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Q3993697 Pedagogia
Leia o Texto I para responder à questão.

Inteligência Artificial pode ser usada na escola? Entenda os limites e saiba como estabelecer regras

Uso ético da IA na Educação depende do incentivo a discussões a respeito do tema, mas também da criação de diretrizes para orientar boas práticas

Por Dimítria Coutinho - 27/08/2025

        Dentro da escola, os alunos podem usar a Inteligência Artificial (IA) para criar textos? E para corrigir produções? Já os professores, estão autorizados a criarem planos de aula com a IA? Ou isso é proibido? Essas são algumas das várias perguntas que surgem quando o assunto é o uso da IA, sobretudo a generativa, dentro das escolas.

        Embora muitos docentes e estudantes já estejam fazendo uso dessas plataformas, os limites ainda não parecem bem estabelecidos. Diante disso, fica evidente a importância de trabalhar a ética relacionada à IA, garantindo que seu uso seja crítico, seguro e responsável.

        “Dentro do processo de aprendizagem, o estudante precisa ser capaz de navegar por um mundo altamente mediado por tecnologias e depois saber fazer suas próprias escolhas. Para o professor, é a mesma coisa: ele tem que se sentir capaz de fazer escolhas pedagógicas e entender que não precisa ser um expert em IA para utilizá-la”, afirma Giselle Santos, consultora pedagógica de inovação e gestão de portfólio do Instituto Escolas Criativas.

        Enquanto alguns professores ainda têm medo da IA, outros já estão usando e abusando dela, muitas vezes sem pensar muito nas consequências. É preciso, porém, encontrar um caminho do meio, defende Soraya Lacerda, coordenadora do maker space da Casa Thomas Jefferson, um centro binacional conhecido pelo ensino da Língua Inglesa, em Brasília. “Vivemos um momento no qual todos estão testando os limites não só das ferramentas de IA, mas também do seu conhecimento, do uso e da interação dessas tecnologias com sua sala de aula”, observa ela. 

        IA: riscos e potenciais

        Nesse meio do caminho sugerido pela especialista, estão as boas práticas de uso pedagógico da IA. Em primeiro lugar, é necessário entender as potencialidades da IA na educação básica, mas sem ignorar seus riscos, que não são poucos.

        Para Lynn Alves, doutora em Educação e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), um dos grandes potenciais da IA em sala de aula é seu uso como uma assistente. É ela quem vai otimizar tarefas, indicar diferentes formas para resolver um problema, mostrar erros em um texto e ajudar a buscar informações. Vale a pena esclarecer que, mesmo que sirva de apoio ou suporte, está nas mãos de quem a usa a IA a tarefa de orientar e mediar as interações com a plataforma escolhida. 

        A escola, por sua vez, precisa impulsionar a autonomia dos estudantes e seu protagonismo. Mas abraça a responsabilidade de ensiná-los a se tornarem curadores do que a IA entrega. Isso significa checar, procurar outras fontes, se inspirar para resolver os problemas por si só e, acima de tudo, utilizar as informações para construir um pensamento crítico acerca do mundo e, também, das tecnologias. Acima de tudo, é fazer reflexões críticas a ponto de perceber se os resultados são confiáveis, atualizados e não tendenciosos. “Primeiro, o próprio professor tem que aprender a usar a IA dessa forma para que ele possa orientar os alunos para o uso cuidadoso, ético e de qualidade”, defende a professora. 

        Entre os riscos da IA, um dos mais importantes é a possibilidade de gerar informações falsas, sem qualquer tipo de referência ancorada na realidade. A isso, dá-se o nome de alucinações: é quando a IA entrega um conteúdo de forma muito convincente, com cara de verdade, mas é mentira. Ao interagir com os chatbots de IA sem recorte crítico, os estudantes tendem a acreditar em suas respostas, não colocando em cheque as informações devolvidas. Caso o aluno não esteja bem fundamentado nos conteúdos – ou seja, não aprendeu –, existe o risco de delegar a gestão do conhecimento para a IA em vez de fazer uso dessas ferramentas de forma produtiva. 

        “Quando você pergunta a uma IA generativa sobre um tema muito específico da nossa cultura, corre o risco de vir uma informação totalmente enviesada e equivocada, com questões ideológicas inclusive, que comprometem a fidedignidade daquele fato histórico”, exemplifica Lynn. 
        
        Para que os estudantes tenham autonomia para tomar esse tipo de decisão, vale abordar a questão da ética dentro da escola. Giselle aconselha não se resumir a orientações, mas ensinar a turma a questionar sempre que acessar uma plataforma: quem a programou? Qual a intenção da empresa? Qual o contexto em que essa IA foi criada? Por que será que ela me deu essa resposta?

        “É interessante trabalhar a ética na forma de perguntas que estimulem o pensamento e que esses estudantes passem a ser também decisores, não só consumidores. A formação é muito mais cidadã quando você não decide pelo estudante, mas o informa para que ele decida por ele mesmo”, argumenta Giselle.

Fonte: COUTINHO, Dimítria. Inteligência Artificial pode ser usada na escola? Entenda os limites e saiba como estabelecer regras. In: Revista Nova Escola. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/22442/diretrizes-uso-etico-de-inteligencia-artificial-ia-nas-escolas Acesso em: 23 dez. 2025. [adaptado]
Considerando o Texto I, os estudos sobre letramentos digitais e as orientações curriculares contemporâneas para o ensino de Língua Portuguesa, é CORRETO afirmar que a leitura e a produção de textos em ambientes digitais pressupõem:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: A questão se decide pela leitura de ambientes digitais como espaços de uso crítico e mediado da linguagem, e não de mera operação técnica.

Tema central: Letramentos digitais críticos
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque expressa o núcleo exigido pela questão: em ambientes digitais, leitura e produção textual não se reduzem ao uso de ferramentas, mas envolvem competências digitais articuladas a práticas de linguagem, avaliação crítica da informação, responsabilidade no uso e intervenção pedagógica consciente. O Texto I sustenta esse critério ao defender uso ético da IA, curadoria do que a tecnologia entrega, checagem de confiabilidade e vieses, além da atuação do professor como orientador do uso cuidadoso, ético e de qualidade.
B
Errada
Está errada porque afirma substituição das práticas de leitura e escrita por habilidades exclusivamente técnicas. A base aponta o contrário: letramento digital implica ampliação e integração das práticas de linguagem com criticidade, e não redução ao domínio operacional de ferramentas.
C
Errada
Está errada porque atribui às tecnologias papel autônomo na produção textual, independentemente da intervenção humana. O Texto I insiste em mediação, curadoria, checagem e escolhas pedagógicas feitas por estudantes e professores, o que exclui a ideia de autonomia da tecnologia.
D
Errada
Está errada porque pressupõe neutralidade dos ambientes digitais. A base registra exatamente o oposto: o texto menciona intenções da empresa, contexto de criação da IA, vieses e respostas tendenciosas ou equivocadas, afastando qualquer noção de neutralidade.
E
Errada
Está errada porque esvazia o papel docente e o reduz a facilitador técnico. Segundo a base, o professor deve aprender a usar a tecnologia para orientar os alunos de forma cuidadosa, ética e de qualidade, o que confirma função mediadora pedagógica, não apenas técnica.
Pegadinha da questão
A confusão real era tratar letramento digital como simples operação técnica ou como protagonismo discente sem mediação docente; a base deixa claro que o foco é uso crítico, ético e pedagogicamente mediado.
Dica para questões semelhantes
  • Se a alternativa reduzir tecnologia a habilidade técnica, elimine-a: letramento digital envolve práticas de linguagem, criticidade e responsabilidade.
  • Se o texto destacar checagem, curadoria, avaliação de vieses e busca de outras fontes, procure a opção que reconhece mediação humana e docente.
  • Se aparecer ideia de neutralidade da plataforma ou autonomia da tecnologia, descarte: a base associa ambientes digitais a interesses, contextos e vieses.

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