Questões de Concurso
Sobre o ensino médio em pedagogia
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“A matéria-prima do historiador literário é tudo o que se escreveu e que pode ser considerado representativo de uma certa cultura? [...] Ou a sua matéria é o texto literário em sentido estrito [...]?” (BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira, 2020, p. 6).
“(EM13LP51) Selecionar obras do repertório artístico-literário contemporâneo à disposição segundo suas predileções, de modo a constituir um acervo pessoal e dele se apropriar para se inserir e intervir com autonomia e criticidade no meio cultural.” (Brasil, BNCC, 2018, p. 525).
Com base nos excertos de Bosi e da BNCC, assinale a alternativa correta sobre o trabalho docente e a seleção de obras literárias para o ensino de literatura no ensino médio.
Considere o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
Nuvem não é nuvem, amigo não é amigo
[...]
Por Sérgio Rodrigues
Quantos anos você tinha quando descobriu que a nuvem que armazena seus documentos e suas fotos – a memória de sua vida inteira, pode confessar – não é bem uma nuvem? Estou brincando, claro: todo mundo sabe que a nuvem (de dados) não fica no céu. De todo modo, bem menos gente foi informada de que a tal nebulosa, chame-se ela Google, iCloud ou Tabajara, não só carece de parentesco com cúmulos e cirros como vai no sentido verticalmente oposto – se enterra no chão. Sim, é um fato: os servidores remotos que abrigam a nuvem, devoradores de recursos naturais, se alojam no subsolo do planeta. Deve haver uma mensagem secreta aí. Quer dizer que, em vez de céu, estamos falando do inferno?
Deixemos de lado por ora as considerações morais. Restam questões bem objetivas: se a nuvem se situa nas profundezas da Terra, então incorremos em erro quando dizemos “baixar” um filme ao trazê-lo de alguma cinemateca virtual para nossa máquina. Deveríamos dizer “subir”. E vice-versa. No varejo, é evidente que nada disso faz muita diferença na vida de ninguém. No mundo pós-revolução digital, Alice já atravessou o espelho e nuvem não é nuvem, baixar é subir, subir é baixar – e daí?
O problema se revela no atacado, na escala em que a linguagem digital reprogramou nossas palavras. A nuvem de dados é apenas uma das formas que ela tem de nos apresentar uma face familiar, sorridente, enquanto demole e reconstrói o edifício das relações sociais inteiro. De cima até embaixo. Se a nuvem não é nuvem, o amigo de rede social será mesmo amigo, quer dizer, amigo-amigo de verdade, amigo em qualquer sentido que vá além do figurado?
Estamos no terreno da metáfora, claro. Força indomável da linguagem, criadora de novos sentidos por analogia, é ela que explica a página que não é página, a janela que não é janela, a navegação que não é navegação, o vírus que não é vírus, a reunião que não é reunião. Alguém pode argumentar que tudo isso é perfeitamente inofensivo, quem sabe até uma bênção: tratando-se de uma tecnologia que cria tanta coisa nova, é bom que ela se expresse assim em vez de poluir a paisagem com neologismos frios, não?
O argumento é válido em tese, mas desconsidera algo fundamental: o quanto a metaforização digital ampla e irrestrita nos impede de compreender a profundidade da mudança em nossas vidas – e reagir com a cautela que o bom senso recomendaria. A comunidade online não é antropologicamente comparável a nada do que os seres humanos entendiam por “comunidade” desde que a palavra foi criada até... outro dia de manhã. Como esperar que as nossas democracias permaneçam as mesmas?
Fazendo parecer familiar e seguro um meio de comunicação agressivamente dedicado a reconfigurar a paisagem social nos mínimos detalhes, a linguagem nos induz a um estado de negação. Se nossos filhos pequenos não estivessem apenas se divertindo entre “amigos”, navegando por instrutivas “páginas”, acessando “nuvens” bucólicas, será que os deixaríamos por tanto tempo sozinhos diante de telas, sem nenhuma supervisão?
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2025/06/nuvem-nao-e-nuvem-amigo-nao-e-amigo.shtml. Acesso em: 17 jul. 2025.
“No varejo, é evidente que nada disso faz muita diferença na vida de ninguém. No mundo pós-revolução digital, Alice já atravessou o espelho e nuvem não é nuvem, baixar é subir, subir é baixar – e daí?”.
Assinale a alternativa que melhor articula uma proposta de atividade integrada, considerando:
• conteúdo temático (as ressignificações da linguagem na cultura digital); • estilo (híbrido entre crônica e ensaio, com marcas de oralidade); • construção composicional (adaptação ao suporte impresso e digital); • multimodalidade (recursos linguísticos e não linguísticos em diferentes mídias); • produção textual (prática de escrita com base no multiletramento).
Com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), assinale a alternativa correta quanto às formas de desenvolvimento dessa modalidade.
I. O Ensino Médio Integrado rompe com a lógica da dualidade educacional ao propor a indissociabilidade entre formação científica, humanística e técnica, superando a ideia de uma educação apenas propedêutica ou exclusivamente profissionalizante.
II. A integração curricular deve ser entendida como justaposição de componentes da formação geral e da formação profissional, preservando suas especificidades, mas sem a necessidade de articulação entre si.
III. O currículo do Ensino Médio Integrado deve possibilitar a compreensão do trabalho como princípio educativo, o que implica reconhecer o trabalho em sua dimensão ontológica e histórica, para além de sua função como emprego.
IV. O Ensino Médio Integrado constitui um caminho de fortalecimento da educação politécnica, ao articular ciência, cultura, tecnologia e trabalho, preparando o estudante para o exercício da cidadania e para a inserção no mundo produtivo.
Está correto o que se afirma em:
A segunda propõe que "fantasias e desejos desconectados da realidade socioeconômica dos estudantes devem ser validados incondicionalmente, evitando discussões sobre viabilidade prática". A terceira perspectiva sustenta que "o planejamento parte de sonhos alimentados pelas nossas faltas, constituindo processo aberto a improvisos e instabilidades, onde os desejos não requerem exatidão inicial, mas podem ser progressivamente desenvolvidos considerando contextos individuais e coletivos". Segundo os referenciais teóricos adotados na construção de projetos de vida contextualizados e significativos, assinale a alternativa correta a respeito da concepção que melhor se alinha à proposta de formação integral dos estudantes
Primeira coluna: princípios norteadores
1.Contextualização das habilidades socioemocionais
2.Padronização de competências emocionais
3.Reconhecimento das etnoteorias locais
Segunda coluna: características distintivas
(__)Construção das habilidades socioemocionais a partir dos saberes, valores e práticas de cuidado específicos de cada comunidade, valorizando conhecimentos produzidos localmente sobre manejo emocional, bem-estar e saúde mental, sem hierarquização entre saberes científicos ocidentais e saberes tradicionais.
(__)Desenvolvimento de competências emocionais considerando marcadores históricos, sociais e culturais dos estudantes, evitando modelos universalizantes que desconsiderem especificidades territoriais e interseccionalidades, reconhecendo que regulação emocional e práticas de autocuidado assumem significados distintos em diferentes contextos culturais.
(__)Implementação de programas estruturados de desenvolvimento de inteligência emocional baseados em referenciais teóricos consolidados internacionalmente, adaptando estratégias didáticas às realidades locais sem modificar substancialmente as competências emocionais a serem desenvolvidas com todos os estudantes.
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
(__)Os projetos de vida caracterizam-se pela articulação entre aspirações futuras, planejamento estruturado de ações e engajamento efetivo na concretização dos objetivos estabelecidos, diferenciando-se dos sonhos pela presença de estratégias organizadas e dos desejos fantasiosos pela conexão com a realidade concreta do sujeito.
(__)A construção de projetos de vida viáveis prescinde da consideração dos contextos socioeconômicos e culturais dos estudantes, focando prioritariamente no desenvolvimento de aspirações elevadas que possam motivar superações de limitações materiais e territoriais, promovendo assim mobilidade social ascendente.
(__)A distinção entre projetos de vida e fantasias reside fundamentalmente na capacidade de o sujeito estabelecer conexões entre seus desejos e as possibilidades reais de seu contexto, o que não implica conformismo com limitações estruturais, mas reconhecimento das condições materiais e simbólicas para construção de trajetórias significativas.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
SAMPAIO, N. Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária critica
a redução da carga horária das disciplinas de Ciências Humanas para
estudantes paulistas. Jornal da Unesp, mar. 2025 (adaptado).
A integração da área CHSA presente no Novo Ensino Médio, além de contradizer as teorias do currículo que preconizam a disciplinaridade para que a (inter/trans)disciplinaridade ou a transversalidade seja efetivada, promove a redução da carga horária dos componentes curriculares que a compõe. Como a Filosofia foi afetada pelo Novo Ensino Médio (NEM)?
Qual dimensão do conhecimento da BNCC corresponde à prática pedagógica descrita?