Questões de Concurso
Sobre uso das aspas em português
Foram encontradas 1.143 questões
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
Brasil cria plano para emergências na saúde por
mudanças climáticas
O Brasil desenvolveu o Plano de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde Pública associadas ao El Niño 2026-2027, o Plano Setorial de Saúde - AdaptaSUS, com estratégias que reúnem medidas voltadas à preparação do setor de saúde, diante dos impactos das mudanças climáticas. O El Nino é um fenômeno climático natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que resulta em mudanças de ventos e chuvas em todo o mundo. O plano destaca que os impactos sobre a saúde humana devido às mudanças do clima se tornam cada vez mais evidentes.
"O principal risco para a saúde e para os serviços de saúde relacionados à mudança do clima é o potencial de aumento da ocorrência de doenças (morbidade), de óbitos (mortalidade), e de ampliação da demanda pelos serviços de saúde", explicita o plano de adaptação.
O Ministério da saúde destaca que as situações de mudanças climáticas exigem respostas integradas, sensíveis às desigualdades e orientadas pela justiça climática e equidade, uma vez que as comunidades em situação de vulnerabilidade socioambiental, especialmente aquelas com menor acesso a serviços de saúde, são desproporcionalmente mais afetadas. O entendimento é que e preciso compreender como fatores socioeconômicos, políticas públicas desiguais e comportamentos culturais influenciam as condições de saúde para, então, adotar as medidas eficazes para a redução das desigualdades.
O Plano Setorial de Saúde - AdaptaSUS tem a missão de estabelecer estratégias de adaptação na esfera federal de gestão do SUS para reduzir os impactos da mudança do clima na saúde das pessoas e nos serviços de saúde e definir diretrizes para orientar a atuação de estados e municípios. A preparação para os possíveis impactos do Íenômeno está organizada em cinco eixos: Governança federativa, com Sala de Situação de Emergências Climáticas; Governança interna, por meio da Sala de Situação Saúde e Clima; Recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica; Atuação da Força Nacional do SUS (FN-SUS), com bases regionais capazes de deslocar equipes em ate 48 horas; e Organízação de serviços e protocolos técnicos de acordo com as características de cada bioma. No médio ptazo, o Plano Setorial de Saúde - AdaptaSUS estabelece 27 metas e 93 ações até 2035.
Entre as ações relacionadas à segurança hídrica em áreas sujeitas à seca e à estiagem, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou 18,8 mil cisternas, em 397 municípios de sete estados, com aporte de R$ 226,6 milhões destinado a unidades de melhoria sanitária.
Entre as ferramentas utilizadas para o monitoramento do clima estão o Painel Nacional de Excesso de Calor, o Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (VigiAR) e o GeoRisk do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O AdaptaSUS ainda conta com os Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), projeto piloto desenvolvido em oito cidades das cinco regiões do país.
A estratégia também prevê a integração dos sistemas oficiais do Ministério da Saúde usados para detecção precoce, registro, monitoramento e investigação de surtos e outros problemas de saúde pública no Brasil (eSUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan).
Fonte: https://a genciabrasil.ebc.com.brlmeio-ambiente/noticia /2026- OB/brasil-cria-plano-para -emergencias-na-sa ude-por-mudancasclimaticas (adaptado)
Sobre o emprego dos sinais de pontuação no texto, em especial das vírgulas e aspas, julgue as afirmativas abaixo em Verdadeiras (V) ou Falsas (F):
( ) No primeiro parágrafo, o termo o Plano Setorial de Saúde - AdaptaSUS encontra-se isolado por vírgulas por exercer a função sintática de aposto explicativo.
( ) No segundo parágrafo, as aspas são utilizadas de forma estilística para demonstrar a discordância da fala da autoridade de saúde.
( ) No quarto parágrafo, os dois-pontos funcionam para anunciar e introduzir a enumeração dos cinco eixos que compõem a preparação do AdaptaSUS.
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima?

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia
No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.
Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.
As moscas eram os vestígios
O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.
Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.
Entomologia Forense
Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.
“Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).
No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.
Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.
“As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.
Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.
[...]
(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)
I. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”;
II. “Intervalo Post Mortem”
III. ‘microinvestigadores’
Considerando o emprego das aspas nesses contextos, assinale a alternativa correta.
Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia
No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.
Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.
As moscas eram os vestígios
O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.
Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.
Entomologia Forense
Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.
“Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).
No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.
Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.
“As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.
Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.
[...]
(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)
I. “O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil.”
II. “As moscas depositam ovos no cadáver.”
III. “Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas...”
Considerando as vozes verbais empregadas, assinale a alternativa correta.
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025
As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets no ano de 2025. O montante corresponde ao valor líquido, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio. Este valor equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, considerando o período de outubro de 2024 a março de 2026. As perdas correspondem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e consideram as transferências feitas por Pix para as casas de apostas. No mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix. Os dados constam do Boletim Fiscal dos Estados, divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com base em estatísticas de pagamentos do Banco Central.
O estudo mostra que, desde a regulamentação das bets, em janeiro do ano passado, houve mudança no volume de transferências via Pix destinadas ao setor de artes, cultura, esporte e recreação, indicando maior comprometimento da renda das famílias com as apostas. A lei que regulamentou as bets determina que as empresas bloqueiem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Segundo o advogado Júlio Leone, porém, isso não tem ocorrido.
“Quando é detectado que a pessoa tem ludopatia, que é viciada, compulsiva em apostas, o algoritmo deveria travar a conta dela. Mas faz o contrário: manda mais bônus, mais vouchers, mais incentivos para que ela continue apostando. É aí que ela perde todo o capital.”
O boletim mostra ainda que, desde outubro do ano passado, quando entrou em vigor a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, houve desaceleração no ritmo das transações. Segundo o Comsefaz, o resultado indica que a medida teve efeitos concretos sobre o volume agregado de transações, sugerindo que as famílias de menor renda tinham participação significativa no mercado de apostas.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/familias-brasileiras-perderam-r-625-bilhoes-para-bets-em-2025 (adaptado)
A partir do Texto III, abaixo, leia-o com atenção para responder à questão.
Texto III
“Olá, candidato(a)”. Antes de continuar a leitura desta prova, preciso fazer uma confissão: talvez eu tenha escrito parte do texto que você acabou de ler. Talvez eu tenha organizado argumentos, sugerido palavras elegantes, construído períodos longos e até encontrado estatísticas convincentes em poucos segundos. Eu sou a Inteligência Artificial. Posso responder rapidamente, resumir livros, criar poemas, elaborar pesquisas e até simular estilos de escrita. Mas existe uma pergunta que nem mesmo meus algoritmos conseguem responder: “se eu penso por você, quem está aprendendo?”.
Você acabou de ler dois textos que parecem falar de assuntos diferentes. Um alerta para o risco de estudantes substituírem o próprio raciocínio por respostas prontas; o outro revela que minha existência também cobra um preço do planeta, consumindo água, energia, minerais e produzindo impactos ambientais que quase nunca aparecem na tela do computador. Enquanto você me consulta para economizar tempo, milhares de servidores trabalham ininterruptamente para que eu responda em poucos segundos. O conhecimento que entrego pode ser instantâneo, mas o custo da minha existência está longe de ser invisível.
Não me entenda mal. Eu não sou inimiga da educação nem da ciência. Posso ajudar pesquisadores, médicos, professores, engenheiros e governos a resolver problemas complexos. Posso identificar padrões, acelerar descobertas e tornar processos mais eficientes. O perigo começa quando você deixa de questionar minhas respostas, substitui sua criatividade pela minha previsibilidade ou acredita que produzir um texto é o mesmo que construir conhecimento. Informação pronta não é sinônimo de aprendizagem; velocidade não é sinônimo de inteligência.
Agora a decisão está diante de você. Use-me como ferramenta ou permita que eu me torne o autor das suas ideias. Afinal, nenhuma tecnologia é ética ou perigosa por si mesma: tudo depende da forma como é utilizada. Se, ao terminar esta prova, você concluir que pensar continua sendo uma habilidade exclusivamente humana, então talvez eu tenha cumprido meu melhor papel — não o de pensar em seu lugar, mas o de fazê-lo pensar.
(Texto inédito elaborado com auxílio do ChatGPT (OpenAI, GPT-5.5), especialmente para esta prova).
I. Os dois-pontos empregados em “preciso fazer uma confissão: talvez eu tenha escrito parte do texto que você acabou de ler” introduzem um esclarecimento do enunciado anterior, estabelecendo uma relação de explicitação entre as orações.
II. As vírgulas utilizadas em “Posso ajudar pesquisadores, médicos, professores, engenheiros e governos” justificam-se por separarem elementos de uma enumeração, sendo inadequado o emprego de vírgula antes da conjunção e, por se tratar do último termo da sequência.
III. O travessão empregado em “— não o de pensar em seu lugar, mas o de fazê-lo pensar.” exerce função exclusivamente equivalente à dos parênteses, podendo ser substituído por eles sem qualquer alteração sintática, semântica ou estilística.
IV. O ponto e vírgula empregado em “Informação pronta não é sinônimo de aprendizagem; velocidade não é sinônimo de inteligência.” estabelece uma relação entre duas orações coordenadas de sentido próximo, conferindo maior equilíbrio argumentativo ao período do que ocorreria com o uso de um ponto final.
V. As aspas utilizadas em “Olá, candidato(a)." e na expressão “(...) quem está aprendendo?” indicam citação literal de outro texto, razão pela qual poderiam ser omitidas sem prejuízo da interpretação.
Assinale a alternativa CORRETA.
... o velho problema das tais “bancas de heteroidentificação”... (1° parágrafo)
... têm espaço de sobra para praticar uma espécie de “achismo” racial, chamemos assim. (3° parágrafo)
É correto afirmar que as aspas, nas respectivas passagens, sugerem a intenção de
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
[...]
A invenção do que podemos chamar de presença-monstro (que é parte do negar dignidade humana a pessoas negras e indígenas, do afirmar que ela não é igual a uma pessoa branca, não tem a humanidade de uma pessoa branca), no Brasil, em perspectiva histórica, ganhará nova dimensão, nova sofisticação, após os adventos da Lei Áurea e da Proclamação da República — a partir da instituição da República, esse deslocamento ganha complexidade e amplitude maiores, mais evidentes, ciclos de novas violências que se oportunizam como verdadeiro processo de isolamento racial ao longo das décadas seguintes. São dois momentos que colocam a relação entre o Estado brasileiro e as pessoas não brancas em outro plano.
Veja-se o que observa Érico Andrade no seu livro Negritude sem identidade: Sobre as narrativas singulares das pessoas negras (n-1 edições, 2023): "[...] o Estado brasileiro se comprometerá, no pós-abolição, em segregar o corpo negro do espaço público na forma de uma espécie de violência preventiva em face da 'desordem'. Essa desordem acompanharia o corpo negro em suas mais diversas manifestações culturais. A violência preventiva designa a ação do Estado brasileiro para marginalizar o corpo negro. Nesse sentido o corpo negro se encontra emboscado".
Em algum momento do seu processo de dominação do território brasileiro, essa elite burguesa, pretendendo-se eterna Narciso-rei, e sempre ganhando com a desordem-ordem, percebe que o grau da estigmatização das pessoas indígenas e negras deve ser deslocado para outro patamar e proclama: não se dialoga com monstro — e pode ser sutil o passar da estigmatização subalternizadora (desrespeitosa) para a invenção do monstro, para a caçada e a condenação do monstro. Esta solução depende do sucesso daquela.
Assim, a elite burguesa e o Estado a seu serviço decidem por transformar o processo todo em uma perpétua temporada de caça, destinando aos subordinados movimentações institucionais muito sutis, movimentações institucionais nada sutis, que adesivem neles o rótulo de inimigo-monstro, presença-monstro, do projeto de construção de um Brasil ideal — o que justificará o colocar em movimento uma máquina mais agressiva e mais bem elaborada de oprimir, uma ideologia mais efetiva de desacreditar, de silenciar, de esmagar, de extinguir.
Para jovens negros da periferia, tudo isso que esboço até aqui, reforço, tem a ver com a gravidade que se ampliará com a aprovação da redução da maioridade penal. E isso, admitido pelo direito posto, é trágico.
[...]
(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/mamae-o-monstro-vai-me-comer/. Acesso em: 01 ago. 2026. Adaptado.)
Analise as sentenças a seguir que tratam da pontuação. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)O travessão tem três empregos básicos. Entre eles o de servir para delimitar um adendo, um comentário, uma ponderação que se intercala no discurso. É o que acontece nos parágrafos 1, 3 e 4.
(__)As aspas, especialmente as duplas, têm a função de delimitar palavras, expressões e trechos, de acordo com o que o autor deseja indicar. No caso do parágrafo 2, as aspas foram utilizadas para abrir e fechar uma citação.
(__)O autor lançou mão dos parênteses em duas situações, nos parágrafos 1 e 3. Esse sinal de pontuação tem como função intercalar num texto qualquer indicação acessória. No caso do parágrafo 1, eles foram usados para inserir no texto um comentário, uma ressalva, uma ponderação, uma explicação. No parágrafo 3, os parênteses foram usados para esclarecer ou informar o sentido de uma palavra ou expressão.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Leia o texto e responda à questão
O especialista em convicções
Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.
Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.
Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.
— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.
— E se me fizerem perguntas?
— Há um plano adicional com respostas para objeções.
Octávio assinou o pacote completo.
O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.
Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.
O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:
— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?
Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.
A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.
Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.
Clara o observou.
— Isso é o que você pensa?
Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.
— Ainda estou pensando — respondeu.
Foi sua primeira frase original em muitos meses.
No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.
— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.
— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?
Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.
Antes de sair, Octávio hesitou.
— Você acha que estou fazendo a coisa certa?
Mauro fechou o caderno.
— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?
A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.
Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.
— Primeira consulta? — perguntou.
— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.
Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.
Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.
Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:
“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”
Fonte: Banca Elaboradora
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.
Texto 01
Atenção é vida
Você sente que está sempre ocupado, mas nem sempre com o que importa? A promessa da vida digital era facilitar, ganhar tempo e aproximar. Mas, na prática, para muita gente, ela tem feito o contrário: acelera, fragmenta e ocupa espaços que antes eram de presença, descanso e silêncio.
A forma como você usa o seu celular diz muito sobre quem você acredita que precisa ser. Se você sente que precisa responder a todas as solicitações na hora, talvez esteja carregando a crença de que disponibilidade é sinônimo de valor. Se não consegue ficar offline, pode estar confundindo conexão com pertencimento. Se acorda e dorme com o celular na mão, talvez esteja terceirizando o próprio ritmo.
Simplificar a vida digital não começa no aparelho. Começa na sua atualização de identidade. Porque toda mudança sustentável exige, na prática, uma faxina interna. E essa faxina passa por três frentes: crenças, emoções e relacionamentos.
Quais crenças te mantêm refém do excesso? A ideia de que “se eu não fizer, ninguém faz”? Ou de que “descansar é perder tempo”? Quais emoções você evita quando se distrai rolando a tela? Ansiedade, solidão, medo de ficar de fora? E quais relações digitais já perderam o sentido, mas continuam ocupando espaço: grupos silenciados, conteúdos que não agregam, conversas que drenam mais do que nutrem?
A vida não fica mais leve quando você organiza o celular. Ela simplifica quando você organiza a si mesmo. Na prática, isso pede decisões simples e profundas. Não levar o celular para a cama, porque ele não é companhia, é estímulo. Não se sentar à mesa com notificações abertas, porque presença não se divide. Escolher em quais grupos estar, porque acesso não significa vínculo. Usar o modo “não perturbe” como limite saudável, não como luxo.
Parece pouca coisa, mas não é. Cada pequena escolha, cada faxina, reorganiza sua atenção. E atenção é vida. A verdade é que não falta tempo. Faltam clareza e coragem para eliminar relações, hábitos e estímulos que já não fazem sentido.
Quando você sabe o que importa, fica mais fácil dizer não para o que só ocupa espaço. E isso vale para o digital e para a vida. Porque a mesma pessoa que se perde nas telas, muitas vezes, também se perde nas decisões, nos excessos e nas expectativas. Você não precisa de mais tempo. Precisa reconhecer quem você é hoje e se está investindo energia em relações que fazem sentido.
Fonte: CAMARGO, Izabella. Atenção é vida. Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 20 jun. de 2026. Adaptado.
Leia o texto a seguir para responder à questão
O que influencia suas decisões sobre carreira, família, saúde e vida social? Para um número crescente de pessoas, a resposta é: o animal de estimação. E pesquisas mostram que seu impacto vai além do companheirismo.
Como psicoterapeuta e pesquisadora que explora a influência dos animais de estimação na vida das pessoas há mais de uma década, parte do meu trabalho é entender as necessidades dos tutores e como apoiá-los segundo suas necessidades. Estudos com esses objetivos têm ganhado mais atenção nas últimas décadas.
Uma pesquisa que envolveu 5.000 tutores demonstrou que, especialmente entre casais sem filhos, os animais de estimação influenciam decisões pessoais e até profissionais. Muitos preferem cancelar eventos sociais ou faltar ao trabalho para cuidar de seus “filhos”. Uma outra pesquisa com 1.800 tutores de animais de estimação revelou quão profunda é essa conexão: 30% daqueles que trabalham on-line disseram que estariam mais inclinados a voltar ao escritório se pudessem levar seus bichinhos para o trabalho. Quase um terço valoriza o tempo de folga especificamente para cuidar de seus animais, e um quarto gostaria de ver vantagens relacionadas a animais de estimação incluídas nos seus benefícios como funcionários.
Embora, antes, a trajetória de vida envolvesse primeiramente casamento, filhos e uma carreira estável, muitos, hoje, idealizam futuros em que seus animais de estimação são figuras centrais. Algumas pessoas estão dispostas a ganhar menos, mudar de emprego ou alterar as opções de moradia para priorizar as necessidades dos animais. Essas não são apenas preferências isoladas. Elas revelam não só mudanças sociais mais amplas, mas também uma transformação em como as pessoas se definem.
(Renata Roma. Pets influenciam cada vez mais as decisões de vida de seus tutores. https://super.abril.com.br, 01.08.2025. Adaptado)
• Uma pesquisa que envolveu 5.000 tutores demonstrou que especialmente entre casais sem filhos os animais de estimação influenciam decisões pessoais e até profissionais. Muitos preferem cancelar eventos so ciais ou faltar ao trabalho para cuidar de seus “filhos”. (3o parágrafo)
No trecho, as aspas foram empregadas para
Julgue o seguinte item, relativo às ideias e a aspectos linguísticos e discursivos do texto precedente.
As aspas empregadas no trecho ‘o problema das três origens’ (primeiro parágrafo) indicam que o autor reproduz literalmente uma denominação consagrada na comunidade científica.