Em uma unidade de atendimento municipal, um guarda constran...
Com base exclusivamente nos Arts. 1º e 2º da Lei federal nº 9.455/1997, sem considerar doutrina, jurisprudência ou outras fontes normativas, julgue as assertivas como verdadeiras ou falsas.
(__) O guarda municipal praticou tortura com a finalidade de obter confissão, incidindo aumento de pena por sua condição de agente público.
(__) O superior omisso sujeita-se à pena de detenção de um a quatro anos e não está abrangido pela determinação legal de início do cumprimento em regime fechado.
(__) O coordenador da entidade praticou tortura contra pessoa sob sua autoridade, com aumento de pena em razão de a vítima ser adolescente.
(__) A condenação do guarda acarretará perda do cargo e interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.
(__) A aplicação da lei ao fato ocorrido no exterior exigiria, simultaneamente, vítima brasileira e agente encontrado em local sob jurisdição brasileira.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: A Lei nº 9.455/1997, art. 2º, dispõe: “Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.” A lei exige uma ou outra condição, não ambas simultaneamente. Embora o caso reúna as duas, isso não torna cumulativa a exigência legal: a quinta assertiva é falsa e, sendo verdadeiras as quatro anteriores, a sequência é V, V, V, V, F.
1ª assertiva — Verdadeira. O art. 1º, caput, inciso I e alínea a, estabelece: “Art. 1º Constitui crime de tortura:
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;”. A violência e a grave ameaça para obter confissão preenchem esses requisitos. A condição de agente público também determina a majorante prevista no art. 1º, § 4º, caput e inciso I: “§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:
I - se o crime é cometido por agente público;”.
2ª assertiva — Verdadeira. O art. 1º, § 2º, dispõe: “§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.” A omissão deliberada do superior diante de seu dever funcional atrai essa previsão. O § 7º determina: “§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.” A ressalva exclui essa omissão da determinação legal de início em regime fechado; não estabelece, por si, regime aberto.
3ª assertiva — Verdadeira. O art. 1º, inciso II, prevê: “II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.” O castigo violento imposto ao adolescente sob autoridade do coordenador satisfaz esses requisitos, sem exigência de que o autor seja agente público. Incide ainda o art. 1º, § 4º, inciso II: “II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos;”, com o aumento de um sexto até um terço previsto no caput do parágrafo.
4ª assertiva — Verdadeira. O art. 1º, § 5º, dispõe: “§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.” Portanto, a condenação do guarda produz os dois efeitos indicados: perda do cargo e interdição pelo dobro do prazo da pena.
5ª assertiva — Falsa. O art. 2º, transcrito no fundamento decisivo, utiliza a conjunção “ou”: a nacionalidade brasileira da vítima e a localização do agente sob jurisdição brasileira são condições alternativas, não cumulativas.
- No art. 2º, verifique a alternatividade: basta vítima brasileira ou agente encontrado em local sob jurisdição brasileira.
- Na omissão do art. 1º, § 2º, associe a pena de detenção de um a quatro anos à ressalva do § 7º, sem concluir que ela determina regime aberto.
- Separe a majorante pela condição de agente público da majorante pela vítima adolescente; a tortura do inciso II não exige autor agente público.
- Nos efeitos da condenação do art. 1º, § 5º, confira os dois resultados e sua duração: perda do cargo e interdição pelo dobro do prazo da pena aplicada.
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Comentários
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Minha contribuição.
Tortura
Quem se omite também pode responder
Existe crime específico para quem:
➡️ se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las.
Pena: detenção de 1 a 4 anos.
⚠️ Muito cobrado:
Quem pratica tortura ≠ quem se omite diante dela.
A pena da omissão é bem menor.
Abraço!!!
Deus abençoe
ORCRIM e Tortura -> perda automatica
Sobre o último item, o erro está no termo simultaneamente, percebam que lei diz sendo a vítima brasileira OU encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.
Último item: A aplicação da lei ao fato ocorrido no exterior exigiria, simultaneamente, vítima brasileira e agente encontrado em local sob jurisdição brasileira.
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.
Lei n° 9.455/97 - Art. 1º CONSTITUI CRIME DE TORTURA:
I - constranger alguém com emprego de VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA, causando-lhe SOFRIMENTO FÍSICO OU MENTAL:
a) com o fim de obter INFORMAÇÃO, DECLARAÇÃO OU CONFISSÃO da vítima ou de terceira pessoa;
b) para provocar AÇÃO OU OMISSÃO DE NATUREZA CRIMINOSA;
c) em razão de DISCRIMINAÇÃO RACIAL OU RELIGIOSA;
II - submeter alguém, sob sua GUARDA, PODER OU AUTORIDADE, com emprego de VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA, a INTENSO SOFRIMENTO FÍSICO OU MENTAL, como forma de aplicar CASTIGO PESSOAL OU MEDIDA DE CARÁTER PREVENTIVO.
III – submeter mulher, REITERADAMENTE, a INTENSO SOFRIMENTO FÍSICO OU MENTAL, no contexto de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR, sem prejuízo da aplicação das penas correspondentes a outras infrações penais.
Pena - RECLUSÃO, DE DOIS A OITO ANOS.
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete PESSOA PRESA OU SUJEITA A MEDIDA DE SEGURANÇA a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ATO NÃO PREVISTO EM LEI OU NÃO RESULTANTE DE MEDIDA LEGAL.
§ 2º Aquele que se OMITE em face dessas condutas, quando tinha o DEVER DE EVITÁ-LAS OU APURÁ-LAS, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.
§ 3º Se resulta LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE OU GRAVÍSSIMA, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se resulta MORTE, a reclusão é de oito a dezesseis anos.
§ 4º Aumenta-se a pena de UM SEXTO ATÉ UM TERÇO:
I - se o crime é cometido por AGENTE PÚBLICO;
II - se o crime é cometido contra CRIANÇA, GESTANTE, PORTADOR DE DEFICIÊNCIA, ADOLESCENTE OU MAIOR DE 60 (SESSENTA) ANOS;
III - se o crime é cometido mediante SEQUESTRO.
§ 5º A condenação acarretará a PERDA DO CARGO, FUNÇÃO OU EMPREGO PÚBLICO e a INTERDIÇÃO PARA SEU EXERCÍCIO PELO DOBRO DO PRAZO DA PENA APLICADA.
§ 6º O crime de tortura é INAFIANÇÁVEL E INSUSCETÍVEL DE GRAÇA OU ANISTIA.
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, INICIARÁ O CUMPRIMENTO DA PENA EM REGIME FECHADO.
ART. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime NÃO TENHA SIDO COMETIDO EM TERRITÓRIO NACIONAL, sendo a vítima BRASILEIRA ou encontrando-se o agente em LOCAL SOB JURISDIÇÃO BRASILEIRA.
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