Souza (2010) discute em seu artigo acerca da relação entre a...
Nesse sentido, quanto à concepção em Marx de Estado e Sociedade civil, analise as afirmativas abaixo:
I. Para Marx somente a partir da instauração do Estado é que os homens abandonam o estado de natureza e passam a viver em sociedade, não havendo antecessão cronológica do Estado ou da sociedade. Ambas nascem no momento do contrato social, mas a sociedade civil é fundada.
II. O Estado, conforme Marx e Engels, é fundado a partir do contrato e precisa gozar de absoluta soberania; ser inquestionável e ter a liberdade para arbitrar, inclusive, sobre a vida ou morte dos cidadãos. Não pode haver espaço para o questionamento do Estado por um motivo cristalino: questionar o Estado significaria questionar sua soberania.
III. Marx rejeita a ideia de um contrato social que viabilizasse a passagem do estado de natureza para a sociedade civil-política. Para ele, a sociedade pré-política, sem a existência do Estado, é marcada por contradições e conflitos entre diferentes grupos. A presença do Estado na sociedade civil representa a entrada para a sociedade política, regida pelos princípios fundamentais da racionalidade e da universalidade. Esses princípios permitiriam a superação dos conflitos de interesse entre grupos particulares, sendo efetivados pelo Estado.
IV. Em Marx, o Estado não inaugura a sociedade civil. Antes, ergue-se a partir dela no interesse de determinada classe social. A recuperação histórica do surgimento do Estado permite que Marx demonstre a vinculação orgânica entre Estado e capital. A emancipação política garantida pela Revolução de 1789 não assegura o próximo passo no avanço da emancipação da humanidade.
Está CORRETO o que se afirma apenas em
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: A decisão dependia de identificar quais assertivas reproduziam a lógica contratualista e quais preservavam a direção marxiana da relação entre Estado e sociedade civil. Como Marx rejeita o contrato social e não trata o Estado como origem da vida social, as afirmativas I e II caem de saída; a III também falha ao atribuir ao Estado um papel efetivo de universalização acima dos conflitos de classe. Assim, apenas IV permanece compatível.
- Se a assertiva explicar a origem do Estado por contrato social ou pela saída do estado de natureza, afaste Marx e identifique traço contratualista.
- Se o Estado aparecer como árbitro neutro ou realizador efetivo da universalidade acima dos conflitos sociais, desconfie: isso contraria a crítica marxiana indicada na base.
- Em Marx, a sociedade civil antecede o Estado, e o Estado surge ligado às contradições e aos interesses de classe.
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