Analise a situação hipotética a seguir: A Associação dos Po...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2522157 Legislação dos TRFs, STJ, STF e CNJ
Analise a situação hipotética a seguir:

A Associação dos Povos Faxinalenses do Paraná busca atendimento jurídico junto ao Núcleo da Cidadania e Direitos Humanos (NUCIDH), da Defensoria Pública, relatando que determinado município recebe repasse estadual a título de ICMS ecológico/ambiental, mas não o transfere à comunidade faxinalense local, cujo território é reconhecido como área de conservação ambiental na modalidade Área Especial de Uso Regulamentado (ARESUR), que compõe o cadastro de unidades de conservação ambiental estadual, tampouco aplica o repasse diretamente na unidade/área em questão.

Tomando por base a noção dos povos faxinalenses e o entendimento do STF sobre a questão jurídica apresentada, bem como as disposições constitucionais acerca do tema, assinale a alternativa correta em relação a cada um desses temas, respectivamente. 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Comentário da Questão – Gabarito: B

1. Interpretação e Legislação Aplicável

A questão aborda a vinculação de receita de ICMS ecológico a áreas ambientalmente protegidas (como as comunidades faxinalenses) e o papel da Defensoria Pública diante da negativa do município em destinar valores recebidos via repasse estadual.

Constituição Federal, Art. 167, IV: "São vedados: (...) IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas as exceções (...)”

Jurisprudência: O STF firmou entendimento em ADI 2355/PR de que não há obrigatoriedade constitucional de vinculação automática do ICMS ecológico para áreas específicas; a destinação depende de decisão do município.

2. Tema Central e Aplicação Prática

A questão exige compreender: a) o conceito dos faxinais (modo de vida, uso da terra, conservação ambiental); b) a impossibilidade jurídica de obrigar o município, por previsão constitucional, a vincular receitas de ICMS ecológico a áreas específicas da comunidade, salvo previsão legal local compatível.

Exemplo prático: Uma comunidade reconhecida como faxinal solicita verbas do ICMS ecológico. O município, no entanto, pode utilizar esses recursos em outras áreas ambientais, pois a Constituição veda a vinculação obrigatória.

3. Justificativa da Alternativa Correta (B)

A alternativa B descreve corretamente características dos faxinais (produção animal à solta, extrativismo sustentável) e, em conformidade com o STF (ADI 2355/PR), orienta que não há imposição constitucional para vinculação do ICMS ecológico; cabe ao ente municipal definir sua destinação.
Segundo José Afonso da Silva (Curso de Direito Constitucional Positivo), a regra geral é a proibição da vinculação, salvo as exceções claramente previstas na CF.

4. Análise das Alternativas Incorretas

A: Incorreta. Embora caracterize adequadamente os faxinais, erra ao afirmar ser cabível reclamação constitucional e existência de decisão do STF pelo repasse vinculado – isso não foi decidido na ADI 2355/PR.
C: Falsa. A CF não traz previsão obrigatória de destinação do ICMS para áreas protegidas nos termos propostos.
D: Equivocada. A necessidade (ou não) de lei estadual não altera a vedação constitucional à vinculação automática.
E: Errada. Faxinais não são comunidades quilombolas, e a CF não prevê 50% de repasse obrigatório do ICMS para unidades de conservação.

Pegadinhas: Atenção ao uso da palavra “vinculação” e menções inexatas à proteção legal dos faxinais. Muitos candidatos erram por confundir faxinais com quilombolas ou por não distinguir vinculação obrigatória de mera possibilidade de repasse.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

GABARITO: B.

A questão trata do tema ICMS e dos faxinais ou faxinalenses. “Os faxinais, ou faxinaleneses, do centro-sul e sudeste paranaense são comunidades tradicionais camponesas cuja formação social se caracteriza principalmente pelo uso comum da terra e dos recursos florestais e hídricos disponibilizados na forma de criadouro comunitário. Delimitado pela cerca comunitária, no interior do qual se conserva uma significativa agrobiodiversidade, é no criadouro comunitário que ocorre o manejo da erva-mate nativa, a criação comum de animais, espécies florestais forrageiras, fruteiras nativas, ervas medicinais e variedades de cultivo agrícolas. É nesse espaço que se encontra a moradia, normalmente cercadas em pequenas áreas de terra denominadas de quintais, lugar de produção de hortaliças e pequenas culturas de subsistência. Além do espaço de uso comum há também aqueles de uso privado, as lavouras, que são encontradas do lado externo ao criadouro e que apresentam em sua maioria plantações compostas, como milho, arroz, feijão e fumo. Desta forma, o faxinal se caracteriza como um território composto e complexo, que combina uso comum de recursos e apropriação privada da terra.” (https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/pr-mesmoenfrentando-violencias-a-luta-e-as-vitorias-dos-faxinalenses-desemboca-na-sua-integracao-a-outrascomunidades-tradicionais/#:~:text=Os%20faxinais%2C%20ou%20faxinaleneses%2C%20do,na%20 forma%20de%20criadouro%20comunit%C3%A1rio., acesso em 30.06.2024)

A) incorreta. A decisão do STF, na ADI 2355, não determinou a vinculação de receitas do ICMS a áreas protegidas, mas, exatamente, o oposto, reforçando a autonomia municipal para decidir a destinação dos recursos.

B) correta. Autonomia Municipal: O STF, na ADI 2355, declarou inconstitucional a lei estadual do Paraná que vinculava o repasse do ICMS ecológico a áreas específicas de proteção ambiental, afirmando que a destinação dos recursos é uma decisão autônoma dos municípios. Não-Afetação de Receitas: Conforme o artigo 167, IV, da Constituição Federal, é vedada a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, exceto nas hipóteses previstas na Constituição.

C) incorreta. Não há previsão expressa na Constituição Federal que obrigue os municípios a destinarem o ICMS ecológico/ambiental diretamente às áreas de proteção ambiental. A decisão do STF na ADI 2355 reforça a autonomia dos municípios.

D) incorreta. Pelo contrário, a decisão do STF, na ADI 2355, não determina a vinculação de receita para áreas de proteção ambiental, reafirmando a autonomia dos municípios para decidir sobre a destinação do ICMS ecológico.

E) incorreta. Não existe na Constituição Federal a previsão de destinação de 50% do ICMS arrecadado para unidades de conservação. A decisão do STF, na ADI 2355, declara inconstitucional qualquer vinculação obrigatória imposta por leis estaduais. 

FONTE: ESTRATÉGIA CONCURSOS.

Lembrar que os impostos não são vinculados, logo o Município tem autonomia para definir sua destinação.

Constituição Federal não prevê a destinação de 50%

Abraços

Eu faço parte desse povo, faço faxina toda semana aqui em casa.

Brincadeiras à parte, o Brasil é muito rico culturalmente, não conhecia esse povo.

É inconstitucional, por violação à cláusula constitucional da não afetação da receita oriunda de impostos e à autonomia municipal, norma estadual que determina a forma de aplicação dos recursos destinados ao município em razão da repartição constitucional de receitas.

Assim, é inconstitucional lei estadual que obriga os Municípios a aplicarem 50% do repasse constitucional do ICMS diretamente em áreas indígenas localizadas em seus territórios.

STF. Plenário ADI 2355/PR, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 16/9/2022 (Info 1068).

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo