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Q4067856 Serviço Social
Conforme Sodré (2010), o trabalho do assistente social no campo da saúde traz desafios recorrentes desde a inserção do profissional de Serviço Social nesta área de atuação. Temos há muito tempo acúmulo nas discussões produzidas para a saúde pública através das ferramentas que o Serviço Social, juntamente com outros profissionais, desenvolveu e aprimorou ao longo da reforma sanitária e da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), tornando-as coletivas. Do conhecimento acumulado nas lutas sociais, o assistente social contribuiu para a politização do campo da saúde. Inseriu o debate sobre os determinantes sociais de forma definitiva e ainda hoje se insere nas frentes de trabalho para demarcar um posicionamento macropolítico que luta por um SUS menos biomédico nas suas mais diversas redes de serviços e especialidades. Nesse sentido, é importante analisar essa inserção de acordo com o contexto histórico e o desenvolvimento das políticas públicas no país.

A partir disso, examine as questões a seguir, no que se refere às formas de gestão do trabalho denominados como fordismo e acumulação flexível e relacione com a atuação do assistente social no campo da saúde pública para cada um desses modelos e períodos.

I. Fordismo- a afirmação da industrialização por meio da formação de um amplo parque industrial abrigado em um discurso nacionalista trouxe a modernidade ao país. A industrialização endógena e financiada por um capital exógeno fez com que o Brasil vivenciasse um amplo processo de crescimento dos seus centros urbanos. Essa mesma industrialização trouxe consigo as mazelas de um trabalho de fábrica, conflitos urbanos e a criação de políticas de controle da força de trabalho. Para o Serviço Social, isso representou a necessidade de criação de práticas ―modernas‖, a exigência de uma racionalidade burocrático-administrativa e a inserção do seu trabalho em estruturas institucionais complexas do ponto de vista organizacional.

II. Acumulação Flexível: as instituições de porte estavam correlacionadas à chegada dos grandes projetos industriais, principalmente aqueles que trouxeram a promessa do desenvolvimento econômico, invertendo o perfil populacional do Brasil rural para o Brasil urbano. Modelos americanizados de políticas públicas funcionalistas entravam em discussão, colocando o cerne do debate profissional do assistente social na clássica divisão caso/grupo/comunidade.

III. Fordismo: o grande hospital traz consigo a gestão do trabalho em um formato semelhante ao concebido dentro da grande fábrica. Atendimentos em massa, cirurgias em massa, internações contabilizadas pelo seu gasto financeiro, leitos em série e atendimentos sequenciais sem tempo de parada. Desta forma, aos poucos molda-se uma rotina também para aquele trabalho que não deveria ser considerado rotineiro. O Serviço Social criou e reproduziu normas institucionais de forma mecanizada para todos aqueles que o procuravam.

IV. Acumulação Flexível: a especialidade técnica na saúde pública criou equipes que não interagem. São profissionais compartimentalizados, como se a vida fosse a junção de conhecimentos sobre pedaços do corpo humano. Criaram se novos indicadores para compreender as políticas de saúde. Isso não foi uma peculiaridade brasileira, mas internacional.

Estão CORRETAS
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era verificar quais itens realmente descreviam o fordismo e quais foram atribuídos indevidamente à acumulação flexível. Como I e III trazem os traços de produção/atendimento em massa, padronização e burocratização, e II e IV não se sustentam como acumulação flexível, a alternativa correta é D.

Tema central: Fordismo e acumulação flexível
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui o item II como correto. O problema é que II foi rotulado como acumulação flexível, mas descreve grandes projetos industriais, instituições de grande porte, urbanização e o debate clássico caso/grupo/comunidade, elementos vinculados ao ciclo de industrialização e institucionalização clássica do Serviço Social, não à reestruturação flexível.
B
Errada
Está errada por dois motivos concretos: exclui I, que corresponde ao fordismo, e inclui II e IV, que não se sustentam como descrições próprias da acumulação flexível. Em IV, o núcleo da descrição é a compartimentalização e a não interação entre equipes, isto é, fragmentação e parcelamento do trabalho, traço associado ao padrão taylorista-fordista; a menção a novos indicadores não muda essa classificação.
C
Errada
Está errada porque trata II como correto e deixa I de fora. O item II não corresponde à acumulação flexível pelos mesmos elementos de industrialização, grandes instituições e debate profissional clássico; já I apresenta justamente os traços fordistas compatíveis com o modelo indicado.
D
Certa
A alternativa D está certa porque os itens I e III correspondem ao padrão fordista. Em I, aparecem industrialização, expansão urbana, racionalidade burocrático-administrativa e inserção do Serviço Social em estruturas institucionais complexas, o que se ajusta ao ciclo industrial-burocrático. Em III, a aproximação entre grande hospital e grande fábrica, com atendimento em massa, serialização, rotina e mecanização das normas institucionais, expressa diretamente o modelo fordista de organização do trabalho. Esse é o critério técnico que sustenta a correção da alternativa.
E
Errada
Está errada porque generaliza como corretos os quatro itens, quando II e IV foram classificados de modo inadequado como acumulação flexível. A questão exigia identificar a correspondência correta entre modelo e características, e essa correspondência só se mantém em I e III.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi trocar características do ciclo fordista/industrial-burocrático por acumulação flexível, especialmente quando o enunciado usa termos como grandes instituições, especialização e novos indicadores para dar aparência de modernidade a descrições cujo núcleo continua sendo fragmentação, padronização e massificação.
Dica para questões semelhantes
  • Se o item enfatiza massa, serialização, padronização, burocratização, grandes estruturas e fragmentação de tarefas, a tendência é ser fordismo.
  • Se o rótulo for acumulação flexível, verifique se o conteúdo realmente mostra flexibilidade, descentralização e reorganização posterior do trabalho; não basta haver linguagem moderna.
  • Não classifique um item pelo termo mais chamativo do texto; classifique pelo núcleo organizacional da descrição.
  • Debate clássico do Serviço Social, grandes instituições e contexto de industrialização/urbanização apontam para o ciclo fordista, não para acumulação flexível.

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