Questões de Concurso
Sobre concepções de mundo, homem e educação em pedagogia
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Wanderson Flor do Nascimento. Entre apostas e heranças: contornos africanos e afro-brasileiros na educação e no ensino de filosofia no Brasil. Rio de Janeiro: Nefi, 2020, p. 31.
De acordo com as ideias de Wanderson Flor do Nascimento, a ancestralidade, opondo-se à colonialidade, pode
I.A Filosofia da Educação articula a reflexão sobre os fins, valores e concepções de ser humano e de sociedade que orientam o pensamento educacional, integrando os fundamentos da educação contemporânea.
II.A Sociologia da Educação, na perspectiva contemporânea, reduz-se ao estudo administrativo dos órgãos governamentais, sem articulação com a compreensão da escola como instituição socialmente situada nas dinâmicas da sociedade.
III.A História da Educação articula a compreensão dos processos educacionais em seus contextos históricos e culturais, contribuindo para a análise crítica das continuidades e rupturas no pensamento educacional brasileiro e internacional.
Está correto o que se afirma em:
I.A dimensão filosófica da educação articula a reflexão sobre os fins, os valores e as concepções de ser humano e de sociedade que orientam o pensamento educacional, contribuindo para a compreensão crítica das práticas pedagógicas da escola.
II.A dimensão sociocultural da educação articula a compreensão da escola como instituição socialmente situada, atravessada pelas dinâmicas culturais, econômicas e políticas da sociedade em que se insere historicamente.
III.A dimensão pedagógica da educação, na perspectiva contemporânea, reduz-se à aplicação de técnicas padronizadas em sala de aula, sem articulação com as dimensões filosófica e sociocultural no trabalho pedagógico da escola.
Está correto o que se afirma em:
Nos primeiros tempos, mais do que filósofos ou matemáticos, os gregos foram guerreiros, músicos e ginastas. Assim, mais do que jurídica ou científica, a educação do cidadão livre era ética e artística [...], dentro de uma cultura pouco acostumada a separar a verdade da beleza. Mais tarde, sob a influência de Sócrates e Epicuro (um sujeito feio e outro doentio) é que a educação começa a ser pensada como formadora do espírito. Por muitos e muitos séculos ela aponta para a harmonia que existe na beleza do corpo (e a destreza para a luta) ao lado da clareza da mente (e a fidelidade à polis dos cidadãos livres). (p. 43).
BRANDÃO, C. R. O que é educação? São Paulo: Brasiliense, 2007.
O excerto trata da educação na antiguidade, notadamente a educação grega, ainda hoje fonte de reflexões acerca do alcance, modo de existência e sentido do que denominamos de educação. É que os gregos tinham um modo peculiar de concebê-la, cujo ideário era buscar a formação humana completa, excelente, virtuosa, o que significa formar o ser humano abarcando, em conjunto, a dimensão estética, filosófica, ética, corporal etc. Como se denomina esse ideário de educação na Grécia Antiga?
I. As aprendizagens que se dão de modo colateral, tais como gestos, atitudes, gostos e desgostos, são importantes, mas secundárias em relação ao conteúdo trabalhado pelo professor.
II. A participação do estudante na escolha do que irá aprender é fundamental para conquistar aprendizagem ativa e experiência significatlva.
III. A proposta curricular da escola não deve objetivar a adaptação dos alunos às condições sociais existentes, mas sim contribuir para a compreensão crítica dessas condições e para a atuação dos estudantes em sua transformação.
É CORRETO o que se afirma em:
Considere o estudo de caso a seguir:
O curso de Filosofia de uma universidade pública brasileira inicia um processo de reformulação de sua grade curricular. A proposta prevê a ampliação da presença de autores brasileiros e latino-americanos nas disciplinas, bem como a criação de componentes curriculares organizados a partir de problemas filosóficos situados no contexto nacional. Parte do corpo docente defende que a Filosofia deve manter como eixo central o cânone europeu, considerado universal e mais consolidado. Outro grupo argumenta que a exclusividade desse referencial reproduz hierarquias históricas na produção do conhecimento e propõe a valorização de epistemologias situadas, sem excluir o diálogo com a tradição filosófica clássica.
À luz das perspectivas "decoloniais", o problema apresentado no caso expressa sucessivamente:
Em contextos educacionais atravessados por crises, desigualdades e disputas sobre o sentido do futuro, diferentes matrizes temporais passam a orientar, explícita ou implicitamente, as práticas educativas e as propostas institucionais. Algumas tratam a melhoria como decorrência quase automática do tempo; outras convertem a incerteza em paralisia; outras, ainda, fazem da ação crítica no presente a condição para abertura de possibilidades históricas. Associe a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando cada eixo temporal-pedagógico a sua respectiva formulação:
Primeira coluna: eixo temporal-pedagógico
1.Esperança crítica orientada ao presente
2.Otimismo deshistoricizado
3.Fatalismo desmobilizador
Segunda coluna: formulação correspondente
(__)Disposição afirmativa perante o futuro que tende a supor convergência espontânea entre tempo e melhoria, rebaixando a análise das condições concretas e a necessidade de intervenção crítica sobre o presente como condição do porvir desejado.
(__)Leitura da crise que, ao reconhecer a gravidade das contradições, converte a incerteza em bloqueio político-pedagógico, restringindo a escola à gestão adaptativa do dado e naturalizando o presente como horizonte de repetição.
(__)Postura que recusa simultaneamente o cinismo paralisante e a promessa automática de progresso, tomando a indeterminação do futuro como razão para intensificar a ação coletiva no presente e manter abertas possibilidades históricas não realizadas.
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
Leia o texto a seguir:
A sociedade moderna é marcada pelo individualismo, pela tentativa do sujeito de dominar e controlar tudo que está fora de si, inclusive o outro. Esse movimento gera relações conflituosas e uma cultura de superioridade do Eu, que ignora a singularidade e a dignidade de cada pessoa. O ambiente escolar reflete essa realidade, sendo ao mesmo tempo o espaço mais propício para transformá-la. A ética da alteridade parte do princípio de que o ser humano não existe isolado − desde o nascimento, precisa do outro para sobreviver e constituir-se como pessoa. Nessa perspectiva, o outro não pode ser reduzido a um conceito ou dominado pelo Eu: ele é infinitamente outro, e deve ser acolhido como tal, independentemente de sua raça, cultura, religião ou condição social. O núcleo dessa ética é a responsabilidade: ser responsável pelo outro, mesmo por aquilo que não se causou, de forma gratuita e sem esperar reciprocidade. Aplicada à educação, essa ética implica que o educador assuma um compromisso ético com a pessoa integral do educando, não apenas com o desempenho acadêmico. O professor é chamado a sair de si para o outro − escutando, acolhendo e se responsabilizando pela realidade do aluno, que muitas vezes ultrapassa os muros da escola. Esse acolhimento impacta diretamente na aprendizagem, pois uma relação de proximidade e respeito cria as condições emocionais e humanas para que o estudante aprenda. No contexto do Ensino Religioso, o respeito à diversidade de crenças representa uma das dimensões mais relevantes dessa ética. Reconhecer que cada estudante carrega uma forma singular de compreender o sagrado, a vida e o mundo é condição fundamental para uma educação verdadeiramente não confessional e humanizadora. Sendo assim, os valores da alteridade não devem apenas ser vividos pelos educadores, mas ativamente ensinados e cultivados entre os próprios estudantes ao longo de toda a vida escolar, promovendo uma cultura de acolhimento, diálogo e respeito à diferença.
(Terra e Alteridade: Pesquisas e práticas pedagógicas em ensino religioso é: CAMARGO, Cesar da Silva; CECCHETTI, Elcio; OLIVEIRA, Lilian Blanck de (Orgs.). Nova Harmonia, 2007. 304 p.)
Com base no texto, a construção de uma prática pedagógica fundamentada na ética da alteridade envolve quatro dimensões articuladas. Assinale a alternativa que apresenta a ordenação mais coerente com a lógica argumentativa do texto, do reconhecimento do problema à sua superação:
1.Responsabilização ética gratuita pelo educando, sem esperar reciprocidade.
2.Diagnóstico crítico do individualismo e dos conflitos relacionais no ambiente escolar.
3.Acolhimento da singularidade do educando em sua realidade integral, para além do desempenho acadêmico.
4.Transformação das relações escolares por meio da proximidade, do respeito e do diálogo, gerando impacto na aprendizagem.
A sequência correta em que esse processo se desenvolve é:
Assinale a alternativa correta.