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Q3875186 Português
Entre amigos


    Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona para a festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

    Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, “A Identidade”, que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. 

    Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo construído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.

    Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

    Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. 

    Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

    Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu.

    Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o réveillon.

    Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

    Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

    Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.


Fonte: Martha Medeiros.
Sobre os aspectos gerais e específicos do texto, analisar os itens.

I. Segundo o texto, reconhece-se os amigos, especialmente, quando de apertos e dificuldades.
II. O ditado popular que sintetiza as ideias do texto é: “Amigos, amigos, negócios à parte”.
III. Para a autora, em amizades recentes ainda não há certeza se, de fato, os amigos conseguem enfrentar adversidades juntos.

Está CORRETO o que se afirma: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é o confronto direto entre os itens e a ideia central explicitada no texto: “diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade” e “São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão.” Esses trechos mostram que a amizade verdadeira se confirma nas dificuldades e que amizades recentes ainda não têm solidez comprovada, o que valida I e III e invalida II.

Tema central: amizade na adversidade
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui o item II. O ditado “Amigos, amigos, negócios à parte” não sintetiza o texto: ele remete à separação entre amizade e interesses práticos ou negociais, enquanto o texto desenvolve outra ideia, a de amizade como partilha, apoio, memória, confiança e aliança contra a adversidade.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne exatamente os itens compatíveis com o texto. O item I se sustenta na ideia central de que o amigo verdadeiro se comprova nos momentos difíceis, reforçada por passagens como “Passa contigo um aperto”, “Anda em silêncio na dor” e “segura o tranco”. O item III também está correto, pois a autora afirma expressamente que amizades recentes são “não testadas pelo tempo” e que “não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades”, o que estabelece incerteza quanto à resistência delas diante da adversidade.
C
Errada
Está errada por dois motivos: exclui o item I, que é sustentado pelo texto, e mantém o item II, que é semanticamente incompatível com a tese autoral. O texto enfatiza que o amigo se reconhece especialmente no aperto, na dor, no fracasso e no tranco; por isso, I não pode ser descartado.
D
Errada
Está errada porque pressupõe a correção do item II. Como o texto não defende a separação entre amizade e negócios, mas sim a solidariedade e a resistência conjunta às dificuldades, não é possível considerar corretos todos os itens.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: a primeira é tomar a enumeração inicial de utilidades práticas do amigo como tema central, quando o próprio texto diz que isso “não basta”; a segunda é aceitar um ditado genérico sobre amizade sem verificar se ele corresponde exatamente à tese defendida pela autora.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique a tese explícita do texto antes de julgar os itens; aqui, ela aparece na associação entre amizade e adversidade.
  • Não aceite provérbio ou síntese genérica sem conferir aderência exata ao conteúdo desenvolvido no texto.
  • Observe palavras que limitam o sentido, como “especialmente” e “não se sabe”, porque elas definem o alcance correto da afirmação.

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Comentários

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Gabarito B

I - CORRETA.

II - O ditado “Amigos, amigos, negócios à parte” transmite a ideia de separação entre amizade e interesses práticos ou financeiros, o que não corresponde à mensagem central do texto. O texto valoriza a amizade como apoio emocional profundo, companheirismo, confiança e presença nos momentos difíceis, mostrando vínculos afetivos muito mais amplos do que relações superficiais ou utilitárias.

III - CORRETA.

CFOPMBA

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