Questões de Concurso Público SEDUC-RS 2025 para Professor - Letras/Português

Foram encontradas 60 questões

Q4106591 Pedagogia
Durante uma reunião pedagógica, uma professora relata que está com dificuldades em incluir uma aluna com deficiência visual nas aulas práticas de biologia. Segundo a docente, a estudante participa pouco, interage minimamente com os colegas e tem apresentado baixo rendimento. Diante dessa situação, a coordenação pedagógica propõe encontros formativos para os docentes, com vistas a melhorar as práticas pedagógicas inclusivas. Tomando por referência esse fato, é correto afirmar que a proposta da coordenação pedagógica reflete 
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Q4106592 Pedagogia
Durante o conselho de classe, uma professora de matemática destacou que três alunos do 8º ano não têm acompanhado o ritmo da turma. Eles apresentam baixa participação e isolamento. Segundo ela, um deles tem laudo de deficiência intelectual leve e os outros dois, sem qualquer tipo de diagnóstico, apresentam dificuldades expressivas de aprendizagem. O posicionamento da professora é que a presença dos três estudantes em sua aula inviabiliza a aprendizagem dos demais e lhe traz sobrecarga de trabalho. Considerando o paradigma da educação inclusiva com foco na equidade, o posicionamento dessa professora indica 
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Q4106593 Sociologia
Uma professora de sociologia, no início do ano letivo, foi designada pela gestão da escola a trabalhar o tema das relações étnico-raciais de maneira interdisciplinar durante o primeiro semestre. Em parceria com os demais colegas, foram utilizados recursos didáticos como vídeos, músicas sobre racismo, dados estatísticos sobre violência contra negros, bem como rodas de conversa com temas sobre identidade do povo negro, mito da democracia racial, ações afirmativas e o protagonismo de cientistas negros nas diferentes áreas da sociedade. Levando em consideração o uso dos instrumentos pedagógicos pelo coletivo de professores e os fundamentos da educação para as relações étnicoraciais, assinale a alternativa que apresenta uma ação mais alinhada com a abordagem interseccional no contexto escolar. 
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Q4106594 Pedagogia
A educação tem sido cada vez mais desafiada a integrar as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) nas práticas pedagógicas. A tentativa é superar a escola tradicional, um modelo educacional centrado na passividade e no uso exclusivo do livro didático. Nesse contexto,
I. o empenho para incluir as TDIC nas ações pedagógicas visa à promoção de uma aprendizagem crítica, interdisciplinar e colaborativa
PORQUE
II. as tendências pedagógicas contemporâneas respondem às demandas sociais e integram espaços formais e informais de aprendizagem.
Com base nas proposições apresentadas, assinale a alternativa correta. 
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Q4106595 Não definido
O trabalho coletivo é dimensão fundamental para uma prática pedagógica ética, inclusiva e democrática, pois 
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Q4106596 Meio Ambiente
Uma professora que ministra a disciplina de educação ambiental propõe, durante o ano letivo, um projeto para trabalhar os desafios ambientais na atualidade. Sua ideia é envolver o coletivo de alunos para assumir um compromisso ético e social frente à comunidade em que residem. Considerando as abordagens da educação ambiental, a proposta pedagógica de caráter interseccional deve 
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Q4106597 Pedagogia
A respeito da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), assinale a alternativa INCORRETA. 
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Q4106598 Pedagogia
Com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, assinale a alternativa correta. 
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Q4106599 Pedagogia
Com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, relacione as colunas e assinale a alternativa com a sequência correta.

1. Educação Ambiental como prática político-pedagógica.
2. Superação da visão despolitizada, ingênua e naturalista.
3. Associação entre ciência e tecnologia, visando à sustentabilidade.
4. Formação dos educandos por meio de uma abordagem crítica e transformadora.

( ) Fundada em valores de liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social e sustentabilidade.
(  ) Integração dos estudantes com os objetivos da EA em cada fase, etapa, modalidade e nível de ensino.
(  ) Reconhecimento de que as mudanças climáticas estão ligadas aos modos de vida e produção.
(  ) Promoção da interface entre natureza, sociocultural, produção, trabalho e consumo.
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Q4106600 Pedagogia
Acerca do projeto pedagógico próprio das escolas indígenas, assinale a alternativa correta.
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Q4106601 Direitos Humanos
Com o objetivo de revisar o Projeto Político-Pedagógico (PPP), a equipe de professores de uma escola estadual propõe ações formativas junto aos estudantes, elas precisam estar articuladas com o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (2007) como forma de combater práticas discriminatórias presentes no cotidiano escolar. Considerando a situação apresentada e o contexto da escola pública, assinale a alternativa mais alinhada a uma visão transformadora da educação em direitos humanos.
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Q4106602 Pedagogia
Todo ano letivo, uma escola estadual desenvolve uma feira de ciências do ensino médio. Neste ano, o projeto chama-se “Memórias para o Amanhã”, segundo o qual os estudantes deverão pesquisar a comunidade onde residem, entrevistar diferentes gerações e identificar problemas sociais. Ao final, os estudantes deverão produzir textos multimodais que conectem cultura local, sustentabilidade e inovação. Entre as ações pedagógicas propostas, qual está mais alinhada às orientações do Referencial Curricular Gaúcho para o Ensino Médio (RCGEM) expressas na Resolução nº 0361/2021?
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Q4106603 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Um grupo de estudantes foi identificado em situação de vulnerabilidade social, com dificuldades de aprendizagem, falta de acesso a materiais didáticos e desproteção alimentar. A direção da escola acionou a Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e o Conselho Tutelar (CT) a fim de encontrarem encaminhamentos que possam assegurar a permanência e a proteção à infância. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, qual é a medida mais adequada a ser tomada pela CRE, pela escola e pelo CT nessa situação? 
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Q4106604 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015

Durante o período de matrículas escolares, uma mãe procurou a secretaria de uma escola pública para tentar matricular seu filho de 13 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, a secretaria da escola informou que as vagas estavam esgotadas e indicou que a mãe procurasse uma escola especializada para atender às necessidades do adolescente.


Com base na Lei nº 12.764/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, assinale a alternativa correta em relação à situação descrita.

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Q4106605 Pedagogia
Em um debate formativo sobre o processo de reformulação da parte diversificada do currículo escolar, os professores e gestores não entraram em consenso sobre como aprofundar os conteúdos curriculares no ambiente da sala de aula. Considerando o que estabelece o Parecer CEED/RS nº 323/1999, que institui as Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental e do Ensino Médio para o Sistema Estadual de Ensino, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para a organização da parte diversificada do currículo. 
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Q4106606 Pedagogia

Considere que a Secretaria de Educação (Seduc) demandou que as escolas, ao longo do ano letivo, desenvolvam ações de valorização da história e cultura afro-brasileira no cotidiano escolar. O propósito é combater o racismo estrutural e valorizar a trajetória histórica e cultural de personagens negros gaúchos.


Diante desse contexto, à luz da Resolução CNE/CP nº 1/2004, é correto afirmar que 

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Q4107841 Português

Considere o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1

Nuvem não é nuvem, amigo não é amigo

[...]

Por Sérgio Rodrigues 


    Quantos anos você tinha quando descobriu que a nuvem que armazena seus documentos e suas fotos – a memória de sua vida inteira, pode confessar – não é bem uma nuvem? Estou brincando, claro: todo mundo sabe que a nuvem (de dados) não fica no céu. De todo modo, bem menos gente foi informada de que a tal nebulosa, chame-se ela Google, iCloud ou Tabajara, não só carece de parentesco com cúmulos e cirros como vai no sentido verticalmente oposto – se enterra no chão. Sim, é um fato: os servidores remotos que abrigam a nuvem, devoradores de recursos naturais, se alojam no subsolo do planeta. Deve haver uma mensagem secreta aí. Quer dizer que, em vez de céu, estamos falando do inferno?


    Deixemos de lado por ora as considerações morais. Restam questões bem objetivas: se a nuvem se situa nas profundezas da Terra, então incorremos em erro quando dizemos “baixar” um filme ao trazê-lo de alguma cinemateca virtual para nossa máquina. Deveríamos dizer “subir”. E vice-versa. No varejo, é evidente que nada disso faz muita diferença na vida de ninguém. No mundo pós-revolução digital, Alice já atravessou o espelho e nuvem não é nuvem, baixar é subir, subir é baixar – e daí?


    O problema se revela no atacado, na escala em que a linguagem digital reprogramou nossas palavras. A nuvem de dados é apenas uma das formas que ela tem de nos apresentar uma face familiar, sorridente, enquanto demole e reconstrói o edifício das relações sociais inteiro. De cima até embaixo. Se a nuvem não é nuvem, o amigo de rede social será mesmo amigo, quer dizer, amigo-amigo de verdade, amigo em qualquer sentido que vá além do figurado?


    Estamos no terreno da metáfora, claro. Força indomável da linguagem, criadora de novos sentidos por analogia, é ela que explica a página que não é página, a janela que não é janela, a navegação que não é navegação, o vírus que não é vírus, a reunião que não é reunião. Alguém pode argumentar que tudo isso é perfeitamente inofensivo, quem sabe até uma bênção: tratando-se de uma tecnologia que cria tanta coisa nova, é bom que ela se expresse assim em vez de poluir a paisagem com neologismos frios, não?


    O argumento é válido em tese, mas desconsidera algo fundamental: o quanto a metaforização digital ampla e irrestrita nos impede de compreender a profundidade da mudança em nossas vidas – e reagir com a cautela que o bom senso recomendaria. A comunidade online não é antropologicamente comparável a nada do que os seres humanos entendiam por “comunidade” desde que a palavra foi criada até... outro dia de manhã. Como esperar que as nossas democracias permaneçam as mesmas?


    Fazendo parecer familiar e seguro um meio de comunicação agressivamente dedicado a reconfigurar a paisagem social nos mínimos detalhes, a linguagem nos induz a um estado de negação. Se nossos filhos pequenos não estivessem apenas se divertindo entre “amigos”, navegando por instrutivas “páginas”, acessando “nuvens” bucólicas, será que os deixaríamos por tanto tempo sozinhos diante de telas, sem nenhuma supervisão?


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2025/06/nuvem-nao-e-nuvem-amigo-nao-e-amigo.shtml. Acesso em: 17 jul. 2025.

O texto sustenta todo o percurso argumentativo do autor por meio da metáfora, que é uma figura de linguagem que tem por função semântica 
Alternativas
Q4107842 Português

Considere o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1

Nuvem não é nuvem, amigo não é amigo

[...]

Por Sérgio Rodrigues 


    Quantos anos você tinha quando descobriu que a nuvem que armazena seus documentos e suas fotos – a memória de sua vida inteira, pode confessar – não é bem uma nuvem? Estou brincando, claro: todo mundo sabe que a nuvem (de dados) não fica no céu. De todo modo, bem menos gente foi informada de que a tal nebulosa, chame-se ela Google, iCloud ou Tabajara, não só carece de parentesco com cúmulos e cirros como vai no sentido verticalmente oposto – se enterra no chão. Sim, é um fato: os servidores remotos que abrigam a nuvem, devoradores de recursos naturais, se alojam no subsolo do planeta. Deve haver uma mensagem secreta aí. Quer dizer que, em vez de céu, estamos falando do inferno?


    Deixemos de lado por ora as considerações morais. Restam questões bem objetivas: se a nuvem se situa nas profundezas da Terra, então incorremos em erro quando dizemos “baixar” um filme ao trazê-lo de alguma cinemateca virtual para nossa máquina. Deveríamos dizer “subir”. E vice-versa. No varejo, é evidente que nada disso faz muita diferença na vida de ninguém. No mundo pós-revolução digital, Alice já atravessou o espelho e nuvem não é nuvem, baixar é subir, subir é baixar – e daí?


    O problema se revela no atacado, na escala em que a linguagem digital reprogramou nossas palavras. A nuvem de dados é apenas uma das formas que ela tem de nos apresentar uma face familiar, sorridente, enquanto demole e reconstrói o edifício das relações sociais inteiro. De cima até embaixo. Se a nuvem não é nuvem, o amigo de rede social será mesmo amigo, quer dizer, amigo-amigo de verdade, amigo em qualquer sentido que vá além do figurado?


    Estamos no terreno da metáfora, claro. Força indomável da linguagem, criadora de novos sentidos por analogia, é ela que explica a página que não é página, a janela que não é janela, a navegação que não é navegação, o vírus que não é vírus, a reunião que não é reunião. Alguém pode argumentar que tudo isso é perfeitamente inofensivo, quem sabe até uma bênção: tratando-se de uma tecnologia que cria tanta coisa nova, é bom que ela se expresse assim em vez de poluir a paisagem com neologismos frios, não?


    O argumento é válido em tese, mas desconsidera algo fundamental: o quanto a metaforização digital ampla e irrestrita nos impede de compreender a profundidade da mudança em nossas vidas – e reagir com a cautela que o bom senso recomendaria. A comunidade online não é antropologicamente comparável a nada do que os seres humanos entendiam por “comunidade” desde que a palavra foi criada até... outro dia de manhã. Como esperar que as nossas democracias permaneçam as mesmas?


    Fazendo parecer familiar e seguro um meio de comunicação agressivamente dedicado a reconfigurar a paisagem social nos mínimos detalhes, a linguagem nos induz a um estado de negação. Se nossos filhos pequenos não estivessem apenas se divertindo entre “amigos”, navegando por instrutivas “páginas”, acessando “nuvens” bucólicas, será que os deixaríamos por tanto tempo sozinhos diante de telas, sem nenhuma supervisão?


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2025/06/nuvem-nao-e-nuvem-amigo-nao-e-amigo.shtml. Acesso em: 17 jul. 2025.

Considere o excerto a seguir:
“Se nossos filhos pequenos não estivessem apenas se divertindo entre ‘amigos’, navegando por instrutivas ‘páginas’, acessando ‘nuvens’ bucólicas, será que os deixaríamos por tanto tempo sozinhos diante de telas, sem nenhuma supervisão?”
No último parágrafo, uso de aspas nos termos destacados tem por função demarcar a utilização das metáforas e pode-se compreender que o efeito de sentido produzido é 
Alternativas
Q4107843 Português

Considere o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1

Nuvem não é nuvem, amigo não é amigo

[...]

Por Sérgio Rodrigues 


    Quantos anos você tinha quando descobriu que a nuvem que armazena seus documentos e suas fotos – a memória de sua vida inteira, pode confessar – não é bem uma nuvem? Estou brincando, claro: todo mundo sabe que a nuvem (de dados) não fica no céu. De todo modo, bem menos gente foi informada de que a tal nebulosa, chame-se ela Google, iCloud ou Tabajara, não só carece de parentesco com cúmulos e cirros como vai no sentido verticalmente oposto – se enterra no chão. Sim, é um fato: os servidores remotos que abrigam a nuvem, devoradores de recursos naturais, se alojam no subsolo do planeta. Deve haver uma mensagem secreta aí. Quer dizer que, em vez de céu, estamos falando do inferno?


    Deixemos de lado por ora as considerações morais. Restam questões bem objetivas: se a nuvem se situa nas profundezas da Terra, então incorremos em erro quando dizemos “baixar” um filme ao trazê-lo de alguma cinemateca virtual para nossa máquina. Deveríamos dizer “subir”. E vice-versa. No varejo, é evidente que nada disso faz muita diferença na vida de ninguém. No mundo pós-revolução digital, Alice já atravessou o espelho e nuvem não é nuvem, baixar é subir, subir é baixar – e daí?


    O problema se revela no atacado, na escala em que a linguagem digital reprogramou nossas palavras. A nuvem de dados é apenas uma das formas que ela tem de nos apresentar uma face familiar, sorridente, enquanto demole e reconstrói o edifício das relações sociais inteiro. De cima até embaixo. Se a nuvem não é nuvem, o amigo de rede social será mesmo amigo, quer dizer, amigo-amigo de verdade, amigo em qualquer sentido que vá além do figurado?


    Estamos no terreno da metáfora, claro. Força indomável da linguagem, criadora de novos sentidos por analogia, é ela que explica a página que não é página, a janela que não é janela, a navegação que não é navegação, o vírus que não é vírus, a reunião que não é reunião. Alguém pode argumentar que tudo isso é perfeitamente inofensivo, quem sabe até uma bênção: tratando-se de uma tecnologia que cria tanta coisa nova, é bom que ela se expresse assim em vez de poluir a paisagem com neologismos frios, não?


    O argumento é válido em tese, mas desconsidera algo fundamental: o quanto a metaforização digital ampla e irrestrita nos impede de compreender a profundidade da mudança em nossas vidas – e reagir com a cautela que o bom senso recomendaria. A comunidade online não é antropologicamente comparável a nada do que os seres humanos entendiam por “comunidade” desde que a palavra foi criada até... outro dia de manhã. Como esperar que as nossas democracias permaneçam as mesmas?


    Fazendo parecer familiar e seguro um meio de comunicação agressivamente dedicado a reconfigurar a paisagem social nos mínimos detalhes, a linguagem nos induz a um estado de negação. Se nossos filhos pequenos não estivessem apenas se divertindo entre “amigos”, navegando por instrutivas “páginas”, acessando “nuvens” bucólicas, será que os deixaríamos por tanto tempo sozinhos diante de telas, sem nenhuma supervisão?


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2025/06/nuvem-nao-e-nuvem-amigo-nao-e-amigo.shtml. Acesso em: 17 jul. 2025.

Considerando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o trabalho com a língua portuguesa deve ser pautado nos eixos de leitura, produção de textos, oralidade e análise linguística/semiótica. Em uma situação prática de atividade de leitura em sala de aula, cujo objeto de conhecimento é a produção de sentidos, ao trabalhar com o texto indicado, o professor deve priorizar
Alternativas
Q4107844 Português

Considere o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1

Nuvem não é nuvem, amigo não é amigo

[...]

Por Sérgio Rodrigues 


    Quantos anos você tinha quando descobriu que a nuvem que armazena seus documentos e suas fotos – a memória de sua vida inteira, pode confessar – não é bem uma nuvem? Estou brincando, claro: todo mundo sabe que a nuvem (de dados) não fica no céu. De todo modo, bem menos gente foi informada de que a tal nebulosa, chame-se ela Google, iCloud ou Tabajara, não só carece de parentesco com cúmulos e cirros como vai no sentido verticalmente oposto – se enterra no chão. Sim, é um fato: os servidores remotos que abrigam a nuvem, devoradores de recursos naturais, se alojam no subsolo do planeta. Deve haver uma mensagem secreta aí. Quer dizer que, em vez de céu, estamos falando do inferno?


    Deixemos de lado por ora as considerações morais. Restam questões bem objetivas: se a nuvem se situa nas profundezas da Terra, então incorremos em erro quando dizemos “baixar” um filme ao trazê-lo de alguma cinemateca virtual para nossa máquina. Deveríamos dizer “subir”. E vice-versa. No varejo, é evidente que nada disso faz muita diferença na vida de ninguém. No mundo pós-revolução digital, Alice já atravessou o espelho e nuvem não é nuvem, baixar é subir, subir é baixar – e daí?


    O problema se revela no atacado, na escala em que a linguagem digital reprogramou nossas palavras. A nuvem de dados é apenas uma das formas que ela tem de nos apresentar uma face familiar, sorridente, enquanto demole e reconstrói o edifício das relações sociais inteiro. De cima até embaixo. Se a nuvem não é nuvem, o amigo de rede social será mesmo amigo, quer dizer, amigo-amigo de verdade, amigo em qualquer sentido que vá além do figurado?


    Estamos no terreno da metáfora, claro. Força indomável da linguagem, criadora de novos sentidos por analogia, é ela que explica a página que não é página, a janela que não é janela, a navegação que não é navegação, o vírus que não é vírus, a reunião que não é reunião. Alguém pode argumentar que tudo isso é perfeitamente inofensivo, quem sabe até uma bênção: tratando-se de uma tecnologia que cria tanta coisa nova, é bom que ela se expresse assim em vez de poluir a paisagem com neologismos frios, não?


    O argumento é válido em tese, mas desconsidera algo fundamental: o quanto a metaforização digital ampla e irrestrita nos impede de compreender a profundidade da mudança em nossas vidas – e reagir com a cautela que o bom senso recomendaria. A comunidade online não é antropologicamente comparável a nada do que os seres humanos entendiam por “comunidade” desde que a palavra foi criada até... outro dia de manhã. Como esperar que as nossas democracias permaneçam as mesmas?


    Fazendo parecer familiar e seguro um meio de comunicação agressivamente dedicado a reconfigurar a paisagem social nos mínimos detalhes, a linguagem nos induz a um estado de negação. Se nossos filhos pequenos não estivessem apenas se divertindo entre “amigos”, navegando por instrutivas “páginas”, acessando “nuvens” bucólicas, será que os deixaríamos por tanto tempo sozinhos diante de telas, sem nenhuma supervisão?


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2025/06/nuvem-nao-e-nuvem-amigo-nao-e-amigo.shtml. Acesso em: 17 jul. 2025.

Considerando os processos fonético-fonológicos da língua portuguesa evidenciados no seguinte excerto: “É ela que explica a página que não é página, a janela que não é janela, a navegação que não é navegação, o vírus que não é vírus, a reunião que não é reunião.”, assinale a alternativa que apresenta a análise correta sobre os fenômenos sonoros presentes nele. 
Alternativas
Respostas
21: C
22: A
23: D
24: B
25: E
26: C
27: A
28: E
29: A
30: B
31: D
32: A
33: B
34: A
35: D
36: C
37: E
38: A
39: C
40: A