Questões de Concurso Sobre uso das aspas em português

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Q2372777 Português
Facebook, Meta, Instagram: é vício? Entenda os diferentes graus de dependência das redes sociais

Mau uso de plataformas tem diferentes fases e é preciso atenção para excessos, dizem especialistas.


    O uso excessivo de redes sociais, principalmente em jovens menores de 18 anos, preocupa médicos e entidades que combatem a chamada dependência tecnológica. Especialistas alertam, porém que não é apenas o uso das plataformas por longas horas que define o vício, mas a falta de controle e a dominância sobre outras ações.
    “Sou médico e uso o WhatsApp o dia inteiro para responder pacientes. Isso quer dizer que eu estou dependente porque eu estou usando demais? Não, porque é algo que faz parte da minha profissão”, afirma Rodrigo Menezes Machado, psiquiatra colaborador do Ambulatório de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo). Machado admite que é impossível negar a tecnologia, porém a questão da dependência está relacionada à perda de controle. “É aquela sensação da ‘nossa, peguei meu celular e só ia olhar algo muito específico no Instagram. Passei mais de três horas’.” 
     Aliada à falta de controle estão os prejuízos em outras esferas da vida, como a acadêmica, a social e a familiar. Por exemplo, a pessoa que prefere ficar nas redes sociais a sair com os amigos diminui os vínculos sociais, o desempenho acadêmico cai, o trabalho deixa de ter o rendimento que tinha antes e afeta o sono. Katia Ethiénne dos Santos, professora da PUC Paraná, tem pós-doutorado na área de educação digital e afirma que existe desde 2015 o conceito chamado de “onlife”. Ele consiste na fronteira entre os universos físico e virtual, de maneira que já não temos mais percepção do que é um e do que é outro. “Dentro desse contexto hiperconectado, é difícil ficarmos longe, manter o equilíbrio. É fundamental que o mesmo cuidado que temos com as outras tecnologias, como foi com a televisão, também exista para as redes sociais, especialmente quando somos pais ou responsáveis de crianças e jovens”, afirma.
    Pensando na dependência, o Geat (Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas) criou um repositório de dados onde são compilados os resultados da pesquisa sobre vício em tecnologia. A ideia é que a plataforma seja utilizada por pais, responsáveis, educadores e profissionais da saúde para orientar os jovens sobre segurança digital, como identificar padrões de comportamento de vício, quais os tipos de acessos que apresentam maior risco e o que fazer.
    A OMS (Organização Mundial da Saúde) já classifica a “gaming disorder” (distúrbio de jogos eletrônicos) como uma condição mental com classificação específica na lista de enfermidades de importância médica (chamada CID). O Instituto Delete, grupo de pesquisa ligas à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), disponibiliza tratamento para consumo exagerado de tecnologia. Todas as sextas-feiras, o Delete oferece atendimento gratuito aberto ao público no Instituto de Psiquiatria e possui um teste relacionado a vício de telas no site. O instituto divide os usos de redes sociais em três níveis: 

     a. Usuário consciente: é quando o virtual não atrapalha o real.

     b. Usuário abusivo: o virtual atrapalha a realidade do usuário, mas existe um nível de controle.

     c. Usuário dependente: o virtual atrapalha o real e existe um nível de perda de controle.     

     Como evitar que uso de redes sociais se torne um vício?        

      Controlar o conteúdo acessado, principalmente por jovens na faixa de 7 a 12 anos.

      Passar mais tempos juntos, praticando atividades que estimulem o físico e também a criatividade das             crianças, como jogos e brincadeiras.

      Ter uma rede de apoio que ajuda a ouvir e a conversar com a criança sobre valores.

      Ao menor sinal de mudança de comportamento, como falta de sono e apetite, conversar para entender           se ela está sofrendo com vício nas redes sociais.

      Conversar, principalmente com os mais jovens, sobre o que deve ou não ser compartilhado nas redes.



(Folha de S. Paulo. Ana Botallo, Isabella Menon. Em: 27 de maio de 2023.)

Releia:
1. “Sou médico e uso o WhatsApp o dia inteiro para responder pacientes. Isso quer dizer que eu estou dependente porque eu estou usando demais? Não, porque é algo que faz parte da minha profissão [...]” (2º§). 
2. “É aquela sensação da ‘nossa, peguei meu celular e só ia olhar algo muito específico no Instagram. Passei mais de três horas’.” (2º§).
3. “onlife” (3º§).
4. “Dentro desse contexto hiperconectado, é difícil ficarmos longe, manter o equilíbrio. É fundamental que o mesmo cuidado que temos com as outras tecnologias, como foi com a televisão, também exista para as redes sociais, especialmente quando somos pais ou responsáveis de crianças e jovens [...]” (3º§).
5. “gaming disorder” (5º§).

Considerando os destaques textuais, analise as afirmativas a seguir. 
I. As aspas em 1, 2 e 3 são usadas para dar sentido particular, representando a escrita.
II. As aspas em 5 são usadas para uma expressão.
III. As aspas em 2, 4 e 5 são empregadas para marcar conotações.
IV. As aspas em 1 e 4 são empregadas para marcar falas.
V. As aspas em todas as assertivas possuem a mesma função: marcar uma fala ou expressão.

Está correto o que se afirma apenas em 

Alternativas
Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: TJ-RJ Prova: FGV - 2024 - TJ-RJ - Mediador Judiciário |
Q2370281 Português
Assinale a frase em que o emprego das aspas mostra uma função diferente das demais. 
Alternativas
Q2368895 Português
Lembrança


      Lembro-me de que ele só usava camisas brancas. Era um velho limpo e eu gostava dele por isso. Eu conhecia outros velhos e eles não eram limpos. Além disso eram chatos. Meu avô não era chato. Ele não incomodava ninguém. Nem os de casa ele incomodava. Ele quase não falava. Não pedia as coisas a ninguém. Nem uma travessa de comida na mesa ele gostava de pedir. Seus gestos eram firmes e suaves e quando ele andava não fazia barulho.
       Ficava no quartinho dos fundos e havia sempre tanta gente e tanto movimento na casa que às vezes até se esqueciam da existência dele. De tarde costumava sair para dar uma volta. Ia só até a praça da matriz que era perto. Estava com setenta anos e dizia que suas pernas estavam ficando fracas. Levava-me sempre com ele. Conversávamos, mas não me lembro sobre o que conversávamos. Não era sobre muita coisa. Não era muita coisa a conversa. Mas isso não tinha importância. O que gostávamos era de estar juntos.
        Lembro-me de que uma vez ele apontou para o céu e disse: “olha”. Eu olhei. Era um bando de pombos e nós ficamos muito tempo olhando. Depois ele voltou-se para mim e sorriu. Mas não disse nada. Outra vez eu corri até o fim da praça e lá de longe olhei para trás. Nessa hora uma faísca riscou o céu. O dia estava escuro e uma ventania agitava as palmeiras. Ele estava sozinho no meio da praça com os braços atrás e a cabeça branca erguida contra o céu. Então pensei que meu avô era maior que a tempestade.
       Eu era pequeno mas sabia que ele tinha vivido e sofrido muita coisa. Sabia que cedo ainda a mulher o abandonara. Sabia que ele tinha visto mais de um filho morrer. Que tinha sido pobre e depois rico e depois pobre de novo. Que durante sua vida uma porção de gente o havia traído e ofendido e logrado. Mas ele nunca falava disso. Nenhuma vez o vi falar disso. Nunca o vi queixar-se de qualquer coisa. Também nunca o vi falar mal de alguém. As pessoas diziam que ele era um velho muito distinto.
        Nunca pude esquecer sua morte. Eu o vi mas na hora não entendi tudo. Eu só vi o sangue. Tinha sangue por toda a parte. O lençol estava vermelho. Tinha uma poça no chão. Tinha sangue até na parede. Nunca tinha visto tanto sangue. Nunca pensara que uma pessoa se cortando pudesse sair tanto sangue assim. Ele estava na cama e tinha uma faca enterrada no peito. Seu rosto eu não vi. Depois soube que ele tinha cortado os pulsos e aí cortado o pescoço e então enterrado a faca. Não sei como deu tempo dele fazer isso tudo mas o fato é que ele fez. Tudo isso. Como eu não sei. Nem por quê.
      No dia seguinte ainda tornei a ver sua camisa perto da lavanderia e pensei que mesmo que ela fosse lavada milhares de vezes nunca mais poderia ficar branca. Foi o único dia em que não o vi limpo. Se bem que sangue não fosse sujeira. Não era. Era diferente.


(VILELA, Luiz. Tarde da noite. 6. ed. São Paulo: Ática, 2000.)
Lembro-me de que uma vez ele apontou para o céu e disse: “olha”. (3º§) Podemos afirmar que as aspas foram empregadas no fragmento anterior para:
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Q2368377 Português
Quem paga a conta? O retrato da crise climática é a desigualdade


      Era agosto de 2019, por volta das 15h30, o céu do país todo ficou encoberto, transformando o que era para ser dia em noite. Todos sem entender o que estava acontecendo. Agora, novembro de 2023, calor extremo com sensação térmica de até 60°C em alguns estados. Chuvas torrenciais com ventos que ultrapassavam 10 km/h. Infelizmente, esses acontecimentos têm como causa uma resposta que já é praticamente automática: crise climática.

        Há pouco mais de 30 anos, com o início na ECO-92, que posteriormente culminou na COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), as primeiras agendas globais sobre mudanças climáticas eram construídas. Empresas e países têm buscado formas de reduzir as emissões de gases do efeito estufa para diminuir o ritmo do aquecimento global.

       Entretanto, o alarde justo e necessário sobre as mudanças climáticas demanda uma reflexão que não pode ficar encoberta como o céu cheio de fumaça daquele agosto de 2019. Para alguns menos imediata, ela vai além dos fenômenos da natureza e está muito mais relacionada à distribuição de renda. Uma parcela da população ainda é esquecida, tanto pelo setor público quanto pelo privado, ao falarmos nos impactos da ação do homem no planeta: os mais pobres. [...]

      Mesmo as queimadas ocasionadas pelo desmatamento ilegal na Amazônia, que encobriram diversos estados do país em 2019, dão um exemplo de como as populações mais vulneráveis são potencialmente mais afetadas por um problema que é de todas as pessoas. Ao retornar em forma de fumaça e fuligem para as periferias, as queimadas contribuem para o desenvolvimento de doenças respiratórias que, somadas às longas filas nos serviços públicos, se tornam problemas graves para essas populações.

        Por sua vez, o calor extremo que vivenciamos nas últimas semanas transforma os “barracos” em verdadeiros fornos, por ainda utilizarem materiais mais baratos que contribuem para a retenção do calor no recinto. Sem mencionar a junção do calor com a falta de abastecimento contínuo de água em algumas regiões, que obriga essas famílias a armazenar água em garrafas PET para beber.

      Os dias de frio e chuva também não são amenos em termos de problemas climáticos acentuados. Além dos alagamentos e queda de encostas que drasticamente vitimam pessoas, os danos persistem com regiões periféricas inteiras que são “esquecidas” sem água e luz por semanas.

       Nessa matemática do acúmulo, as parcelas mais privilegiadas da sociedade são também as mais beneficiadas o que acaba aumentando o abismo da desigualdade social. Isso destinou à população mais pobre um retrato doloroso de desigualdade, uma realidade que infelizmente acompanho diariamente com as famílias que atendemos na ONG PAC. [...]

        Entre as guias dos ODS, temos a “educação de qualidade”, que considero uma das principais ferramentas para o enfrentamento da crise climática. Explico: investir na educação significa promover oportunidades e, mais ainda, atuar para a conscientização sobre a sustentabilidade desde a infância. Além disso, é por meio do incentivo à educação que podemos pensar em novas tecnologias sustentáveis que tenham como pressuposto o uso de materiais de baixo custo e que de fato atendam a populações mais vulneráveis.

        O impacto positivo do investimento na educação e formação profissional vai além, especialmente quando pensamos nas periferias. Contribuir com o desenvolvimento pessoal e profissional desses novos talentos significa promover uma mudança de vida estrutural, já que esse jovem retornará para a comunidade esses conhecimentos e se tornará espelho para os demais.

      Para que isso ocorra, é fundamental a construção de políticas públicas de incentivo, em que empresas apoiem projetos educacionais, a partir da percepção de sua urgência e de que não há possibilidade de um futuro sem impactos da crise climática sem investir na educação.

        O que não dá mais é para esperar, o planeta já se cansou faz tempo. Do contrário, continuaremos remando contra a maré, em uma conta que só cresce a cada dia e continua sendo paga por quem tem menos.


(Rosane Chene. Disponível: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/. Adaptado.)

Algumas ocorrências do emprego do sinal de aspas podem ser indicadas no texto (5º e 6º parágrafos):

       Por sua vez, o calor extremo que vivenciamos nas últimas semanas transforma os “barracos” em verdadeiros fornos, por ainda utilizarem materiais mais baratos que contribuem para a retenção do calor no recinto. Sem mencionar a junção do calor com a falta de abastecimento contínuo de água em algumas regiões, que obriga essas famílias a armazenar água em garrafas PET para beber.      Os dias de frio e chuva também não são amenos em termos de problemas climáticos acentuados. Além dos alagamentos e queda de encostas que drasticamente vitimam pessoas, os danos persistem com regiões periféricas inteiras que são “esquecidas” sem água e luz por semanas.

Assinale a frase a seguir em que as aspas exercem a mesma função vista no trecho destacado anteriormente, considerando o contexto.
Alternativas
Q2357668 Português
Ultraprocessados estão ligados a doenças
crônicas e até câncer, aponta estudo



Aumento de 9% no risco de multimorbidades foi associado à maior ingestão de alimentos ultraprocessados


              Comer grandes quantidades de alimentos ultraprocessados aumenta o risco de ser diagnosticado com multimorbidade ou de ter múltiplas condições crônicas, como diabetes, doenças cardíacas e câncer, segundo um novo estudo.
               “O que é particularmente significativo neste grande estudo é que o consumo de mais alimentos ultraprocessados, em particular produtos de origem animal e bebidas açucaradas, estava associado a um risco aumentado de desenvolver câncer juntamente com outra doença, como acidente vascular cerebral ou diabetes”, disse Helen Croker, diretor assistente de pesquisa e política do World Cancer Research Fund International, que financiou o estudo, em comunicado.
              No entanto, o risco aumentado foi modesto, disse Tom Sanders, professor emérito de nutrição e dietética do King’s College London, que não esteve envolvido no estudo.
           “Este artigo relata um aumento de 9% no risco de multimorbidade associado à maior ingestão de alimentos ultraprocessados”, disse Sanders.
             “A ingestão de alimentos foi medida por um questionário em uma ocasião, há muito tempo atrás. Isto é importante porque os padrões alimentares mudaram acentuadamente nos últimos vinte e cinco anos, com mais alimentos consumidos fora de casa e mais alimentos prontos a serem comprados”, disse Sanders. [...] 
O uso das aspas presentes nesse texto serve
Alternativas
Q2357558 Português
Com base nos sinais de pontuação encontrados no texto, aponte a alternativa com a(s) combinação(ções) CORRETA(s), após a leitura das assertivas.

I- A ocorrência de aspas duplas (l.05) assinala transcrição literal;
II- Os parênteses na linha 07 servem, unicamente, para isolar numerais no texto;
III- Os travessões nas linhas 10 e 11 evitam a repetição de termos já mencionados;
IV- O uso de dois-pontos (:) na linha 24, enuncia uma explicação.


Dos itens acima:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: Prefeitura de Campanha - MG Provas: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Professor PEB III - Educação Física | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Professor PEB II | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Professor de Creche | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Especialista - Supervisor Escolar | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Bibliotecário | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Educador Físico | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Veterinário | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Terapeuta Ocupacional | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Psicólogo - Secretaria de Educação | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Nutricionista - Secretaria de Educação | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Fonoaudiólogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Fisioterapeuta | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Farmacêutico | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Enfermeiro | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Dentista | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Engenheiro Civil | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Engenheiro Agrônomo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Assistente Social - Administração | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Campanha - MG - Psicólogo - Administração |
Q2354610 Português
Tempo e vida


Fernando Brant


Andei pensando em um poema de Carlos Drummond de Andrade chamado “Apelo aos meus dessemelhantes em favor da paz”. É que me assusta, como sei que deve atemorizar muita gente, a sensação de não dominar o meu tempo, de ser conduzido pelo desejo dos outros.

Coincidência ou não, numa noite em que me vi sozinho andando pelas ruas do Leblon, no Rio, resolvi parar em um bar onde poderiam estar amigos. Não conhecia ninguém, logo me dei conta. Mas eu queria fazer uma hora antes de me dirigir ao hotel para o descanso noturno. Não estava a fim de assistir, na televisão, aos massacres novelescos e noticiosos.

Resolvi comprar algum livro ou revista na banca da esquina. E me deparei com o tratado de Sêneca, Sobre a brevidade da vida. Pequeno, pouco mais de oitenta páginas, encontrei nele o parceiro ideal para uma rodada de chope. “Nenhum homem sábio deixará de se espantar com a cegueira do espírito humano. Ninguém permite que sua propriedade seja invadida e, havendo discórdia quanto aos limites, por menor que seja, os homens pegam em pedras e armas. No entanto, permitem que outros invadam suas vidas de tal modo que eles próprios conduzem seus invasores a isso. Não se encontra ninguém que queira dividir sua riqueza, mas a vida é distribuída entre muitos. São econômicos na preservação de seu patrimônio, mas desperdiçam o tempo, a única coisa que justifica a avareza.”

Enquanto o chope percorria lentamente o seu caminho – do garçom para o copo, do copo para a garganta –, antigas ideias me chegavam. O tempo que temos para viver é um período bom, se não nos atolarmos em necessidades que não temos. Tempo não é dinheiro, como dizem os capitalistas. Tempo é muito mais e melhor. Somos levados a aceitar um redemoinho de compromissos, de vícios, de ativismo e velocidade desnecessária. Uns pensam em trabalhar como animal agora, para aproveitar, no amanhã, a aposentadoria. Mas e se não houver esse amanhã? A tecnologia criou possibilidades imperdíveis de se trabalhar menos e produzir melhor, mas o sistema aumenta cada vez mais a carga de ocupação das pessoas. Qual o motivo de se perder tempo com tanta coisa inútil? Não se tem tempo para cuspir, é o que se costuma dizer. Mas o que não se tem, mesmo, é tempo de amar, se divertir sadiamente, curtir os filhos e seu desenvolvimento, os amigos, conhecer as belezas que a sabedoria e a cultura nos oferecem. [...]


BRANT, Fernando. Casa aberta.
Sabará: Edições Dubolsinho, 2011.
Na crônica, os sinais de aspas são empregados, respectivamente, para
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Q2353837 Português
LETRAMENTO ALGORÍTMICO: ENFRENTANDO A SOCIEDADE DA CAIXA PRETA


Mariana Ochs


         Nos últimos anos, avançamos bastante no entendimento da necessidade urgente de construir a autonomia dos jovens para que atuem nos ambientes informacionais da sociedade com segurança, ética e responsabilidade. Cada vez mais presente nas normas educacionais, na legislação e em diversos esforços da sociedade civil, a educação midiática apresenta-se como forma mais eficaz e sustentável de lidarmos com desinformação, boatos, discursos de ódio, propaganda e outros fenômenos que podem violar direitos e até desestabilizar a democracia.
       Mas, além dos conteúdos que circulam nas mídias, há, também, a parte mais opaca dos ecossistemas de comunicação: os algoritmos que, sujeitos a lógicas e interesses comerciais, personalizam o que vemos a ponto de nos expor a recortes seletivos da realidade, direcionando comportamentos, moldando nossas opiniões de maneira sutil e, por vezes, prejudicial. Esses algoritmos muitas vezes priorizam e reforçam engajamento com conteúdo enviesados, ofensivos ou violentos, podendo, inclusive, empurrar determinados indivíduos mais suscetíveis para ambientes  — e ações —  extremistas.
       Com os ambientes digitais mediando cada vez mais a nossa visão de mundo, enfrentar esses desafios exige olharmos não só para as habilidades de acessar e avaliar mensagens mas também, e cada vez mais, educar os jovens para perceber o funcionamento e os efeitos do próprio ambiente tecnológico. Em tempos de inteligência artificial, em que perguntas humanas podem encontrar respostas incorretas ou enviesadas criadas por sistemas preditivos, a computação precisa urgentemente entrar na pauta da educação midiática.
     No entanto, deve ser explorada de forma crítica, para entendermos os seus impactos sobre a justiça social e a democracia — e não apenas como ferramenta de trabalho em uma sociedade digital. A esse novo campo, que expande os limites da educação para a informação e oferece uma ponte entre a computação e a educação midiática, chamamos de "letramento algorítmico crítico".
       Hoje vivemos o crescimento exponencial da automação baseada em dados — tecnologias chamadas de algorítmicas ou de inteligência artificial capazes de fazer previsões e tomar decisões a partir dos dados que as alimentam. Esses sistemas operam de forma silenciosa e quase onipresente na vida contemporânea, impactando desde a escolha do vídeo que vai ser apresentado a uma criança no YouTube até o sistema que vai regular sua oferta de emprego ou de crédito quando crescer. É o que vem sendo chamado de "sociedade da caixa preta”. Segundo o pesquisador australiano Neil Selwin, nesse modelo, decisões automatizadas, geralmente invisíveis para o usuário comum, moldam seu acesso a direitos, serviços e informação.
        Na prática, a educação midiática pode desenvolver as habilidades necessárias para que os jovens sejam capazes de perceber, questionar e influenciar o comportamento dos sistemas tecnológicos. Crianças e jovens devem ser levados a explorar as formas de funcionamento dos algoritmos que moldam os resultados de nossas buscas na internet; podem questionar a ética dos sistemas de previsão e recomendação, ou ainda o design por trás das interfaces das redes sociais que utilizam, incluindo os chamados "dark patterns", que manipulam nossas decisões. Devem estar atentos a dinâmicas que promovem imagens inalcançáveis ou vulnerabilizam determinados grupos. Precisam perceber e questionar exclusões ou vieses refletidos na produção das IAs generativas. Sobretudo, devem entender os mecanismos de engajamento e de atenção que favorecem conteúdos que segregam, ofendem e desestabilizam as comunidades.
       Em suma, educar para as novas dinâmicas sociotécnicas implica reconhecer que as tecnologias não são neutras e incorporam valores daqueles que as criam ou programam; que seus efeitos são ecológicos, impactando e redefinindo relações sociais e econômicas; e que, agindo sobre sociedades desiguais, podem amplificar exponencialmente as injustiças sociais e a exclusão.
     Nesse novo ambiente, a educação midiática deve ir além de construir as habilidades de acessar, avaliar e criar mensagens, examinando autoria, propósito e contexto; deve abranger também uma compreensão mais profunda da dinâmica complexa, e muitas vezes oculta, entre os indivíduos, as mídias e os sistemas tecnológicos que moldam nosso mundo. Sem a capacidade de identificar e agir sobre esses sistemas, nos tornamos vulneráveis aos efeitos desestabilizadores da desinformação e da polarização, que ameaçam as instituições e a própria paz social, e ao potencial excludente das IAs. É preciso abrir a caixa preta.


Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/>. Acesso em: 09 nov. 2023. (texto adaptado)
Sobre os usos das aspas, no texto, é correto afirmar: 
Alternativas
Q2350349 Português
Texto:


Crescimento Zero


Alex Grijelmo


     Parece difícil que nos resignemos a não crescer. O crescimento de qualquer de nossas posses forma parte das ideias positivas. Hão de crescer as crianças, os músculos, os seios, nossos negócios e, obviamente, também a economia. Este caso é, porém, o mais transcendental, porque mesmo quando a economia não cresce, dizemos que cresceu: porque “cresceu zero”.

     O eufemismo que está presente em “crescimento zero” consegue unir um conceito positivo (crescimento) com outro negativo (o não-crescimento), para neutralizar o efeito deste (e, além disso, se apela a um número que não é exatamente negativo: o zero).

     Os economistas e os políticos empregam muito bem esses vocábulos para contentar-nos, mesmo quando a economia decresce, porque então falam de “crescimento negativo”.

     Vejamos o lado bom da coisa, porque devemos agradecer o fato de que as pessoas das ciências tenham sabido escolher muito bem as palavras, ainda que seja para esconder os números.
“Os economistas e os políticos empregam muito bem esses vocábulos para contentar-nos, mesmo quando a economia decresce, porque então falam de “crescimento negativo”.

Nesse período do texto, as aspas na expressão “crescimento negativo” têm a finalidade de
Alternativas
Q2350101 Português
Texto 2


           A cantora Ivete Sangalo se emocionou ao ver uma propaganda do filme 'Besouro Azul', em que a atriz brasileira Bruna Marquezine participa, nas ruas de Nova Iorque. Vídeo foi publicado através das redes sociais nesta terça-feira (1º).
        Animada, a cantora exaltou a participação de Bruna em uma produção internacional. "Bru, olha onde você está aqui em Nova Iorque! Que orgulho! Linda!", comemorou a artista. 


Disponível em: <https://www.ibahia.com/nem-te-conto/ivete-sangalo-exaltamarquezine-ao-ver-banner-de-besouro-azul-300163>. Acesso em: 24
ago. 2023. 

Na frase “Bru, olha onde você está aqui em Nova Iorque! Que orgulho! Linda!”, o sinal de aspas (“ ”) tem a função de  
Alternativas
Q4055398 Português

No trechoVivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar”. Essa é uma das frases mais famosas do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, falecido em janeiro de 2017, aos 91 anos. Ele deixou uma obra volumosa, com mais de 50livros, e é considerado um dos pensadores mais importantes e populares do fim do século XX.... –Disponível em: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das- disciplinas/atualidades/zygmunt-bauman-o-pensamento-do-sociologo-da-modernidade-liquida.htm?cmpid=copiaecola. Acesso em 21/11/2023.


Sobre o uso das aspas no trecho acima é CORRETO afirmar que:

Alternativas
Q3043945 Português
Analise as afirmativas, tendo em vista as ideias veiculadas no texto 05.



I. O termo “verdades” foi usado com o mesmo sentido nas falas do primeiro e do terceiro quadro.

II. As aspas foram usadas no termo ‘“verdades”’ (terceiro quadro) para indicar sentido diferente ao que foi atribuído ao termo no primeiro quadro.

III. O termo “mas”, usado no terceiro quadro, indica que o personagem vai apresentar uma ideia contrária ao que foi dito no primeiro quadro.

IV. O termo “mentir” em relação ao termo ‘“verdades”’, usado entre aspas, não representam ideias contrárias.

V. O termo “mentir” em relação ao termo ‘“verdades”’, usado entre aspas, no terceiro quadro, constroem uma antítese.


Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Q3043871 Português

Texto 01 


Desenvolva as suas competências 







Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 18 abr. 2023. Adaptado.

O termo “competências invisíveis” foi usado entre aspas para
Alternativas
Q3042340 Português
O termo “competências invisíveis” foi usado entre aspas para
Alternativas
Q3042221 Português
O termo “competências invisíveis” foi usado entre aspas para
Alternativas
Q3042071 Português

Texto 01


Employee Experience, pessoas e tecnologia. Qual o caminho tomar?






Disponível em: https://vocesa.abril.com.br. Acesso em: 27 jul. 2023. Adaptado.

Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a estrutura do texto 01.
I - A presença das aspas, no primeiro parágrafo, indica o uso de citações diretas. II - O itálico assinala o uso de estrangeirismos, os quais ocorrem ao longo do texto. III - A linguagem conotativa é empregada de forma reiterada no decorrer do texto. IV - O uso de verbos na primeira pessoa marca a presença de subjetividade no texto. V - O texto, por suas características, apresenta-se como dissertativo-argumentativo.
Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Q2564332 Português
Texto para a questão.


Estátua clássica de Hércules com quase 2.000 anos é encontrada na Grécia



Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/estatua-classica-de-hercules-com-quase-2-000-anos-e-encontrada-na-grecia/
“Archie Dunn, professor de arqueologia bizantina da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, descreveu a descoberta como “extraordinariamente interessante”. Ele não participou da escavação” (linha 20 e 21).
Acerca da pontuação empregada no excerto acima é correto afirmar que:
Alternativas
Q2531320 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.

Texto 3
O avesso da pele – Jeferson Tenório

    Um romance sobre identidade e as complexas relações raciais, sobre violência e negritude, O avesso da pele é uma obra contundente no panorama da nova ficção literária brasileira. Vencedor do Prêmio Jabuti na categoria “Romance Literário”.
     O avesso da pele é a história de Pedro, que, após a morte do pai, assassinado numa desastrosa abordagem policial, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos. Com uma narrativa sensível e por vezes brutal, Jeferson Tenório traz à superfície um país marcado pelo racismo e por um sistema educacional falido, e um denso relato sobre as relações entre pais e filhos.
    O que está em jogo é a vida de um homem abalado pelas inevitáveis fraturas existenciais da sua condição de negro em um país racista, um processo de dor, de acerto de contas, mas também de redenção, superação e liberdade. Com habilidade incomum para conceber e estruturar personagens e de lidar com as complexidades e pequenas tragédias das relações familiares, Jeferson Tenório se consolida como uma das vozes mais potentes e estilisticamente corajosas da literatura brasileira contemporânea.
   “Não é de graça que Tenório, além de autor premiado, é tão bem acolhido pelo público e pela crítica. Ele não faz turismo, safári social, na desgraça geral do país, não faz da crítica à desigualdade um truque, um atalho apelativo e barato, panfletário, para ter mais aceitação, reconhecimento. Estamos diante de um escritor que, correndo todos os riscos, sabe arquitetar uma boa trama e encantar o leitor. Por muitas vezes durante a leitura eu disse para mim mesmo: como ele consegue construir personagens tão reais e fáceis de serem amados? Eu agradeço, a literatura brasileira agradece.” ― Paulo Scott.
     “Através de um profundo mergulho em seus personagens, ‘O avesso da pele’ consegue abordar as questões centrais da sociedade brasileira. E o mais potente nisso tudo é que, aqui, o real e as reflexões partem sempre de dentro pra fora.” ― Geovani Martins.

Disponível em: <https://www.amazon.com.br/avesso-pele-JefersonTen%C3%B3rio/dp/8535933395>. Acesso em: 03 set. 2023.
Os dois parágrafos finais do texto trazem, entre aspas, as falas de dois outros sujeitos, Paulo Scott e Geovani Martins. Este recurso de construção textual pode ser classificado como
Alternativas
Q2429390 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda às questões que a ele se referem.

Texto 01

Desenvolva as suas competências

1[...] É o seu jeito de fazer as coisas que qualifica aquilo que você faz e que pode ser usado com mais

consciência não só para reforçar a sua marca pessoal, mas para tornar o processo de aprendizado – e de mudança

– menos amedrontador.

Como diz Jon Acuff, no livro “Reinicie: resgate a segunda-feira, reinvente seu trabalho e nunca fique na

5 mesma”, tudo o que você faz no trabalho é uma competência. O autor segue dizendo: “não apenas as competências

que se destacam em relatórios que avaliam o seu progresso. Não apenas as ações para as quais você recebe um

aceno de cabeça em sinal de aprovação de um chefe numa reunião importante”.

E dá exemplos: o modo gentil como você fala com as pessoas durante uma pausa no trabalho; sua

habilidade de lidar com o atolamento de papel na impressora; a forma como mantém a caixa de e-mail sob

10 controle etc., tudo isso é competência. O que você tem a dizer sobre a sua forma de funcionar?

As pequenas coisas que você faz facilmente podem não parecer glamurosas e talvez nem sejam tão

especiais, mas elas se repetem e permitem que você se expresse com autenticidade. Jon Acuff chama de

“competências invisíveis”, um pacote de recursos altamente valiosos porque intrinsicamente seus! É para observar,

reconhecer, se apropriar e usar sem moderação esse seu jeito bom de fazer as coisas se sentindo bem.

Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 18 abr. 2023. Adaptado.

O termo “competências invisíveis” foi usado entre aspas para

Alternativas
Ano: 2023 Banca: COTEC Órgão: SAAE-UNAÍ Prova: COTEC - 2023 - SAAE-UNAÍ - Procurador |
Q2429056 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda às questões que a ele se referem. Texto 01


Desenvolva as suas competências


[ ... ] É o seu jeito de fazer as coisas que qualifica aquilo que você faz e que pode ser usado com mais consciência não só para reforçar a sua marca pessoal, mas para tornar o processo de aprendizado - e de mudança - menos amedrontador.

...........Como diz Jon Acuff, no livro "Reinicie: resgate a segunda-feira, reinvente seu trabalho e nunca fique na mesma': tudo o que você faz no trabalho é uma competência. O autor segue dizendo: "não apenas as competências que se destacam em relatórios que avaliam o seu progresso. Não apenas as ações para as quais você recebe um aceno de cabeça em sinal de aprovação de um chefe numa reunião importante".

...........E dá exemplos: o modo gentil como você fala com as pessoas durante uma pausa no trabalho; sua habilidade de lidar com o atolamento de

papel na impressora; a forma como mantém a caixa de e-mail sob controle etc., tudo isso é competência. O que você tem a dizer sobre a sua forma de funcionar?

...........As pequenas coisas que você faz facilmente podem não parecer glamurosas e talvez nem sejam tão especiais, mas elas se repetem e permitem que você se expresse com autenticidade. Jon Acuff chama de "competências invisíveis", um pacote de recursos altamente valiosos porque intrinsicamente seus! É para observar, reconhecer, se apropriar e usar sem moderação esse seu jeito bom de fazer as coisas se sentindo bem.


Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 18 abr. 2023. Adaptado.

O termo "competências invisíveis" foi usado entre aspas para

Alternativas
Respostas
181: C
182: E
183: C
184: C
185: D
186: B
187: C
188: B
189: C
190: A
191: A
192: C
193: E
194: E
195: E
196: E
197: C
198: B
199: E
200: E