O poema de Machado de Assis articula uma narrativa que ofer...

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Q1070871 Português

                                                   Texto 1

   No alto


O poeta chegara ao alto da montanha,

E quando ia a descer a vertente do oeste,

Viu uma cousa estranha,

Uma figura má.


Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,

Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,

Num tom medroso e agreste

Pergunta o que será.


Como se perde no ar um som festivo e doce,

Ou bem como se fosse

Um pensamento vão,


Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.

Para descer a encosta

O outro lhe deu a mão.

                                                                                      Machado de Assis

O poema de Machado de Assis articula uma narrativa que oferece duas possibilidades simbólicas ao protagonista. Com isso em mente, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).


I. Ariel forma uma espécie de antítese simbólica com a “cousa estranha”.

II. “subtil”, “celeste” e “gracioso” são termos ligados a uma mesma possibilidade simbólica.

III. A descida da “encosta” representa a possibilidade menos agradável, das que pareciam se oferecer ao poeta.

Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é articular a caracterização contrastante das figuras com o desfecho: “Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.

Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.” e “Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.” Essa organização sustenta a leitura das três assertivas e conduz ao gabarito D.

Tema central: Oposição simbólica no poema
Análise das alternativas
A
Errada
Exclui indevidamente III. Em “Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.”, o desaparecimento de Ariel e o auxílio da figura má associam a descida à presença negativamente caracterizada, sustentando seu valor simbólico menos agradável.
B
Errada
Exclui indevidamente I. A oposição entre “Uma figura má.” e os qualificadores positivos de Ariel sustenta a antítese simbólica. Esse contraste não exige palavras que sejam antônimos literais.
C
Errada
Exclui indevidamente II. Na sequência “Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,”, os três qualificadores referem-se a Ariel. Seus sentidos distintos não os transformam em possibilidades simbólicas separadas.
D
Certa
A alternativa D reúne três afirmações sustentadas pelo poema. I é correta porque a caracterização positiva de Ariel contrasta com a apresentação da outra presença como “cousa estranha” e “figura má”. II é correta porque “subtil”, “celeste” e “gracioso” qualificam a mesma figura, Ariel, constituindo um único polo simbólico. III é correta porque, após Ariel desaparecer, “O outro” retoma a figura má e oferece auxílio para a descida. O caráter menos agradável dessa possibilidade é uma inferência do desfecho, não um sentido negativo inerente ao ato de descer.
E
Errada
Exclui indevidamente I e II. A caracterização negativa da figura estranha contrasta com a caracterização positiva de Ariel, confirmando I; além disso, “subtil”, “celeste” e “gracioso” convergem para Ariel, confirmando II.
Pegadinha da questão
A assertiva III depende de inferência contextual: a descida se associa à possibilidade menos agradável porque ocorre com o auxílio da figura má após o desaparecimento de Ariel. Não se deve atribuir valor negativo automático à descida nem entender que o poeta escolheu explicitamente entre duas propostas de percurso.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique a qual figura cada qualificador se refere antes de separar as possibilidades simbólicas.
  • Verifique as retomadas: neste poema, “O outro” recupera a figura má, não Ariel.
  • Articule a caracterização inicial ao desfecho para sustentar inferências simbólicas, sem transformar essas inferências em afirmações literais.

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Comentários

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MACHADO DE ASSIS é bichão nas palavras

Todas certas

I. Ariel forma uma espécie de antítese simbólica com a “cousa estranha”.

Ariel representa o bem, e a "cousa estranha", o mal, definindo a antítese.

II. “subtil”, “celeste” e “gracioso” são termos ligados a uma mesma possibilidade simbólica.

Referem-se a Ariel.

III. A descida da “encosta” representa a possibilidade menos agradável, das que pareciam se oferecer ao poeta.

O trecho "O outro lhe deu a mão." evidencia que o poeta desceu a encosta pelo lado oeste, com o auxílio da cousa estranha, do outro, sendo essa a possibilidade menos agradável.

Desceu a encosta com o "Demo"!

O sangue de Jesus tem poder... credo!

Concurso de Prefeitura é fraude até o talo... Muito estranho uma questão dessa para um cargo de Agente de obras

Machado de Assis estava era na droga quando fez esse poema

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