Questões de Concurso Sobre uso dos conectivos em português

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Q3395643 Português
TEXTO I

Os fatores que emperram o desenvolvimento humano do Brasil em ranking da ONU

    O Brasil subiu cinco posições no ranking de desenvolvimento humano atualizado todos os anos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O relatório divulgado nesta terça-feira (6/5) leva em conta os indicadores relativos ao ano de 2023. Na tabela que compara os resultados de 193 países, o Brasil aparece ao lado de Palau na 84ª posição, com um IDH de 0.786.
    O IDH é a sigla para Índice de Desenvolvimento Humano e considera questões como expectativa de vida, anos de escolaridade e renda per capita. "O IDH foi criado para enfatizar que as pessoas e suas capacidades devem ser o critério final para avaliar o desenvolvimento de um país, não apenas o crescimento econômico", contextualiza o PNUD em seu site oficial.
    No relatório anterior, que considerava os dados de 2022, o Brasil aparecia na 89ª posição do ranking. Uma nota de 0.786 no IDH coloca o país numa classificação de desenvolvimento humano considerada "alta", um pouco acima da média mundial e dos resultados da América Latina e do Caribe. No entanto, outras nações da região aparecem bem à frente, como Chile (45ª posição, IDH de 0.878), Argentina (47ª posição, IDH de 0.865) e Uruguai (48ª posição, IDH de 0.862).
    O topo do ranking global é liderado por Islândia (IDH de 0.972), Noruega (0.970), Suíça (0.970), Dinamarca (0.962), Alemanha (0.959) e Suécia (0.959). Já as últimas colocações são ocupadas por Sudão do Sul (0.388), Somália (0.404), República Centro-Africana (0.414), Chade (0.416), Níger (0.419) e Mali (0.419). 
    O Brasil tem apresentado crescimentos no IDH desde o início dos anos 1990. A expectativa de vida ao nascer saltou de 74,87 anos para 75,85. Esse, aliás, é o maior número alcançado na série histórica e supera o pico conquistado em 2019, último ano antes da crise de saúde pública causada pelo coronavírus, quando a expectativa de vida estava em 75,81 anos.
    Já a renda bruta per capita nacional subiu de US$ 17,5 mil para US$ 18 mil. No entanto, os dois números relacionados à educação permaneceram inalterados de um ano para o outro: a expectativa de anos na escola ficou em 15,79, enquanto os anos de escolaridade seguiram em 8,43. Aliás, os anos de escolaridade estão congelados em 8,43 no país por três anos consecutivos, desde 2021.
    "Por décadas, estivemos num caminho para alcançar um desenvolvimento humano no mundo muito alto a partir de 2030, mas a desaceleração recente sinaliza uma grande ameaça", alertou Achim Steiner, um dos coordenadores do PNUD, em materiais divulgados junto com o relatório deste ano. "Se em 2024 essa tendência continuar e se tornar o 'novo normal', a meta estabelecida para 2030 ficará inalcançável por décadas — e fará do mundo um lugar menos seguro, mais dividido e mais vulnerável aos choques econômicos e ecológicos", complementou ele.
    Mas o estudo da PNUD aponta um caminho para retomar um crescimento sólido nos indicadores do IDH: a inteligência artificial. "No meio dessa turbulência global, precisamos urgentemente explorar novas maneiras de incentivar o desenvolvimento. Como a inteligência artificial continua a avançar rapidamente sobre muitos aspectos de nossa vida, precisamos considerar o potencial que ela representa", justifica Steiner. "Novas possibilidades surgem praticamente todos os dias e, embora a IA não seja uma panaceia, as escolhas que fazemos hoje têm o potencial de reacender o desenvolvimento humano e abrir novos caminhos e possibilidades", acredita ele. Mesmo em países com um IDH baixo ou médio, dois terços dos respondentes antecipam que essas novas tecnologias vão ter um impacto em setores como educação, saúde e trabalho já no próximo ano. O relatório recém-publicado da PNUD propõe uma abordagem da IA "centrada no humano" por meio de ações como "criar uma economia em que as pessoas colaboram com as novas tecnologias, em vez de competir com elas" e "modernizar os sistemas de educação e saúde para suprir as demandas do século 21".

https://bbc.com/portuguese/articles/cn7x008npvgo. Adaptado.
“Já a renda bruta per capita nacional subiu de US$ 17,5 mil para US$ 18 mil. No entanto, os dois números relacionados à educação permaneceram inalterados de um ano para o outro...”. A partir do conhecimento sobre os conectivos existentes, é correto afirmar que substitui de forma correta a expressão destacada no enunciado, mantendo-se o sentido inicial, o conectivo presente em:
Alternativas
Q3391041 Português

Internet: <www.repositorio.unip.brf> (com adaptações).

No que diz respeito às estruturas linguísticas e gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


No último período do quarto parágrafo, a expressão “visto que” poderia ser substituída, sem prejuízo à correção gramatical do texto, por haja visto que.

Alternativas
Q3384752 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Os impactos ambientais da computação


Intensivo em uso de energia e água, o setor responde por 1,7% das emissões de carbono na atmosfera; uma nova área de pesquisa surge para lidar com o problema 


    Parte essencial da vida moderna, a computação está em todos os lugares. É difícil imaginar o cotidiano sem os recursos do mundo digital, como internet, redes sociais, streaming de vídeo, programas de inteligência artificial e os mais variados aplicativos. Governos, organizações e empresas de diversos setores dependem cada vez mais das tecnologias da informação e comunicação (TIC). O crescente aumento da demanda computacional, contudo, gera impactos no meio ambiente. Estima-se que entre 5% e 9% da energia elétrica consumida no mundo se destine à infraestrutura de TI e comunicações em geral e ao seu uso. A Agência Internacional de Energia (IEA) alerta para uma tendência de forte aumento nessa demanda. O gasto energético de data centers, instalações com robusto poder de armazenamento e processamento de dados, e dos setores de inteligência artificial (IA) e criptomoedas, segundo a entidade, poderá dobrar no mundo em 2026 em relação a 2022, quando foi de 460 terawatts-hora (TWh) – naquele mesmo ano, o Brasil consumiu 508 TWh de energia elétrica.


    “O uso de energia é inerente à computação”, constata a cientista da computação Sarajane Marques Peres, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e pesquisadora do Centro de Inteligência Artificial C4AI, financiado por FAPESP e IBM. [...]


    “Todas as nossas atividades digitais, como navegar na internet, acessar redes sociais, participar de videoconferências e enviar fotos para os amigos, têm, em última instância, efeitos sobre o ambiente”, aponta a cientista da computação Thais Batista, presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e professora do Departamento de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).


    A energia destinada aos data centers é usada não apenas para a operação dos servidores, mas também para manter em funcionamento seu sistema de refrigeração. “Por trabalharem sem parar em processamento numérico, os computadores aquecem, emitem calor e precisam ser resfriados e mantidos em uma temperatura razoavelmente baixa”, ressalta o cientista da computação Marcelo Finger, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. “A depender da matriz que produz essa energia, haverá mais ou menos efeitos nocivos no ambiente”, afirma Peres, referindo-se à emissão de dióxido de carbono (CO₂) quando são queimados combustíveis fósseis para a obtenção da energia elétrica utilizada.


    Google, Microsoft, Apple, Amazon e outras grandes multinacionais de tecnologia, as chamadas big techs, comprometeram-se a zerar suas emissões de carbono até 2030 – segundo especialistas ouvidos pela reportagem, não há indícios de que esse objetivo possa ser atingido. Em 2023, último ano com dados disponíveis, as emissões dessas companhias cresceram principalmente por causa dos sistemas de inteligência artificial, que demandam grande poder de processamento – e, portanto, elevada carga energética – para serem treinados e funcionar.


    O aumento do consumo de energia e da emissão de carbono não é o único fator que preocupa. O uso intensivo de água por data centers para manter em operação seus sistemas de refrigeração, bem como a emissão de calor no ambiente, também acendem um sinal de alerta. “O consumo hídrico é uma preocupação mais recente, visto que a maioria dos grandes data centers usa refrigeração líquida para seus equipamentos de grande porte”, ressalta o bacharel em computação científica Álvaro Luiz Fazenda, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de São José dos Campos. Uma das soluções é usar fontes de água não potável para realizar os processos de resfriamento.


    A exploração muitas vezes insustentável de elementos terras-raras e outros minerais, como silício, cobre e lítio, usados para a produção de discos rígidos, chips e baterias, e o descarte de computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos que rapidamente se tornam obsoletos, também elevam a pressão da computação sobre os ecossistemas. [...]


    Buscando enfrentar o problema, uma nova área de estudos, conhecida como computação verde ou sustentável, tem ganhado força no Brasil e no mundo.


    “Ela se refere ao conjunto de práticas, técnicas e procedimentos aplicados à fabricação, ao uso e ao descarte de sistemas computacionais com a finalidade de minimizar seu impacto ambiental”, explica o pesquisador da UFABC.


    A fim de alcançar esse objetivo, várias práticas têm sido propostas, como elevar a eficiência energética de hardwares e softwares, permitindo que realizem as mesmas operações consumindo menos energia. Projetar sistemas mais duradouros, reparáveis e recicláveis, que reduzam a geração de lixo eletrônico, é outra abordagem, assim como priorizar o emprego de materiais sustentáveis na produção e operação de dispositivos computacionais e o uso de energias renováveis em data centers. [...]


    Reduzir o gasto energético dos sistemas de inteligência artificial foi o que tentaram fazer os pesquisadores da startup chinesa DeepSeek. O chatbot DeepSeek-V3, lançado no fim de janeiro, causou surpresa ao apresentar desempenho comparável ao dos modelos da OpenAI e do Google, mas com custo substancialmente menor.


    “O DeepSeek é um exemplo de que é possível desenvolver IA de boa qualidade usando menos recursos computacionais e energia”, ressalta o cientista da computação Daniel de Angelis Cordeiro, da EACH-USP. “Investir em pesquisa de algoritmos mais eficientes e em melhorias na gestão dos recursos computacionais usados nas etapas de treinamento e inferência pode contribuir para a criação de uma IA mais sustentável.” [...]


Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/os-impactosambientais-da-computacao/ Acesso em: 15 mar. 2025.
Assinale a alternativa em que o termo em destaque NÃO pertence à mesma classe de palavras a que pertence o conectivo destacado em “A depender da matriz que produz essa energia [...]”.
Alternativas
Q3384745 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Os impactos ambientais da computação


Intensivo em uso de energia e água, o setor responde por 1,7% das emissões de carbono na atmosfera; uma nova área de pesquisa surge para lidar com o problema 


    Parte essencial da vida moderna, a computação está em todos os lugares. É difícil imaginar o cotidiano sem os recursos do mundo digital, como internet, redes sociais, streaming de vídeo, programas de inteligência artificial e os mais variados aplicativos. Governos, organizações e empresas de diversos setores dependem cada vez mais das tecnologias da informação e comunicação (TIC). O crescente aumento da demanda computacional, contudo, gera impactos no meio ambiente. Estima-se que entre 5% e 9% da energia elétrica consumida no mundo se destine à infraestrutura de TI e comunicações em geral e ao seu uso. A Agência Internacional de Energia (IEA) alerta para uma tendência de forte aumento nessa demanda. O gasto energético de data centers, instalações com robusto poder de armazenamento e processamento de dados, e dos setores de inteligência artificial (IA) e criptomoedas, segundo a entidade, poderá dobrar no mundo em 2026 em relação a 2022, quando foi de 460 terawatts-hora (TWh) – naquele mesmo ano, o Brasil consumiu 508 TWh de energia elétrica.


    “O uso de energia é inerente à computação”, constata a cientista da computação Sarajane Marques Peres, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e pesquisadora do Centro de Inteligência Artificial C4AI, financiado por FAPESP e IBM. [...]


    “Todas as nossas atividades digitais, como navegar na internet, acessar redes sociais, participar de videoconferências e enviar fotos para os amigos, têm, em última instância, efeitos sobre o ambiente”, aponta a cientista da computação Thais Batista, presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e professora do Departamento de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).


    A energia destinada aos data centers é usada não apenas para a operação dos servidores, mas também para manter em funcionamento seu sistema de refrigeração. “Por trabalharem sem parar em processamento numérico, os computadores aquecem, emitem calor e precisam ser resfriados e mantidos em uma temperatura razoavelmente baixa”, ressalta o cientista da computação Marcelo Finger, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. “A depender da matriz que produz essa energia, haverá mais ou menos efeitos nocivos no ambiente”, afirma Peres, referindo-se à emissão de dióxido de carbono (CO₂) quando são queimados combustíveis fósseis para a obtenção da energia elétrica utilizada.


    Google, Microsoft, Apple, Amazon e outras grandes multinacionais de tecnologia, as chamadas big techs, comprometeram-se a zerar suas emissões de carbono até 2030 – segundo especialistas ouvidos pela reportagem, não há indícios de que esse objetivo possa ser atingido. Em 2023, último ano com dados disponíveis, as emissões dessas companhias cresceram principalmente por causa dos sistemas de inteligência artificial, que demandam grande poder de processamento – e, portanto, elevada carga energética – para serem treinados e funcionar.


    O aumento do consumo de energia e da emissão de carbono não é o único fator que preocupa. O uso intensivo de água por data centers para manter em operação seus sistemas de refrigeração, bem como a emissão de calor no ambiente, também acendem um sinal de alerta. “O consumo hídrico é uma preocupação mais recente, visto que a maioria dos grandes data centers usa refrigeração líquida para seus equipamentos de grande porte”, ressalta o bacharel em computação científica Álvaro Luiz Fazenda, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de São José dos Campos. Uma das soluções é usar fontes de água não potável para realizar os processos de resfriamento.


    A exploração muitas vezes insustentável de elementos terras-raras e outros minerais, como silício, cobre e lítio, usados para a produção de discos rígidos, chips e baterias, e o descarte de computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos que rapidamente se tornam obsoletos, também elevam a pressão da computação sobre os ecossistemas. [...]


    Buscando enfrentar o problema, uma nova área de estudos, conhecida como computação verde ou sustentável, tem ganhado força no Brasil e no mundo.


    “Ela se refere ao conjunto de práticas, técnicas e procedimentos aplicados à fabricação, ao uso e ao descarte de sistemas computacionais com a finalidade de minimizar seu impacto ambiental”, explica o pesquisador da UFABC.


    A fim de alcançar esse objetivo, várias práticas têm sido propostas, como elevar a eficiência energética de hardwares e softwares, permitindo que realizem as mesmas operações consumindo menos energia. Projetar sistemas mais duradouros, reparáveis e recicláveis, que reduzam a geração de lixo eletrônico, é outra abordagem, assim como priorizar o emprego de materiais sustentáveis na produção e operação de dispositivos computacionais e o uso de energias renováveis em data centers. [...]


    Reduzir o gasto energético dos sistemas de inteligência artificial foi o que tentaram fazer os pesquisadores da startup chinesa DeepSeek. O chatbot DeepSeek-V3, lançado no fim de janeiro, causou surpresa ao apresentar desempenho comparável ao dos modelos da OpenAI e do Google, mas com custo substancialmente menor.


    “O DeepSeek é um exemplo de que é possível desenvolver IA de boa qualidade usando menos recursos computacionais e energia”, ressalta o cientista da computação Daniel de Angelis Cordeiro, da EACH-USP. “Investir em pesquisa de algoritmos mais eficientes e em melhorias na gestão dos recursos computacionais usados nas etapas de treinamento e inferência pode contribuir para a criação de uma IA mais sustentável.” [...]


Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/os-impactosambientais-da-computacao/ Acesso em: 15 mar. 2025.

Assinale a alternativa cujo sentido – apresentado entre parênteses – está correto em relação à expressão destacada.

Alternativas
Q3375597 Português


HEGENBERG, Leonidas. Evolução histórica do conceito de doença.

In: L. Hegenberg (org.). Doença: um estudo filosófico.

Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998 (com adaptações).

Com referência ao texto e a seus aspectos linguísticos e gramaticais, julgue o item seguinte.


A expressão “tal como” (linha 3) poderia, sem prejuízo gramatical, ser flexionada no plural – tais como –, caso em que passaria a se referir aos elementos da enumeração posterior.

Alternativas
Q3375363 Português

Internet: <www.institutodoceara.org.br> (com adaptações). 

Com relação aos aspectos linguísticos e gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


No início do terceiro parágrafo do texto, o vocábulo “Entretanto” poderia ser substituído por Todavia.

Alternativas
Q3375093 Português

Internet: <www.bvsms.saude.gov.br>  (com adaptações).

Acerca da estruturação linguístico‑gramatical do texto, julgue o item seguinte.


No quarto parágrafo, no trecho “Surgiram, então, as regras e providências sanitárias, a exemplo do transporte da água para abastecer as cidades por meio de aquedutos, que se constituíam na tecnologia de ponta da época.”, ficam mantidos a correção gramatical e o sentido original do texto caso seja feita a substituição do vocábulo “então” pelo elemento assim.

Alternativas
Q3351273 Português
Texto CB1A1

   Embora as instituições nacionais ligadas à soberania venham atuando nas últimas décadas em suporte às políticas ambientais brasileiras, a relação entre as duas esferas nem sempre se deu em bases cooperativas. Partindo-se de uma compreensão estreita da segurança, a preservação do meio ambiente foi vista, durante certo tempo, não como uma precondição para se garantir a segurança nacional e humana, mas como uma ameaça à integridade territorial e aos interesses nacionais brasileiros. Temia-se, nesse sentido, que as inestimáveis riquezas naturais do Brasil despertassem a cobiça internacional, de forma a representar riscos às fronteiras nacionais e ao direito soberano do país de gerenciar seus recursos naturais de maneira autônoma, em busca do desenvolvimento.
   Vigorava, portanto, a compreensão de que assumir compromissos de cooperação na arena ambiental implicaria o decréscimo da soberania nacional. O posicionamento defendido pela delegação brasileira durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano (CNUMAH), realizada em Estocolmo em 1972, seria sintomático desse entendimento: “Na área do aproveitamento de recursos naturais, os interesses nacionais, em termos econômicos e de segurança, são de tal monta, que qualquer fórmula que, sob o pretexto ecológico, impusesse uma sistemática de consulta para projetos de desenvolvimento seria simplesmente inaceitável para o Brasil.”
   Nas décadas posteriores, as interpretações relativas às preocupações ambientais foram gradualmente transformadas, tanto no âmbito da sociedade quanto em meio às instituições de defesa. O processo de redemocratização, o fortalecimento de organizações da sociedade civil, o avanço dos estudos científicos e a consolidação de uma estrutura federal de governança ambiental favoreceram essas novas percepções e, sobretudo, a aproximação desses dois setores. 

Internet: <soberaniaeclima.org.br> (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativos a aspectos linguísticos do texto CB1A1.


O último período do texto consiste em uma conclusão acerca do fato expresso no período imediatamente anterior, por isso seu início poderia ser reescrito da seguinte forma, sem alteração da correção e dos sentidos do texto: Portanto, o processo (...).

Alternativas
Q3334296 Português
A importância da solidariedade para o desenvolvimento social

Comportamento moral une indivíduos e grupos em torno de um bem comum, seja em uma comunidade local ou mundial


   Atualmente, muito se fala sobre o poder da empatia. Ela é, de fato, importante para a nossa sociedade. Você sabia, por exemplo, que o FBI aplica a empatia em situações envolvendo reféns? Porém, a empatia por si só pode não ser suficiente para mudar o mundo. Isto é: você pode até sentir empatia por vítimas de guerras ou desastres, mas não mudar sua rotina por conta disso. Para ter outro cenário, é necessário um componente diferente: a solidariedade.

    A solidariedade é um valor muito importante, já que tem o poder de engajar pessoas de uma comunidade em torno de um objetivo comum. E por “comunidade”, pode-se compreender desde um bairro até mesmo o planeta como um todo. Afinal, os problemas globais são sentidos da mesma maneira pelas pessoas que os enfrentam. A dor da fome, por exemplo, é igual para pessoas em qualquer lugar do mundo.

    Praticar a solidariedade é ter empatia à flor da pele. Assim, a pessoa ou a comunidade se sente compelida a agir em situações de calamidade, seja ela social, política ou ambiental. Dessa maneira, é importante que a solidariedade seja estimulada desde cedo nas pessoas. Afinal, elas podem se tornar adultas mais conscientes do seu papel na sociedade.

   O sociólogo francês Émile Durkheim descreveu a solidariedade em sua obra intitulada “Da Divisão do Trabalho Social”, publicada em 1983. Segundo o pensador, a solidariedade é uma relação moral que permite aos indivíduos se sentirem pertencentes a uma sociedade. Além disso, ela depende de fatores como as tradições e os costumes desse próprio grupo.

   Durkheim também separou a solidariedade em três categorias: solidariedade comunitária – o sentimento social que agrega interesses comuns de um grande grupo de indivíduos que lutam juntos pelo mesmo objetivo; solidariedade orgânica – como os indivíduos de uma mesma sociedade estão cada vez mais especializados em determinados assuntos, cria-se uma dependência social em que cada um é importante para uma finalidade; solidariedade mecânica – neste tipo, os indivíduos realizam suas atividades de maneira individual e independente de seus pares, dando continuidade às crenças e aos costumes comuns que possibilitam a vida em sociedade.

   Em um mundo cada vez mais digital, tem surgido um novo termo: a solidariedade de dados. As práticas digitais têm gerado uma infinidade de dados sobre assuntos importantes, como meio ambiente, educação, desigualdade e autoritarismo. O acesso a essas informações pode ser crucial para tomada de decisões rápidas e assertivas.

   Por conta disso, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) criou o Laboratório de Políticas Inclusivas. Dessa maneira, busca-se uma maior compreensão de como essas informações devem estar acessíveis. Porém, muitas vezes, elas vão de encontro a leis de proteção de dados pessoais, mostrando a necessidade de debate sobre o assunto.

   Ou seja, esses mesmos formuladores de leis precisam compreender como os dados pertinentes a mudanças sociais devem ser armazenados e compartilhados. Assim, a solidariedade de dados visa facilitar o acesso a informações de valor público significativo, considerando todos os riscos possíveis dessa prática.


https://grupomarista.org.br/blog/solidariedade/
Com base no período “Segundo o pensador, a solidariedade é uma relação moral que permite aos indivíduos se sentirem pertencentes a uma sociedade.” (4º parágrafo), julgue as afirmações abaixo e marque a alternativa correta:

I – A vírgula separa um adjunto adverbial.
II – A palavra “que” inicia oração subordinada substantiva.
III – A oração “se sentirem pertencentes a uma sociedade” é subordinada adverbial condicional.
Alternativas
Q3334294 Português
A importância da solidariedade para o desenvolvimento social

Comportamento moral une indivíduos e grupos em torno de um bem comum, seja em uma comunidade local ou mundial


   Atualmente, muito se fala sobre o poder da empatia. Ela é, de fato, importante para a nossa sociedade. Você sabia, por exemplo, que o FBI aplica a empatia em situações envolvendo reféns? Porém, a empatia por si só pode não ser suficiente para mudar o mundo. Isto é: você pode até sentir empatia por vítimas de guerras ou desastres, mas não mudar sua rotina por conta disso. Para ter outro cenário, é necessário um componente diferente: a solidariedade.

    A solidariedade é um valor muito importante, já que tem o poder de engajar pessoas de uma comunidade em torno de um objetivo comum. E por “comunidade”, pode-se compreender desde um bairro até mesmo o planeta como um todo. Afinal, os problemas globais são sentidos da mesma maneira pelas pessoas que os enfrentam. A dor da fome, por exemplo, é igual para pessoas em qualquer lugar do mundo.

    Praticar a solidariedade é ter empatia à flor da pele. Assim, a pessoa ou a comunidade se sente compelida a agir em situações de calamidade, seja ela social, política ou ambiental. Dessa maneira, é importante que a solidariedade seja estimulada desde cedo nas pessoas. Afinal, elas podem se tornar adultas mais conscientes do seu papel na sociedade.

   O sociólogo francês Émile Durkheim descreveu a solidariedade em sua obra intitulada “Da Divisão do Trabalho Social”, publicada em 1983. Segundo o pensador, a solidariedade é uma relação moral que permite aos indivíduos se sentirem pertencentes a uma sociedade. Além disso, ela depende de fatores como as tradições e os costumes desse próprio grupo.

   Durkheim também separou a solidariedade em três categorias: solidariedade comunitária – o sentimento social que agrega interesses comuns de um grande grupo de indivíduos que lutam juntos pelo mesmo objetivo; solidariedade orgânica – como os indivíduos de uma mesma sociedade estão cada vez mais especializados em determinados assuntos, cria-se uma dependência social em que cada um é importante para uma finalidade; solidariedade mecânica – neste tipo, os indivíduos realizam suas atividades de maneira individual e independente de seus pares, dando continuidade às crenças e aos costumes comuns que possibilitam a vida em sociedade.

   Em um mundo cada vez mais digital, tem surgido um novo termo: a solidariedade de dados. As práticas digitais têm gerado uma infinidade de dados sobre assuntos importantes, como meio ambiente, educação, desigualdade e autoritarismo. O acesso a essas informações pode ser crucial para tomada de decisões rápidas e assertivas.

   Por conta disso, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) criou o Laboratório de Políticas Inclusivas. Dessa maneira, busca-se uma maior compreensão de como essas informações devem estar acessíveis. Porém, muitas vezes, elas vão de encontro a leis de proteção de dados pessoais, mostrando a necessidade de debate sobre o assunto.

   Ou seja, esses mesmos formuladores de leis precisam compreender como os dados pertinentes a mudanças sociais devem ser armazenados e compartilhados. Assim, a solidariedade de dados visa facilitar o acesso a informações de valor público significativo, considerando todos os riscos possíveis dessa prática.


https://grupomarista.org.br/blog/solidariedade/
O termo sublinhado do texto que apresenta valor de afirmação está em
Alternativas
Q3333979 Português

Leia o texto para responder à questão:



(Wagner Rodrigues Silva; Andreia Cristina Fidelis e Kiahra Antonella, Laboratório virtual de pesquisa escolar com gramática: educação científica em aulas de língua materna, 2024)

Com base em Koch e Elias (Ler e escrever: estratégias de produção textual, 2011), na fala do estudante “nossa eu me empenharia muito mais”, o termo destacado deve ser analisado como 
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Q3330805 Português

Adolescente sofre necrose nos dentes após fazer aplicação de lentes com mulher que não é dentista. 


Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) afirma que o procedimento deve ser realizado em clínicas odontológicas e apenas por um cirurgião-dentista.


Uma adolescente, de 17 anos, teve os dentes desgastados com necrose pulpar e óssea [morte da polpa dentária e dos ossos] após fazer a aplicação de lentes de resina com uma mulher que não era dentista. Ao g1, a menina, que não quis se identificar, disse ter pago R$ 1 mil pelo procedimento. "Não tinha noção que ela não era dentista", desabafou.

[...] De acordo com ela, Andreza Aline Gasparini Lima cobrou inicialmente R$ 1,2 mil pelo serviço, mas fechou o acordo por R$ 1 mil para o pai dela, sendo que metade seria descontada do trabalho dele como pedreiro e o restante em transferência via Pix.

Ao g1, o advogado Gabriel Ferreira Lacerda, que representa Andreza Aline, informou que ela é considerada "hábil" para prestar o serviço de aplicação de lentes de resina. Ele acrescentou que a cliente "não se passou por dentista e tampouco exerceu a função".

A aplicação aconteceu em junho deste ano, na casa de Andreza, em São Vicente (SP). A adolescente contou que voltou ao local três dias depois do procedimento, uma vez que 16 Cargo: ESPECIALISTA EM SAÚDE – CIRURGIÃO DENTISTA (Edital nº 04/2025) três lentes tinham caído. Segundo a jovem, a profissional justificou a situação dizendo que ela não tomou os cuidados necessários. 


https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/mais-saude/noticia/2024/11/08/adolescente-sofre-necrose-nos dentes-apos-fazer-aplicacao-de-lentes-com-mulher-que-nao-e-dentista-fotos.ghtml. Adaptado.  

As orações subordinadas adverbiais podem acrescentar vários sentidos a uma oração principal. Para exemplificar, na frase “A adolescente contou que voltou ao local três dias depois do procedimento, uma vez que três lentes tinham caído”, a oração destacada adiciona um sentido de causa em relação ao fato principal do período. Sendo assim, seria INCORRETO trocar a expressão “uma vez que” por:   
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Q3330798 Português

Dentes fracos e sensíveis? Estudo traça origens na infância 


Revisão de pesquisas conduzida na USP revela fatores por trás de dentição opaca e enfraquecida entre crianças


Diferente da cárie, causada por bactérias, a hipomineralização molar incisivo é um defeito de desenvolvimento que resulta na formação de dentes com menor teor de cálcio e fósforo, tornando-os porosos, hipersensíveis a estímulos térmicos e mecânicos e suscetíveis a fraturas. Estimativas indicam que uma em cada cinco crianças pode ser afetada, com o problema crescendo nas últimas décadas. Embora estudos recentes tenham identificado associações relevantes, como doenças e episódios frequentes de febre na primeira infância, exposição a poluentes ambientais, uso de álcool durante a gestação e dificuldades no parto que resultam em hipóxia, as causas moleculares do problema ainda são desconhecidas, e faltam tratamentos específicos.

Para reunir o máximo de evidências sobre os fatores determinantes da hipomineralização molar incisivo (MIH, na sigla em inglês), pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (Forp-USP) realizaram uma abrangente revisão de estudos publicada na revista científica Monographs in Oral Science. 

“A hipomineralização resulta de uma deficiência mineral no esmalte do dente, devido a um problema que ocorre entre a gestação e os primeiros três anos de vida, e tem se tornado cada vez mais comum na prática clínica, o que destaca a urgência de intervenções precoces”, explica Francisco Wanderley Garcia de Paula-Silva, professor da Forp-USP e coordenador do trabalho. “Atualmente, muitos tratamentos falham devido à estrutura comprometida do esmalte, resultando em um elevado número de trocas de restaurações ao longo da vida das crianças.”


https://veja.abril.com.br/saude/dentes-fracos-e-sensiveis-estuda-traca-origens-na-infancia  

Na frase “Embora estudos recentes tenham identificado associações relevantes [...], as causas moleculares do problema ainda são desconhecidas, e faltam tratamentos específicos”, o termo destacado é uma oração adverbial com o valor semântico de: 
Alternativas
Q3325368 Português
Coisas que a ciência 'descobriu' séculos depois dos povos indígenas


Ao longo da história, os povos indígenas contribuíram significativamente para as ciências aplicadas modernas, como a medicina, a biologia, a matemática, a engenharia e a agricultura. Muitas dessas contribuições, no entanto, são desconhecidas. Uma série de medicamentos, instrumentos médicos, alimentos e técnicas de cultivo que são usadas diariamente no mundo ocidental hoje tem suas raízes no conhecimento dos povos originários.


Para sobreviver e se adaptar a diversos ambientes, os povos indígenas fabricaram produtos e aplicaram técnicas sofisticadas — e algumas delas os cientistas e especialistas só começaram a valorizar agora. Muitos povos indígenas desenvolveram uma cultura de medicina baseada na natureza, cujas descobertas serviram de base para tratamentos atuais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 40% dos produtos farmacêuticos utilizados hoje são baseados no conhecimento tradicional.


Um dos mais emblemáticos é a aspirina, cuja substância base é o ácido salicílico, proveniente do salgueiro — árvore também conhecida como chorão. Os indígenas norte-americanos conseguiram extrair o ácido da casca dessa árvore há centenas de anos e usavam para tratar quem sofria de dores musculares ou ósseas.


Outro exemplo é o que aconteceu durante a pandemia de covid-19, quando os cientistas por trás das vacinas descobriram na quilaia, uma árvore endêmica do Chile, um ingrediente fundamental para combater o coronavírus. A quilaia é conhecida como a "árvore de casca de sabão" devido às suas saponinas vegetais, moléculas que espumam quando entram em contato com a água e que se tornaram um catalisador cobiçado para a resposta imunológica. Mas suas propriedades curativas já haviam sido descobertas muito tempo antes pelos indígenas mapuche, que a utilizavam para curar todo tipo de enfermidade, desde doenças estomacais e respiratórias até problemas de pele e reumatismo.


Atualmente, alguns alimentos estão tendo um "boom" de consumo graças às suas impressionantes propriedades nutricionais, segundo especialistas. Um deles é a spirulina, que hoje aparece nos cardápios na forma de smoothies (ou shakes) e até mesmo em omeletes, saladas e biscoitos. Mas séculos antes de ser considerado um "superalimento", esse tipo de microalga, que cresce sobretudo em lagos alcalinos quentes e rios, era um alimento básico na era pré-colombiana. Os mexicas, descendentes dos astecas, colhiam o alimento rico em proteínas da superfície do Lago Texcoco. Acredita-se que consumiam a spirulina com milho, tortilha, feijão e pimenta como "combustível" para viagens longas. Assim, mesmo sem a ciência moderna, os indígenas mexicanos eram capazes de reconhecer a densidade nutricional da spirulina.


(Fernanda Paúl, https://www.bbc.com/, com adaptações)
[Questão Inédita] Assinale a alternativa com a informação correta. 
Alternativas
Q3324708 Português
Frio e calor mataram 142,7 mil pessoas em cidades brasileiras de 1997 a 2018


Elevações e quedas intensas de temperatura aumentam o risco de morte, em especial de pessoas desprotegidas, como as que vivem em situação de rua, ou das mais frágeis e sensíveis a alterações térmicas, caso das crianças pequenas e dos idosos. Temperaturas na casa dos 30 graus Celsius (ºC) já são suficientes para levar um trabalhador braçal à exaustão por calor, com suor intenso, respiração ofegante e pulso acelerado, além de tontura e confusão mental. Por volta dos 40ºC, mesmo quem está em casa, sentado no sofá, pode passar mal, apresentar os mesmos sintomas e precisar de internação se o ambiente não for climatizado. O aquecimento do corpo provoca a dilatação dos vasos sanguíneos e reduz a pressão arterial, obrigando o coração a funcionar mais para fazer o oxigênio chegar aos órgãos. O corpo também perde líquidos e sais minerais, o que complica o quadro. Já a exposição a temperaturas baixas por algumas horas costuma provocar alterações inversas, mas com efeitos semelhantes sobre a saúde. Os vasos sanguíneos se contraem e concentram o sangue nos órgãos internos. A pressão arterial e os batimentos cardíacos sobem e, se o corpo não se aquece e volta ao equilíbrio, o sistema cardiovascular pode entrar em colapso.


"O corpo humano funciona bem em uma faixa estreita de temperatura interna, em torno de 1 grau acima ou abaixo dos 36,5ºC. Fora dela , começa a haver problemas, mais graves em crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes", conta a meteorologista e médica Micheline Coelho. Com mestrado e doutorado na área de sua primeira graduação, ela se formou depois em medicina e trabalha como pesquisadora colaboradora do Laboratório de Patologia Ambiental e Experimental (Lapae) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e na Universidade Monash, na Austrália. Em parceria com o patologista Paulo Saldiva, coordenador do Lapae, ela investiga a relação entre as condições atmosféricas e a saúde humana.


Saldiva e Coelho integram uma rede internacional de pesquisa que, na última década, começou a estimar o impacto dos dias mais quentes e mais frios na saúde das pessoas e na economia. Em um estudo recente, publicado na edição impressa de dezembro da revista Environmental Epidemiology, a dupla brasileira e pesquisadores de outros nove países calcularam a proporção de mortes que podem ser atribuídas aos extremos de frio e de calor em 13 nações da América Latina, além de três territórios ultramarinos franceses no continente, e o quanto representam em perdas financeiras.


As 69 localidades avaliadas estão situadas em países que vão do México ao Chile, incluindo o Brasil. Nelas, ao menos 408.136 pessoas morreram por causa do frio e 59.806 em decorrência do calor entre 1997 e 2019. Os óbitos pelas baixas temperaturas correspondem a 4,1% e os associados às altas a 0,6% dos 9,98 milhões de mortes notificadas nessas cidades no período. Combinadas, essas fatalidades geraram uma perda de cerca de US$ 2,4 bilhões por ano, calculada com base no valor estimado para um ano de vida e no número de anos que cada pessoa teria vivido se alcançasse a expectativa média de vida de sua população. As perdas relacionadas ao frio variaram de US$ 0,3 milhão ao ano, na Costa Rica, a US$ 472,2 milhões ao ano, na Argentina. Associado a menos óbitos, o calor gerou prejuízos anuais que foram de US$ 0,05 milhão, no Equador, a US$ 90,6 milhões no Brasil.


O Brasil, a propósito, contribuiu com um dos maiores números de localidades e a série histórica mais longa. Aqui, em 18 cidades onde vivem mais de 30 milhões de pessoas (12 delas capitais), houve 3,86 milhões de óbitos de 1997 a 2018. Nesses 22 anos, 113.528 mortes ocorreram em consequência do frio e 29.170 do calor, com perdas anuais que somaram US$ 352,5 milhões, no primeiro caso, e os já citados US$ 90,6 milhões, no segundo. "Um problema no Brasil é que, de modo geral, casas, escolas, hospitais e muitos locais de trabalho não estão preparados para enfrentar nem o frio intenso nem o calor elevado, que deve se tornar mais comum em muitas regiões do país como consequência das mudanças climáticas e das alterações no ambiente urbano", conta a médica e meteorologista.


As mortes são apenas o efeito mais extremo e evidente das variações de temperatura. O frio e o calor, porém, geram prejuízos econômicos e afetam a qualidade de vida. Em um trabalho anterior, publicado em 2023 na revista Science of the Total Environment, Saldiva, Coelho e colaboradores haviam computado em quase US$ 105 bilhões as perdas econômicas, em 510 cidades brasileiras, decorrentes do trabalho em condições térmicas inadequadas (muito quente ou frio) entre 2000 e 2019.


Em estudos como esses, as temperaturas associadas a óbitos são as que mais se afastam do valor considerado confortável para a população de cada cidade. Essa é a chamada temperatura de mortalidade mínima (TMM): a temperatura média ótima, calculada a partir dos valores medidos ao longo do dia, na qual se registra o menor número de óbitos. No trabalho da Environmental Epidemiology de dezembro, a TMM da maior parte das cidades brasileiras ficou por volta dos 23ºC − ela foi mais baixa (21ºC) em Curitiba (PR), e mais alta (em torno de 28ºC) em Palmas (TO) e São Luís (MA).


Dias com valores muito inferiores ou superiores à TMM são considerados de temperaturas extremas. Não são muitos. Eles são os 2,5% dos dias do ano em que os termômetros registraram as menores marcas, nos extremos de frio, e os 2,5% de temperaturas mais elevadas, nos de calor. Os pesquisadores observaram que, para a maior parte das cidades, o gráfico que representa o risco de morrer para cada temperatura tinha a forma da letra U. Isso indica que a probabilidade de óbito aumenta à medida que a temperatura cai ou aumenta em relação à TMM. Muitas vezes, o gráfico era em forma de U com o braço esquerdo levemente tombado, mostrando que o risco de morrer crescia mais rapidamente com o aumento do que com a queda da temperatura. Em Assunção, capital do Paraguai, por exemplo, onde a temperatura ideal era de cerca de 27ºC, uma elevação de 5 ou 6 graus fazia dobrar o risco de óbito, enquanto essa probabilidade aumentava 50% quando a temperatura ficava mais de 15 graus abaixo da TMM, embora uma proporção maior de pessoas morra de frio do que de calor.


O impacto da temperatura sobre a saúde varia de uma pessoa para outra − quem vive em regiões quentes geralmente está mais adaptado ao calor e vice-versa. Também depende do sexo, da idade e da existência de doenças crônicas, como asma ou hipotireoidismo, além do tempo disponível para se aclimatar à mudança. Ele é maior para crianças pequenas ou idosos, que enfrentam maior dificuldade em regular o calor corporal − com o avanço da idade, problemas de saúde e o uso de medicamentos se tornam mais frequentes e alteram o funcionamento do organismo, podendo agravar o efeito de temperaturas externas não ideais.


Retirado e adaptado de: SOARES, Giselle.; ZORZETTO, Ricardo. Frio e calor mataram 142,7 mil pessoas em cidades brasileiras de 1997 a 2018. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/frio-e-calor-mataram-1427-mil-pessoa s-em-cidades-brasileiras-de-1997-a-2018/ Acesso em: 03 mar., 2025.

Frio e calor mataram 142,7 mil pessoas em cidades brasileiras de 1997 a 2018


Elevações e quedas intensas de temperatura aumentam o risco de morte, em especial de pessoas desprotegidas, como as que vivem em situação de rua, ou das mais frágeis e sensíveis a alterações térmicas, caso das crianças pequenas e dos idosos. Temperaturas na casa dos 30 graus Celsius (ºC) já são suficientes para levar um trabalhador braçal à exaustão por calor, com suor intenso, respiração ofegante e pulso acelerado, além de tontura e confusão mental. Por volta dos 40ºC, mesmo quem está em casa, sentado no sofá, pode passar mal, apresentar os mesmos sintomas e precisar de internação se o ambiente não for climatizado. O aquecimento do corpo provoca a dilatação dos vasos sanguíneos e reduz a pressão arterial, obrigando o coração a funcionar mais para fazer o oxigênio chegar aos órgãos. O corpo também perde líquidos e sais minerais, o que complica o quadro. Já a exposição a temperaturas baixas por algumas horas costuma provocar alterações inversas, mas com efeitos semelhantes sobre a saúde. Os vasos sanguíneos se contraem e concentram o sangue nos órgãos internos. A pressão arterial e os batimentos cardíacos sobem e, se o corpo não se aquece e volta ao equilíbrio, o sistema cardiovascular pode entrar em colapso.


"O corpo humano funciona bem em uma faixa estreita de temperatura interna, em torno de 1 grau acima ou abaixo dos 36,5ºC. Fora dela , começa a haver problemas, mais graves em crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes", conta a meteorologista e médica Micheline Coelho. Com mestrado e doutorado na área de sua primeira graduação, ela se formou depois em medicina e trabalha como pesquisadora colaboradora do Laboratório de Patologia Ambiental e Experimental (Lapae) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e na Universidade Monash, na Austrália. Em parceria com o patologista Paulo Saldiva, coordenador do Lapae, ela investiga a relação entre as condições atmosféricas e a saúde humana.


Saldiva e Coelho integram uma rede internacional de pesquisa que, na última década, começou a estimar o impacto dos dias mais quentes e mais frios na saúde das pessoas e na economia. Em um estudo recente, publicado na edição impressa de dezembro da revista Environmental Epidemiology, a dupla brasileira e pesquisadores de outros nove países calcularam a proporção de mortes que podem ser atribuídas aos extremos de frio e de calor em 13 nações da América Latina, além de três territórios ultramarinos franceses no continente, e o quanto representam em perdas financeiras.


As 69 localidades avaliadas estão situadas em países que vão do México ao Chile, incluindo o Brasil. Nelas, ao menos 408.136 pessoas morreram por causa do frio e 59.806 em decorrência do calor entre 1997 e 2019. Os óbitos pelas baixas temperaturas correspondem a 4,1% e os associados às altas a 0,6% dos 9,98 milhões de mortes notificadas nessas cidades no período. Combinadas, essas fatalidades geraram uma perda de cerca de US$ 2,4 bilhões por ano, calculada com base no valor estimado para um ano de vida e no número de anos que cada pessoa teria vivido se alcançasse a expectativa média de vida de sua população. As perdas relacionadas ao frio variaram de US$ 0,3 milhão ao ano, na Costa Rica, a US$ 472,2 milhões ao ano, na Argentina. Associado a menos óbitos, o calor gerou prejuízos anuais que foram de US$ 0,05 milhão, no Equador, a US$ 90,6 milhões no Brasil.


O Brasil, a propósito, contribuiu com um dos maiores números de localidades e a série histórica mais longa. Aqui, em 18 cidades onde vivem mais de 30 milhões de pessoas (12 delas capitais), houve 3,86 milhões de óbitos de 1997 a 2018. Nesses 22 anos, 113.528 mortes ocorreram em consequência do frio e 29.170 do calor, com perdas anuais que somaram US$ 352,5 milhões, no primeiro caso, e os já citados US$ 90,6 milhões, no segundo. "Um problema no Brasil é que, de modo geral, casas, escolas, hospitais e muitos locais de trabalho não estão preparados para enfrentar nem o frio intenso nem o calor elevado, que deve se tornar mais comum em muitas regiões do país como consequência das mudanças climáticas e das alterações no ambiente urbano", conta a médica e meteorologista.


As mortes são apenas o efeito mais extremo e evidente das variações de temperatura. O frio e o calor, porém, geram prejuízos econômicos e afetam a qualidade de vida. Em um trabalho anterior, publicado em 2023 na revista Science of the Total Environment, Saldiva, Coelho e colaboradores haviam computado em quase US$ 105 bilhões as perdas econômicas, em 510 cidades brasileiras, decorrentes do trabalho em condições térmicas inadequadas (muito quente ou frio) entre 2000 e 2019.


Em estudos como esses, as temperaturas associadas a óbitos são as que mais se afastam do valor considerado confortável para a população de cada cidade. Essa é a chamada temperatura de mortalidade mínima (TMM): a temperatura média ótima, calculada a partir dos valores medidos ao longo do dia, na qual se registra o menor número de óbitos. No trabalho da Environmental Epidemiology de dezembro, a TMM da maior parte das cidades brasileiras ficou por volta dos 23ºC − ela foi mais baixa (21ºC) em Curitiba (PR), e mais alta (em torno de 28ºC) em Palmas (TO) e São Luís (MA).


Dias com valores muito inferiores ou superiores à TMM são considerados de temperaturas extremas. Não são muitos. Eles são os 2,5% dos dias do ano em que os termômetros registraram as menores marcas, nos extremos de frio, e os 2,5% de temperaturas mais elevadas, nos de calor. Os pesquisadores observaram que, para a maior parte das cidades, o gráfico que representa o risco de morrer para cada temperatura tinha a forma da letra U. Isso indica que a probabilidade de óbito aumenta à medida que a temperatura cai ou aumenta em relação à TMM. Muitas vezes, o gráfico era em forma de U com o braço esquerdo levemente tombado, mostrando que o risco de morrer crescia mais rapidamente com o aumento do que com a queda da temperatura. Em Assunção, capital do Paraguai, por exemplo, onde a temperatura ideal era de cerca de 27ºC, uma elevação de 5 ou 6 graus fazia dobrar o risco de óbito, enquanto essa probabilidade aumentava 50% quando a temperatura ficava mais de 15 graus abaixo da TMM, embora uma proporção maior de pessoas morra de frio do que de calor.


O impacto da temperatura sobre a saúde varia de uma pessoa para outra − quem vive em regiões quentes geralmente está mais adaptado ao calor e vice-versa. Também depende do sexo, da idade e da existência de doenças crônicas, como asma ou hipotireoidismo, além do tempo disponível para se aclimatar à mudança. Ele é maior para crianças pequenas ou idosos, que enfrentam maior dificuldade em regular o calor corporal − com o avanço da idade, problemas de saúde e o uso de medicamentos se tornam mais frequentes e alteram o funcionamento do organismo, podendo agravar o efeito de temperaturas externas não ideais.


Retirado e adaptado de: SOARES, Giselle.; ZORZETTO, Ricardo. Frio e calor mataram 142,7 mil pessoas em cidades brasileiras de 1997 a 2018. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/frio-e-calor-mataram-1427-mil-pessoa s-em-cidades-brasileiras-de-1997-a-2018/ Acesso em: 03 mar., 2025.

Assinale a alternativa que corretamente apresenta, entre parênteses, a classificação da relação de sentido construída na sentença (considere as expressões destacadas em negrito): 
Alternativas
Q3303902 Português
Ao analisar um texto argumentativo, o professor destaca a presença de estratégias que garantem a progressão temática. Marque a opção abaixo que descreve corretamente um recurso que assegura essa progressão.
Alternativas
Q3300969 Português

Brasileiros já podem solicitar autorização de viagem para o Reino Unido 

Por Julia Buckley



(Disponível em: www.cnnbrasil.com.br/viagemegastronomia/viagem/brasileiros-ja-podem-solicitar-autorizacaode-viagem-para-reino-unido-veja-como/ – texto adaptado especialmente para esta prova)


Assinale a alternativa que poderia substituir o vocábulo “Embora” (l. 28) sem causar alterações significativas ao sentido original do trecho em que aparece.
Alternativas
Q3300507 Português
Acordar com o barulho do despertador pode ser o motivo do seu estresse todos os dias


Por Elissandra Silva






(Disponível em: https://www.minhavida.com.br/materias/materia-25608 – texto adaptado especialmente para esta prova).
A palavra “Embora” (l. 18) apresenta um sentido de:
Alternativas
Q3299889 Português
Assinale a alternativa que poderia substituir o vocábulo “Embora” (l. 28) sem causar alterações significativas ao sentido original do trecho em que aparece.
Alternativas
Q3299079 Português
Texto para a questão

Mal o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou as mudanças nas políticas de moderação de suas plataformas, muitos educadores, comunicadores e jornalistas presentes nos diferentes grupos dos quais faço parte começaram a questionar a eficácia da Educação Midiática. O que podemos diante de um Musk e um Zuckerberg? De que adianta educar para a checagem de notícias se agora “abriram-se as porteiras” e nenhum de nós vai dar conta de distinguir o que é verdadeiro ou falso, de remover conteúdos agressivos, preconceituosos, de construir referenciais seguros para obtermos informações íntegras e confiáveis? É enxugar gelo, nadar contra a corrente, melhor a gente se preparar para viver no caos, diziam alguns, já ameaçando sair de vez das redes, boicotar a Meta, banir o digital de vez do seu cotidiano. Entendo a Educação Midiática como um importante e potente elemento para que possamos lidar com todos os desafios presentes no mundo digital – e de resto, no mundo real, que o reflete. Ela é uma alternativa viável e segura que todos nós, que desejamos continuar a viver civilizadamente em sociedade, podemos tomar em nossas mãos. Se as chamadas big techs nos abandonam à própria sorte, cabe a cada um de nós entender qual é o nosso papel nesse ecossistema.

Adaptado de: Januária Cristina Alves. “Novas diretrizes da Meta: será o fim da Educação Midiática?” Nexo Jornal. 16 de janeiro de 2025.
No trecho “Mal o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou as mudanças nas políticas de moderação de suas plataformas”, o termo “Mal” estabelece uma relação de
Alternativas
Respostas
421: A
422: E
423: D
424: E
425: E
426: C
427: C
428: E
429: B
430: B
431: D
432: A
433: D
434: D
435: B
436: B
437: B
438: B
439: B
440: E