O autor descreve o menino e o vigário como personagens compl...

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Q679632 Português

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Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertão de Pernambuco. Na soalheira danada de meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo vigário a cavalo:


_ Você aí, menino, para onde vai essa estrada?

_ Ela não vai, não: nós é que vamos nela.

_ Engraçadinho duma figa! Como se chama?

_ Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.


                                                             (Paulo Mendes Campos. Crônica 1. São Paulo: Ática, 2002.p.76)

O autor descreve o menino e o vigário como personagens completamente opostos: um é “triste, magro e barrigudinho”; outro, “um gordo vigário a cavalo”. A descrição provoca um efeito de superioridade do religioso em relação à criança, inclusive pela altura em que se encontram, um montado num cavalo, outro, na poeira do caminho. Uma passagem que culmina com a NEGAÇÃO dessa superioridade pode ser observada em:
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto e semântica. O foco da questão é avaliar se o candidato identifica, no diálogo, o momento em que se nega a superioridade do vigário sobre o menino, conforme sugerido pela descrição inicial.

Análise da alternativa correta (D): “Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.”

Aqui, o menino responde de forma inesperada, invertendo a lógica da pergunta do vigário. Ele utiliza uma estrutura irônica ao negar agência sobre seu próprio nome, mostrando esperteza e independência de pensamento. Conforme Celso Cunha e Lindley Cintra, na Nova Gramática do Português Contemporâneo, a interpretação textual exige observar não só o sentido literal, mas a intenção e o efeito de sentido das falas. Neste trecho, o menino desafia sutilmente a autoridade do vigário, negando a hierarquia esperada. Essa sagacidade desestabiliza a relação de superioridade e evidencia que a força do diálogo está mais na perspicácia do menino do que na posição social do adulto.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Você aí, menino (...)”
Esta frase parte da iniciativa do vigário, focando em sua autoridade e superioridade — não há negação dessa condição.

B) “Engraçadinho duma figa (...)”
Aqui, o vigário reafirma seu papel dominante, respondendo de modo impaciente à audácia do menino. A fala reforça a hierarquia e não a nega.

C) “Imaginando bobagem (...)”
Trata-se de uma narração sobre o estado do menino antes do diálogo, não interfere na relação hierárquica entre os personagens.

Estratégia para questões similares:

Preste atenção nas falas dos personagens e procure pontos de inversão ou desafio na relação entre eles, indo além do sentido literal. Note expressões que revelem ironia, sagacidade ou autonomia.

Resumo da regra: Em interpretação de texto, não basta localizar informações, é preciso deduzir intenções e efeitos das falas, conforme orienta Bechara (Moderna Gramática Portuguesa). Destaque sempre os trechos que mudam ou subvertem a ordem esperada para encontrar a resposta correta.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Alguém se habilita? 

 

?

 

No meu entender o homem mostra autoridade, mas a criança não estar nem ai pra essa autoridade, e ele que saber a negarção desssa superioridade, podia ser outro termo, mas de acordo com o que temos  

Engraçadinho duma figa! Como se chama?

_ Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.

essa e a que melhor se enquadra.

que questão mais bugada ein kkkkkkkkkkkkkkkkkkkj deu error404

Quem está estudando para Câmara de Juiz de Fora dá um joinha.

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