Questões de Concurso
Sobre variação linguística em português
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Analise o verbete a seguir, retirado do Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
“abacateiro s. m. (1881) ANGIOS árvore de até 20m (Persea americana) da fam. das lauráceas, de folhas lanceoladas, pequenas flores ger. esverdeadas, e bagas ovoides ou piriformes, com semente esférica, envolta por polpa verde ou amarelada; abacado, abacate, loiroabacate, louro-abacate [Nativa da América Central, tem várias propriedades medicinais e os frutos são pequenos em estado silvestre, mas as variedades cultivadas têm frutos grandes, com polpa nutritiva, esp. us. em saladas e em sobremesas]. ETIM abacate + eiro. COL abacatal, abacateiral”.
Sobre esse verbete, assinale a afirmativa correta.
Texto 1A16-I
Há muitas línguas na língua portuguesa. Para dar voz e rosto a culturas e religiosidades tão díspares e distantes, esse idioma passou a existir dentro e fora do seu próprio corpo. Nós, brasileiros, portugueses, angolanos, moçambicanos, caboverdianos, guineenses, santomenses, falamos e somos falados por uma língua que foi moldada para traduzir identidades que são profundamente diversas e plurais.
Vivemos na mesma casa linguística, mas fazemos dela uma habitação cujas paredes são como as margens dos oceanos. São linhas de costa, fluidas, porosas, feitas de areia em vez de cimento. Em cada uma das divisórias dessa comum residência, mora um mesmo modo de habitar o tempo, um mesmo sentimento do mundo (nas palavras do poeta Drummond). Essa língua é feita mais de alma do que de gramática. A língua não é uma ferramenta. É uma entidade viva. Com esse idioma, construímos e trocamos diversas noções do tempo e diferentes relações entre o profano e o sagrado.
Jorge Amado atravessou o oceano num momento em que as colônias portuguesas na África se preparavam para a luta pela independência. Na década de cinquenta do século passado, intelectuais e artistas africanos estavam ocupados em procurar a sua própria identidade individual e coletiva. Nessa altura, era clara a necessidade de rupturas com os modelos europeus. Escritores de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe procuravam caminhos para uma escrita mais ligada à sua terra e à sua gente. Carecíamos de uma escrita que nos tomasse como não apenas autores de estórias, mas também sujeitos da sua própria história. Precisávamos de uma narrativa que nos escrevesse a nós mesmos.
Muito se especula sobre as semelhanças entre as nações africanas e o Brasil. Essas comparações resultam muitas vezes de simplificações, mistificações e romantizações. Na maior parte das vezes, essas analogias são fundadas em estereótipos que pouco têm a ver com uma realidade que é composta por dinâmicas e complexidades que desconhecemos.
O que é mais africano no Brasil e mais brasileiro na África não é o candomblé, não são as danças nem os tipos físicos das pessoas. O que nos torna tão próximos é o modo como, de um e de outro lado do Atlântico, aprendemos a costurar culturas e criar hibridizações. A presença africana não mora hoje apenas nos descendentes dos escravizados. Essa presença permeia todo o Brasil. Dito de outra maneira: a semelhança não está no pano. Está na costura. Está no costureiro. E esse costureiro é a história. E é a língua que partilhamos. Essa língua é, ao mesmo tempo, linha, pano e mãos tecedeiras.
Mia Couto. As infinitas margens do oceano. In: Panorama da Contribuição do Brasil para a Difusão do Português. Brasília: FUNAG, 2021, p. 421-424 (com adaptações).
Em relação a aspectos textuais e linguísticos do texto 1A16-I, julgue o seguinte item.
Quando afirma que “era clara a necessidade de rupturas com
os modelos europeus” (terceiro período do terceiro
parágrafo), o autor do texto não remete diretamente ao
conceito de variação linguística diastrática.
Existem quatro tipos de variações linguísticas. A variação diatópica é aquela que depende do local onde vivem os falantes, que os influenciam.
(SOARES, A. Gramática de A a Z. Cascavel/PR: Editora Alfacon, 2019, p. 12).
O termo “arrepitirum”, expresso no quinto verso do poema, é exemplo de variação diatópica. Também é exemplo de variação diatópica:

Fernando Gonsales. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#29/6/2022. Acesso em: 19 jul. 2022.
Na tirinha de Fernando Gonsales, observa-se a presença da variedade
INSTRUÇÃO: Leia o texto para responder à questão.
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I- A língua modifica-se naturalmente com o tempo.
II- É preciso considerar as diferenças entre o português europeu e o português brasileiro.
III- A relação entre norma culta e informalidade da língua deve ser considerada em termos de graus e não como dicotomias distintas.
IV- A norma culta é um modelo do bem falar e escrever que tem como referência a forma como falam e escrevem as pessoas cultas na época atual.
Estão corretas apenas as afirmativas
− Quem está falando?
− Sou eu, Seu Antônio.
− Tudo bem aí no sítio, Tonico?
− Mais ou menos, Seu Antônio. Um pobreminha um pouco grave.
− PROBLEMINHA um pouco grave? O que foi? Com meu pai?
− É... não... é... não...
− Espera aí, é ou não é? Não entendi.
− Bem. Sabe aquela cadeira que o sinhô tanto gosta, que foi da sua bisavó?
− Sei sim. O que tem ela? E o meu pai?
− É que ele sentou nela.
− E o que tem ele sentar nela?
− Ele sentou na cadeira e quebrou o braço.
− Nosso Deus! E como está? Levou ao hospital? Ele está bem? Teve que engessar?
− Não. O Marceneiro só bateu uns pregos e parece que já está tudo bem.
− Marceneiro? Prego? Vocês crucificaram meu pai?
− Não. Só consertamos o braço. Por quê? É para crucificar seu pai?
(MENDONÇA, Tulius)
Após a leitura do texto acima, o que provoca o efeito de sentido e humor no texto:


I. As ideias apresentadas no texto se fundamentam em informações baseadas em dados e fatos, conforme se observa, por exemplo, no 4º e no 5º parágrafo. II. A citação de nomes de cientistas e estudiosos sobre o clima e sobre o comportamento dos jovens contribui para o processo argumentativo do texto. III. A linguagem coloquial utilizada no texto desqualifica as informações contidas no texto.
Quais estão corretas?
Leia este texto e resolva a questão:

As frases “É a construção civil!” e “É a destruição, cê viu?”:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
TEXTO
ADOÇÃO NO BRASIL
A adoção no Brasil é entendida legalmente como uma ferramenta de função social que busca garantir o direito ao desenvolvimento pleno da criança.
O processo de adoção no Brasil passou por diversos momentos diferentes no decorrer do tempo. Em momentos passados, era uma forma de adquirir mão de obra barata. Uma família “adotava” uma criança sob a condição de que, em troca do abrigo e alimento, ela deveria trabalhar cuidando da casa ou de outras crianças mais novas, geralmente filhos legítimos da família. Muita coisa mudou desde então e, embora essa prática ainda persista, a adoção é hoje vista pelos órgãos judiciais como um artifício usado para garantir os direitos da criança e do adolescente de terem acesso a um meio familiar saudável onde disponham de oportunidades de pleno desenvolvimento social, físico, psicológico e educacional.
O jurista e filósofo brasileiro Clóvis Beviláqua (1859- 1944) define a adoção como “o ato civil pelo qual alguém aceita um estranho na qualidade de filho”. Nesse sentido, a adoção é vista como uma forma de estabelecimento de laço familiar indissolúvel; assim, aquele que é adotado passa a ter todos os direitos de um filho biológico.
A partir da Constituição de 1988, a adoção passou a ser vista pelo meio jurídico como uma ferramenta de função social, uma forma de proteção aos interesses da criança e do adolescente. A elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) firmou legalmente essa função e, entre suas determinações, estão:
Determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente:
• A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa (…);
• O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver sob a guarda ou tutela dos adotantes;
• A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais;
• A adoção será concedida quando apresentar reais vantagens para a criança ou adolescente em situação de adoção e fundar-se em motivos legítimos;
• O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando.
Embora os avanços legais tenham garantido meios para que as crianças e adolescentes que vivem em abrigos e encontram-se em situação de adoção tenham a oportunidade de novamente se tornarem parte de uma família, as filas de pessoas que desejam adotar continuam a crescer. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2015, existiam cerca de 5,6 mil crianças e adolescentes à espera de uma nova família nos lares adotivos espalhados pelo país. Enquanto isso, segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), 33 mil famílias estão cadastradas na fila. Esse estranho fenômeno explica-se ao observarmos que, dessas 5,6 mil crianças e adolescentes, 86% possuem 5 anos ou mais. Ocorre que a grande maioria das famílias que esperam nas filas do CNA exige que a criança a ser adotada seja recém-nascida, saudável e de pele clara, características que apenas 6% das crianças que se encontram nos abrigos possuem.
Desse fato também surge outra importante discussão acerca da legitimidade da adoção por casais homoafetivos. Embora, em 2015, ainda não exista lei formal que aborde o assunto, os tribunais e juízes já garantiram, nos casos em que as análises dos órgãos de assistência social recomendavam a adoção, o direito a esses casais de adotar.
Por: Lucas de Oliveira Rodrigues
https://www.preparaenem.com/sociologia/adocao-no-brasil.htm
TEXTO II
MORRA BEM
Um dos meus textos mais conhecidos chama-se A morte devagar, que publiquei na véspera de Finados de 2000 e que logo ganhou o mundo com o título Morre Lentamente. No início foi equivocadamente atribuído a Pablo Neruda, por isso o espalhamento e seu sucesso. Passado tanto tempo, já me devolveram a autoria e hoje esse texto virou canção na França e entrou no roteiro de um filme italiano – sem falar nas traduções para o espanhol, que alguns desconfiados ainda acreditam ser seu idioma de origem.
Na época, aproveitando a proximidade do Dia dos Mortos, escrevi puxando as orelhas (não os pés) daqueles que morrem em vida: os que evitam o risco, a arte, a paixão, o mistério, as viagens, as perguntas - apenas atravessam os dias respirando.
Hoje, dia de Finados, 17 anos depois, reitero: não morra lentamente. Morra rápido, de uma vez só, sem delongas. Morra quantas vezes for necessário.
Quando fiz meu mapa astral, ouvi da astróloga: “Você tem dificuldade de lidar com ambivalências, gosta das coisas esclarecidas, para o bem ou para o mal”. E ela concluiu: “Morrer é algo que você faz bem. Ficar em banho-maria, não”.
Sombrio? Soturno? Ao contrário. Entendi com clareza sobre o que ela falava. Morte é a antessala da luz. Não a morte definitiva, que encerra o assunto, mas as diversas mortes em vida, os vários falecimentos a que somos submetidos. É preciso morrer bem enquanto se vive.
Cada final de amor é uma pequena morte, por exemplo. Morre lentamente quem fica alimentando fantasias de retorno, planejando vinganças, cultivando lembranças com naftalina. Sei que dói, mas não deixe esse amor definhando na UTI, dê logo a extrema-unção, acabe com isso, morra rápido, morra de vez, para que possa renascer ligeiro também.
Finais de carreira, finais de amizade, finais de ciclo: mortes que acontecem aos 30, aos 40 anos, em qualquer idade. Dói, dói demais, não estou negando a dor, mas o que você prefere? As dúvidas, as ilusões, o apego? Prefere a sobrevida a uma vida nova? Confie na experiência de quem já se enterrou algumas vezes. Morra. Morra bem morrido, baby.
Final de juventude, final da faculdade, final de uma viagem de intercâmbio: vai ficar agindo como se tivesse 18 anos para sempre? Mate o garoto, renasça adulto.
A morte daqueles que amamos é trágica, mas nossa própria morte, não. Ela é uma contingência de nossa longa existência, e essa não é uma frase cínica, simplesmente é assim. Nossos sonhos morrem. Nosso passado morre. Nossas crenças, nossas fases. Fazer o quê? Morra bem. Morra com categoria. Com dignidade. O menos lentamente possível. Morra de morte bem arrematada, uma, duas, três mil vezes, morra em definitivo sempre que for exigido, para sobrar tempo.
Tempo para a vida em frente.
(O GLOBO, Marta Medeiros)
TEXTO I
A NOVA JUVENTUDE
O que não falta é frase satirizando a primeira etapa da vida. Exemplo: A juventude é um defeito facilmente superável com a idade. Outro: A juventude é uma coisa maravilhosa, pena desperdiçá-la em jovens. Quem ultrapassou essa fase dourada hoje olha para ela com certo desprezo - Não de todo equivocado: a maturidade, de fato, se não é nosso período mais fértil, certamente é o mais sabido. Algum benefício tinha que haver nessa tal passagem do tempo.
No entanto, em vez de fazer coro com a soberba habitual dos maduros, vale dar uma espiada mais generosa para a garotada. Afora os neorretardados que proliferam nas redes esbanjando pobreza de espírito, a geração atual tem uma postura mais humanizada em relação a questões importantes da vida. Vale a pena escutá-los.
O tema da homossexualidade, ainda debatido à exaustão na mídia, já saiu de pauta entre os adolescentes. Nada mais natural do que meninos e meninas namorarem parceiros do mesmo sexo. Ser favorável ou desfavorável à causa gay? Concordo com eles: chega a ser constrangedor a gente se declarar a favor ou contra o que não nos diz respeito. É muita arrogância.
Quanto à busca por uma profissão, mudanças visíveis também. O dinheiro continua sendo uma preocupação, mas já não ocupa o topo das paradas. O que se deseja é fazer diferença para a sociedade, trabalhar no que se gosta, personalizar sua atuação, deixar marcada uma ideia, uma consciência, um caminho diferente, um novo olhar. Nem que para isso se invente uma profissão que nunca existiu, que se formalizem atividades que antes não eram consideradas. O estudar segue fundamental, mas a sequência colégio-vestibular-faculdade vem ganhando bifurcações. Se a felicidade não estiver na vida sólida e estável que os pais sonharam, paciência. Os sonhos dos velhos terão que se adaptar a uma realidade menos regrada.
Sim, ainda existem os adolescentes convencionais, que sonham com casamentos convencionais e empregos convencionais e que querem enriquecer, consumir e ser “alguém”. A diferença é que esse “alguém” padrão, que se amparava em hierarquias para estabelecer juízos de valor, não representa o jovem moderno que quer construir uma sociedade mais horizontalizada. A noção de riqueza está mudando de foco: ir para o trabalho de bicicleta pode dar mais status a um profissional do que conquistar uma vaga no estacionamento reservado aos patrões.
Outro dia falava sobre tatuagens com duas garotas e me peguei aplicando o velho discurso a respeito do cuidado que elas deveriam ter antes de tomar decisões definitivas. Foi quando me dei conta de que até o definitivo mudou de configuração. Elas não veneram o “pra sempre” – o que acho ótimo, mas então por que fazer uma tatuagem? Simplesmente para homenagear uma etapa da vida. Não haverá arrependimento se o assunto não for levado com tanto drama. Tatuagem deixou de ser uma condecoração vitalícia. Nada mais é vitalício.
Basta que seja sustentável.
(O GLOBO, Marta Medeiros, 2013)
A expressão sublinhada nessa frase é característica da linguagem:


Leia o texto abaixo para responder à questão.
Pediatra orienta que pais aproveitem período de férias para ficarem mais perto dos filhos
O contato das crianças com a família no período de férias escolares é fundamental para o desenvolvimento, além de fazer bem para o emocional. Mas, para gerar efeitos positivos, não basta estar junto, é importante que pais e familiares compartilhem com elas um tempo de qualidade.
Estar perto do filho não se trata apenas de ficar ao lado dele enquanto ele brinca. A formação do vínculo afetivo se dá nos momentos em que a criança percebe sua disponibilidade e sabe que você está ali não só com ela, mas também para ela.
O pediatra Constantino Cartaxo vê que as férias são uma ótima oportunidade para que pais e filhos se aproximem, pois é durante os momentos compartilhados que se formam as memórias mais importantes para o processo de crescimento e desenvolvimento da criança.
“Os primeiros cinco anos de vida são um período crucial para o desenvolvimento da criança. Hoje vemos os pais terceirizando, cada dia mais cedo, o cuidado de seus filhos a outras pessoas e a creches e berçários. Assim, a criança perde o exemplo da família como órgão gerador de comportamento e de educação”, explica Cartaxo.
O médico pediatra afirma, ainda, que a ausência de elos com a família também pode comprometer o desenvolvimento infantil, gerando ansiedade e inseguranças na criança. Isto acontece porque, nos primeiros anos de vida, os filhos reproduzem o comportamento dos pais e, sem contato com eles, deixam de ter referências comportamentais e de afeto.
Além de prejudicar o desenvolvimento comportamental da criança, a falta de atenção dos responsáveis estimula o uso de telas, como televisão, smartphones e tablets. Por isso, Constantino Cartaxo estimula que os pais aproveitem as férias e fortaleçam a conexão que têm com os pequenos.
“A família é o primeiro exemplo para a criança. Este é um
período em que a criança precisa se identificar com a
família e, sobretudo, identificar os valores da família;
precisa ser limitada em seu comportamento dentro da
família para que, posteriormente, tenha um
desenvolvimento mais saudável, seguro e completo”,
incentiva.
As palavras destacadas estabelecem relações de sentido no trecho. Se elas fossem retiradas, provocariam um problema de:
Texto para o item.


Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos da crônica apresentada, julgue o item.
A expressão “os mais curiosos” (linha 1) refere-se a
pessoas que estavam presentes na roda de conversa da
qual participava o cronista.