não defende a situação em si (o sofrimento ou o desespero), mas sim a conduta dos professores diante das dificuldades dos alunos.
E) Incorreta. O texto não adota postura contrária à situação dos estudantes; pelo contrário, mostra empatia e reconhecimento das dificuldades enfrentadas.

DICA PARA A PROVA:
Em questões de interpretação, avalie os verbos que indicam intenção (ex: relatar, defender, criticar) e procure evidências diretas no texto – evite escolhas baseadas apenas em impressões superficiais. Cuidado com pegadinhas envolvendo troca de enfoque (quem narra? qual ponto é defendido?).

REFERÊNCIA:
Cunha & Cintra reforçam: a coerência textual se constrói pela relação lógica das ideias, tornando clara a intenção comunicativa. Aqui, a ideia principal é expor e compreender a realidade estudantil, defendendo a postura docente.

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Comentários

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GABARITO: LETRA B

? Segundo o texto:  Tá certo que eu sou mais uma dentre uma espécie chamada ?professor?, que semi morre todo final de ano. Mas do sofrimento dos professores ninguém duvida. Estamos até um pouco na moda, vira e mexe aparecem posts fofos a nosso respeito, com ursinhos, imagens de pôr do sol e tudo mais. Mas, sejamos justos, do drama dos universitários ninguém fala. Tento ser durona com meus alunos, mando parar com o mimimi do fim do semestre, mas acabo sempre admitindo, ainda que não conte para eles, que os coitadinhos estão mesmo lascados.

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? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

Vai me desculpar. .Gaba rito D. Se encaixa melhor..fala o tempo todo dos estudantes até o título. ..por isso prefiro gramática.

Ao meu ver, gaba seria D. A alternativa B fala da conduta que os professores têm com os alunos mas, no texto, temos só falando sobre a conduta da professora, e não dos professores em geral.

Sigamos firmes e fortes nessa vida bandida que é a do concurseiro.

25/08/2022, quinta-feira um sol do c... e eu aqui lutando (ou melhor estudando) pra sair dessa vida bandida.

Boraa

Não concordo com o gabarito!!

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