João da Silva, servidor público, foi chamado a responder pr...

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Q3992615 Direito Administrativo
João da Silva, servidor público, foi chamado a responder processo administrativo disciplinar. Após regular instrução, a Administração proferiu decisão de tipificação, à luz das provas, alterando a capitulação legal da conduta descrita desde o início do processo. Oportunizou, então, defesa. João defendeu-se sem advogado, como havia feito ao longo de todo o procedimento. O processo, após, foi objeto de relatório pormenorizado elaborado pela Comissão Processante, a qual analisou todos os argumentos da defesa e a prova dos autos e opinou, em conclusão, pela condenação do servidor, sancionando-o com demissão do serviço público. O processo foi à autoridade administrativa competente que em decisão de uma linha, reportou-se ao relatório da comissão, adotando-o como razões de decidir, aplicando, assim, a sanção de demissão. Diante do exposto, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Lei nº 9.784/1999, art. 50, caput, inciso I, e § 1º: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.” Como a autoridade adotou o relatório da comissão como razões de decidir, a motivação por remissão é válida, o que afasta a nulidade alegada nas demais alternativas.

Tema central: Validade do PAD
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada em três pontos jurídicos objetivos. A ausência de advogado no PAD não gera nulidade constitucional, segundo a Súmula Vinculante 5 do STF. A mera alteração da capitulação legal não caracteriza, automaticamente, cerceamento de defesa, porque o entendimento aplicável é o de que o servidor se defende dos fatos, não do enquadramento legal, e houve abertura de defesa após a nova tipificação. Além disso, a alternativa nega a validade da decisão por remissão, mas o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999 admite expressamente que a autoridade adote fundamentos de pareceres, informações, decisões ou propostas anteriores como razões de decidir.
B
Errada
Embora acerte ao afirmar que a defesa por advogado é facultativa no PAD, erra ao sustentar duas nulidades que a base afasta. Não há nulidade pela mera alteração da capitulação legal, desde que assegurada defesa quanto aos fatos, e o enunciado informa que foi oportunizada defesa. Também é incorreta a afirmação de que o dever de julgamento da autoridade é incompatível com motivação por remissão, porque o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999 autoriza exatamente essa forma de motivação, desde que os fundamentos anteriores integrem o ato.
C
Errada
A alternativa acerta quanto à inexistência de nulidade pela falta de advogado e pela alteração da capitulação legal, mas erra no ponto final decisivo da questão. A base normativa expressa permite motivação por remissão: o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999 dispõe que a motivação pode consistir em declaração de concordância com fundamentos de pareceres, informações, decisões ou propostas anteriores, que passam a integrar o ato. Assim, a adoção do relatório da comissão como razões de decidir não invalida a demissão.
D
Certa
A alternativa D reúne corretamente os três critérios jurídicos decisivos do caso. Primeiro, a falta de defesa técnica por advogado em processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição, conforme a Súmula Vinculante 5 do STF. Segundo, a alteração da capitulação legal da conduta, por si só, não anula o PAD, porque o indiciado se defende dos fatos descritos, e a própria base registra que houve oportunidade de defesa após a nova tipificação. Terceiro, a decisão final podia adotar o relatório da comissão como motivação, porque o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999 autoriza expressamente a motivação por declaração de concordância com fundamentos anteriores, que passam a integrar o ato. Portanto, não há a nulidade afirmada nas demais alternativas.
Pegadinha da questão
A banca tentou induzir o candidato a enxergar nulidade em três situações que, pela base aplicável, não a geram: PAD sem advogado, mudança de capitulação jurídica sem alteração dos fatos e decisão final sucinta por remissão a relatório anterior.
Dica para questões semelhantes
  • Em PAD, se a alternativa afirmar nulidade apenas pela ausência de advogado, confronte com a Súmula Vinculante 5 do STF.
  • Se houver mudança de enquadramento legal, verifique se os fatos imputados permaneceram os mesmos e se houve oportunidade de defesa; a mera alteração da capitulação não anula o processo.
  • Quando a autoridade apenas adota relatório ou parecer anterior, confira o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999: a motivação por remissão é admitida se os fundamentos anteriores integrarem o ato.

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Comentários

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1) Súmula Vinculante 5 do STF: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

2) No PAD, a alteração da capitulação legal imputada ao acusado não enseja nulidade, uma vez que o indiciado se defende dos fatos nele descritos e não dos enquadramentos legais: O indiciado se defende dos fatos que lhe são imputados e não de sua classificação legal. Assim, a posterior alteração da capitulação legal da conduta, não tem o condão de gerar nulidade o Processo Administrativo Disciplinar. A descrição dos fatos ocorridos, desde que feita de modo a viabilizar a defesa do acusado, afasta a alegação de ofensa ao princípio da ampla defesa. STJ. 1ª Seção. MS 19.726/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 13/12/2017

3) Súmula 674 do STJ: A autoridade administrativa pode se utilizar de fundamentação (por referência) nos processos disciplinares. O Qconcursos não aceitou comentar o termo em latim rsrs.

Vamos ponto a ponto:

  1. SÚMULA VINCULANTE 5 – STF: “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.”
  2. PRECEDENTE REPRESENTATIVO (RE 434.059 – STF, Rel. Min. Gilmar Mendes): O STF firmou que o PAD não exige defesa técnica obrigatória, desde que sejam assegurados (i) informação, (ii) manifestação e (iii) consideração dos argumentos, pois a ampla defesa se realiza nesses elementos. A ausência de advogado, por si só, não gera nulidade, ainda que o art. 133 da CF não seja absoluto.
  3. OUTRO PRECEDENTE (MS 23.280 AgR – STF, Rel. Min. Gilmar Mendes): Reforça que a inexistência de defensor técnico no PAD não invalida o processo, sobretudo quando o servidor teve ciência, oportunidade de defesa e participação efetiva na instrução.
  4. TENTATIVA DE CANCELAMENTO (PSV 58): Houve proposta de cancelamento da Súmula Vinculante 5, mas o STF REJEITOU A PRETENSÃO (30/11/2016), mantendo o entendimento consolidado.

Letra D

O STF consolidou que a defesa técnica por advogado em PAD é facultativa. A alteração da capitulação, assegurado o contraditório, não gera nulidade. Por fim, a administração admite a motivação p er relationem, em que a autoridade adota o relatório da comissão como razões de decidir, sendo um procedimento plenamente válido e compatível com a lei.

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1. O que é a Capitulação no PAD?

A capitulação é o ato de indicar formalmente no processo administrativo disciplinar (ou na denúncia/portaria) qual dispositivo legal, estatutário ou regulamentar o servidor público supostamente violou (ex: citar o artigo da lei estatutária que veda o abandono de cargo, a improbidade, a insubordinação, etc.). É o enquadramento da conduta do servidor na norma jurídica infringida.

2. Por que a alteração da capitulação não é ilegal no PAD? (O Princípio da Correlação e a Súmula Vinculante 5 do STF)

Diferente do processo penal (onde a regra da emendatio ou mutatio libelli possui travas mais rígidas e o réu se defende estritamente da imputação descrita), no Processo Administrativo Disciplinar aplica-se o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal de que o servidor se defende dos FATOS a ele imputados, e não da capitulação legal indicada inicialmente.

  • Súmula Vinculante 5 do STF:

    "A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição." (Embora o foco seja a defesa técnica, o STF e o STJ aplicam o princípio da materialidade dos fatos de forma ampla).

  • A Regra do Enquadramento (Mutação da Capitulação): Durante a instrução do PAD, a comissão processante pode verificar que o fato praticado pelo servidor não se enquadra exatamente no artigo citado na portaria inaugural, mas sim em outro dispositivo legal.

  • Por que é legal? A Administração pode recapitular a conduta ao longo do processo (ou até mesmo no relatório final e na decisão da autoridade julgadora) sem que isso seja considerado nulidade ou ilegalidade, desde que os fatos descritos permaneçam os mesmos e seja garantida ao servidor a oportunidade de se defender de tudo o que lhe foi imputado. O servidor sabe o que fez; a qualificação jurídica exata (o artigo da lei) pode ser ajustada pela Administração com base nas provas colhidas.

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