Questões de Concurso Comentadas sobre teorias e práticas para o ensino de língua portuguesa  em pedagogia

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Q4010844 Pedagogia
Na psicogênese da língua escrita, a hipótese em que a criança passa a atribuir valor sonoro às letras, estabelecendo correspondência entre fala e escrita, é denominada:
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Q3997806 Pedagogia
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular, o tratamento das práticas de produção de textos na escola compreende dimensões inter-relacionadas às práticas de uso e reflexão, tais como: desenvolver estratégias de planejamento, revisão, edição, reescrita/redesign e avaliação de textos, considerando-se sua adequação aos contextos em que foram produzidos, ao modo (escrito ou oral; imagem estática ou em movimento etc.), à variedade linguística e/ou semioses apropriadas a esse contexto, os enunciadores envolvidos, o gênero, o suporte, a esfera/ campo de circulação, adequação à norma-padrão etc.

(https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-em-tempointegral/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf p. 78. acesso em 21.1.26)

Dessa forma, a reescritura de textos na escola tem particular relevância na formação dos estudantes por ampliar sua capacidade de 
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Q3997775 Pedagogia
Em uma turma de 5º ano do Ensino Fundamental, um professor hipotético precisa elaborar um material para reforçar as distinções entre os pretéritos perfeito, imperfeito e mais-que-prefeito na Língua Portuguesa.
Para tal, considerando as orientações do MEC quanto ao ensino da Língua Portuguesa na abordagem discursiva, esse professor poderia propor a seguinte atividade:
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Q3993697 Pedagogia
Leia o Texto I para responder à questão.

Inteligência Artificial pode ser usada na escola? Entenda os limites e saiba como estabelecer regras

Uso ético da IA na Educação depende do incentivo a discussões a respeito do tema, mas também da criação de diretrizes para orientar boas práticas

Por Dimítria Coutinho - 27/08/2025

        Dentro da escola, os alunos podem usar a Inteligência Artificial (IA) para criar textos? E para corrigir produções? Já os professores, estão autorizados a criarem planos de aula com a IA? Ou isso é proibido? Essas são algumas das várias perguntas que surgem quando o assunto é o uso da IA, sobretudo a generativa, dentro das escolas.

        Embora muitos docentes e estudantes já estejam fazendo uso dessas plataformas, os limites ainda não parecem bem estabelecidos. Diante disso, fica evidente a importância de trabalhar a ética relacionada à IA, garantindo que seu uso seja crítico, seguro e responsável.

        “Dentro do processo de aprendizagem, o estudante precisa ser capaz de navegar por um mundo altamente mediado por tecnologias e depois saber fazer suas próprias escolhas. Para o professor, é a mesma coisa: ele tem que se sentir capaz de fazer escolhas pedagógicas e entender que não precisa ser um expert em IA para utilizá-la”, afirma Giselle Santos, consultora pedagógica de inovação e gestão de portfólio do Instituto Escolas Criativas.

        Enquanto alguns professores ainda têm medo da IA, outros já estão usando e abusando dela, muitas vezes sem pensar muito nas consequências. É preciso, porém, encontrar um caminho do meio, defende Soraya Lacerda, coordenadora do maker space da Casa Thomas Jefferson, um centro binacional conhecido pelo ensino da Língua Inglesa, em Brasília. “Vivemos um momento no qual todos estão testando os limites não só das ferramentas de IA, mas também do seu conhecimento, do uso e da interação dessas tecnologias com sua sala de aula”, observa ela. 

        IA: riscos e potenciais

        Nesse meio do caminho sugerido pela especialista, estão as boas práticas de uso pedagógico da IA. Em primeiro lugar, é necessário entender as potencialidades da IA na educação básica, mas sem ignorar seus riscos, que não são poucos.

        Para Lynn Alves, doutora em Educação e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), um dos grandes potenciais da IA em sala de aula é seu uso como uma assistente. É ela quem vai otimizar tarefas, indicar diferentes formas para resolver um problema, mostrar erros em um texto e ajudar a buscar informações. Vale a pena esclarecer que, mesmo que sirva de apoio ou suporte, está nas mãos de quem a usa a IA a tarefa de orientar e mediar as interações com a plataforma escolhida. 

        A escola, por sua vez, precisa impulsionar a autonomia dos estudantes e seu protagonismo. Mas abraça a responsabilidade de ensiná-los a se tornarem curadores do que a IA entrega. Isso significa checar, procurar outras fontes, se inspirar para resolver os problemas por si só e, acima de tudo, utilizar as informações para construir um pensamento crítico acerca do mundo e, também, das tecnologias. Acima de tudo, é fazer reflexões críticas a ponto de perceber se os resultados são confiáveis, atualizados e não tendenciosos. “Primeiro, o próprio professor tem que aprender a usar a IA dessa forma para que ele possa orientar os alunos para o uso cuidadoso, ético e de qualidade”, defende a professora. 

        Entre os riscos da IA, um dos mais importantes é a possibilidade de gerar informações falsas, sem qualquer tipo de referência ancorada na realidade. A isso, dá-se o nome de alucinações: é quando a IA entrega um conteúdo de forma muito convincente, com cara de verdade, mas é mentira. Ao interagir com os chatbots de IA sem recorte crítico, os estudantes tendem a acreditar em suas respostas, não colocando em cheque as informações devolvidas. Caso o aluno não esteja bem fundamentado nos conteúdos – ou seja, não aprendeu –, existe o risco de delegar a gestão do conhecimento para a IA em vez de fazer uso dessas ferramentas de forma produtiva. 

        “Quando você pergunta a uma IA generativa sobre um tema muito específico da nossa cultura, corre o risco de vir uma informação totalmente enviesada e equivocada, com questões ideológicas inclusive, que comprometem a fidedignidade daquele fato histórico”, exemplifica Lynn. 
        
        Para que os estudantes tenham autonomia para tomar esse tipo de decisão, vale abordar a questão da ética dentro da escola. Giselle aconselha não se resumir a orientações, mas ensinar a turma a questionar sempre que acessar uma plataforma: quem a programou? Qual a intenção da empresa? Qual o contexto em que essa IA foi criada? Por que será que ela me deu essa resposta?

        “É interessante trabalhar a ética na forma de perguntas que estimulem o pensamento e que esses estudantes passem a ser também decisores, não só consumidores. A formação é muito mais cidadã quando você não decide pelo estudante, mas o informa para que ele decida por ele mesmo”, argumenta Giselle.

Fonte: COUTINHO, Dimítria. Inteligência Artificial pode ser usada na escola? Entenda os limites e saiba como estabelecer regras. In: Revista Nova Escola. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/22442/diretrizes-uso-etico-de-inteligencia-artificial-ia-nas-escolas Acesso em: 23 dez. 2025. [adaptado]
Considerando o Texto I, os estudos sobre letramentos digitais e as orientações curriculares contemporâneas para o ensino de Língua Portuguesa, é CORRETO afirmar que a leitura e a produção de textos em ambientes digitais pressupõem:
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Q3961136 Pedagogia
“Formar leitores autônomos na Escola também significa formar leitores capazes de aprender a partir dos textos. O ensino de estratégias de compreensão contribui para dotar os alunos dos recursos necessários para aprender a aprender.” (SOLÉ, Isabel, in Estratégias de Leitura, Artes Médicas, p. 72). A partir deste fragmento apresentado, analise as afirmativas a seguir:

I. O professor deve disponibilizar, em sala, livros, revistas, gibis etc., de diferentes tipos e temas, que tenhas ou não tenha imagens, figuras, ilustrações.
II. O professor deve, sempre, explicitar para os alunos o motivo da leitura que será realizada para o grupo.
III. O professor deve orientar as crianças a só terem acesso a livros de imagens ou outras ilustrações.

Marque a sequência correta:
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Q3957919 Pedagogia
As práticas de linguagem desenvolvidas na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental envolvem diferentes formas de interação com a oralidade e com a escrita. Nesse contexto, o trabalho pedagógico com gêneros textuais contribui para inserir as crianças em práticas sociais de uso da linguagem, ampliando suas possibilidades de comunicação, expressão e participação nas atividades escolares. Ciente dessa abordagem pedagógica, classifique as afirmativas abaixo como Verdadeiras (V) ou Falsas (F):

( ) Os gêneros textuais orais são fundamentais no processo de alfabetização, pois favorecem o desenvolvimento de habilidades linguísticas e discursivas, mesmo antes do domínio pleno da leitura e da escrita.
( ) A contação de histórias, as rodas de conversa e os relatos de experiências constituem exemplos de gêneros textuais escritos, determinantes para a formação discursiva da criança.
( ) O trabalho pedagógico com gêneros textuais deve iniciar-se apenas nos anos finais do ensino fundamental, quando os alunos já dominam plenamente a leitura e a escrita.
( ) A abordagem de gêneros textuais na educação infantil deve levar em conta a função social da linguagem e a inserção da criança em práticas reais de comunicação.

Com base nas afirmações acima, assinale a sequência correta:
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Q3919589 Pedagogia
As práticas de letramento e multiletramentos no contexto escolar buscam:  
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Q3919403 Pedagogia
As reflexões acerca da produção textual no contexto escolar apontam para a necessidade de superar práticas centradas apenas no produto final. Assim, a produção textual deve ser compreendida como: 
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Q3884154 Pedagogia
Assinale a alternativa que apresenta a postura pedagógica correta:
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Q3880282 Pedagogia

De acordo com Gomes (2025, p. 4), “Ao abraçar a hibridização e a mestiçagem cultural e midiática, os multiletramentos permitem uma educação que reflete a diversidade e a complexidade do mundo contemporâneo, preparando os alunos para navegarem em um cenário de comunicação cada vez mais diversificado e interconectado”.


Fonte: GOMES, Luiza Carlinda Oliveira. Estratégias de ensino de aprendizagem de produção de textos: a aula de Língua Portuguesa mediada pelos multiletramentos. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Letras com habilitação em Língua Portuguesa) – Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2025.


Nesse contexto, qual das seguintes competências está diretamente associada ao desenvolvimento dos multiletramentos nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio?

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Q3880279 Pedagogia

Ferrarezi Jr. (2007, p. 31), em resposta à pergunta “O que, afinal, o professor de língua materna deve ensinar?”, responde: “Creio que cabe a um professor de língua materna ensinar seus alunos a: 1. Gostar muito de ler e saber ler bem; 2. Gostar muito de escrever e saber escrever bem; 3. Gostar muito de ouvir e saber ouvir bem; 4. Gostar de falar [...] e saber falar bem; 5. A semântica da língua; 6. Os princípios gramaticais estruturais que regem nossa língua [...]”.


Fonte: FERRAREZI JR., Celso. Ensinar o brasileiro: respostas a 50 perguntas de professores de língua materna. São Paulo: Parábola Editorial, 2007 (Série Estratégias de Ensino; v.7).


Acerca dessa afirmação do autor, analise as seguintes assertivas.



I- O ensino de gramática normativa deve ser priorizado pelo professor, em detrimento das demais competências.


II- A proficiência em leitura é considerada uma das competências a serem ensinadas pelo professor na Educação Básica.


III- Textos orais devem fazer parte do ensino de Língua Portuguesa.



É CORRETO o que se afirma em:

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Q3844947 Pedagogia
O trabalho com textos literários na Educação Básica possibilita o desenvolvimento de múltiplas competências linguísticas e culturais, ao articular aspectos gramaticais, semânticos e expressivos da língua. Ao explorar um texto literário infantil, o professor pode promover aprendizagens que vão além da mera aplicação de regras gramaticais, valorizando a linguagem como forma de expressão e construção de sentidos. Considerando os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa, uma atividade dessa natureza favorece principalmente: 
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Q3844714 Pedagogia
A distinção entre língua e linguagem envolve processos simbólicos que estruturam a comunicação humana, articulando sistemas compartilhados e formas variadas de expressão que se manifestam nas práticas sociais e culturais (BAGNO, 2015. Adaptado.).

De acordo com o assunto tratado, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
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Q3983198 Pedagogia
Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), implementada em 2020 nas escolas, é necessário compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural, de natureza dinâmica, reconhecendo-as e valorizando-as como formas de significação da realidade e expressão de subjetividades e identidades sociais e culturais.
Assinale a alternativa correta quanto à perspectiva enunciativo-discursiva da linguagem. 
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Q3983194 Pedagogia
Não é improvável que as lembranças das aulas de Língua Portuguesa sejam de muitas aulas de gramática e que, quando o assunto era redação, você tenha ouvido falar da estrutura da narração – situação inicial, conflito e desfecho – ou das partes da dissertação: introdução, desenvolvimento e conclusão. Como o ensino de Língua Portuguesa era baseado antes da década de 1990?
Assinale a alternativa correta:
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Q3810206 Pedagogia

"Ou se tem chuva e não se tem sol,

Ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,

Ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,

Quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa estar

Ao mesmo tempo nos dois lugares!

[...]

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...

E vivo escolhendo o dia inteiro!"

(Fonte: Ou isto ou aquilo − Cecília Meireles.)

Com base no texto e nas orientações da BNCC sobre o trabalho com literatura e gêneros textuais nos anos iniciais, analise as afirmativas a seguir:


I.O texto citado é do gênero textual poético e possui função social de expressar sentimentos, emoções e reflexões sobre o mundo. 


II.O trabalho com poemas em sala de aula contribui para o desenvolvimento da competência leitora, ampliando o repertório cultural da criança.


III.A principal finalidade pedagógica da leitura desse poema é a identificação de substantivos e adjetivos, focando na linguagem e na sensibilidade cognitiva. 


É correto o que se afirma em:

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Q3810114 Pedagogia
A escolha do que será lido com os estudantes é determinante para a formação de sujeitos leitores. Ainda que haja um programa e prescrições oficiais, escolher os títulos e os autores é função do(a) professor(a). A respeito da leitura literária em sala de aula, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__) O(A) professor(a) é um sujeito leitor, portanto, tem sua própria leitura do texto. No contexto da sala de aula, cabe a ele(a) antecipar as dificuldades dos estudantes, mediar o compartilhamento das diversas leituras dos estudantes, incentivá-los a levantar hipóteses e a chegar a interpretações aceitáveis e coerentes, mas sem renunciar a particularidades de sua leitura pessoal, que deverá prevalecer na conclusão dos trabalhos.
(__) Na escolha das obras literárias, são reflexões importantes a serem feitas pelo(a) professor(a): a diversidade genérica das obras, transitando desde gêneros mais clássicos a gêneros mais novos; a diversidade histórica, escolhendo desde obras canônicas e clássicas da literatura até obras contemporâneas; a diversidade geográfica, oportunizando que os estudantes leiam obras nacionais e estrangeiras já consagradas, como também de autores locais, regionais, negros, indígenas, etc., e a diversidade temática.
(__) O contexto de leitura é importante para a formação de sujeitos leitores. Pensando no contexto da sala de aula, são mobilizados tanto domínios cognitivos quanto afetivos, logo, um ambiente acolhedor, em que há confiança, respeito e escuta mútuos, é crucial na formação leitora e humana desses sujeitos.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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Q3808572 Pedagogia
"Entendo aqui por humanização (já que tenho falado tanto nela) o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção a complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante."
(Antonio Candido, O direito à literatura. In: Vários escritos. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011, p. 180.)
"[...] Minha mãe diz que comecei a ler aos dois anos de idade, embora eu ache que quatro deva estar mais próximo da verdade. Eu me tornei leitora cedo, e o que lia eram livros infantis britânicos e americanos.
Também me tornei escritora cedo. Quando comecei a escrever, lá pelos sete anos de idade — textos escritos a lápis com ilustrações feitas com giz de cera que minha pobre mãe era obrigada a ler —, escrevi exatamente o tipo de história que lia: todos os meus personagens eram brancos de olhos azuis, brincavam na neve, comiam maçãs e falavam muito sobre o tempo e sobre como era bom o sol ter saído.
Escrevia sobre isso apesar de eu morar na Nigéria. Eu nunca tinha saído do meu país. Lá, não tinha neve, comíamos mangas e nunca falávamos do tempo, porque não havia necessidade. Meus personagens também bebiam muita cerveja de gengibre, porque os personagens dos livros britânicos que eu lia bebiam cerveja de gengibre. Não importava que eu não fizesse ideia do que fosse cerveja de gengibre. [...]
Como eu só tinha lido livros nos quais os personagens eram estrangeiros, tinha ficado convencida de que os livros, por sua própria natureza, precisavam ter estrangeiros e ser sobre coisas com as quais eu não podia me identificar. Mas tudo mudou quando descobri os livros africanos. [...] Percebi que pessoas como eu, meninas com pele cor de chocolate, cujo cabelo crespo não formava um rabo de cavalo, também podiam existir na literatura. [...]
Eu amava aqueles livros americanos e britânicos que lia. Eles despertaram minha imaginação. Abriram mundos novos para mim, mas a consequência não prevista foi que eu não sabia que pessoas iguais a mim podiam existir na literatura. O que a descoberta de escritores africanos fez por mim foi isto: salvou-me de ter uma história única sobre o que são os livros. [...]
É assim que se cria uma história única: mostre um povo como uma coisa, uma coisa só, sem parar, e é isso que esse povo se torna."
(Chimamanda Ngozi Adichie, O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.)
A partir da leitura dos excertos e de seus conhecimentos a respeito de letramentos literários, do ensino de literatura e das legislações e documentos que estruturam a educação básica no Brasil, analise as sentenças a seguir:
I.O ensino de literatura deve organizar-se a partir das obras canônicas, uma vez que há, no cânone, uma presença diversa de autores contemplando a diversidade étnico-racial que compõe o país. Desse modo, tem-se representatividade na literatura afro-brasileira a partir de escritores consagrados, como Machado de Assis, Lima Barreto e o poeta catarinense Cruz e Souza.
II.O ensino de literatura tem papel relevante dentro do contexto multicultural que forma o Brasil. A experiência literária nos permite saber da vida por meio da experiência, do olhar e da cultura do outro, assim como vivenciar essa experiência, ou seja, por meio da literatura é possível encontrar olhares diversos sobre a sociedade, a cultura e o próprio indivíduo representado, corroborando a construção de uma sociedade organizada horizontalmente em valores que abrangem todas as camadas sociais culturais.
III.Enquanto objeto de estudo das aulas de literatura, é importante que a diversidade cultural seja vista sob uma ótica teórico-crítica, reconhecendo-a como um objeto de valor e não como uma produção excêntrica. Portanto, é preciso sair das produções sobre os negros e indígenas para uma produção dos negros e dos indígena.
 É correto o que se afirma em:
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Q3808564 Pedagogia
No processo ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, a partir da concepção enunciativo-discursiva e com foco no caráter dialógico da linguagem e de sua natureza sócio-histórica e ideológica, há quatro eixos de integração das práticas de linguagem, a saber: a leitura, a produção de textos, a oralidade e a prática de análise linguística/semiótica. Nesse sentido, o trabalho com a compreensão e a produção textual são centrais. Tendo isso como ponto de partida, analise as sentenças a seguir:
I.A leitura e a escuta precisam considerar as dimensões social e verbal dos gêneros do discurso, contemplando questões contextuais, em sentido mais amplo, tanto quanto aspectos referentes à materialidade textual, uma vez que a atenção do sujeito leitor para os recursos linguísticos empregados pelo autor do texto é fundamental na ampliação das vivências com o ato de ler. Isso reflete um movimento de autoria nos processos de compreensão.
II.Na produção textual, vinculada tanto à oralidade quanto à escrita, deve-se criar condições para que os sujeitos revelem aquilo que têm a dizer, a partir da sua realidade, projetando a relação entre o local e o global e possibilitando que assumam a posição de autores de seus próprios textos; são oportunidades, entre outras, de "dar voz", de os alunos assumirem posições, de ampliarem a atuação social, tendo em vista que isso potencializa uma inserção mais efetiva deles na diversidade de espaços sociais em que as práticas de linguagem têm papel central.
III.Tanto na compreensão quanto na produção, a oralidade deve ocupar um lugar secundário, ainda que seja uma prática que contribua efetivamente para a inserção dos estudantes nas diferentes interações sociais. Isso se deve ao fato de que, no ambiente escolar, há "diferentes vozes", mas nem todos os estudantes estão aptos ou confortáveis a se expor oralmente, produzindo textos de gêneros típicos da oralidade. Forçá-los não favorece sua constituição como sujeitos da cidadania.
É correto o que se afirma em: 
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Q3808082 Pedagogia
O ensino de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira e Arte compartilha o objetivo de desenvolver competências expressivas e interpretativas que favoreçam:
Alternativas
Respostas
1: A
2: E
3: C
4: A
5: B
6: C
7: B
8: B
9: B
10: A
11: E
12: B
13: A
14: D
15: B
16: B
17: A
18: B
19: B
20: E