O Ministério Público ajuizou, em 2022, ação de improbidade e...

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Q3058629 Direito Administrativo
O Ministério Público ajuizou, em 2022, ação de improbidade em face de João, de Pedro e de Inácio, pela conduta praticada em 2020 de, dolosamente, “conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie”. Realizado o pedido de indisponibilidade de bens na petição inicial, o juiz deferiu a medida, entendendo ser desnecessária a comprovação de que os réus estavam dilapidando seu patrimônio.
Acerca da indisponibilidade de bens na ação de improbidade, com base na lei e no entendimento do Superior Tribunal de Justiça, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Lei nº 8.429/1992, art. 16, § 5º, com redação da Lei nº 14.230/2021: “Se houver mais de um réu na ação, a somatória dos valores declarados indisponíveis não poderá superar o montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento ilícito.” No caso, a pluralidade de réus atrai esse limite legal global, o que confirma a correção da alternativa A.

Tema central: Indisponibilidade de bens na improbidade
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque reproduz o critério legal do art. 16, § 5º, da Lei nº 8.429/1992: em caso de mais de um réu, a soma dos valores declarados indisponíveis não pode ultrapassar o montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento ilícito. O STJ, no Tema 1213, interpretou esse dispositivo no sentido de que a constrição pode recair em valores desiguais entre os corréus, sem quota-parte fixa, desde que a somatória dos valores indisponíveis não exceda o montante indicado na petição inicial. Portanto, o ponto juridicamente correto é o limite global da constrição, e não uma divisão matemática entre os demandados.
B
Errada
Está errada porque a Lei de Improbidade não prevê expressamente que a indisponibilidade deva ocorrer no limite da participação individual de cada réu, nem estabelece vedação de solidariedade. Ao contrário, o STJ, no Tema 1213, firmou que há solidariedade entre os corréus para fins de indisponibilidade de bens; o que a lei veda é que o bloqueio corresponda ao débito total para cada um, com excesso da soma global.
C
Errada
Está errada por dois motivos jurídicos expressos. Primeiro, a indisponibilidade não pode ser decretada em qualquer hipótese abstratamente, porque o art. 16, § 3º, da Lei nº 8.429/1992 exige: “O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo apenas será deferido mediante a demonstração no caso concreto de perigo de dano irreparável ou de risco ao resultado útil do processo...”. Segundo, o art. 16, § 10, dispõe: “A indisponibilidade recairá sobre bens que assegurem exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título de multa civil...”. Logo, a medida não abrange multa civil.
D
Errada
Está errada porque contraria duas vedações legais expressas. O art. 16, § 14, da Lei nº 8.429/1992 estabelece: “É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei.” Já o art. 16, § 13, prevê: “É vedada a decretação de indisponibilidade da quantia de até 40 (quarenta) salários mínimos depositados em caderneta de poupança, em outras aplicações financeiras ou em conta-corrente.” Portanto, não é verdadeiro dizer que, em qualquer hipótese, a medida pode atingir bem de família e aplicações financeiras inferiores a 40 salários mínimos.
E
Errada
Está errada porque atribui à Lei nº 14.230/2021 a manutenção de entendimento anterior que ela superou. Antes da reforma, prevalecia orientação de desnecessidade de demonstração específica do periculum in mora; após a reforma, o art. 16, § 3º, passou a exigir demonstração concreta de perigo de dano irreparável ou de risco ao resultado útil do processo. O STJ, no Tema 1257, reconheceu justamente essa mudança e a aplicação da nova disciplina aos processos em curso para a tutela provisória de indisponibilidade.
Pegadinha da questão
A banca combinou três confusões reais: ler o art. 16, § 5º, como se impusesse divisão individual da constrição entre os réus; supor que a reforma de 2021 manteve o antigo entendimento de periculum in mora presumido; e esquecer que a lei passou a excluir multa civil e a proteger, com ressalvas legais, bem de família e valores de até 40 salários mínimos.
Dica para questões semelhantes
  • Em pluralidade de réus, procure primeiro a regra do art. 16, § 5º: a soma global da indisponibilidade não pode superar o valor indicado na inicial.
  • Após a Lei nº 14.230/2021, elimine alternativas que dispensem demonstração concreta de perigo de dano irreparável ou risco ao resultado útil do processo.
  • A indisponibilidade na improbidade assegura exclusivamente o ressarcimento ao erário; se a alternativa incluir multa civil, ela contraria o art. 16, § 10.
  • Verifique sempre as vedações expressas do art. 16: bem de família, salvo a exceção legal do § 14, e até 40 salários mínimos em poupança, outras aplicações financeiras ou conta-corrente, nos termos do § 13.

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Comentários

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Art. 16. Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente ou incidente, pedido de indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito.         

§ 1º .         

§ 1º-A O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo poderá ser formulado independentemente da representação de que trata o art. 7º desta Lei.       

§ 2º Quando for o caso, o pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais.         

§ 3º O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo apenas será deferido mediante a demonstração no caso concreto de perigo de dano irreparável ou de risco ao resultado útil do processo, desde que o juiz se convença da probabilidade da ocorrência dos atos descritos na petição inicial com fundamento nos respectivos elementos de instrução, após a oitiva do réu em 5 (cinco) dias.        

§ 4º A indisponibilidade de bens poderá ser decretada sem a oitiva prévia do réu, sempre que o contraditório prévio puder comprovadamente frustrar a efetividade da medida ou houver outras circunstâncias que recomendem a proteção liminar, não podendo a urgência ser presumida.          

§ 5º Se houver mais de um réu na ação, a somatória dos valores declarados indisponíveis não poderá superar o montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento ilícito.         

§ 6º O valor da indisponibilidade considerará a estimativa de dano indicada na petição inicial, permitida a sua substituição por caução idônea, por fiança bancária ou por seguro-garantia judicial, a requerimento do réu, bem como a sua readequação durante a instrução do processo.        

§ 7º A indisponibilidade de bens de terceiro dependerá da demonstração da sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou, quando se tratar de pessoa jurídica, da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, a ser processado na forma da lei processual.        

§ 8º Aplica-se à indisponibilidade de bens regida por esta Lei, no que for cabível, o regime da tutela provisória de urgência da  (Código de Processo Civil).        

§ 9º Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à indisponibilidade de bens caberá agravo de instrumento, nos termos da  (Código de Processo Civil).        

§ 10. A indisponibilidade recairá sobre bens que assegurem exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de atividade lícita.       

§ 11. A ordem de indisponibilidade de bens deverá priorizar veículos de via terrestre, bens imóveis, bens móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de sociedades simples e empresárias, pedras e metais preciosos e, apenas na inexistência desses, o bloqueio de contas bancárias, de forma a garantir a subsistência do acusado e a manutenção da atividade empresária ao longo do processo.       

§ 12. O juiz, ao apreciar o pedido de indisponibilidade de bens do réu a que se refere o caput deste artigo, observará os efeitos práticos da decisão, vedada a adoção de medida capaz de acarretar prejuízo à prestação de serviços públicos.          

§ 13. É vedada a decretação de indisponibilidade da quantia de até 40 (quarenta) salários mínimos depositados em caderneta de poupança, em outras aplicações financeiras ou em conta-corrente.         

§ 14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei.        

GAB: A

  • O art. 16 da LIA autoriza a constrição em valores desiguais entre os réus, desde que o somatório não ultrapasse o montante indicado na petição inicial como dano ao Erário ou como enriquecimento ilícito.

Tese fixada: Para fins de indisponibilidade de bens, há solidariedade entre os corréus da Ação de Improbidade Administrativa, de modo que a constrição deve recair sobre os bens de todos eles, sem divisão em quota-parte, limitando-se o somatório da medida ao quantum determinado pelo juiz, sendo defeso que o bloqueio corresponda ao débito total em relação a cada um. STJ. 1ª Seção. REsps 1.955.116-AM, 1.955.957, 1.955.300-DF e 1.955.440-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/5/2024 (Recurso Repetitivo – Tema 1213) (Info 813). 

LIA - Art. 16 § 5º Se houver mais de um réu na ação, a somatória dos valores declarados indisponíveis não poderá superar o montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento ilícito.

A – art. 16, § 10. A indisponibilidade recairá sobre bens que assegurem exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de atividade lícita.    

·        Antes da lei 14.230/2021: NÃO

 

 

B –  Beneficio indiretos também.

 

 

C - É possível a inclusão do valor de eventual multa civil na medida de indisponibilidade de bens decretada em ação de improbidade administrativa, inclusive nas demandas ajuizadas com esteio na prática de conduta prevista no art. 11 da Lei nº 8.429/92, tipificador da ofensa aos princípios nucleares administrativos. STJ. 1ª Seção. REsp 1862792-PR, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF da 5ª Região), julgado em 25/08/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1055) (Info 706).

OBS: julgado superado pelo novo art. 16, § 10, da LIA, inserido pela Lei nº 14.230/21.

 

 

D- § 14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei.  

 

 

E- § 14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei.  

GAB.A

Esse entendimento já foi consolidado pelo STJ e foi incorporado à legislação, permitindo que a medida seja decretada com base na gravidade da conduta e sem risco de prejuízo ao erário, sem necessidade de comprovação de atos específicos de dissipação de bens.

BONS ESTUDOS!

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