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Q839091 Português

                                  Da morte para a vida


      Um velho professor e médico cardiologista foi abordado pelo jovem aluno: − Mestre, dizem as estatísticas que é altíssima a incidência de mortes por causas cardíacas. O professor respondeu prontamente: − E do que você preferiria que as pessoas morressem? Lembrava ao discípulo, com isso, os limites do homem e da ciência, que fazem frente às aspirações ideais das criaturas, ao seu anseio de imortalidade.

      Sendo inevitável, nem por isso deixa a morte de prestar algum serviço aos vivos. Não, não me refiro à morte dos monstros antropomórficos que volta e meia põem em risco nossa humanidade; falo dos corpos que continuam de alguma forma vivos nos órgãos transplantados, nas aulas de anatomia, corpos que, investigados, ajudam a esclarecer os caminhos da moléstia que os vitimou. Falo dos préstimos que os homens sabem tomar da morte.

      Também no plano filosófico a morte pode surgir como estímulo para viver melhor. É o que afirmavam os velhos pensadores estoicos, quando lembravam que o bem viver é também a melhor preparação possível para a morte. Lembrarmo-nos sempre de nossa finitude é mais do que uma lição de humildade: é um convite para intensificar o sentido do tempo de que dispomos para seguir na vida. É de Sêneca esta lição: “Vivo de modo que cada dia seja para mim a vida toda; e não me apego a ele como se fosse o último, mas o contemplo como se pudesse também ser o último”.

                                                                 (Anastácio Fontes Ribeiro, inédito

De acordo com os estoicos, cuja posição diante da morte está resumida na citação de Sêneca, deve-se viver
Alternativas

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Comentário da Questão – Interpretação de Texto

Tema Central: Esta questão aborda interpretação de texto, com foco na identificação da ideia central e na coerência textual, competência fundamental para cargos como Perito médico-legista.

Justificativa da Alternativa Correta (E):

A alternativa E está correta porque reflete com precisão a filosofia estoica descrita por Sêneca no texto: viver cada dia como uma totalidade e ao mesmo tempo como uma “ultimação”, isto é, valorizar tanto a completude do presente quanto a possibilidade de ser o último dia. Sêneca afirma: “Vivo de modo que cada dia seja para mim a vida toda...”. Esse trecho mostra que a experiência cotidiana deve ser intensa, significativa e suficiente por si só. Essa perspectiva implica estar atento e presente, extraindo máximo sentido da vida diária, sem apego excessivo, mas com plena consciência de sua finitude.

Análise das Alternativas Incorretas:

A) Fala em “desgarrar-se da ideia de morrer”, porém os estoicos não defendem ignorar a morte, mas usá-la como estímulo para viver bem. Foge do texto.

B) Sugere preparar o presente pensando sempre em algo melhor no futuro, contradizendo Sêneca, que propõe viver o presente plenamente, sem ansiedade pelo depois.

C) Indica “evitar aspiração a um futuro melhor” e resignação, transmitindo passividade e falta de sentido, o que não está alinhado à mensagem de Sêneca.

D) Afirma “desapegar-se do sentido mesmo da vida”, o que é incorreto: o texto valoriza dar sentido à vida, reconhecendo sua limitação como motivação para aproveitá-la intensamente.

Estratégias e Dicas para Interpretação:

Em questões de interpretação, identifique termos-chave e evite respostas que generalizam excessivamente, distorcem o foco ou apresentam negações sutilmente inadequadas. Atenção ao que o texto efetivamente ensina – no caso, a vivência integral do presente iluminada pela consciência da morte.

Referências: Evanildo Bechara (“Coerência textual”); Ingedore Koch (“Ideia principal e sentido global”); Manual de Redação da Presidência (clareza e precisão) reforçam a importância dessa habilidade para a função.

Conclusão: A alternativa E é a escolha correta, pois resume a essência filosófica do texto. Valorize sempre a análise semântica e a conexão fiel ao que foi exposto!

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Comentários

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Resposta: letra E

 “Vivo de modo que cada dia seja para mim a vida toda; e não me apego a ele como se fosse o último, mas o contemplo como se pudesse também ser o último”.

= intensificando-se o sentido de cada dia, de modo que cada experiência cotidiana seja ao mesmo tempo uma totalidade e uma ultimação

Gabarito: Letra E

 

A resposta encontra-se no terceiro e último parágrafo:

É de Sêneca esta lição: “Vivo de modo que cada dia seja para mim a vida toda; e não me apego a ele como se fosse o último,

mas o contemplo como se pudesse também ser o último”.

 

 

O estoicismo é uma filosofia bastante interessante e que creio que pode trazer muitos benefícios. Abaixo segue alguns links sobre o tema:

 

https://medium.com/coffee-break-through/o-que-e-estoicismo-introducao-af3af55a4ea8

http://ano-zero.com/estoicismo/

https://pt.wikihow.com/Entender-o-Estoicismo


instagram: concursos_em_mapas_mentais

 

Já dizia o Zeca Pagodinho: "Deixa a vida me levar, vida leva eu."

Foi o que o texto nos mostrou num sentido mais culto.

 

Gab: E

-

FCC deu uma filosofada nessa assertiva E

;)

Vivo de modo que cada dia seja para mim a vida toda - TOTALIDADE

mas o contemplo como se pudesse também ser o último - ULTIMAÇÃO

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