É adequado inferir que o principal objetivo do texto é
Leia o texto abaixo para responder às questões.
Formar leitores para o século 21
Claudia Costin
Venho de uma família de leitores, via meus pais com frequência lendo em seu tempo de lazer. Isso me ajudou a ter na leitura um hábito e fonte de prazer. Ter frequentado bibliotecas públicas completou minha formação leitora.
Ao ler a notícia de que o Brasil ainda apresenta índices inaceitáveis no último Pisa em leitura e interpretação de textos, ocorreu-me que, apesar de esforços em promover a leitura nas escolas, nossa tardia universalização do acesso ao ensino fundamental e a forma como ainda produzimos analfabetos funcionais escolarizados têm cobrado um preço alto.
Mas não são só os que não foram bem alfabetizados e os que vêm de famílias vulneráveis que não têm o hábito da leitura, contamos infelizmente com elites não leitoras.
Sim, cada vez se lê mais, mas ler em redes sociais — na maior parte das vezes, só o conteúdo expresso no tuíte, desprezando os textos a ele acoplados — não torna a casa em que vivem os jovens mais propícia a estimular a leitura que os prepara para os desafios do século 21.
A neurocientista Maryanne Wolf, em seu brilhante livro recentemente traduzido para o português, “O Cérebro no Mundo Digital”, mostra que a leitura, uma competência não inata em humanos, como é a fala, demanda passos sequenciais complexos para o seu aprendizado, o que não fazemos com seriedade, e que seu desenvolvimento ao longo da vida demanda um foco que o mundo digital, com suas distrações, vem retirando de nós.
Sim, pelas recentes pesquisas sobre o cérebro, há que haver intencionalidade pedagógica e uma abordagem estruturada no processo de alfabetização. Além disso, a instantaneidade do nosso tempo conspira contra a atenção concentrada necessária à leitura.
Nunca tivemos tanta informação disponível e nunca foi tão difícil ler para entender o que o texto diz nas entrelinhas, separar fato de opinião e conectar o que foi lido com um repertório cultural mais amplo —competências absolutamente necessárias em tempos de revolução 4.0, em que a inteligência artificial substitui o trabalho humano que demanda competências intelectuais de nível mais básico.
Isso, porém, não ocorre só com obras de não ficção.
Nunca foi tão urgente ler boa literatura!
Wolf associa a leitura literária não apenas com a apreciação da arte mas também com o desenvolvimento de empatia. Grandes obras nos permitem viver a vida de personagens ficcionais e sentir as suas tensões e os dramas que eles experimentaram.
Com isso nos tornamos mais humanos, menos fechados num mundo limitado e mais aptos a nos abrirmos a um diálogo com quem teve experiências distintas das nossas. E o mundo precisa muito disso!
Disponível em:<https://www.folha.uol.com.br/
colunas/claudia-costin/2019/12/formar-leitores-
para-o-seculo-21.shtml>. Acesso em 18 fev. 2020.
É adequado inferir que o principal objetivo do texto é
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Tema central: Interpretação de texto – identificação do objetivo principal do texto. A questão explora a habilidade de compreender e inferir a intenção comunicativa do autor, fundamental em provas de concursos.
Análise da alternativa correta – Letra D:
A alternativa D (“problematizar a relação entre texto e leitor diante dos apelos e exigências deste século”) traduz exatamente o propósito central do texto. O texto discute as dificuldades enfrentadas pelos leitores no século 21, como a superficialidade da leitura nas redes sociais, a influência do mundo digital na atenção e a importância da leitura profunda. Ao usar expressões como “cobrado um preço alto”, “instantaneidade do nosso tempo conspira contra a atenção” e “nunca foi tão difícil ler para entender...”, a autora problematiza como o leitor interage com os textos diante das mudanças atuais.
Segundo gramáticas referenciais, como Bechara, interpretação de texto demanda a identificação não só do tema, mas do ponto de vista ou objetivo discursivo do autor, indo além de meras informações explícitas.
Por que as demais alternativas estão incorretas?
A) “Sensibilizar o leitor a se esmerar na busca por uma interpretação mais eficiente...” – Trata-se de uma consequência possível, mas não do objetivo central do texto. O texto não é um apelo direto ao leitor para que ele se esforce mais, e sim um diagnóstico do cenário da leitura atual.
B) “Instruir o leitor quanto ao modo mais eficaz de processar a informação...” – O texto não traz orientações práticas ou técnicas de leitura, nem receitas de compreensão textual. Não há instrução direta.
C) “Descrever os processos de formação de leitores empregados pela escola...” – Embora cite a escola e a importância da alfabetização, o texto não descreve métodos escolares nem se restringe ao âmbito escolar.
Estratégia de resolução:
Busque palavras-chave e construções que revelem intenção: termos como “problema”, “desafio”, “urgência”, “nunca foi tão difícil”, além do predomínio de análise crítica e reflexiva. Em interpretação, atente-se se o texto quer expor, instruir, relatar ou problematizar – cada verbo indica uma intenção discursiva diferente.
Conclusão: A alternativa D é correta porque reflete, com clareza, o objetivo do texto: trazer à tona as dificuldades enfrentadas pelo leitor contemporâneo, geradas pelas características do próprio século 21.
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