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Q3295098 Pedagogia

Leia o texto a seguir para responder à questão.


“AS PESSOAS AINDA NÃO FORAM TERMINADAS...”

(Rubens Alves)


    As diferenças entre um sábio e um cientista? São muitas e não posso dizer todas. Só algumas.

 

    O sábio conhece com a boca, o cientista, com a cabeça. Aquilo que o sábio conhece tem sabor, é comida, conhecimento corporal. O corpo gosta. A palavra “sapio”, em latim, quer dizer “eu degusto”... O sábio é um cozinheiro que faz pratos saborosos com o que a vida oferece. O saber do sábio dá alegria, razões para viver. Já o que o cientista oferece não tem gosto, não mexe com o corpo, não dá razões para viver. O cientista retruca: “Não tem gosto, mas tem poder”... É verdade. O sábio ensina coisas do amor. O cientista, do poder.


    Para o cientista, o silêncio é o espaço da ignorância. Nele não mora saber algum; é um vazio que nada diz. Para o sábio o silêncio é o tempo da escuta, quando se ouve uma melodia que faz chorar, como disse Fernando Pessoa num dos seus poemas. Roland Barthes, já velho, confessou que abandonara os saberes faláveis e se dedicava, no seu momento crepuscular, aos sabores inefáveis.


    Outra diferença é que para ser cientista há de se estudar muito, enquanto para ser sábio não é preciso estudar. Um dos aforismos do Tao-Te-Ching diz o seguinte: “Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada”. O cientista soma. O sábio subtrai.


    Riobaldo, ao que me consta, não tinha diploma. E, não obstante, era sábio. Vejam só o que ele disse: “O senhor mire e veja: o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando...”


    É só por causa dessa sabedoria que há educadores. A educação acontece enquanto as pessoas vão mudando, para que não deixem de mudar. Se as pessoas estivessem prontas não haveria lugar para a educação. O educador ajuda os outros a irem mudando no tempo. (...) Parece que, ao nos criar, o Criador cometeu um erro (ou nos pregou uma peça!): deu-nos um DNA incompleto. E porque nosso DNA é incompleto somos condenados a pensar. Pensar para quê? Para inventar a vida! É por isso, porque nosso DNA é incompleto, que inventamos poesia, culinária, música, ciência, arquitetura, jardins, religiões, esses mundos a que se dá o nome de cultura. 


    Pra isso existem os educadores: para cumprir o dito do Riobaldo... Uma escola é um caldeirão de bruxas que o educador vai mexendo para “desigualizar” as pessoas e fazer outros mundos


(Revista Educação, edição 125) 

De acordo com o texto, qual é o papel da educação no processo de desenvolvimento humano? 
Alternativas

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Gabarito Comentado:

Alternativa Correta: C - A educação nos ajuda a mudar e a construir novos mundos.

Explicação do Tema Central:

O tema central da questão é o papel da educação no desenvolvimento humano, com base no texto de Rubens Alves. A questão busca compreender como a educação pode influenciar a transformação pessoal e social, refletindo sobre a diferença entre conhecimento técnico e sabedoria, e como a educação nos "desigualiza" para criar novos mundos.

Resumo Teórico:

A educação é vista como um processo contínuo de mudança e evolução. Conforme o texto, a educação é comparada a um "caldeirão de bruxas", onde o educador tem um papel fundamental em "mexer" e "desigualizar" as pessoas, promovendo a mudança e criando novos mundos. A ideia é que ninguém está completamente pronto, e a educação é o meio pelo qual podemos nos transformar e desenvolver novas habilidades e perspectivas.

Justificativa para a Alternativa Correta (C):

A alternativa C é correta porque está alinhada com a ideia central expressa no texto: que a educação é um processo de transformação, permitindo que as pessoas mudem e construam "outros mundos". Essa interpretação reflete o conceito de que a educação nos auxilia a desenvolver nossa identidade e criatividade, contribuindo para um desenvolvimento humano contínuo.

Análise das Alternativas Incorretas:

A - A educação nos torna iguais.

Essa alternativa é incorreta porque contraria a ideia central do texto. A educação, segundo o autor, não é para tornar as pessoas iguais, mas para "desigualizá-las", permitindo a diversidade e a transformação pessoal.

B - A educação nos torna iguais.

Assim como a alternativa anterior, esta também é errada pelo mesmo motivo: a educação é um meio para promover a mudança e a individualização, e não para homogeneizar.

D - A educação é inútil para o desenvolvimento humano.

Esta alternativa está completamente incorreta, pois contradiz todo o texto que ressalta a importância da educação na transformação e no desenvolvimento humano. A educação é vista como essencial para o processo de mudança e criação de novos mundos.

Conclusão:

Entender o papel transformador da educação é essencial para o Secretário de Escola, que precisa apoiar e compreender os processos educativos que ocorrem dentro da instituição. A educação não só capacita, mas também transforma.

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