Questões de Concurso Público SESAP-RN 2025 para TAS - Área: Historiador
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“Quando queremos conhecer as sociedades indígenas desaparecidas, não dispomos de textos, pois elas não utilizavam a escrita. Por outro lado, as sociedades ameríndias que sobreviveram até hoje são poucas em relação às que existiram outrora, e se modificaram demasiado para oferecer uma imagem adequada dos primeiros habitantes do território que hoje chamamos Brasil.”
(PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros: a pré-história de nosso país. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. p. 7.)
Assinale a afirmativa correta sobre as fontes mais relevantes para as pesquisas sobre as sociedades indígenas pré-colombianas.
Assinale a afirmativa que corresponde corretamente a esse projeto empreendido por Villegagnon no Brasil.
(FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Cia Editeis Nacional, 2003. p. 42.)
No que se refere à empresa açucareira no Brasil colonial, assinale a afirmativa que corresponde corretamente a tese exposta por Celso Furtado.
“O traçado completo da linha divisória do Brasil é obra do começo da República. O [diplomata] sem guerras, conseguiu consolidar e até ampliar as fronteiras de sua terra, feito dado a poucos. Antes de ser nomeado Ministro, em 1902, já havia sido o vitorioso advogado do Brasil nos arbitramentos das Questões de Palmas, com a Argentina (1895), e do Amapá, com a França (1900); além de ter feito o estudo preliminar da Questão do Pirara, com a Inglaterra (1904). Assim que assume o Itamaraty, resolve o complicado problema do Acre (1903) [...]. Ao morrer, em 1912, deixava o país livre de problemas que até hoje atormentam outros países do continente.”
(GOES FILHO, Synesio Sampaio. As fronteiras do Brasil. Brasília: FUNAG, 2013. pp. 18-19.)
O texto base refere-se a:
(CANDIDO, Antonio. Os parceiros do Rio Bonito. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2010. p. 43.)
De acordo com Antonio Candido, em certas porções do grande território devassado pelas bandeiras e entradas, denominado significativamente Paulistânia, surgiu uma variedade subcultural do tronco português que se pode chamar de cultura:
“Na busca pela ampliação dos mercados, os ingleses impõem ao mundo o livre comércio e o abandono dos princípios mercantilistas, ao mesmo tempo que tratam de proteger seu próprio mercado e o de suas colônias com tarifas protecionistas. Em suas relações com a América espanhola e portuguesa, abrem brechas cada vez maiores no sistema colonial, por meio de acordos comerciais, contrabando e aliança com os comerciantes locais. O mundo colonial é afetado também por outro fator importante: a tendência a limitar ou a extinguir a escravidão, manifestada pelas maiores potências da época, ou seja, a Inglaterra e a França.”
(FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp/FDE: 1995. p. 108.)
A crise do sistema colonial brasileiro, no final do século XVIII e início do XIX, esteve diretamente relacionada às transformações econômicas e políticas que ocorriam no cenário mundial. Considerando essas questões, assinale a afirmativa que melhor sintetiza o processo de crise do sistema colonial.
“No caso do Brasil [...] é preciso cuidado ao analisar o processo de formação do Estado, para não cair na armadilha do anacronismo e tomar o marco da independência política como o do nascimento, após longa gestação, da ‘nação’ brasileira; o Estado nacional, na forma como afinal prevaleceu — centralizado em torno do Rio de janeiro —, seria segundo tal perspectiva um produto histórico necessário, derivado dessa ideia de nacionalidade.”
(GRINBERG, Keila; SALLES, Ricardo. O Brasil Imperial, volume 1: 1808-1831. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. 2010. p. 320.)
Assinale a afirmativa que melhor expressa o processo de formação do Estado Nacional Brasileiro.
“No dia 9 de janeiro, D. Pedro recebeu no Paço — numa audiência do Senado da Câmara — um requerimento tomado por mais de 8 mil assinaturas, que pediam a ele que não deixasse o Brasil. O objetivo era claro: garantir a presença do herdeiro na colônia e assim suspender a maré recolonizadora que dominara a metrópole. E, se D. Pedro não se fez de rogado, até hoje pairam suspeitas acerca das famosas palavras declaradas pelo príncipe; o tão famoso ‘Diga ao povo que fico’. [...]”
(SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 270.)
O “Dia do Fico” foi um marco na escalada dos conflitos entre os interesses políticos da elite colonial brasileira e os esforços da metrópole para reverter a autonomia administrativa conquistada desde a vinda da família real em 1808. Considerando o seu contexto, assinale a afirmativa que corresponde ao evento político de maior relevância que o sucedeu diretamente.
Durante o Segundo Reinado (1840-1889), o Brasil passou por profundas transformações econômicas e políticas, inserindose de forma mais complexa no mercado mundial. A economia nacional foi influenciada tanto por fatores internos, como a crise da mão de obra escravizada e o crescimento da cafeicultura, quanto por fatores externos, como a consolidação do capitalismo industrial na Europa e nos Estados Unidos.
Considerando o contexto da economia brasileira no Segundo Reinado e sua relação com o mercado mundial, assinale a afirmativa correta.
“Comparando-se o Código Penal do Império com o da República, verifica-se, imediatamente, que os artigos desde referentes a insurreições, levantes, sedições, conspirações, são cópia servilíssima, transposição com ponto e vírgula do outro, trocando apenas o que era Império pelo que é República.”
(Oiticica, José. Jornal Spartacus, Rio de Janeiro, ano I, nº 16, 15 nov. 1919. In: ALVES, Paulo. A verdade da repressão: práticas penais e outras estratégias na ordem republicana: 18890-1921. São Paulo: Arte & Ciência, 1997. p. 15.)
Considerando o contexto da Proclamação da República e seus desdobramentos, assinale a afirmativa correta.
A República Oligárquica no Brasil, marcada pela dominação de poderosas famílias e grupos regionais, vivenciou um contexto de crescente contestação social, política e econômica, especialmente durante os anos 1920. A análise crítica sobre as oligarquias, que começou a ser feita de modo mais sistemático nesse período, esteve diretamente ligada aos levantes e movimentações de diferentes setores da sociedade.
Considerando as abordagens historiográficas sobre a República Oligárquica e sobre seu contexto histórico, assinale a afirmativa correta.
“Antes que o novo regime político se consolidasse, a República viveu um período de instabilidade, de não poucas tensões, de indefinição de rumos e de ausência de um desenho político nítido para a nova ordem instaurada. [...] Os primeiros anos republicanos se caracterizaram mais pelo vazio representado pela supressão dos mecanismos institucionais próprios do Império do que pela invenção de novas formas de organização política. O veto imposto ao regime monárquico não implicou a invenção de uma nova ordem.”
(FERREIRA, Jorge et al (Orgs.). O tempo do liberalismo oligárquico: da Proclamação da República à Revolução de 1930 – Primeira República (1889-1930). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. p. 31.)
Considerando esse contexto de consolidação da República no Brasil, analise as afirmativas a seguir e assinale a correta.
A industrialização acelerada teve efeitos não só econômicos, mas também políticos e sociais. Como é sabido, a fábrica tem na cidade seu espaço privilegiado e, por isso, a Era Vargas – incluindo aí seu segundo governo, entre 1950 e 1954 – é caracterizada como uma época de intensa urbanização.”
(DEL PRIORE, Mary. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010. p. 229.)
A Era Vargas foi um período marcado por transformações estruturais na economia, na política e na sociedade brasileira. Considerando esse contexto, analise as afirmativas a seguir e assinale a correta.
“Em julho, eclodiu uma revolução em São Paulo que se transformou na pior guerra civil vivida pelo país. O comando geral da revolução estava com Isidoro Dias Lopes, um dos tenentes revoltosos da década de 1920 e revolucionário de 1930. São Paulo se sentia o grande perdedor da Revolução de 30. [...] Voluntariamente, milhares de pessoas se alistaram para participar da guerra. Através da campanha Ouro para o Bem do Brasil chegavam recursos financeiros para a revolução. Fábricas foram adaptadas para produzir material bélico e a população civil se organizou para prestar serviços médicos e atuar nas áreas de transporte e abastecimento. [...] De vários pontos do país chegavam voluntários para lutar ao lado dos paulistas. A Revolução Constitucionalista, como se tornou conhecida, durou três meses.”
(FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves. O tempo do nacionalestatismo: do início da década de 1930 ao apogeu do Estado Novo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. p. 25.)
Com relação a chamada “Revolução Constitucionalista de 1932”, analise as afirmativas a seguir e assinale a correta.
“O governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola, no dia 25 de agosto de 1961, participava das solenidades do Dia do Soldado. Porto Alegre sediava o III Exército. Embora os generais presentes ao evento se esforçassem para demonstrar que tudo corria bem, ele percebeu algo de anormal. Logo chegou ao governador o boato de que o presidente Jânio Quadros tinha renunciado. Algo tão inusitado que ele desconfiou que o presidente podia ter sido deposto por um golpe militar. Naquela época, as comunicações ainda eram muito difíceis. Brizola não conseguiu se certificar imediatamente do fato. Algum tempo depois, foi notificado do que acontecia: Jânio entregara uma carta-renúncia ao Congresso Nacional. Mais adiante, vieram informações sobre a formação de uma Junta Militar, bem como sua declaração sobre a ‘inconveniência’ da posse de Goulart. [...]”
(FERREIRA, Jorge; GOMES, Angela de Castro. 1964: o golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a ditadura no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014. p. 23.)
A renúncia de Jânio Quadros em 1961 desencadeou uma grave crise política, com setores militares tentando impedir a posse do vice-presidente João Goulart. Nesse contexto, Leonel Brizola desempenhou um papel central na articulação política do período. Assinale a afirmativa correta sobre esse episódio.
“Tudo se acabou na quarta-feira, 26 de abril. Votada noite adentro, faltaram 22 votos à emenda Dante de Oliveira e ela foi ao arquivo. Tivera 298 votos, 54 deles vindos do PDS. Para evitar marchas e comícios em Brasília, Figueiredo colocara a Capital Federal sob medida de emergência, proibindo manifestações e censurando as transmissões de rádio e televisão a partir da cidade. Novamente, coube ao general Newton Cruz comandar a tropa. Frustrando milhões de pessoas, a derrota da emenda somou-se à ruína econômica e às divisões irremediáveis ocorridas no arco de interesses formado em 1964.”
(GASPARI, Elio. A ditadura acabada. vol. 5. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016. p. 294.)
O texto base refere-se:
A cidade de Americana, localizada no interior do estado de São Paulo, possui um processo de formação vinculado a fluxos migratórios que marcaram sua estrutura socioeconômica. Sua origem remonta ao final do século XIX, sendo influenciada por imigrantes que trouxeram consigo práticas agrícolas e industriais.
Com base na história da fundação e consolidação de Americana, assinale a afirmativa correta.
“A tradição marxista britânica de história social do trabalho e a obra de Thompson, em especial, haviam colocado as noções de experiência e cultura no cerne das análises sobre a ação social. O desenvolvimento da problemática tendeu rapidamente a ultrapassar o interesse inicial no ativismo operário, para concentrar-se na compreensão da experiência das pessoas comuns, no passado, e de suas reações a esta própria experiência.”
(CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997. p. 85.)
E. P. Thompson foi um dos principais historiadores do século XX, sendo referência na renovação da historiografia social. A partir dessa perspectiva, assinale o conceito que corresponde corretamente à concepção historiográfica de Thompson.
“O movimento de 31 de março de 1964 tinha sido lançado aparentemente para livrar o país da corrupção e do comunismo e para restaurar a democracia, mas o novo regime começou a mudar as instituições do país através de decretos, chamados [...] justificados como decorrência ‘do exercício do Poder Constituinte, inerente a todas as revoluções’.”
(FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. p. 465.)
Durante o regime militar brasileiro (1964-1985), o governo utilizou uma série de decretos com força constitucional para consolidar sua autoridade, restringir liberdades civis e reprimir opositores. Esses decretos ficaram conhecidos como:
“‘Na base concreta [...] ergue-se uma superestrutura jurídica e política, à qual correspondem formas de consciência social’. A noção de ‘superestrutura jurídica e política’ pode compreenderse facilmente: abrange as instituições jurídicas, as instituições políticas, as formas do Estado.”
(BOURDÉ, Guy; MARTIN; Hervé. As escolas históricas. Portugal: Publicações Europa América, 1983. p. 155.)
O materialismo histórico, desenvolvido por Karl Marx e Friedrich Engels, estabelece categorias fundamentais para a análise das sociedades e de seus processos de transformação. Entre esses conceitos, destaca-se a noção de “base concreta” sobre a qual se edificam as instituições políticas, jurídicas e ideológicas. De acordo com essa concepção, a “base concreta” corresponde a: