Questões de Concurso
Sobre uso dos conectivos em português
Foram encontradas 5.466 questões
Leia o texto e responda às questões:
O TEMPO QUE A FILA NÃO MEDE
Naquela segunda-feira, a pequena sala de atendimento parecia menor do que de costume. Havia gente em pé, duas crianças inquietas e uma senhora que consultava o relógio a cada poucos minutos. Atrás do balcão, Clara organizava documentos enquanto explicava, pela terceira vez, que o sistema estava mais lento naquela manhã.
Um homem, já impaciente, aproximou-se e perguntou:
— Vai demorar muito?
Clara poderia ter respondido apenas que não sabia. Em vez disso, verificou a situação e explicou que três atendimentos ainda seriam concluídos antes do dele. A informação não tornou o relógio mais rápido, mas mudou alguma coisa: o homem agradeceu e voltou a sentar-se. Pouco depois, a senhora que observava as horas foi chamada. Ao chegar ao balcão, descobriu que havia esquecido um documento necessário. Procurou na bolsa, tornou a procurar e, sem encontrá-lo, suspirou:
— Perdi a manhã.
Clara examinou os documentos apresentados e percebeu que o comprovante também poderia ser enviado posteriormente por meio eletrônico. Orientou a senhora sobre o procedimento e deu continuidade ao atendimento.
Ao sair, ela sorriu:
— Então não perdi a manhã inteira.
A fila continuava praticamente do mesmo tamanho. O sistema continuava lento. O relógio, naturalmente, não havia mudado seu ritmo. Ainda assim, o ambiente parecia menos pesado. Talvez uma espera não seja feita apenas de minutos. Há atrasos que aumentam quando ninguém sabe o que está acontecendo e problemas que diminuem quando alguém encontra uma saída. O tempo marcado pelo relógio pode ser igual para todos; o modo como ele é vivido, não.
Fonte: texto autoral, elaborado exclusivamente para esta prova.
Leia o texto e responda às questões:
O TEMPO QUE A FILA NÃO MEDE
Naquela segunda-feira, a pequena sala de atendimento parecia menor do que de costume. Havia gente em pé, duas crianças inquietas e uma senhora que consultava o relógio a cada poucos minutos. Atrás do balcão, Clara organizava documentos enquanto explicava, pela terceira vez, que o sistema estava mais lento naquela manhã.
Um homem, já impaciente, aproximou-se e perguntou:
— Vai demorar muito?
Clara poderia ter respondido apenas que não sabia. Em vez disso, verificou a situação e explicou que três atendimentos ainda seriam concluídos antes do dele. A informação não tornou o relógio mais rápido, mas mudou alguma coisa: o homem agradeceu e voltou a sentar-se. Pouco depois, a senhora que observava as horas foi chamada. Ao chegar ao balcão, descobriu que havia esquecido um documento necessário. Procurou na bolsa, tornou a procurar e, sem encontrá-lo, suspirou:
— Perdi a manhã.
Clara examinou os documentos apresentados e percebeu que o comprovante também poderia ser enviado posteriormente por meio eletrônico. Orientou a senhora sobre o procedimento e deu continuidade ao atendimento.
Ao sair, ela sorriu:
— Então não perdi a manhã inteira.
A fila continuava praticamente do mesmo tamanho. O sistema continuava lento. O relógio, naturalmente, não havia mudado seu ritmo. Ainda assim, o ambiente parecia menos pesado. Talvez uma espera não seja feita apenas de minutos. Há atrasos que aumentam quando ninguém sabe o que está acontecendo e problemas que diminuem quando alguém encontra uma saída. O tempo marcado pelo relógio pode ser igual para todos; o modo como ele é vivido, não.
Fonte: texto autoral, elaborado exclusivamente para esta prova.
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O TEMPO QUE A FILA NÃO MEDE
Naquela segunda-feira, a pequena sala de atendimento parecia menor do que de costume. Havia gente em pé, duas crianças inquietas e uma senhora que consultava o relógio a cada poucos minutos. Atrás do balcão, Clara organizava documentos enquanto explicava, pela terceira vez, que o sistema estava mais lento naquela manhã.
Um homem, já impaciente, aproximou-se e perguntou:
— Vai demorar muito?
Clara poderia ter respondido apenas que não sabia. Em vez disso, verificou a situação e explicou que três atendimentos ainda seriam concluídos antes do dele. A informação não tornou o relógio mais rápido, mas mudou alguma coisa: o homem agradeceu e voltou a sentar-se. Pouco depois, a senhora que observava as horas foi chamada. Ao chegar ao balcão, descobriu que havia esquecido um documento necessário. Procurou na bolsa, tornou a procurar e, sem encontrá-lo, suspirou:
— Perdi a manhã.
Clara examinou os documentos apresentados e percebeu que o comprovante também poderia ser enviado posteriormente por meio eletrônico. Orientou a senhora sobre o procedimento e deu continuidade ao atendimento.
Ao sair, ela sorriu:
— Então não perdi a manhã inteira.
A fila continuava praticamente do mesmo tamanho. O sistema continuava lento. O relógio, naturalmente, não havia mudado seu ritmo. Ainda assim, o ambiente parecia menos pesado. Talvez uma espera não seja feita apenas de minutos. Há atrasos que aumentam quando ninguém sabe o que está acontecendo e problemas que diminuem quando alguém encontra uma saída. O tempo marcado pelo relógio pode ser igual para todos; o modo como ele é vivido, não.
Fonte: texto autoral, elaborado exclusivamente para esta prova.
As duas frases deste trecho apresentam a seguinte sequência de formulações:
TEXTO PARA A QUESTÃO
A sociedade da informação e os desafios da leitura crítica.
Nas últimas décadas, o desenvolvimento das tecnologias digitais alterou profundamente a forma como o conhecimento é produzido, compartilhado e consumido. A informação, que durante muito tempo esteve concentrada em livros, bibliotecas e meios tradicionais de comunicação, passou a circular de maneira praticamente instantânea por diferentes plataformas digitais. Esse processo ampliou significativamente o acesso ao conhecimento e favoreceu a democratização da comunicação. Entretanto, trouxe consigo desafios que extrapolam o domínio da tecnologia e alcançam dimensões sociais, educacionais e éticas.
A rapidez com que notícias, opiniões e imagens são difundidas faz com que milhões de pessoas tenham contato diário com uma quantidade de informações muito superior à capacidade humana de analisá-las de forma criteriosa. Em consequência, torna-se cada vez mais frequente a formação de opiniões baseadas em leituras superficiais, interpretações precipitadas ou conteúdos cuja veracidade sequer foi verificada. Em um cenário marcado pelo excesso de informações, a dificuldade já não consiste apenas em obter acesso ao conhecimento, mas em distinguir aquilo que se fundamenta em evidências daquilo que se apoia na desinformação, na manipulação ou na ausência de critérios confiáveis.
Essa realidade evidencia que a leitura, por si só, não garante compreensão. Ler criticamente pressupõe interpretar argumentos, identificar relações de causa e consequência, reconhecer estratégias persuasivas, analisar pressupostos e confrontar diferentes pontos de vista. Em outras palavras, significa compreender que todo texto resulta de escolhas linguísticas e discursivas realizadas por seu autor, escolhas essas que podem influenciar a maneira como determinados fatos são percebidos pelo leitor.
Nesse contexto, a escola assume papel essencial na formação de cidadãos capazes de utilizar a informação de maneira ética, responsável e crítica. Mais do que transmitir conteúdos, compete à educação desenvolver competências relacionadas à análise, à argumentação e à tomada de decisões fundamentadas. Afinal, em uma sociedade na qual a informação circula em velocidade cada vez maior, a capacidade de refletir tornou-se tão importante quanto o próprio acesso ao conhecimento.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Crianças brasileiras vão melhor em linguagem do que em matemática, diz OCDE
Um levantamento recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostra que crianças brasileiras de 5 anos têm desempenho acima da média global em linguagem, com 502 pontos, mas ficam atrás em matemática, com 456.
A diferença também reflete desigualdade social: 80% das crianças de famílias mais ricas reconhecem números nessa idade, contra 68% entre as mais pobres. O dado indica que a defasagem em raciocínio lógico começa antes mesmo do ensino fundamental.
O cenário ajuda a explicar os resultados mais adiante. Segundo o PISA 2022, apenas 27% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingem o nível mínimo de proficiência em matemática.
Para o diretor-geral do Colégio Sigma, Marcelo Tavares, a dificuldade precoce em matemática tende a se acumular ao longo da trajetória escolar. "Quando o aluno não desenvolve o raciocínio lógico desde cedo, ele chega às etapas seguintes com lacunas que impactam diretamente o aprendizado", afirma.
Diante desse quadro, escolas têm adotado estratégias para tentar melhorar o desempenho, com foco em resolução de problemas, desafios e participação ativa dos alunos. A proposta é desenvolver o raciocínio lógico e tornar o aprendizado mais aplicável ao cotidiano.
Competições como o Concurso Canguru de Matemática, presente em mais de 100 países, fazem parte desse movimento ao propor questões que estimulam lógica, interpretação e criatividade.
Segundo Tavares, o engajamento é um dos principais desafios. "Quando o aprendizado se apresenta em forma de desafio, ele deixa de ser abstrato e passa a fazer sentido. Isso ajuda a aproximar o aluno da matemática", diz.
Fonte: CNN BRASIL. Crianças brasileiras vão melhor em linguagem do que em matemática, diz OCDE. [S. l.], 6 maio 2026. Disponível em:
https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/criancas-brasileiras-vao-melhor-em-linguagem-do-que-em-matematica-diz-ocde/. Acesso em: 11 ago. 2026.
Considerando o emprego do vocábulo 'mas' no trecho, assinale a alternativa correta.
“trazem não só crescimento social, mas também econômico e cultural”.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Programa de educação ambiental traz saberes locais para escolas públicas
A presença da emergência climática nos currículos escolares ainda avança em ritmos distintos ao redor do mundo.
Diante das mudanças climáticas, educadores brasileiros têm buscado nos saberes locais as soluções para incluir crianças e adolescentes no debate sobre o clima e ações de sustentabilidade. Desenvolvido e implementado pela Tewá 225, o programa Movimento Sustentável, uma iniciativa da Auren Energia, promoveu acesso à educação socioambiental para mais de 2 mil estudantes e professores na rede pública em seis estados brasileiros. O projeto ampliou o domínio de técnicas sustentáveis ligadas aos territórios onde aconteceram as formações, como sistemas naturais, consumo de recursos e mudanças climáticas.
Ao todo, 40 escolas públicas, localizadas em Pernambuco, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e São Paulo, receberam formações voltadas para educadores que fortalecem a compreensão sobre sustentabilidade e aplicação desses conhecimentos em sala de aula. Segundo dados da Tewá, foram mobilizados 144 profissionais, que elaboraram 266 atividades.
Além do incentivo formativo, as escolas que atingiram as metas de atividades previstas em seu programa, com caráter gamificado e ligado aos saberes locais, receberam investimentos entre R$ 2 mil e R$ 5 mil para implementar as ações no território onde estão localizadas.
A metodologia das trilhas formativas é alinhada à BNCC (Base Nacional Comum Curricular). A proposta organiza o aprendizado em ciclos semestrais interconectados, permitindo que conteúdos complexos sejam assimilados de forma progressiva e adaptada às realidades dos municípios.
Adaptar a metodologia à cultura local é parte da premissa do programa Movimento Sustentável. Para Fernanda Mallak, diretora técnica da Tewá 225, os conteúdos sobre cada bioma e os recursos naturais presentes nos territórios são essenciais para a elaboração das formações.
"O estudo só faz sentido quando está conectado à realidade do território e à cultura que aquele estudante reconhece como dele. É a diferença entre decorar um conceito e se sentir pertencente a ele", explica ela. "Aqui entram também os saberes tradicionais, que muitas vezes precedem todo o nosso conhecimento técnico de sustentabilidade."
No entanto, ainda existem alguns desafios para a incorporação das práticas sustentáveis no ensino básico, sobretudo questões estruturais ligadas à evasão escolar, infraestrutura precária das escolas e alta rotatividade de professores. "Como engajar uma comunidade escolar que muitas vezes opera no limite, com o docente sobrecarregado e sem as condições mínimas de permanência?", questiona Mallak. "Qualquer iniciativa que ignore esse terreno tende a não se sustentar", defende ela.
Para ela, as oficinas devem ser organizadas de forma que não gerem mais carga de trabalho para os profissionais da educação. Ações como a inserção do educador ambiental no ambiente escolar podem aliviar essa sobrecarga, além de oferecer material didático pré-elaborado para o docente. "A ideia é entrar como apoio numa estrutura que já está pressionada, e não como mais uma demanda", explica.
A metodologia desenvolvida pelo projeto varia conforme a realidade do território, considerando os diferentes contextos urbanos, rurais e de comunidades tradicionais contempladas. Em escolas indígenas, o trabalho é feito completamente conectado com as lideranças, responsáveis por transmitir o conhecimento para membros mais jovens de seu povo.
O diálogo com lideranças é uma forma de conectar a realidade escolar com os saberes tradicionais de cada território, mas também envolve a comunidade no processo formativo de adultos e crianças. "O trabalho é com a comunidade escolar como um todo, tendo o educador e/ou professor como ponto de multiplicação para os estudantes, famílias e, consequentemente, para o entorno", conclui Mallak.
Fonte: TOYAMA, Laura. Programa de educação ambiental traz saberes locais para escolas públicas. CNN Brasil, [S. l.], 19 jun. 2026. Disponível em:
https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/programa-de-educacao-ambien tal-traz-saberes-locais-para-escolas-publicas/. Acesso em: 9 ago. 2026.
Considerando o emprego da expressão 'Além do', assinale a alternativa correta.
Na frase, há uma relação de oposição estabelecida entre dois termos principais, que são:
Considerando o paralelismo entre as duas frases que compõem o trecho, a seguinte expressão poderia ser usada, entre vírgulas, após a palavra “professores”:
Texto para a questão.
O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA
Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.
Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.
A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.
Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.
Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.
Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.
Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.
A frase “Não se tratava de elogiar o defeito” previne uma interpretação segundo a qual a pane deveria ser considerada positiva. Entretanto, o narrador também reconhece que o acontecimento produziu uma percepção antes ausente.
Assinale a alternativa que preserva simultaneamente essas duas orientações argumentativas.
Leia o texto e responda à questão.
A JANELA QUE VIAJAVA
Quando a antiga kombi azul apareceu pela primeira vez na praça, muita gente pensou que fosse apenas mais um veículo da Prefeitura. As portas se abriram, porém, e revelaram prateleiras cheias de livros.
Na lateral, uma placa anunciava: “Biblioteca em Movimento”.
Nos primeiros dias, os adultos se aproximavam com cautela. As crianças, menos desconfiadas, escolhiam histórias e sentavam-se sob as árvores. Aos poucos, quem passava a caminho do trabalho começou a reservar alguns minutos para folhear jornais, romances ou manuais. O veículo não levava apenas livros: criava uma pausa no ritmo apressado da praça.
Certa manhã, seu Antônio devolveu um livro sobre hortas domésticas e contou que havia plantado temperos em latas reaproveitadas. Na semana seguinte, trouxe fotografias das mudas e explicou o processo a dois jovens. A leitura, que começara silenciosa, transformou-se em conversa e experiência compartilhada.
O projeto também enfrentava dificuldades. Em dias de chuva, o movimento diminuía; alguns títulos eram muito procurados, enquanto outros permaneciam meses nas estantes. A equipe passou, então, a registrar os empréstimos e a ouvir sugestões dos moradores. Com esses dados, reorganizou o acervo e definiu novos pontos de parada.
Meses depois, a kombi continuava com a mesma pintura gasta. Ainda assim, já não parecia um veículo antigo. Para muitos moradores, tornara-se uma janela: não porque mostrasse uma paisagem pronta, mas porque ajudava cada leitor a enxergar possibilidades que antes passavam despercebidas.
Fonte: texto autoral, elaborado exclusivamente para esta prova.
Considere o trecho:
“As portas se abriram, porém, e revelaram prateleiras cheias de livros.”
A conjunção destacada estabelece, no contexto, ideia de:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Como escolas e famílias formam novos leitores
A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho.
Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância.
A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura.
Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo.
'Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso'.
As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância − e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças.
'Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas − hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês −, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores'.
A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo.
'Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar'.
Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida.
As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas.
Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida.
BRASIL. Ministério da Educação. Como escolas e famílias formam novos leitores. Brasília, 24 jul. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2026/julho/como-escola s-e-familias-formam-novos-leitores. Acesso em: 11 ago. 2026. Adaptado.
Quanto aos mecanismos de coesão e coerência presentes no texto, analise as asserções a seguir.
I. No trecho 'As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares', o termo 'também' contribui para a coesão textual ao estabelecer relação de acréscimo entre essa informação e as ideias apresentadas anteriormente.
PORQUE
II. O termo 'também' indica que o fortalecimento dos vínculos familiares constitui outro aspecto relacionado ao acesso à literatura, além dos elementos anteriormente mencionados no texto.
A respeito das asserções, assinale a alternativa correta.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Educação climática avança nas escolas, mas ainda tem lacunas no currículo
A presença da emergência climática nos currículos escolares ainda avança em ritmos distintos ao redor do mundo.
Dados da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) mostram que 47% dos currículos nacionais de 100 países não mencionam tema, enquanto 20% dos professores afirmam não se sentir preparados para orientar os alunos.
No Brasil, esse cenário tem impulsionado iniciativas voltadas à ampliação da educação climática, como a Reconectta, que, por meio do movimento "Escolas pelo Clima", já mobiliza mais de 1 milhão de estudantes e 100 mil educadores em 480 municípios, com foco em ações práticas de engajamento.
Para Livia Ribeiro, sócia-fundadora da Reconectta, a presença do tema na educação formal está em processo de consolidação. "É importante lembrarmos que, embora a ciência estude o aquecimento global há bastante tempo, a emergência climática como pauta presente na sociedade como um todo no debate público, de forma mais latente, é um fenômeno relativamente recente, talvez entre 5 e 10 anos", afirma. Segundo ela, a incorporação do assunto envolve mudanças culturais e estruturais. "O tema ainda é tratado muitas vezes como opcional, como algo que cabe numa semana temática, num projeto de feira de ciências, e não como parte do currículo permanente", comenta.
A preparação dos educadores é um dos pontos centrais nesse processo. Livia destaca que o desafio está relacionado à necessidade de ampliar formação e suporte contínuo. "Essa ausência do tema nos currículos dificulta a compreensão da temática e impede que eles realmente entendam o que está acontecendo, por que está acontecendo e, principalmente, como podem se envolver nas soluções".
Os efeitos das mudanças climáticas já fazem parte da realidade de muitos estudantes. Um relatório do Unicef aponta que, apenas em 2024, mais de um milhão de crianças e jovens brasileiros tiveram os estudos interrompidos por eventos extremos. Nesse contexto, a compreensão do tema ganha relevância. "Essa ausência desse tema nos currículos dificulta a compreensão da temática, que eles realmente entendam o que está acontecendo, por que está acontecendo e principalmente como que eles podem se envolver nas soluções", explica.
Com foco na prática, o movimento "Escolas pelo Clima" propõe que cada instituição desenvolva ao menos uma ação ao longo do ano. "A prática, ela é o coração do movimento", afirma Livia. A iniciativa oferece formações, materiais de apoio e reconhecimento às escolas, além de estimular a troca de experiências entre diferentes regiões.
A proposta também considera as particularidades de cada território. "Não existe receita pronta para que essa prática aconteça nas escolas", ressalta. "A gente dá caminhos, inspirações e uma série de apoio para que essas ações aconteçam de forma muito contextualizada em cada território." Em 2025, cerca de 700 ações foram realizadas no país.
A diversidade de contextos, especialmente na rede pública, que representa 70% das instituições participantes, demanda soluções flexíveis. "O segredo está em transformar a sustentabilidade em uma estratégia institucional, e não apenas em um projeto passageiro, garantindo que esse aprendizado seja continuado", afirma.
Além das escolas, a iniciativa também dialoga com o setor corporativo, conectando programas de responsabilidade social a uma rede já engajada. "Quando a gente age de forma integrada com esses diferentes atores da sociedade, a gente consegue não apenas compromissos de longo prazo, mas resultados sistêmicos e permanentes", diz Livia.
Fonte: NICOLAU, André. Educação climática avança nas escolas, mas ainda tem lacunas no currículo. CNN Brasil, [S. l.], 8 jun. 2026.
Disponível em:
https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/educacao-climatica-avanca-nas-escolas-mas-ainda-tem-lacunas-no-curriculo/. Acesso em: 9 ago. 2026.
Considerando os mecanismos de coesão e coerência empregados no trecho, julgue os itens a seguir.
I.O conectivo 'enquanto' estabelece, nesse contexto, relação de simultaneidade temporal entre os dois dados apresentados, indicando que as pesquisas referentes aos currículos e aos professores foram realizadas no mesmo período, podendo ser substituído por 'ao passo que', sem alteração do sentido.
II. A expressão 'o tema' retoma por coesão anafórica um referente apresentado em período anterior a este trecho, e não um elemento interno à própria oração em que aparece.
III.O emprego de siglas entre parênteses, como em '(Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura)', constitui recurso de coesão referencial que antecipa, de forma explicativa, o significado da sigla 'Unesco' mencionada anteriormente.
IV.Os dois dados apresentados no período, sobre currículos e sobre professores, são articulados de forma a sustentar, em conjunto, a ideia de que a educação climática ainda enfrenta lacunas tanto no âmbito curricular quanto no da formação docente.
É correto o que se afirma em:
Texto: O PRIMEIRO TRILIONÁRIO E A ILUSÃO DA RIQUEZA SEM PRODUÇÃO
Jean Paul Prates
A notícia de que Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história tem força simbólica suficiente para merecer mais do que admiração ou repulsa. Ela exige reflexão. Não apenas porque se trata de uma fortuna jamais alcançada individualmente, mas porque a forma como esse marco foi celebrado revela algo profundo sobre o espírito econômico do nosso tempo. A marca de US$ 1 trilhão não foi recebida apenas como um dado financeiro. Foi apresentada, por muitos, como uma espécie de consagração histórica da nova economia, da ousadia empreendedora e da supremacia dos ativos sobre o trabalho.
É preciso reconhecer, desde logo, que Musk não é um rentista convencional. Suas empresas mudaram setores inteiros, desafiaram monopólios tecnológicos, aceleraram a eletrificação automotiva, reduziram custos de acesso ao espaço e criaram modelos industriais que muitos julgavam improváveis. A SpaceX, em especial, é uma realização empresarial e tecnológica extraordinária. Nada disso deve ser diminuído. O problema começa quando a celebração do empreendedor inovador se transforma em culto à desigualdade crescente e quando a valorização patrimonial passa a ser tratada como medida suficiente de progresso civilizatório.
A fortuna de Musk não está em salário, nem em caixa pessoal, nem na remuneração direta pelo trabalho. Está fundamentalmente em participação acionária. [...]
Seu patrimônio decorre do valor de mercado atribuído às fatias que detém em empresas como SpaceX e Tesla. Esse detalhe é central, porque ajuda a compreender uma das grandes transformações econômicas das últimas décadas: a financeirização. Em termos simples, financeirização é o processo pelo qual ativos financeiros, expectativas de mercado e valorização patrimonial passam a comandar a lógica da economia real.
A empresa deixa de ser avaliada apenas por aquilo que produz, pelos empregos que gera, pelos lucros que entrega ou pela infraestrutura que constrói. Ela passa a ser medida, cada vez mais, pela expectativa de valor futuro que o mercado decide antecipar no presente.
Esse movimento não é necessariamente negativo. O mercado de capitais tem papel indispensável no financiamento da inovação. Muitas tecnologias de alto risco não sairiam do papel se dependessem apenas do lucro corrente ou do crédito tradicional. Foguetes reutilizáveis, constelações de satélites, veículos elétricos, inteligência artificial, semicondutores avançados e novas plataformas energéticas exigem capital paciente, disposição para risco e confiança em retornos futuros. Sem essa capacidade de financiar o ainda inexistente, a inovação andaria mais devagar.
O problema está na inversão de hierarquia. Uma coisa é usar o capital financeiro para viabilizar a produção, a tecnologia e a infraestrutura. Outra, bem diferente, é tratar a valorização financeira como finalidade última da economia. Quando isso acontece, o mercado deixa de ser instrumento e passa a ser altar. A riqueza deixa de ser compreendida como resultado de uma capacidade produtiva efetiva e passa a ser admirada como fenômeno autônomo, quase mágico, desconectado do mundo físico.
Essa é a parte nefelibata da celebração. É fantasioso imaginar que uma sociedade pode viver indefinidamente de valorizações patrimoniais, múltiplos de mercado e expectativas futuras, como se a produção tangível fosse uma etapa menor, quase vulgar, da economia. Ações não geram energia elétrica. Títulos financeiros não fabricam baterias. Avaliações bilionárias não constroem ferrovias, portos, refinarias, data centers, satélites, cabos submarinos ou redes de transmissão.
A economia financeira pode antecipar valor, organizar risco e multiplicar oportunidades. Mas ela não substitui a economia real. No fim, toda riqueza financeira precisa estar ancorada em alguma capacidade concreta de produzir, operar, transportar, transformar e entregar. [...]
Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2026/06/10 59977-o-primeiro-trilionario-e-a-ilusao-da-riqueza-sem producao.html. Acesso em 18/06/2026. Excerto
Diagnóstico do câncer: estamos diante da próxima grande transformação?
Por Fernando Maluf

(Disponível em: forbes.com.br/colunas/2026/07/diagnostico-do-cancer-estamos-diante-da-proxima-grandetransformacao/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os elementos coesivos sublinhados nos trechos retirados do texto às funções que desempenham.
Coluna 1
1. Explicita uma ideia que se contrapõe a pontos apresentados anteriormente.
2. Explica ou reformula o que foi dito anteriormente.
3. Retoma uma informação apresentada antes, promovendo coesão referencial.
4. Introduz uma ideia de oposição e contraste.
Coluna 2
( ) “Isso mostra o quanto esse tema desperta interesse e esperança”.
( ) “Mas existe uma pergunta que mobiliza pesquisadores do mundo inteiro”.
( ) “Ou seja, identificar a doença quando ela ainda não é visível em exames de imagem”.
( ) “Mesmo assim, acredito que estamos diante de uma das áreas mais promissoras da oncologia”.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
I."Mas" estabelece uma relação de contrariedade entre aquilo "que precisamos" (o descanso) e o gesto de adiar repetidamente tarefas importantes para os objetivos que temos, o qual gera frustração.
II."Mas" pode ser substituído por "assim", sem alterar o sentido construído no excerto.
III."Enquanto", nesse contexto, estabelece uma relação de proporção e poderia ser substituído por "à medida que".
É correto o que se afirma em:
Leia e analise o trecho a seguir:
O arroz e o feijão são uma combinação importante porque fornecem nutrientes necessários para nosso corpo.
É correto afirmar que o sentido construído pela palavra "porque" é de:
( ) Em “Afinal, buscar crescimento e excelência não é um problema. O problema aparece quando...”, a expressão destacada estabelece, no contexto, uma relação de explicação.
( ) Em “Porém, quando isso se torna uma expectativa, cria-se um ambiente...”, o termo destacado estabelece uma relação de oposição com a ideia anteriormente apresentada.
( ) Em “Por isso, alta performance não deve ser confundida com pressão permanente.”, a expressão destacada estabelece uma relação de conclusão.
( ) Em “Delegar tarefas, por exemplo, não significa abandonar responsabilidades. Significa distribuir conhecimento...”, a expressão destacada estabelece uma relação de causa.
Assinale a sequência CORRETA:
