Questões de Concurso
Sobre trabalho e serviço social em serviço social
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Partindo-se do suposto de que o significado que o trabalho profissional do assistente social adquire no processo de produção e reprodução das ______________ só pode ser interpretado e compreendido na relação entre as necessidades das ______________ que polarizam sua intervenção, os distintos sujeitos sociais e os interesses antagônicos que o demandam, os espaços ocupacionais, as ______________ profissionais, cabe situar a importância da produção de conhecimento para o Serviço Social.
A sequência que preenche corretamente as lacunas do texto é
I. Trata-se de um redesenho do mapa mundial dos acidentes e das doenças profissionais e do trabalho, cuja base de reconfiguração assenta-se em uma nova morfologia do trabalho expressa por clivagens e transversalidades entre trabalhadores estáveis e precários, homens e mulheres, jovens e idosos, brancos, negros e índios, qualificados e desqualificados, empregados e desempregados, nativos e imigrantes.
II. Os trabalhadores pertencentes ao núcleo que atua com maquinário mais avançado, dotado de maior tecnologia, encontram-se cada vez mais expostos à flexibilização e à intensificação do ritmo de suas atividades, expressas não somente pela cadência imposta pela robotização do processo produtivo, mas, sobretudo, pela instituição de práticas pautadas pela multifuncionalidade e polivalência.
III. Uma reconfiguração do trabalho que articula a ampliação de grandes contingentes que se precarizam ou perdem o emprego e vivenciam novos modos de extração de trabalho e mais-valia, conjuntamente com aqueles setores que atuam inseridos em ambientes de trabalho que fazem uso das chamadas tecnologias da informação e comunicação.
IV. Flexibilidade ou flexibilização se constitui no contexto atual em uma espécie de síntese ordenadora dos múltiplos fatores que fundamentam as alterações na sociabilidade do capitalismo contemporâneo. Do ponto de vista de seu impacto nas relações de trabalho, a flexibilização se expressa na diminuição drástica das fronteiras entre atividade laboral e espaço da vida privada.
Está correto o que se afirma em
I. Como produto da sociedade, o Serviço Social consiste na mediação entre produção material e reprodução do sujeito para tal produção; e, na mediação da reprodução do sujeito nesta relação.
II. No cotidiano do trabalho é tarefa ordenar o naturalizado pelo socializado e pelo histórico, e o congelado pelo “pôr-se em ação” e pelo “ver-se em ação histórica”, na conformação das relações sociais.
III. O intelectual que trabalha a mediação da representação articulada à reprodução é o assistente social. É uma de suas tarefas desafiar e retraduzir a representação do dominado na visibilidade do dominante.
IV. É no campo da política do cotidiano que se processa a relação entre assistente social e população; na mediação de reprodução e representação, de acordo com a micropolítica como o microclima de poder no contexto capitalista.
Está correto o que se afirma apenas em
Nesse sentido, quanto à concepção em Marx de Estado e Sociedade civil, analise as afirmativas abaixo:
I. Para Marx somente a partir da instauração do Estado é que os homens abandonam o estado de natureza e passam a viver em sociedade, não havendo antecessão cronológica do Estado ou da sociedade. Ambas nascem no momento do contrato social, mas a sociedade civil é fundada.
II. O Estado, conforme Marx e Engels, é fundado a partir do contrato e precisa gozar de absoluta soberania; ser inquestionável e ter a liberdade para arbitrar, inclusive, sobre a vida ou morte dos cidadãos. Não pode haver espaço para o questionamento do Estado por um motivo cristalino: questionar o Estado significaria questionar sua soberania.
III. Marx rejeita a ideia de um contrato social que viabilizasse a passagem do estado de natureza para a sociedade civil-política. Para ele, a sociedade pré-política, sem a existência do Estado, é marcada por contradições e conflitos entre diferentes grupos. A presença do Estado na sociedade civil representa a entrada para a sociedade política, regida pelos princípios fundamentais da racionalidade e da universalidade. Esses princípios permitiriam a superação dos conflitos de interesse entre grupos particulares, sendo efetivados pelo Estado.
IV. Em Marx, o Estado não inaugura a sociedade civil. Antes, ergue-se a partir dela no interesse de determinada classe social. A recuperação histórica do surgimento do Estado permite que Marx demonstre a vinculação orgânica entre Estado e capital. A emancipação política garantida pela Revolução de 1789 não assegura o próximo passo no avanço da emancipação da humanidade.
Está CORRETO o que se afirma apenas em
Nesse sentido, sobre a racionalidade instrumental na trajetória histórica da política de saúde, analise as afirmativas abaixo:
I. Na década de 1980, o Estado brasileiro passa a incorporar uma racionalização transplantada das empresas; o espaço estatal não seria, assim, o lugar de conflitos e interesses individuais, devendo ser tecnicamente administrado.
II. Nas décadas de 1920 e 1930, o acesso das classes trabalhadoras às políticas sociais e, particularmente, à política de saúde se dá de forma fragmentada e focalizada, diretamente relacionada aos segmentos mais organizados politicamente e situados nos processos produtivos estrategicamente mais importantes para o capital.
III. Na década de 1920, o Estado responde aos conflitos sociais com intervenções técnicas, fundadas principalmente na racionalidade instrumental burguesa, seja no processo saúde/doença, seja nas mais diversas expressões da questão social.
IV. Em meados da década de 1960, o Estado brasileiro, nesse momento, fez uso sistemático de grande repressão junto aos grupos de resistência ao regime ditatorial e, mais uma vez, a política social e sua racionalidade foram instrumentos de passivização e controle das massas populares.
Estão CORRETAS
Nesse sentido, analise as questões a seguir quanto à tese do sincretismo e da prática indiferenciada.
I. Netto (1992) propõe-se a elucidar o estatuto teórico da profissão e identificar a especificidade da prática profissional até a década de 60 do século XX, considerando uma dupla determinação: as demandas sociais e a reserva de forças teóricas e prático- sociais acumuladas pelos assistentes socais, capazes ou não de responder às requisições externas. Esse percurso tem como centro o sincretismo, traço transversal da natureza do serviço social, desdobrando-se na caracterização da prática profissional e dos seus parâmetros científicos e ideológicos.
II. De acordo com Netto (1992), o sincretismo nos parece ser o fio condutor da afirmação e desenvolvimento do Serviço Social como profissão, seu núcleo organizativo e sua norma de atuação[...] Sincretismo foi um princípio constitutivo do Serviço Social.
III. O autor considera que o sincretismo figura como a essência da totalidade do ser social, na natureza da profissão na sociedade burguesa madura, apresentando uma natureza crítico-dialética.
IV. Restringir o universo de análise do Serviço Social às formas reificadas de manifestação dos processos sociais, ainda que esse procedimento possa prevalecer no universo profissional, denuncia a mistificação, mas não elucida a natureza sócio-histórica dessa especialização do trabalho para além do universo alienado, em que se realiza e se mostra encoberta no sincretismo. Em outros termos, o esforço de desvendamento, ainda que essencial, torna-se parcial e inconcluso.
Estão CORRETAS
A partir disso, examine as questões a seguir, no que se refere às formas de gestão do trabalho denominados como fordismo e acumulação flexível e relacione com a atuação do assistente social no campo da saúde pública para cada um desses modelos e períodos.
I. Fordismo- a afirmação da industrialização por meio da formação de um amplo parque industrial abrigado em um discurso nacionalista trouxe a modernidade ao país. A industrialização endógena e financiada por um capital exógeno fez com que o Brasil vivenciasse um amplo processo de crescimento dos seus centros urbanos. Essa mesma industrialização trouxe consigo as mazelas de um trabalho de fábrica, conflitos urbanos e a criação de políticas de controle da força de trabalho. Para o Serviço Social, isso representou a necessidade de criação de práticas ―modernas‖, a exigência de uma racionalidade burocrático-administrativa e a inserção do seu trabalho em estruturas institucionais complexas do ponto de vista organizacional.
II. Acumulação Flexível: as instituições de porte estavam correlacionadas à chegada dos grandes projetos industriais, principalmente aqueles que trouxeram a promessa do desenvolvimento econômico, invertendo o perfil populacional do Brasil rural para o Brasil urbano. Modelos americanizados de políticas públicas funcionalistas entravam em discussão, colocando o cerne do debate profissional do assistente social na clássica divisão caso/grupo/comunidade.
III. Fordismo: o grande hospital traz consigo a gestão do trabalho em um formato semelhante ao concebido dentro da grande fábrica. Atendimentos em massa, cirurgias em massa, internações contabilizadas pelo seu gasto financeiro, leitos em série e atendimentos sequenciais sem tempo de parada. Desta forma, aos poucos molda-se uma rotina também para aquele trabalho que não deveria ser considerado rotineiro. O Serviço Social criou e reproduziu normas institucionais de forma mecanizada para todos aqueles que o procuravam.
IV. Acumulação Flexível: a especialidade técnica na saúde pública criou equipes que não interagem. São profissionais compartimentalizados, como se a vida fosse a junção de conhecimentos sobre pedaços do corpo humano. Criaram se novos indicadores para compreender as políticas de saúde. Isso não foi uma peculiaridade brasileira, mas internacional.
Estão CORRETAS