Questões de Concurso
Sobre uso das aspas em português
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INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda a questão, que a ele se refere.
Texto 01
Com gostinho de infância
Mariana Chagas
Quais eram suas brincadeiras preferidas quando criança? Parece até bobagem, mas o que gostávamos de fazer diz muito sobre quem somos hoje. É que a infância é o momento de maior desenvolvimento neurológico da vida. Todas as interações com outras pessoas e com o ambiente durante essa fase são essenciais para moldar as principais estruturas de quem essa pessoa vai se tornar. E, por isso, as brincadeiras e as atividades educacionais são de tamanha importância.
Esses passatempos servem para estimular os sentimentos intrínsecos da infância: a curiosidade, o encantamento, a diversão. São essas emoções que deixam a criança tão interessada pela vida e fascinada com coisas que parecem simples, mas, para elas, são um universo realmente novo.
Conforme crescemos, é comum que esses sentimentos diminuam. A autora Kasey Tross trouxe um questionamento importante em seu texto “Subindo o escorregador”. Ela aponta que muitas crianças tentam subir pelo escorregador dos parquinhos, sendo que estes foram feitos apenas para descer. Seja por curiosidade, ou apenas para testar a própria capacidade, elas continuam mesmo após cair e levar bronca dos adultos. Então ela questiona por que perdemos essa curiosidade tão determinante depois que viramos adultos.
É importante tentar resgatar, preservar e manter essas emoções atreladas a nossa infância, mesmo durante a vida adulta.
Quem explica isso é Patrícia Stankowich, psicanalista com ênfase nas temáticas sobre infância, adolescência e inclusão.
“Essa pode ser uma forma de manter a espontaneidade e alegria no viver, apesar dos percalços e dos imprevistos que a vida nos traz”, argumenta.
De acordo com a psicanalista, os sentimentos característicos da infância, como o encantamento, a curiosidade e a criatividade, são fundamentais no nosso dia a dia porque estão associados aos aspectos fundamentais do desenvolvimento emocional e cognitivo.
“Manter o encantamento, a curiosidade e a criatividade podem trazer benefícios, como um melhor bem-estar emocional”, elucida a profissional. “O encantamento, por exemplo, nos conecta com a capacidade de nos maravilharmos com as pequenas coisas da vida, promovendo uma sensação de alegria e de admiração”, relata.
Também é importante o estímulo à criatividade. A pesquisadora explica que ela é útil não só para a resolução de problemas, mas também para a inovação e para o desenvolvimento pessoal. Quem diria que a infância poderia nos ajudar a encontrar soluções originais na vida adulta?
Já a curiosidade nos impulsiona a buscar conhecimento e explorar novas experiências. “Ela pode levar a um contínuo desenvolvimento pessoal intelectual, essencial para o crescimento durante toda a vida”, complementa a psicanalista.
Mesmo na vida adulta, existem brincadeiras e atividades que podem ser realizadas, sozinho ou acompanhado, para manter o encantamento pela vida e cultivar o mundo de forma mais positiva. [...]
Disponível em: https://vidasimples.co/emocoes/com-gostinho-de-infancia. Acesso em: 4 jun. 2024. Adaptado.
As aspas foram usadas no texto para assinalar o uso de
“A definição de saúde é de um bem-estar físico, mental e social. Comer passa por isso”, diz Sophie, pesquisadora da USP, ao analisar os perigos da dietas ‘infalíveis’ divulgadas na internet.”
Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/profissionais-de-saude-se-mobilizam-contra-dietas-infaliveis-da-internet/. Acesso em: 21 maio 2024.
I. O uso das aspas em “externo” (2º§) à própria disciplina indica que a palavra é utilizada em sentido figurado ou com uma conotação especial.
II. No trecho “[...] desencadeiam um esforço de revisão das práticas de ensino da língua, [...]” (3º§), a palavra “desencadeiam” poderia ser substituída por “iniciam” sem prejuízo ao sentido original.
III. Em “[...] para adoção das práticas de leitura e produção e de análise linguística em suas condições de uso e de reflexão como conteúdo da disciplina.” (3º§), a expressão “em suas condições de uso” refere-se às práticas de leitura e produção e de análise linguística.
IV. A expressão “[...] uma clientela diferente daquela que veio frequentando os bancos escolares até a década de 60” (2º§) utiliza o pronome relativo “que” para introduzir uma oração explicativa, especificando o tipo de clientela mencionado.
Está correto o que se afirma apenas em
Texto 01
O mundo precisa da sua originalidade – e você também
Patrícia Cotton
A palavra alemã Zeitgeist insinua que somos afetados – ou até mesmo assombrados – pelo espírito do tempo
em que vivemos. Esse “fantasma” dá o tom do nosso ambiente cultural e intelectual, e sobretudo das nossas escolhas. O
tempo seria uma espécie de molde que torna impossível o exercício pleno da originalidade. E na contemporaneidade isso
tem se tornado ainda mais agudo. Fórmulas prontas nos levam a crer que o visível, o recorrente e o seguro são o mesmo
que “sucesso”. Padrões de comunicação, de estética, de mentalidade política, de gestão e de autoprodutização apostam
cada vez mais na previsibilidade anticancelamento, asfixiando o pioneirismo e a criatividade. Estamos, afinal, perdendo a
capacidade de ser originais?
Sendo uma exímia voyer digital, venho notando há alguns anos certos modelos se cristalizando. Postar fotos
com o date, por exemplo, virou o novo anel de compromisso. Estudos, refeições, férias, mudanças de trabalho, e até
mesmo malhação – outrora aspectos naturais da existência – tornaram-se extraordinários (uma vez publicados, claro). A
espetacularização permanente de quase tudo virou uma espécie de “prova de vida” do INSS. Uma vibe na linha de “mãe,
olha o desenho que eu fiz!”. Dando uma de Analista de Bagé, parece que o silêncio (digital) virou sinal de que as coisas,
enfim, vão bem.
Falando da nossa realidade analógica, somos fruto de um momento de inspiração original dos nossos pais.
Digitais, DNA e voz comprovam a nossa singularidade estrutural, nossa gênese inquestionável. Originalidade, por este
prisma, é um bem democrático, já que a única coisa que não pode ser copiada é justamente você. Se irá aproveitar isso
ou não, é outra história. Fato é: o esquecimento deste ativo que é a singularidade nos distancia não apenas de nós
mesmos, mas de compor o todo de uma comunidade diversa.
[...]
Ao seguir hábitos e padrões de forma irrefletida, indivíduos e negócios vão se tornando muito mais objeto do que
sujeito de suas ações. Abatidos pelo Zeitgeist e pela autoconsciência anêmica, fica cada vez mais difícil surpreender. Parece, inclusive, que foi em outra vida que o mote “pense diferente”, da Apple, teve algum valor. Estamos
cada vez menos originais, viciados em benchmarks, engajamentos e teses de investimento que trazem supostas
garantias.
Paradoxalmente, nunca precisamos tanto da originalidade para enfrentar os problemas complexos e inéditos que temos vivenciado coletivamente. E também para a autorrealização individual.
O tópico da autorrealização me faz lembrar que, por muito tempo, acreditei que ser acessível era ser
comprometida, sobretudo profissionalmente. À luz disso, me viciei em um “crackberry” (gíria que se refere à natureza
viciante dos smartphones BlackBerry, que eram conhecidos por suas ferramentas eficientes de e-mail, mensagens e
produtividade) como instrumento de trabalho. Na época, achava natural que aquele aparelho fosse minha extensão, sem
me dar conta dessa perigosa simbiose. Durante um autoexperimento de mudança, em que fiquei quase um ano sem
celular, tive o melhor e mais transformador período da minha vida. Desde então, cultivo uma comunicação ecológica, fora
da “whatsApplândia” e afins. Sua suposta conveniência jamais me convenceu, e a vida “semioffline” segue trazendo bons
frutos, apesar de todas as reclamações, controvérsias e perdas que conscientemente enfrento. O que muitos denominam
de loucura, aprendi a chamar de originalidade.
Encontrar o próprio caminho original não é fácil, mas certamente é mais interessante que o consumo irrestrito de
clichês e benchmarks. Ser original é trabalhar na margem de manobra entre o espírito do tempo que nos influencia, e o
que é de alcance consciente. É entender que destino é também – mas não só – origem. É expressar a essência na
existência através de escolhas corajosamente autênticas. É ser subversivo, fazer algo que ainda não foi imaginado. E
pagar os eventuais pedágios com um discreto sorriso de Monalisa no rosto.
Disponível em: https://vidasimples.com/. Acesso em: 22 maio 2024. Adaptado.
I - uso reiterado de estrangeirismos.
II - diferentes usos das aspas.
III - uso de citação direta.
IV - frequente uso de arcaísmos.
V - uso de neologismos.
Estão CORRETOS os itens
I. O termo “verdades” foi usado com o mesmo sentido nas falas do primeiro e do terceiro quadro.
II. As aspas foram usadas no termo ‘“verdades”’ (terceiro quadro) para indicar sentido diferente ao que foi atribuído ao termo no primeiro quadro.
III. O termo “mas”, usado no terceiro quadro, indica que o personagem vai apresentar uma ideia contrária ao que foi dito no primeiro quadro.
IV. O termo “mentir” em relação ao termo ‘“verdades”’, usado entre aspas, não representam ideias contrárias.
V. O termo “mentir” em relação ao termo ‘“verdades”’, usado entre aspas, no terceiro quadro, constroem uma antítese.
Estão CORRETAS as afirmativas
Texto 01
Employee Experience, pessoas e tecnologia. Qual o caminho tomar?

Disponível em: https://vocesa.abril.com.br. Acesso em: 27 jul. 2023. Adaptado.
I - A presença das aspas, no primeiro parágrafo, indica o uso de citações diretas. II - O itálico assinala o uso de estrangeirismos, os quais ocorrem ao longo do texto. III - A linguagem conotativa é empregada de forma reiterada no decorrer do texto. IV - O uso de verbos na primeira pessoa marca a presença de subjetividade no texto. V - O texto, por suas características, apresenta-se como dissertativo-argumentativo.
Estão CORRETAS as afirmativas
I. No título, os parênteses foram usados para a inserção de uma ideia, os quais, se retirados, provocam alteração de sentido.
II. No primeiro parágrafo, verifica-se o uso de palavras e expressões da linguagem coloquial.
III. No primeiro parágrafo, verifica-se o uso de expressões que estão na linguagem conotativa.
IV. No primeiro parágrafo, as aspas foram usadas para marcar tanto a presença do discurso direto quanto da ironia.
V. No último parágrafo, verifica-se o uso do paralelismo sintático, ou seja, há complementos do verbo “pedir” que são utilizados conjuntamente.
Estão CORRETAS as afirmativas
Leia o texto abaixo e responda a questão.
“Valor escandaloso” para uma tragédia
anunciada
Para o coordenador de Justiça Climática do
Greenpeace Brasil, Igor Travassos, o valor
destinado pelo estado para o funcionamento,
ações e operações da Defesa Civil é
“escandaloso” e reflete um comportamento
comum nas políticas públicas relacionadas ao
clima no país: ignorar ações preventivas e agir
apenas quando a emergência já está em curso.
“Apesar de devastador, o cenário que estamos
vivendo no Rio Grande do Sul não é algo novo
ou inesperado para os governos! Essas
previsões deveriam ter se refletido em ações de
prevenção e adaptação e orçamento para
executá-las. Ao contrário disso, porém, vemos
que foi destinado nem mesmo 0,01% do
orçamento anual do estado para ações da
Defesa Civil. O valor é escandaloso!
Precisamos entender que eventos climáticos
extremos ficarão cada vez mais frequentes e
intensos devido à aceleração das mudanças
climáticas”, finaliza
Travessos (https://www.greenpeace.org/brasil/b
log).
Julgue o item seguinte, relativo a aspectos linguísticos do texto CB4A1-I.
No primeiro parágrafo, o emprego das aspas tem a finalidade
de destacar a existência de redundância na expressão ‘o uso
humano dos seres humanos’.
Mudanças climáticas e negacionismo
Por Gonçalo Ferraz

(Disponível em: piaui.folha.uol.com.br/artigo-codigo-ambiental-eduardo-leite-roda-viva/ – texto adaptado
especialmente para esta prova).

I. Na linha 14, os dois pontos introduzem uma fala em discurso direto de alguém externo ao texto.
II. Na linha 22, o emprego dos parênteses se deve à inserção de um comentário do autor a respeito do que está sendo descrito.
III. Na linha 24, o emprego das aspas se deve à demarcação de uma expressão usada com sentido diverso do seu sentido usual.
Quais estão corretas?
Leia o texto abaixo. As questões de 01 a 07 referem-se a ele.
Texto 1
Autoridades discutem ações contra acidentes com motos
O alto índice de acidentes envolvendo motocicletas em Cascavel levou à convocação de uma audiência pública para discutir ações que possam reduzir os números. Motociclistas estão envolvidos em 62% dos acidentes de trânsito na cidade e cinco já morreram este ano, além de um passageiro. “A agilidade da motocicleta, no trânsito, não compensa a instabilidade e a alta vulnerabilidade. Os acidentes com motocicletas quando não matam deixam sequelas nas vítimas. A cada ano 100 mil brasileiros ficam com sequelas permanentes e quatro mil com sequelas graves, como tetraplegias e paraplegias”, alerta Jack Szymanski, médico oftalmologista e presidente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) do Paraná.
Uma das preocupações é que esses acidentados estejam a trabalho no momento da colisão. Por isso, o MPT (Ministério Público do Trabalho) pretende cobrar dos empregadores a implantação de medidas que possam ajudar a evitar os acidentes de trânsito.
As discussões da audiência pública serão feitas por especialistas integrantes do Comitê de Prevenção a Óbitos e Amputações que abrange as 25 cidades da 10ª Regional de Saúde. O encontro seria dia 28 de abril, na Câmara de Vereadores. Para o evento, será apresentado um estudo feito pela comissão criada especificamente para apurar os prejuízos causados pela atividade.
“É preciso elaborar medidas ocupacionais que evitem tantos acidentes. Estamos levantando se boa parte dos envolvidos em acidentes de trânsito está a trabalho, para cobrar investimentos e reduzir os efeitos dos acidentes”, explica a procuradora do Trabalho Sueli Bessa.
AUMENTO
Hoje 1,5 mil motocicletas de Cascavel são usadas para atividades profissionais, o que representa 5% da frota local. As condições de pagamento facilitadas e o baixo consumo de combustível fazem do veículo um transporte barato.
Como resultado, em cinco anos cresceu 89,5% a frota de motocicletas em Cascavel, conforme dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito). São mais 145.215 carros disputando espaço nas ruas. A convivência não é harmoniosa. Hoje o acidente mais comum atendido pelo Corpo de Bombeiros é entre carros e motocicletas, que representa 37% do total de ocorrências.
O receio de especialistas é que, com a legalização do transporte de pessoas em motocicletas, o chamado mototáxi, aumentará o risco de acidentes. “A vulnerabilidade do condutor e do passageiro da moto está associada ao aumento da mortalidade e da morbidade, fazendo com que o acidente seja um problema de saúde pública. As cenas trágicas são diárias. Como em uma guerra, além de muitos mortos, a maioria formada por jovens em idade produtiva, os feridos passam a lotar as UTIs [Unidades de Terapia Intensiva] dos hospitais, em um dos maiores e mais onerosos problemas de segurança e saúde pública do País”, relata o presidente da Abramet.
BAGATOLI, J. Autoridades discutem ações contra acidentes com motos. In: Jornal Hoje, Cascavel, PR, 15 abr. 2010, edição n. 5683. Disponível em: . Acesso em: 16 abr. 2010.
Nas três ocorrências de declarações, as aspas indicam que os trechos incorporados ao texto são argumentos
Instrução: As questões de números 01 a 12 referem-se ao texto abaixo.
A teoria da incomodação zero
01 Os homens se distinguem dos animais, não porque ____ consciência, já afirmavam teorias
02 sociológicas do fim do século 19, mas porque produzem as condições de sua própria existência. Estas
03 condições são, em grande parte, oriundas do trabalho, que sempre fez parte da vida humana. Contudo,
04 desde que surge a propriedade privada capitalista, a relação de trabalho estabelecida entre empregador e
05 empregado passou por muitas transformações. O trabalho consistia em sinônimo de segurança, de um
06 ambiente ordenado, regular, confiável e duradouro. Em uma época não tão distante, o imediatismo não
07 figurava como valor maior, e a lógica do trabalho se assemelhava a uma construção: tijolo __ tijolo, andar
08 __ andar, no trabalho lento, que findava com uma obra sólida e firme – a carreira.
09 Mas hoje o status do trabalho parece estar subvertido ou, ao menos, tem se revestido de
10 características muito distintas das de outrora. O sociólogo polonês Zigmunt Bauman nos revela que o novo
11 perfil do trabalhador, buscado pelas empresas, não é mais exatamente aquele que prima por um sujeito
12 íntegro, enraizado em valores, com princípios e tradições sólidas. O mais novo filtro utilizado nesta
13 escolha é de outra natureza. De acordo com Bauman, desde 1997, usa-se nos EUA uma expressão que
14 designa o perfil de trabalhador que o mercado procura, o chamado “chateação zero”. A expressão cômica,
15 mas extremamente reveladora, nos mostra que o trabalhador que possuir menos fatores potenciais para
16 chatear ou incomodar a empresa durante o seu labor será aquele com maior chance de conseguir a vaga.
17 Por exemplo, um sujeito dotado de família e filhos tem o seu nível de chateação elevado, pois
18 provavelmente não terá tanta flexibilidade para aceitar tarefas em qualquer horário ou local.
19 Ora, se você é um empregado que ousa questionar as relações e que procura cumprir as suas
20 obrigações, cobrando dos demais o mínimo de responsabilidade, saiba que você possui um nível de
21 chateação elevadíssimo. Vantajoso é ser alguém descomprometido com a realidade social, com laços
22 afetivos frágeis e que possa estar sempre à disposição. A preferência é por “empregados ‘flutuantes’,
23 acríticos, descomprometidos, flexíveis, ‘generalistas’ e, em última instância, descartáveis (do tipo ‘pau
24 pra toda obra’, em vez de especializados e submetidos a um treinamento estritamente focalizado)”,
25 afirma Bauman. O mercado de trabalhadores é também um mercado de produtos.
26 Neste ambiente “líquido-moderno”, estendemos o retrato da prática do consumo para as demais
27 instâncias da vida, como parece ocorrer com as atividades do trabalho. Uma predileção pela facilidade,
28 desprendimento e individualização. Um produto é comprado, usado até perder o valor e depois
29 descartado, pois uma imensidão de outros estará __ disposição. O trabalhador assume, enfim, o status de
30 descartável. Incomodando zero, disponível sempre e criticando nunca.
(Salbego, Solange. Zero Hora, 21-02-2010 – adaptação)
Nas linhas 22 e 23, a autora utiliza aspas para marcar os adjetivos flutuantes e generalistas com o objetivo
Atenção: As questões de números 1 a 10 baseiam-se no texto apresentado abaixo.
Quem caminha pelos mais de 70 quilômetros de praia da Ilha Comprida, no litoral sul de São Paulo, pode perceber uma paisagem peculiar. Em meio às dunas da restinga, onde deveria existir apenas vegetação rasteira, grandes pinheiros brotam por toda parte. A sombra das árvores é um bem-vindo refresco para os moradores da região, mas a verdade ecológica é que elas não deveriam estar ali - assim como os pombos não deveriam estar nas praças das cidades, nem as tilápias nas águas dos rios, nem o mosquito da dengue picando pessoas dentro de casa ou as moscas varejeiras rondando raspas de frutas nas feiras.
São todas espécies exóticas invasoras, originárias de outros países e de outros ambientes, mas que chegaram ao Brasil e aqui encontraram espaço para proliferar. Algumas são exóticas também no sentido de "diferentes" ou "esquisitas'; mas muitas já se tornaram tão comuns que parecem fazer parte da paisagem nacional tanto quanto um pau-brasil ou um tucano. Outros exemplos, apontados pelo Programa Global de Espécies Invasoras e por cientistas brasileiros, incluem o pinus, o dendezeiro, as acácias, a mamona, a abelha-africana, o pardal, o barbeiro, a carpa, o búfalo, o javali e várias espécies de gramíneas usadas em pastos, além de bactérias e vírus responsáveis por doenças importantes como leptospirose e cólera.
Nenhuma delas é nativa do Brasil. Dependendo das circunstâncias, podem ser meras "imigrantes" inofensivas ou invasoras altamente nocivas. Dentro do sistema produtivo, por exemplo, o búfalo e o pinus são apenas espécies exóticas. Quando escapam para a natureza, entretanto, muitas vezes tornam-se organismos nocivos aos ecossistemas "naturais". Espécies invasoras não têm predadores naturais e se multiplicam rapidamente. São fortes, tipicamente agressivas e controlam o ambiente que ocupam, roubando espaço das espécies silvestres e competindo com elas por alimento - ou se alimentando delas diretamente.
Por sua capacidade de sobrepujar espécies nativas, as espécies invasoras são consideradas a segunda maior ameaça à biodiversidade no mundo - atrás apenas da destruição dos hábitats. Ao assumirem o papel de pragas e vetores de doenças, elas também causam impactos significativos na agricultura e na saúde humana.
(Adaptado de Herton Escobar. O Estado de S. Paulo, Vida&, 23 de julho de 2006 , A25)
O emprego das aspas em algumas palavras do texto
Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.
Crime organizado e militarização
Apesar de todos os avanços ocorridos no estado de direito, o crescimento da violência e da criminalidade, ao lado do agravamento das já graves violações de direitos humanos no ano de 1994, conduziu as autoridades a uma militarização crescente do enfrentamento da violência. Os resultados bastante limitados, para dizer o mínimo, atingidos pela ocupação militar da cidade do Rio de Janeiro mostram claramente a ineficiência dessa abordagem. O equívoco não é apenas logístico, mas reside na concepção mesma da abordagem militarizada.
O estereótipo das sociedades modernas, em especial as cidades, como o lugar da violência faz crer que a violência urbana tenha aumentado de forma ininterrupta desde a formação das grandes cidades, mas isso não corresponde à realidade. Na realidade, o crescente monopólio da violência física e o autocontrole que os habitantes da cidade progressivamente se impuseram levaram a uma crescente “pacificação” do espaço urbano. Se os níveis de criminalidade forem tomados como um indicador de violência, fica claro que esta declinou desde meados do século XIX até meados do século XX: somente por volta dos anos 1960 a violência e o crime começam a aumentar, tornando-se o crime mais violento depois dos anos 1980.
Apesar da violência, do crime, das graves violações de direitos humanos, não está em curso no Brasil uma “guerra civil” que exige uma crescente militarização, com a intervenção das forças armadas – como ocorreu na cidade do Rio de Janeiro. A noção de guerra é equivocada por que os conflitos ocorrem no interior da sociedade, onde seus membros e grupos sociais – especialmente em sociedades com má distribuição de renda – jamais cessam de viver em situações antagônicas. É a democracia que permite à sociedade conviver com o conflito, graças ao respeito das regras do jogo definidas pela constitucionalidade e dos direitos humanos, tanto direitos civis e políticos como sociais e econômicos: o enfrentamento militarizado do crime organizado não é compatível com a organização democrática da sociedade. Nenhuma pacificação na sociedade é completa. A matança pela polícia, a violência do crime, as chacinas, os arrastões, a guerra do tráfico não são episódios de uma guerra civil nem retorno ao estado de natureza. São consequências de conflitos e políticas de Estado permanentemente reproduzidas pelas relações de poder numa sociedade autoritária ao extremo, por meio das instituições e das desigualdades sociais.
(...)
Essa crítica às operações militares e ao equívoco, a nosso ver, do governo federal e do governo do estado do Rio de Janeiro em prolongar, com pequenas modificações, um convênio de duvidosa legitimidade constitucional não visa pregar a inação do governo federal, ou até mesmo das forças armadas. É intolerável para o estado de direito e para a forma democrática de governo que largas porções do território nacional estejam controladas pelo crime organizado como em várias favelas e bairros ou nas fronteiras dos estados. Mas é inaceitável, na perspectiva de uma política de segurança sob a democracia, uma delegação do governo civil às forças armadas para um enfrentamento do crime que tem contornos das antigas operações antiguerrilhas. De alguma forma essa intervenção militar velada no estado do Rio de Janeiro confere novas formas inquietantes da militarização das questões civis da segurança pública, agravando a continuidade da influência das forças armadas já presente na manutenção do policiamento ostensivo por forças com estatuto de subsidiárias às forças armadas e pelo foro especial das justiças militares estaduais. Ora, a formalidade estrita da democracia requer que o governo civil exerça a plenitude de seu poder na definição e no exercício da política de segurança.
In: DIMENSTEIN, Gilberto. Democracia em pedaços – direitos humanos no
Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 31-34.
“...não está em curso no Brasil uma “guerra civil” que exige uma crescente militarização...”
A justificativa para o uso de aspas na expressão sublinhada é a de que ela:
O termo "maquiagem" aparece entre aspas, no primeiro período do texto, porque:
