Questões de Concurso
Comentadas sobre temas educacionais pedagógicos em pedagogia
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I. A pedagogia liberal renovada tende a valorizar a experiência do aluno, contudo, mantém-se atrelada à lógica meritocrática e à naturalização das desigualdades sociais no espaço escolar.
II. A pedagogia progressista histórico-crítica compreende a didática como mediação necessária entre o saber sistematizado e a realidade concreta do estudante, opondo-se ao espontaneísmo educativo.
III. A pedagogia tecnicista organiza o ensino com base em objetivos operacionais e métodos padronizados, priorizando eficiência técnica em detrimento da reflexão crítica.
IV. A pedagogia libertadora propõe um exercício didático centrado na problematização da realidade vivida, favorecendo o diálogo e a autonomia na construção do conhecimento.
Estão corretas apenas as afirmativas:
I. Atividades de cunho artístico e expressivo favorecem a experimentação, fortalecendo a percepção de si e contribuindo para autorregulação emocional.
II. A introdução de desafios cognitivos em oficinas incrementa o repertório dos envolvidos, fomentando reflexão e novas competências.
III. O desenvolvimento humano se relaciona à interação em ambientes propícios, em que dimensões sociais, culturais e afetivas são fundamentais para as aprendizagens.
IV. O oficineiro deve negligenciar a faixa etária, pois o processo de aprendizagem não sofre variações conforme o estágio de desenvolvimento.
Estão CORRETAS apenas as afirmativas:
I. Uma atividade lúdica bem estruturada pode estimular o envolvimento e a expressão pessoal, contribuindo para aprendizagens significativas.
II. O uso de metodologias ativas dispensa qualquer planejamento, pois a criatividade surge espontaneamente sem necessidade de guias ou recursos.
III. A definição de metas e estratégias auxilia na avaliação de resultados, tornando possível verificar se os participantes atingiram os objetivos esperados.
IV. A inserção de momentos reflexivos ao final de cada oficina enriquece a construção coletiva de conhecimento, incentivando a autonomia dos aprendizes.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
“AS PESSOAS AINDA NÃO FORAM TERMINADAS...”
(Rubens Alves)
As diferenças entre um sábio e um cientista? São muitas e não posso dizer todas. Só algumas.
O sábio conhece com a boca, o cientista, com a cabeça. Aquilo que o sábio conhece tem sabor, é comida, conhecimento corporal. O corpo gosta. A palavra “sapio”, em latim, quer dizer “eu degusto”... O sábio é um cozinheiro que faz pratos saborosos com o que a vida oferece. O saber do sábio dá alegria, razões para viver. Já o que o cientista oferece não tem gosto, não mexe com o corpo, não dá razões para viver. O cientista retruca: “Não tem gosto, mas tem poder”... É verdade. O sábio ensina coisas do amor. O cientista, do poder.
Para o cientista, o silêncio é o espaço da ignorância. Nele não mora saber algum; é um vazio que nada diz. Para o sábio o silêncio é o tempo da escuta, quando se ouve uma melodia que faz chorar, como disse Fernando Pessoa num dos seus poemas. Roland Barthes, já velho, confessou que abandonara os saberes faláveis e se dedicava, no seu momento crepuscular, aos sabores inefáveis.
Outra diferença é que para ser cientista há de se estudar muito, enquanto para ser sábio não é preciso estudar. Um dos aforismos do Tao-Te-Ching diz o seguinte: “Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada”. O cientista soma. O sábio subtrai.
Riobaldo, ao que me consta, não tinha diploma. E, não obstante, era sábio. Vejam só o que ele disse: “O senhor mire e veja: o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando...”
É só por causa dessa sabedoria que há educadores. A educação acontece enquanto as pessoas vão mudando, para que não deixem de mudar. Se as pessoas estivessem prontas não haveria lugar para a educação. O educador ajuda os outros a irem mudando no tempo. (...) Parece que, ao nos criar, o Criador cometeu um erro (ou nos pregou uma peça!): deu-nos um DNA incompleto. E porque nosso DNA é incompleto somos condenados a pensar. Pensar para quê? Para inventar a vida! É por isso, porque nosso DNA é incompleto, que inventamos poesia, culinária, música, ciência, arquitetura, jardins, religiões, esses mundos a que se dá o nome de cultura.
Pra isso existem os educadores: para cumprir o dito do Riobaldo... Uma escola é um caldeirão de bruxas que o educador vai mexendo para “desigualizar” as pessoas e fazer outros mundos
(Revista Educação, edição 125)