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Q857791 Português

                                                 A seca

De repente, uma variante trágica.

Aproxima-se a seca.

O sertanejo adivinha-a e graças ao ritmo singular com que se desencadeia o flagelo.

Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo candente que irradia do Ceará.

Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o homem, às calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra. 

Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à sua vida tormentosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a, estoico. Apesar das dolorosas tradições que conhece através de um sem número de terríveis episódios, alimenta a todo o transe esperanças de uma resistência impossível.

Com os escassos recursos das próprias observações e das dos seus maiores, em que ensinamentos práticos se misturam a extravagantes crendices, tem procurado estudar o mal, para o conhecer, suportar e suplantar. Aparelha-se com singular serenidade para a luta. Dois ou três meses antes do solstício de verão, especa e fortalece os muros dos açudes, ou limpa as cacimbas. Faz os roçados e arregoa as estreitas faixas de solo arável à orla dos ribeirões. Está preparado para as plantações ligeiras à vinda das primeiras chuvas.

[...]

É o prelúdio da sua desgraça.

Vê-o acentuar-se num crescendo, até dezembro.


CUNHA, Euclides da. Os Sertões. São Paulo: Três, 1984.

Assinale a alternativa em cuja sentença retirada do texto ocorre elipse.
Alternativas

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Tema central da questão: Figura de linguagem - Elipse

A questão exige o reconhecimento da elipse, figura de linguagem sintática que consiste na omissão de um termo facilmente subentendido pelo contexto. Segundo Cunha & Cintra, a elipse não compromete a clareza da frase, pois o termo omitido pode ser automaticamente recuperado pelo leitor (ex: “No prato, apenas dois ovos cozidos” => subentende-se ‘havia’).

Justificativa da alternativa correta (A):

“Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o peruano [...]”

Nessa frase, após a comparação “que o peruano”, ocorre a omissão do verbo “tem”, que aparece antes e se aplica também ao termo elíptico. Pela norma-padrão, nas estruturas comparativas, é comum essa supressão: “Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o peruano (tem).” A elipse do verbo é clara e plenamente compreendida pelo contexto, ajustando-se ao conceito dado por Bechara e pelos manuais clássicos.

Análise das alternativas incorretas:

B) “De repente, uma variante trágica.” – Apesar de o verbo (“surgiu” ou “houve”) estar subentendido, esse tipo de construção caracteriza-se mais como frase nominal, não sendo, pela gramática normativa, um caso típico de elipse – já que o contexto não força a recuperação de uma informação omitida anteriormente na mesma construção.

C) “Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra.” – Não há omissão de nenhum termo; a frase está completa.

D) “A seca não o apavora.” – Também completa, sem nenhum termo subentendido ou omitido. Não há elipse.

Como garantir acerto em questões como essa?

Fique atento a orações comparativas e a omissões de termos já expressos antes na frase — são contextos propícios à elipse. Evite confundir elipse com simples ausência de verbo em frases de efeito ou frases nominais. A dica: só marque elipse se o termo omitido puder ser recuperado claramente do próprio período.

Segundo Evanildo Bechara, elipse é “a omissão de um termo que está claramente subentendido pelo contexto, sem perda de sentido para o enunciado”.

Gabarito: Alternativa A

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Comentários

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Não há supressão do termo.

Elipse: É a omissão do termo ou uma frase que se subentende pelo contexto.

"Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o (povo) peruano [...]"

 

GABARITO: A

 

"Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o povo peruano [...]."

 

________________________________________________________________________________________________________

 

Elipse do sujeito

Neste Carnaval, vou sambar até amanhecer! (elipse do pronome pessoal eu)

Gostaríamos de viajar pela Europa, mas não temos dinheiro. (elipse do pronome pessoal nós)

 

Elipse de verbos

No fim do dia, nenhum familiar feliz com o desenvolvimento dos acontecimentos. (elipse da forma verbal estava)

Quanta amargura no seu comentário! (elipse da forma verbal há)

 

Elipse de preposições

A modelo saiu do camarim, cara lavada, pronta para a sessão de maquiagem. (elipse da preposição de)

Mariana chorava sem parar, olhos inchados e nariz vermelho. (elipse da preposição com)

 

Elipse de conjunções

Gostasse você de mim, eu seria a pessoa mais feliz do mundo! (elipse da conjunção se)

Não fosse sua amabilidade, haveria tanta confusão nesta repartição. (elipse da conjunção se)

 

https://www.normaculta.com.br/elipse/

 

 

BONS ESTUDOS.

Elipse é uma figura de linguagem da língua portuguesa, que consiste na omissão de um ou mais termos de uma oração, sendo que estes são facilmente identificados a partir do contexto do texto.

 

Na classificação das figuras de linguagem, a elipse é categorizada como uma figura de construção, com o principal objetivo de atribuir maior expressividade ao significado de determinado texto.

 

O termo omitido na sentença está subentendido, sendo identificável unicamente por causa do contexto do texto.

 

Etimologicamente, a palavra “elipse” se originou a partir do grego élleipsis, que pode ser traduzido como “falta” ou “defeito”.

 

Exemplo de elipse

 

“Na minha mesa, papéis e livros” (o verbo “haver” está oculto nesta sentença, caso contrário a frase seria: “na minha mesa há papéis e livros”).

 

“No fim da noite, no chão, pessoas e garrafas” (o verbo “haver” também está oculto).

 

“Chegamos cedo hoje” (o pronome “nós” foi ocultado neste caso).

 

 

Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o (povo) peruano

Não seria zeugma ?

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